sábado, 29 de março de 2014

Hora do Planeta 2014




Hoje, várias cidades do globo vão ficar às escuras. A Hora do Planeta é o maior evento mundial de acção ambiental. Em 2013, mais de 7 mil cidades de 154 países mostraram a sua consciencialização ecológica e desligaram as luzes.

Em Portugal, 96 cidades vão ficar sem iluminação entre as 20h 30m e as 21h 30m. A Ponte 25 de Abril, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Santuário do Cristo Rei em Lisboa, o Palácios da Pena, o Castelo dos Mouros, em Sintra e o Santuário Nossa Senhora da Nazaré, são alguns dos monumentos que vão apagar as luzes pela Hora do Planeta.


terça-feira, 18 de março de 2014

Embalagem para presente - " Mocho sabichão"

1 - Embalagem "Mocho sabichão"
O mocho é considerado um símbolo de sabedoria. Bem indicado para decorar uma embalagem do Dia do Pai ou Dia da Criança, como fonte de inspiração.

A embalagem tem a forma de pirâmide quadrangular. Na sua realização usei cartolina de várias cores e fita de embrulho. Poderá optar por reciclar cartões ou papéis de fantasia.

Material:

- 1 cartolina de formato A3 (cor castanho);
- 3 cartolinas de forato A5 (cores amarelo e laranja);
- 1 régua graduada;
- 1 tesoura co bicos finos;
- 1 tubo de cola;
- 1 compasso;
- 1 lápis nº 2;
- 1 furador de papel;
- 1 espátula para dobragem;
- 2 "olhos" em acrílico;
- 1 bocado de EVA (cores amarelo e castanho).

Passo a Passo:


2 - Molde da embalagem. Pirâmide quadrangular: aresta da base ab - 80 mm; aresta lateral al - 105 mm; largura da dobra - 10 mm. Tracejado = dobra; traço contínuo = corte.

1 - Imprima o molde da embalagem e recorte (imagem 2)

3 - Molde sobre a cartolina castanha

2 - Coloque o molde recortado sobre a cartolina castanha e contorne com o lápis nº 2 (imagem 3).


4- Pirâmide quadrangular com as arestas traçadas
3 - Recorte a pirâmide quadrangular. Com o auxílio da régua, trace com o lápis todas as arestas da base e dos lados (imagem 4).

5 - Arestas vincadas e dobradas
4 - Vinque e dobre todas as arestas (tracejado) usando a tesoura, a régua e a espátula (imagem 5).

6 - Círculos para os olhos do mocho.
5 - Olhos do mocho: trace dois círculos com 25 mm de diâmetro, sobre a cartolina na cor castanho. Trace dois círculos com 15 mm de diâmetro, sobre a cartolina na cor amarelo. Recorte todos os circulos(imagem 6). 

Desenhe penas minúsculas sobre a cartolina na cor amarelo e laranja, recorte e cole em redor dos olhos do mocho (imagem 8).

7 - Asas do mocho
 6 - Asas do mocho: desenhe uma asa com 60 mm de comprimento e 20 mm de largura, sobre uma cartolina. Com este molde trace 3 pares de asas em três cores diferentes. Recorte, sobreponha e cole (imagem 7).

8 - Colagem dos olhos, bico e penas da cabeça.
 7 - Cole as penas da cabeça do mocho, os olhos e o bico, este recortado em EVA (imagem 8).

 
9 - Colagem das asas do mocho
 8 - Cole as asas conforme mostra a imagem 9.

10 - Colocação da fita
 9 - Com o furador de papel, faça os furos A, B, C, D, nos sítios indicados no molde (imagem 2).

10 - Passe a fita pelos furos e feche a embalagem (imagem10).




sábado, 8 de março de 2014

A mulher na Primeira Guerra Mundial

Mulheres empregadas numa fábrica de munições, na Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial -  Foto, colecção Robert Hunt/ Mary Evans Picture Library

No centenário do inicio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), evoco a importância da actuação das mulheres antes e durante a guerra, visando mudanças sociais significativas.

