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segunda-feira, 16 de julho de 2018

A fivela no traje, em Portugal

Par de fivelas. Feito em minas novas brancas e verdes, montadas em prata. Destacam-se na sua ornamentação quatro laços. De  forma levemente oval e arqueada, cada fivela apresenta um espigão bifurcado e aro de segurança com alguns espigões. Século XVIII. Dimensões: 6,2 X 4,8 cm. Fundo Antigo (Selecção). Ensaios nº 7 (1976). Museu Nacional dos Coches.  Secretaria de Estado da Cultura. Direcção-Geral do Património Cultural: Lisboa, 1977 




Nas classes privilegiadas do século XVIII,  em Portugal, o número de fatos completos masculinos, raramente são inferiores a três. As peças base permitem diferentes combinações de cores, acessórios ou adornos.

Evidenciam-se os adornos de metais preciosos decorados com pedras, como fivelas de calções e fivelas de sapatos sobre meias de seda.


Casaca, véstia e calção. Estas três peças de vestuário dominam até à primeira década de Oitocentos todo o horizonte do traje masculino, (...).
Os cânones da decência passam em primeira instância pela apresentação em fato completo, isto é, pela complementaridade entre a casaca exterior, a véstia mais curta, por debaixo, e os calções que descem até à linha dos joelhos.(...)
MADUREIRA, Nuno Luís. Lisboa, Luxo e Distinção, 1750-1830 (p. 52). Editorial Fragmentos, Lisboa, 1990
Retrato de D. José, Príncipe do Brasil. Pintura a óleo. Autor: Pierre Antoine Quillard. Dimensões: 2,17 X 1,21 cm. Datação: 1728/1732. Palácio Nacional de Mafra.  MarizPix (Foto de Arnaldo Soares (1993).
Par de fivelas / Calção. Fivelas de calção em prata, de forma rectangular, decoradas com uma fileira de pedras (topázios). Século XVIII. Dimensões: 2,5 X 2,8 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da ModaMatrizNet
Par de fivelas / Calção. Fivelas de calção em prata, de forma rectangular, decoradas com minas novas incrustadas (56), formando moivo floral em cada um dos lados. Fechos em aço. Século XVIII, 1780-1790 Dimensões: 3,5 X 4,5 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da ModaMatrizNet
Par de fivelas / Masculino. Par de fivelas de sapato de forma rectangular de prata com incrustações de minas novas (quarenta e quatro quadradas e vinte e oito circulares), formando flores.  Fecho e espigão de ferro bifurcado. Século XVIII, 1770. Dimensões: 7,5 X 5,3 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet
(...) 
Os elegantes esticados e empoados da primeira metade do século XVIII, quando queriam passear, iam para o Rossio. Davam dez voltas, vinte voltas, cortejavam para todos os coches e todas as berlindas que passavam, gastavam os sapatos de grande fivela de prata no empedrado grosseiro da rua - e aos domingos, depois da missa, com o seu tricorne e o seu capote branco, o seu espadim  doirado e a sua face pintada de carmim, podiam jurar com verdade que tinham visto passar em estofins e em florões, de liteira ou a pé, o que de mais fidalgo, de mais rico e de mais ilustre havia em Lisboa . (...) 
 DANTAS, Júlio. Lisboa dos Nossos Avós, 2ª edição, (p. 9). Câmara Municipal de Lisboa. 1969
Cavalheiro de Lisboa. Representação de homem de condição, envergando um capote azul, sobre casaca encarnada e camisa de folhos. Usa sapatos com fivelas e chapéu bicorne.

BRADFORD, William, ca 1780-1857.Sketches of the Country, character, and Costume, in Portugal and Spain, made during the campaign, and on the route of the British Army, in 1808 and 1809 / engraved and coloured from the drawings by the Rev. William Bradford. - London : printed for John Booth, by William Savage, 1809. - 38 p., 40 grav. color. ; 47 cm. BNP- iblioteca Nacional de Portugal

O capote ou manto assemelha-se à antiga toga romana. É usado em Lisboa por todas as classes sociais. O seu uso não se limita a qualquer estação do ano. A sua configuração de capa longa, proteje o corpo do frio e da chuva. 


