sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Olhá varina de Lisboa!" - Costumes portugueses, séculos 19 e 20

Varinas na venda ambulanteLisboa, 1909. Negativo de gelatina e prata em vidro.Fotógrafo, Joshua Benoliel - Arquivo Municipal de Lisboa

A colónia varineira do distrito de Aveiro, foi de grande importância para a cidade de Lisboa, após a inauguração da Linha do Norte (ferroviária), em Novembro de 1877. Os varinos e varinas provinham de Murtosa e de Ovar, terra de onde lhes vem o nome. Toda a família, marido, mulher, filhos e irmãos, chegavam de comboio com destino ao bairro da Madragoa, onde alugavam casa. Os homens ocupavam-se na pesca, as mulheres dedicavam-se à venda ambulante, apregoando o peixe fresco, descalças, com a canastra à cabeça, por vezes acompanhadas dos filhos muito pequenos. 


Varina (mulher de Ovar) vendendo peixe em Lisboa ca. 1850. Litografia aguarelada. PALHARES, JOÃO. Costumes portugyeses /Palhares lith. - Lisboa: J. Palhares. ca. 1850. - BNP

Peixeira ovarina, 1908 - 1924. Cerâmica, barro vermelho moldado. Autor, Rafael Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica
As Varinas. Guache sobre cartão, 1930. Autor, Jorge Barradas - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)
As Escadinhas, 1934. Óleo sobre tela. Autor, Francisco Smith - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)
Painel de azulejo decorativo, Varina da cidade de Lisboa. Pó-de-pedra, estampilha com Aerografo e pintura manual. Marca Sacavém. Terceiro quartel do século XX. 150 Anos- 150 Peças. Fábrica de Loiça de Sacavem. Museu de Cerâmica de Sacavém, 2006.
Varina, 1946. Desenho a lápis sobre papel. Autor, José de Almada Negreiros - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)

Varinas (Estudo), 1924. Óleo sobre tela. Autor , Mário Eloy - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Menino e Varina. Óleo sobre tela, 1928. Autor, Mário Eloy - .Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)

No Tejo. Aguarela sobre papel. Autor, Alfredo de Morais - Museu José Malhoa (MatrizNet)


No caminho da Ribeira Nova, onde rematavam o peixe na lota, as varinas enfrentavam os Invernos rigorosos, de pernas nuas, pés descalços, saia arregaçada, faixa apertada sobre os quadris e na cabeça o chapéu de feltro preto sobre o lenço de cor berrante. As varinas de canastra à cabeça pousada sobre a “sogra” ( espécie de rodilha enrolada), subiam e desciam as escadarias dos bairros de Lisboa, vendendo sardinhas e outro pescado, seguidas por numerosos gatos. Repetiam os pregões em voz estridente e bem gritada: Pescada fresca!... Oh! Viva da costa!... Olha o rico safio gordo!... Posta de pescado!... Carapau do alto!... Pescada linda! As varinas mais ricas que vendiam no Mercado da Ribeira Nova, enfeitadas com grossos cordões de ouro, gritavam os mesmos pregões.


Cabeça de peixeira, 1938. Cerâmica, barro cozido pintado. Autor, Jorge Barradas - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian

Varinas na lota, Lisboa 1912. Negativo de gelatina e prata sobre vidro. Fotógrafo, Joshua Benoliel - Arquivo Municipal de Lisboa


Mulheres na Lota, 1952. Linogravura sobre papel. Autor, Júlio Pomar - Museu Dr. Joaquim Manso (MatrzNet)
Peixeira. Costume of Portugal, de Henri L'Evêque. 
Vendedeiras de Lisboa. Xilogravura sobre papel. Autora, Alice Jorge - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Peixeira, 1960. Água-Forte sobre papel. Autora Maria Keil - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Pescadores portugueses, 1941. Óleo sobre tela. Autor, Francis Smith - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Peixeira. Litografia sobre papel. Autor, Júlio Pomar -  Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Peixeira em Lisboa vendendo peixe em Lisboa ca. 1850. Litografia aguarelada. PALHARES, JOÃO. Costumes portugueses /Palhares lith. - Lisboa: J. Palhares. ca. 1850. - BNP

Algumas varinas vendiam sardinhas fritas, improvisando um posto de venda em frente de uma taberna. Permaneciam no local sentadas durante várias horas, fritando as sardinhas em azeite, as quais, vendiam aos marinheiros e galegos.
A varina laboriosa, combativa, voluptuosa e de gestos desenvoltos, inspirou muitos poetas e artistas, fascinados pela cidade de Lisboa.

Vendedeira de sardinhas. Costume of Portugal, de Henri L'Evêque.   

Pote, 1926. Faiança com decoração por técnica de pintura manual, com quatro reservas com cenas alusivas á vida piscatória- pescador, varina, barcos e mar. Fábrica de Sacavém. Autor, Hermengarda Gilman de Carvalho. 150 Anos- 150 Peças. Fábrica de Loiça de Sacavem. Museu de Cerâmica de Sacavém, 2006.
VarinaMadeira torneada e pintada. Autor, Tomáz de Mello (TOM) - Museu de Arte Popular (MatrizNet)

Lisboa. Desenho, tinta estilográfica preta sobre papel. Autor, Bernardo Marques - Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian

Varinas, 1951. Aguarela sobre papel. Autora, Madalena Cabral - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)
Peixeiras, 1983. Tinta da china sobre papel. Autor, Heitor Chichorro - Museu Francisco Tavares Proença Júnior (MatrizNet)


Varina (Lisboa), Portugal. Postal ilustrado. Autor Emílio Freixas Aranguren - Arquivo "comjeitoearte"
Evocação de Lisboa, 1949. Óleo sobre tela, Autor, Francisco Smith - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet)
Varinas. Escultura em bronze. Autor, Mestre Lagoa Henriques - Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa 


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Vasam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, herculeas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vem sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
          
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          in "O Sentimento de um Ocidental" - "Avé Marias"
VERDE, Cesário, 1855-1886
O Livro de Cesario Verde : 1873-1886 / publicado por Silva Pinto. - Lisboa : Typographia Elzeveriana, 1887. ( BNP)


Fontes: 
Ayuntamiento de Lisboa: El Pueblo de Lisboa, Exposicion Iconográfica, 1990. Museo Municipal de Madrid
CARVALHO, Pinto de, 1858-1936 Lisboa de outrora / Joäo Pinto de Carvalho ; ed. lit., coord. e not. Gustavo de Matos Sequeira, Luís de Macedo. - Lisboa : Grupo de Amigos de Lisboa, 1939 (BNP)
Abelho, Azinhal, Lisboa num cravo de papel. Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa, 1968.




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