Capa "The Illustrated"- "Notícias de Guerra". Uma jardineira, durante a guerra, montada numa motocicleta com sidecar, o qual transporta ferramentas de jardinagem - Mary Evans Picture Library

The House That Man Built. Cartaz, c. 1908. Na ilustração, sufragistas distribuem folhetos para a igualdade no direito ao voto - The March of the Women Collection /Mary Evans Picture Library

A luta pelo direito à participação na vida política e ao voto feminino (iniciado em 1897 no Reino Unido), no período imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial, atingiu um ponto culminante, quando a militante do movimento pelo voto feminino, Emily Davison (1872-1913), se atirou, durante a corrida Derby d’Epsom 1913, para a frente do cavalo do rei Jorge V, tornando-se a primeira mártir do movimento.

Women's Volunteer Reserve, Novembro de 2016. Voluntárias do Royal Mail (serviço postal nacional do Reino Unido), durante a Primeira Guerra Mundial. Aqui, recebendo instruções sobre um motor Foto, colecção Robert Hunt/ Mary Evans Picture Library
Uma mulher motorista de tractor, em Kent, durante a Primeira Grande Guerra. Uma das inúmeras funções tradicionalmente masculinas, assumidas por mulheres - Foto, Mary Evans Picture Library
Maquinista feminina na Escócia, durante a Primeira Guerra Mundial -  Foto, colecção Robert Hunt/ Mary Evans Picture Library/ Imperial War Museum

Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as sufragistas deixaram as ruas e assumiram importante papel nos esforços de guerra. Emmeline Pankhurst (1858-1928), fundadora da União Social e Política das Mulheres, WSPU (1903) -  pela defesa dos seus direitos em Inglaterra - colocou as suas brigadas femininas bem organizadas, à disposição dos esforços de guerra. 



Mulheres que trabalham durante a Primeira Guerra Mundial, ilustração, 1915. Acima: numa fábrica de armas, enchendo os reservatórios com explosivos. Abaixo: uma cena ao ar livre com uma condutora de autocarro, uma mulher carteiro (à direita) e membro da WAAC (Corpo do Exército Auxiliar Feminino) - Mary Evans Picture Library

Back our girls over there, YWCA, 1918. Cartaz: litografia. Autora: Clarence F. Underwood. O cartaz de campanha de trabalho, mostra uma jovem sentada numa central telefónica, com soldados em fundo - USA Library of Congress
The Girl on the Land Serves the Nation's Need, YWCA, 1918. Cartaz: litografia. Autor: Edward Penfield - No cartaz, quatro raparigas carregam ferramentas e uma cesta com produtos, enquanto conduzem um par de cavalos - USA, Library of Congress

A guerra contribuiu de forma considerável para a mudança do papel das mulheres, ao exigir a sua participação em diversos sectores de actividade económica, onde se integravam os trabalhos mais pesados. 

Elas começaram a evidenciar-se nas fábricas e a exercer inúmeros cargos tradicionalmente masculinos. As mulheres desempenharam outras funções como condução de autocarro, eléctrico e táxis, distribuição de correio, limpa-vidros, jardinagem... Como enfermeiras, estiveram presentes no campo de batalha e hospitais de campo socorrendo os feridos, em acções de prevenção sanitária, na preparação de próteses e material para curativos. Nas áreas da indústria e engenharia, também houve um aumento significativo do número de mulheres.

Stage women's war relief, 1918. Cartaz: litografia. Autor: James Montgomery Flagg - No cartaz, uma mulher no palco, tira um manto escarlate debruado com pele, para mostrar o uniforme branco de voluntária - USA, Library of Congress

If you want to fight! Join the Marines, 1915. Cartaz. Autor: Christy, Howard Chandler - No cartaz, uma mulher em uniforme militar, numa cena de guerra de trincheira, com tropas carregando a bandeira dos EUA e a bandeira dos fuzileiros - USA, Library of Congress