Par de fivelas. Fivelas de sapatos de prata vazada de forma rectangular e convexa, formando uma fileira de semi-esferas e formas ovais alternadas. Autor: ourives Manuel Pereira da Trindade. Século XVIII, 1790-1801. Dimensões: 3,5 X 6,1 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da ModaMatrizNet

Par de fivelas de sapatos. Feito em minas novas amarelas, montadas em prata cinzelada. Decoração de laços e rosetas. Século XVIII. Dimensões: 6 cm X 5 cm.  Fundo Antigo (Selecção). Ensaios nº 7 (1976). Museu Nacional dos Coches.  Secretaria de Estado da Cultura. Direcção-Geral do Património Cultural: Lisboa, 1977 

Fivela de prata vazada de forma quadrangular recortada, com incrustações de minas novas sugerindo laçadas. Século XVIII. Dimensões: 5,8 X 6,5 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fivela de cinto de prata, de forma rectangular. Decoração formada por estrias incisas, filete perlado e motivos vegatalistas em relevo.  Datação: Final do século XVII principio do século XVIII. Dimensões: 4,2 X 5,4 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet


Na segunda metade do século XVIII assiste-se à masculinização do traje feminino. As damas largam os espartilhos, cheiram rapé e usam sapatos de fivela.

.(...) A mulher, em Portugal como em toda a parte, imitou sempre o homem, não apenas no uso da cabeleira , mas no carácter de certos trajos, no corte dos redingotes, nas grandes fivelas dos sapatos, e, até, no vicio imoderado de fumar. (...)
« Pois que direi das senhoras, / dos homens imitadoras, / mulheres de cabeleira, / com um grande capotão, / fraques, vestidos à mão, / grandes fivelas, botões? / Só lhes faltam os calções...» 
(...) 
 DANTAS, Júlio. Lisboa dos Nossos Avós, 2ª edição, (p. 198). Câmara Municipal de Lisboa. 1969

Sapatos (par) Feminino. Datação: 1750 - Sapato de gala de seda espolinada em tons policromos e motivos florais.   Salto alto forrado com damasco azul. Na frente, aplicação de tira da mesma seda, com fivela de metal e strasses. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda.  MatrizNet

Sapatos (par) Feminino. Datação: 1770 - 1780 - Seda amarela lavrada em tons de rosa, verde, azul e branco, formando motivos florais e vegetalistas. Debrum com seda creme. Na frente, duas tiras que trespassam, sendo presas com fivela de metal redonda, com aplicação de minas novas (20) e pedras azuis (20). Salto torneado do mesmo tecido. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda.  MatrizNet



Convento de Chelas - 31 de Outubro de 1770
(...) Os sapatos com um pequeno salto, de seda cor de chocolate, enfeitados com um  par de fivelas de minas, tornavam-na ainda mais elegante. (...)

CARVALHO, Maria João Lopo. Marquesa de Alorna. Do convento de Chelas à corte de Viena, 10ª edição. Oficina do Livro. Alfragide, 2014


Sapatos (par) Feminino. Datação: 1770 - 1780 - Seda verde e creme lavrada, formando motivos florais e vegetalistas esilizados. Debrum com seda creme. Na frente, tiras que trespassam, com aplicação de fivela semi-circular de metal prateado, com incrustações de minas novas. Salto torneado forradodo mesmo tecido. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda.  MatrizNet




Colleccao das Leys, Decretos, e Alvaras, que comprehende o feliz reinado d'El Rey Fidelissimo D. Joze I (p. 13). Oficina de Miguel Rodrigues. Lisboa (imagem modificada digitalmene)

O monarca D. José I (1714-1777) define em 21 de Abril de 1751, por Alvará Régio, o fabrico de botões e fivelas.


(...)
Primeiramente pelo que pertence ao Capitulo I, enquanto permite que se possam trazer botões e fivelas de ouro, prata e de outros metais, sendo batidos ou fundidos, declaro que devem, as ditas fivelas e botões, ser precisamente fabricados dentro dos limites destes reinos e seus domínios, por vassalos meus naturais, ou naturalizados, e isto, quer  sejam lisos, ou lavrados os ditos botões e fivelas. (...)



Retrato de Amélia Augusta de Beauharnais (1812-1873). Óleo sobre tela. Autor: Richter (século XIX). Dimensão: 71 X 58cm. Datação: século XIX. 
A pintura representa Amélia de Beauharnais. Enverga um vestido branco, de mangas curtas, de balão, todo coberto por um tecido transparente (organza?), que se prolonga pelos braços. Usa um cinto claro de seda, apertado sob o peito com uma fivela de ouro. Palácio Nacional da Ajuda. MarizNet

Fivela. Datação: 1800-1810. Fivela (duas peças) de aço fundido com duas partes (macho e fêmea), formando um hexágono, decorada com pontas de diamante que encaixam sobre uma estrutura vazada de cobre. Dimensão : 4,7 x 9 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fivela. Datação: 1800-1810. Fivela de cobre prateado, de forma oval, decorada com dois filetes: um interior ondulado, com motivos florais relevados e outro, exterior, com aplicação de pontas de diamante. Dimensão: 5 x 7,3 cm.Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fivela. Feita em metal dourado e lavrado,apresentando ao centro uma pedra de ágata preta. De forma sensivelmente rectangular, com os dois lados menores arqueados. Decoração em estilização vegetal. Datação: século XIX. Dimensões: 5 X 3,8 cm. Fundo Antigo (Selecção). Ensaios nº 7 (1976). Museu Nacional dos Coches.  Secretaria de Estado da Cultura. Direcção-Geral do Património Cultural: Lisboa, 1977   