Women's Land Army - Cartaz de propaganda britânica da Primeira Guerra Mundial, encorajando as mulheres a juntar-se ao exército das mulheres da terra, para ajudar a alimentar o país - Corbis
Heroínas obscuras - Nas regiões, onde a luta é mais intensa, as mulheres, alheias aos perigos, entregam-se aos trabalhos agrícolas, enquanto os homens dão a vida em defesa da pátria no campo de batalha - Desenho de Ferreira da Costa - Ilustração Portuguesa nº 530, 17 de Abril de 1916 - Hemeroteca Digital

Em Portugal, as enfermeiras da Cruzada das Mulheres Portuguesas (CMP), cuidavam dos feridos de guerra no Hospital Militar da Estrela e no Hospital Militar de Belém. A CMP foi um movimento de beneficência feminino presidido por Elzira Dantas Machado (1865- 1942), esposa do Presidente da Republica Portuguesa, à época, Bernardino Machado. A partir de Março de 1916, ano em que o movimento foi criado, prestou assistência moral e física aos soldados portugueses mobilizados por motivo da Primeira Guerra Mundial. A extinção da CMP ocorreu em 1938, tendo o seu património sido transferido para a Liga dos Combatentes da Grande Guerra.

A CML foi condecorada com a Grã-Cruz da Torre Espada, galardoando os seus altos e humanitários serviços durante a Guerra, no dia 12 de Junho de 1919. 


Portugal na guerra. No Paço de Belém: - A srª D. Alzira Dantas Machado, esposa do sr. dr. Bernardino Machado, presidente da República, com as senhoras que formam a comissão da Cruzada das Mulheres Portuguesas - Ilustração Portuguesa nº 529, de 10 de Abril de 1916 - Hemeroteca Digital.
Um grupo de senhoras da Cruzada das Mulheres Portuguesas, em serviço no Hospital da Estrela. Ilustração Portuguesa, nº 631, 25 de Março de 1918, pág. 229. Fotógrafo: Ernesto de Carvalho - Hemeroteca Digital
No Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas (1918-1919), capítulo "Opinião da Imprensa", página 184, pode ler-se no texto publicado por "A Pátria", em 16 de Janeiro de 1919: " Recebemos o último relatório, inteligentemente organizado, da benemérita "Cruzada das Mulheres Portuguesas". Consoladora foi essa para nós, que acreditamos no valor da nossa raça, na abnegação e altruísmo da mais santa das mulheres - a mulher portuguesa - carinhosa, amante da sua Pátria, sempre pronta a sacrificar-se pelas nobres e justas causas. Consta do relatório toda a larga e benemérita acção desse nobre punhado de mulheres que à Pátria se dedicaram, velando pelo soldado português, assistindo aos feridos e aos repatriados. 
Bonita obra, por tantos abocanhada. Transcrevemos na nossa 4ª página uma pequena parte do interessantíssimo relatório felicitando vehementemente a ilustre presidente as diversas Comissões que dirigem a obra da "Cruzada". (Imagem modificada digitalmente) - Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas. Lisboa: CMP, 1918-1933. Biblioteca Nacional de Portugal

No Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas (1917-1918), capítulo "Comissão Executiva da Enfermagem de Guerra, página 15, pode ler-se em "Garantia das Enfermeiras de Guerra": "Pelo decreto a publicar as senhoras enfermeiras serão remuneradas de fora que bem lhes compense materialmente o seu trabalho. Num país como o nosso em que não há profissões remuneradas para senhoras, um largo e bom caminho se abre a todas aquelas que se compenetrarem bem, não só do dever cívico que lhes pede trabalho e sacrifício, como do alto dever moral de cada um procurar tornar-se independente pelo próprio esforço honesto e útil. As sub-comissões da "Cruzadas das Mulheres Portuguesas", de acordo com os senhores médicos, organizando cursos de enfermagem em todo o país pelo programa que a "Comissão Executiva" não tem dúvida de fornecer; facilitarão o trabalho urgente de organização dum Corpo de Saúde de Guerra, porque muitas senhoras não podem deslocar-se gratuitamente, para fazerem os cursos em Lisboa, vindo depois de diplomadas, se forem aceites as suas garantias morais e aprovadas pela Junta Médica, fazer o estágio já remuneradas. Toda a urgência é pouca num trabalho de tanta necessidade, esperando-se do patriotismo das Mulheres Portuguesas a larga incrição que se faz mister". Lisboa, 15 de Agosto de 1917.(Imagem modificada digitalmente) - Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas. Lisboa: CMP, 1918-1933. Biblioteca Nacional de Portugal


Portugal, on les auras. Postal ilustrado com representação de figura feminina com uniforme militar (Guerra 1914-1918). Autor: Xavier Sager. Publicado em Paris por A. Noyer (1916-1918). Colecção: Fantaisies trichromes; Les femmes alliées soldat - Biblioteca Nacional de Portugal

A verdadeira emancipação das mulheres, não seria conseguida apenas com uma actividade profissional dependente, paga a um preço inferior ao pago aos homens, agravada por condições de trabalho deploráveis. Muitas mulheres insatisfeitas com a situação, começaram a organizar-se em sindicatos, exigindo através de diversas formas de luta, como a greve, condições de trabalho melhores. 

  
Bobette! Ilustração de Higgins, 1918 (Legião de Mulheres). Na ilustração, uma mulher veste o uniforme da Legião Feminina (Women's War Services Legion), na Primeira Guerra Mundial. A Legião fornecia todos os tipos de serviços, incluindo cozinhar para o exército, conduzir e trabalhar a terra. A mulher de uniforme, provoca uma expressão desconcertada no rapaz (à esquerda) - Mary Evans Picture Library

Mulheres de uniforme, 1915. Ilustração de Annie Fish em The Tatler's Letters,  demonstrando os tipos de uniforme usado pelas mulheres trabalhadoras durante a Primeira Guerra Mundial. No desenho mostra uma enfermeira, um membro da WAAC e motorista de autocarro - Mary Evans Picture Library
Hospital de guerra Kensington Supply Depot, 1917. Numa sala do hospital, mulheres executam talas de papier mache para soldados feridos durante a Primeira Guerra Mundial. O trabalho pioneiro de criação de talas de sacos de papelão, foi iniciado por duas escultoras,  Elinor Halle e Anne Acheson - Mary Evans Picture Library

Em 1918, com a aprovação do Representation of the People Act, as inglesas com mais de 30 anos, obtiveram finalmente o direito de voto. Habilitando-se ao sufrágio, as mulheres poderiam ser elegíveis, tendo a possibilidade de concorrer de igual para igual com os homens por cargos electivos.  A lei britânica deu forças a mulheres de outros países em busca dos seus direitos ao voto e à participação na vida política.


Primeira Guerra Mundial. Enfermeiras num hospital de campo em França, socorrem soldados feridos, em Outubro de 1916. Aguarela de FOUQUERAY, Charles - Mary Evans Picture Library 
Enfermagem do campo de batalha. Cartão postal, onde se vê uma carroça militar e uma enfermeira da Cruz Vermelha, fornecendo suporte no campo de batalha para as tropas da frente ocidental durante a Primeira Guerra Mundial - Mary Evans Picture Library / Colecção Gasca
Achetez le Timbre Antituberculeux, Paris, 1917. Cartaz: litografia. Autora: Vilá. No cartaz, uma enfermeira olha para crianças que brincam ao ar livre - USA, Library of Congress
You can help, Cruz Vermelha Americana, 1918. Cartaz: litografia. Autora: Benda, Wladyslaw T. O cartaz mostra uma mulher jovem fazendo tricô - USA, Library of Congress

"Have you answered the Red Cross Christmas roll call?", 1918. Cartaz: litografia. Autor: Fisher, Harrison. No cartaz, uma enfermeira da Cruz Vermelha estende a mão. Soldados marcham com a bandeira americana - USA, Library of Congress

"Kultur" ameaça a enfermeira Edith Cavell, que ajuda um inimigo ferido. Cartão postal do pintor Tito Corbella (1885-1966).  Impresso por Inter-Art Co., Red Lion Square, London, W.C. British Manufacture Throughout. - Universität Osnabrück | Historische Bildpostkarten


Edith Cavell nasceu no Reino Unido (1865-1915). Durante a invasão das tropas alemãs na Bélgica, ajudou centenas de soldados aliados a fugir para a Holanda neutra. Foi presa pelos alemães, condenada à morte e executada a tiro no dia 12-10-1915. A sua memória é ainda hoje homenageada pela Igreja Anglicana.