Retrato do Rei D. João VI em traje de Generalíssimo. Óleo sobre tela. Autor: José Inácio de Sam Payo. Datação: 1824. Dimensões: 210 X 215 cm. O rei calça sapatos pretos com fivela. Palácio Nacional de Mafra. MarizNet

(...) 
O tipo clássico de casaca de seda, colete de cetim de raminhos, calção meia e sapato de fivela, de tricórne e rabicho empoado, de luneta de oiro e bastão, tipo do «Portugal Velho», como então  se dizia, e que tentou resistir ate mesmo depois da vinda da corte do Brasil com leves modificações, atravessou todo o século XIX (...).

História do Trajo em Portugal. Enciclopédia pela imagem. Livraria Chardron. Lello & Irmão, Editores. Porto

Par de fivelas. Fivelas de sapatos de prata, com decoração cinzelada e vazada, formando flores e pontas de diamante. Século XVIII. Dimensões: 6,2 X 7,5 cm. Transferido do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da ModaMatrizNet

Fivela de suspensório (par). Autor:Guimarães, José Ferreira. Centro de Fabrico:Rio de Janeiro, Brasil. Datação: Século XIX (2.ª met.).Material:Prata. Técnica:Lavrada, cinzelada. Dimensão: 11,5 X 5,7 cm. As fivelas são constituídas por um corpo superior de forma rectangular decorado com motivos vegetalistas e encimado pelas armas portuguesas coroadas sobre troféus de guerra. O centro deste corpo, vazado, é atravessado por uma haste com três espigões. A parte inferior, articulada, é constituída por uma águia de asas abertas cujas garras pousam sobre um travessão ligado a uma argola trilobada. Palácio Nacional de Ajuda. MatrizNet


(...)
A burguesia imitou quanto pode o luxo dos nobres (...). As mudanças no talhe das casacas e coletes, no compor dos penteados, faziam-se paralelamente entre as duas classes, nesta sempre depois porque a primeira lhe servia de espelho fiel. (...) Empoavam também os cabelos e atavam o cadogan (*) e a peruca com fitas pretas, usando igualmente meias de seda e sapatos de fivela de prata ou de minas novas.(...)
(*) cadogan - penteado masculino muito em moda no século XVIII. O cabelo era trançado e preso sobre a nuca  num rabicho.
 História do Trajo em Portugal. Enciclopédia pela imagem. Livraria Chardron. Lello & Irmão, Editores. Porto
Foto da Rainha D. Maria Pia. Autor: REUTLINGER, Léopold-Emile (1863-1937). Centro de Fabrico: França. Datação:1896 - 1897. Dimensões: 26,5 X: 17,6 cm; Descrição: vestido escuro / cintado com faixa e laço /corpete aberto no peito com três fivelas de cada lado / mangas em balão / blusa branca com folho e renda por baixo. Palácio Nacional de Ajuda. MatrizNet


Serões: revisa mensal ilustrada, nº 1, Março de 1901, p. 63. Hemeroteca Digital. CM Lisboa (imagem modificada digitalmente)

 Jóias
(...) Assim, as magnificas fivelas antigas, grandes, guarnecidas de brilhantes, que talvez brilhassem, em pleno século XVIII, nos sapatos dos abades peralvilhos da época, são muito aproveitadas para apertar largas fitas de veludo em cinturas gracis. 
Serões: revisa mensal ilustrada, nº 1, Março de 1901, p. 63. Hemeroteca Digital

Serões: revisa mensal ilustrada, nº 8, Dezembro de 1901, p. 128. Hemeroteca Digital. CM Lisboa.  (imagem modificada digitalmente)

Modas
(...)
A outra ilustração representa um vestido de veludo preto para visitas, enfeitado com uma variedade de renda espessa bordada com froco e posa sobre setim. Este material simples é apropriado para a severidade e simplicidade do estilo adoptado. O cinto e o laço de setim, tendo no centro uma fivela de brilhantes, auxilia e completa o efeito.  (...)
 Serões: revisa mensal ilustrada, nº 8, Dezembro de 1901, p. 128. Hemeroteca Digital


Fivela. Datação: final do século XIX, principio do século XX.. Matéria:Metal dourado. Técnica: Metal recortado e vazado com decoração incisa e em relevo, formando motivos florais e vegetalistas. Dimensões: 4,9 X 9,3 cm.Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fivela / Feminino. Datação: 2ª metade do século XIX. Matéria:Metal dourado; metal prateado. Técnica: Metal fundido; metal cinzelado; baixo relevo; decoração incisa e em relevo. Dimensões: 5,5 X 5,5 cm.Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fivela. Datação: 1900 - Arte Nova. Matéria: Metal prateado.Técnica: Metal fundido; decoração incisa e em relevo. Marca: Sterling / 1626. Dimensões: 7,1 X 9,5 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet.