" La Baionnette" (1915-1920), A Guerra e as Mulheres. (Ilustração do periódico "A Baioneta"  por Fabien Fabiano). Biblioteca Nacional de França.

Fontes:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N530/N530_item1/P14.html
http://www.maryevans.com/home_2008.php?usr=notlogged&job=3191369&prv=menu
http://www.corbisimages.com/
http://www.loc.gov/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufragismo
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N529/N529_item1/P7.html
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1918/N631/N631_item1/P11.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzada_das_Mulheres_Portuguesas
http://www.momentosdehistoria.com/MH_04_04_Coragem.htm
http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53078894p/f1.planchecontact.r=f%20fabiano.langPT
https://fr.wikipedia.org/wiki/La_Ba%C3%AFonnette
https://fr.wikipedia.org/wiki/Edith_Cavell


Nesta mensagem adicionei textos e imagens sobre "Cruzada das Mulheres Portuguesas", no dia 27 de Julho de 2014.



 


Feliz Dia da Mulher

 Desenho da ilustradora Ofélia Marques. Grafite, aguarela e tinta da china sobre papel - CAM


Desejo a todas as leitoras, amigas e visitantes do comjeitoearte um dia muito feliz.

Ofélia Marques (1902-1952), foi uma pintora portuguesa. Participou pela primeira vez no Salão de Outono em 1926. A sua actividade foi centrada maioritariamente no desenho e ilustração, com trabalhos publicados em jornais e revistas ( ABC-zinho, Revista de Portugal, Panorama, Civilização entre outros). A sua obra em pintura, valeu-lhe o Prémio Souza-Cardoso em 1940. No ano do 50º aniversário do seu falecimento (2002), a Casa da Cerca (Almada) apresentou uma  exposição antológica dos seus desenhos.

Fonte: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Of%C3%A9lia_Marques
http://www.cam.gulbenkian.pt/index.php?article=60019&visual=2&ngs=1&langId=1

terça-feira, 4 de março de 2014

Brincadeiras do Carnaval de Lisboa

Capa da Ilustração nº 76, de 16 de Fevereiro de 1929. Ilustração do pintor José de Almada Negreiros (1893-1970). (A revista contém textos sobre o Carnaval). Hemeroteca Digital

A quadra do Entrudo em Lisboa, era uma época de folias e loucura, expressa através de bailes, desfiles, jogos e cegadas. Ao longo do século XIX, o Carnaval conheceu uma evolução significativa, perdendo muito da sua agressividade. No entanto, muitas brincadeiras grosseiras e até perigosas, mantiveram-se firmes durante a segunda metade do século XIX e inicio do século XX, como molhar com água (misturadas com “cheiros” ou outros líquidos menos agradáveis) os transeuntes, atirar farinha e pó de talco ao cabelo e à roupa, arremessar projécteis, desde ovos, tremoços, talos de couve, molhos de cebolas, alhos e laranjas. Quem andasse desprevenido pelas ruas da cidade, arriscava-se a levar banho de agulheta ou ser enfarruscado dos pés à cabeça. 

Capa da Ilustração nº 316, de 16 de Fevereiro de 1939. Ilustração do pintor José de Almada Negreiros (Espanhola). (A revista contém texto sobre o Carnaval). Hemeroteca Digital
 Capa da Ilustração nº 4, de 16 de Fevereiro de 1926. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais (1887-1961) - Hemeroteca Digital.

Panelas velhas, objectos de cozinha e todo o ferro-velho que, durante o ano inteiro, se guardava em casa, eram atirados para cima de quem passava nas ruas ou pelas portas das casas de habitação (caqueiradas).
A partir do meio do século XIX, vulgarizaram-se os produtos “fingidos” (pudins, frango assado, ovos fritos, arroz-doce) fabricados em diversos materiais, as caixas francesas com "surpresas" (de onde saltavam ratos, rãs...), bem como as serpentinas e os papelinhos, cortados ou picados. Ao mesmo tempo, avultavam os explosivos, como a “massa de estalos” e as bombas à base de fulminato de prata, apesar de sucessivamente proibidas pelas autoridades (a partir de 1845).

Capa da Ilustração Portuguesa nº 524, de 6 de Março de 1916. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais. (A revista contém "crónica" de Júlio Dantas sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Capa da Ilustração Portuguesa nº 418, de 23 de Fevereiro de 1914. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais, "Jogando o Carnaval". (A revista contém um desenho de Rafael Bordalo, texto e fotos sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Para brincar no Carnaval, os foliões trabalhavam seriamente durante um mês: realizavam disfarces, recortavam tiras de jornais velhos (rabo-levas) para pendurarem nas costas dos mais desprevenidos, preparavam as cegadas que percorriam as ruas da capital com o XéXé a abrir o caminho. Os mascarados usavam disfarces tradicionais como a criada e o polícia de cassetete em punho, o galego, os pierrots, as pierrettes e as pastorinhas. 


Capa da Ilustração Portuguesa nº 836, de 25 de Fevereiro de 1922. Ilustração do pintor Jorge Barradas (1894 - 1971).(A revista contém textos sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.



Capa da Ilustração Portuguesa nº 781, de 5 de Fevereiro de 1921. Ilustração do pintor Tomás Leal da Câmara (1876-1948). (A revista contém textos e imagens sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Os bailes de máscaras públicos ou privados, tornaram-se uma das principais manifestações festivas carnavalescas. Realizados em casas particulares, associações recreativas, clubes e outros espaços públicos (Coliseu dos Recreios, Casino Lisbonense, Circo Price…), para além dos teatros D. Carlos e D. Maria II (onde se reunia a melhor sociedade), do Trindade (no Carnaval de 1867 abriu ao público o Salão do Trindade, e iniciou a moda dos bailes de máscaras infantis nos anos 1870) e do Monumental (com matinées e soirées de Carnaval nos anos 1950), propiciavam a exibição de disfarces com alguma originalidade, riqueza e motivos exóticos.
 
Capa da Ilustração Portuguesa nº 51, de 11 de Fevereiro de 1907. (A revista é dedicada ao Carnaval) - Hemeroteca Digital.
Os cortejos carnavalescos constituídos por carros alegóricos, desciam a Avenida da Liberdade, onde a população se aglomerava ao longo da  rua, para assistir à passagem das máscaras, que seguiam a pé, a cavalo ou de carruagem. 

Ilustração Portuguesa nº 51, de 11 de Fevereiro de 1907. "Aspecto do carnaval de 1903. Primeiro cortejo do rei Carnaval" - Hemeroteca Digital
Ilustração nº 76, de 16 de Fevereiro de 1929. "O Entrudo do 1929. Vários aspectos do Corso da Avenida da Liberdade e dos pequeninos mascarados, as duas notas curiosas dos festejos carnavalescos deste ano" - Hemeroteca Digital
O Occidente: Revista ilustrada de Portugal e do Estrangeiro nº 5 , de 1 de Março de 1878. "Cenas do Carnaval de Lisboa", por Manuel de Macedo. Pode ver-se algumas das brincadeiras de Carnaval e as travessuras a que eram sujeitos os cães (ao lado inferior direito).


 Fontes:




http://www.inatel.pt/trindadehome.aspx?menuid=113
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Leal_da_C%C3%A2mara
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stuart_Carvalhais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Almada_Negreiros

Mattoso,José, História de Portugal. O Liberalismo (1807-1890). Estampa