Vestido. Local de execução:Lisboa. Datação: 1925 - 1930 .  Vestido de mousseline de seda preta e renda mecânica da mesma cor. Bordado com fios de seda policromos a ponto de cadeia, formando grandes motivos florais e vegetalistas. Decote redondo. Corpo com encaixe em renda. Aberto na frente. Cintura descaída. Saia franzida. Na cintura, aplicação de cinto com dupla fivela com pedra preta facetada e strasses. Manga comprida. Manga e extremidade da saia em renda mecânica.Dimensões (cm):altura: 103 cm; largura: Costas: 47 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet
Fivela. Datação: 1920 - 1930. Arte Nova. Matéria: Baquelite amarela; baquelite preta; metal dourado; metal prateado. Dimensões: 5,8 X 9,8 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet.
Fivela. Datação: 1920. Matéria: Metal dourado. Técnica: Decoração incisa e em relevo; metal pintado em preto e vermelho, representando motivos geométricos e vegetalistas. Dimensões: 4,5 X 7,8 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet.






Vestido. Local de execução: Lisboa. Datação:1955 x 1960. Vestido de tafetá de algodão amarelo estampado a preto e vermelho, formando motivos florais e vegetalistas, com aplicações bordadas a fio de algodão branco, castanho e azul. Decote quadrado na frente e atrás, formado por alças do mesmo tecido. Corpo justo com pinças. Cortado na cintura. Saia justa. Frentes com pregas oblíquas na cintura, formando ligeiro balão. Aperta atrás com fecho de correr de plástico amarelo. Cinto largo, forrado do mesmo tecido. Aperta com fivela de forma rectangular, igualmente forrada. Etiqueta: "Ivone Berenguel, Costura / Tel. 636548 / Lisboa".Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet
Clip / Feminino. Datação: 1920 - 1930. Matéria: Madrepérola; metal prateado.Técnica: Decoração incisa. Dimensões: 8 cm X 11,5 cm. Museu Nacional do Traje e da Moda. MatrizNet

Fontes:

Fundo Antigo (Selecção). Ensaios nº 7 (1976). Museu Nacional dos Coches.  Secretaria de Estado da Cultura. Direcção-Geral do Património Cultural: Lisboa 

Dantas, Júlio. Lisboa dos Nossos Avós, 2ª edição. Câmara Municipal de Lisboa. 1969

História do Trajo em Portugal. Enciclopédia pela imagem. Livraria Chardron. Lello & Irmão, Editores. Porto

Madureira, Nuno Luís. Lisboa, Luxo e Distinção. Editorial Fragmentos, Lisboa, 1990


CARVALHO, Maria João Lopo. Marquesa de Alorna. Do convento de Chelas à corte de Viena, 10ª edição. Oficina do Livro. Alfragide, 2014

https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9lia_de_Leuchtenberg

quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - VI




No dia 25 de Abril de 1974, Lisboa tornou-se o centro das atenções da diplomacia e da informação mundial. Nesta data, terminou o isolamento internacional em que Portugal permaneceu durante o regime ditatorial do Estado Novo (1933/1974). 



Cartoon intitulado «Amigos Novos», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Setembro de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_25_de_Abril_de_1974

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


terça-feira, 24 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - V



Cartoon intitulado «turistas», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em 1972.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui)

24 de Abril 
(...) 
08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada. 

(...)
 
10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de «Grândola Vila Morena» como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.  

(...)  
14h00 - O jornal «República» insere uma curta notícia, intitulada «Limite», com o seguinte teor: « O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória»*

(...)
15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa «Limite» que regressara de Moçambique) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo sendo o «Limite» um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da R
ádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e revia previamente os textos. Para maior segurança retiram-se dos estúdios para um local seguro.  

(...)  
19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco  com a duração  de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas «Geografia» e «Revolução Solar», da autoria de Carlos Albino, e a canção «Coro de Primavera». 
 (...) 
22h00 - (...) O Capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na «Operação Fim Regime», dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem das Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.
22h30 - No Posto de Comandos encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho  e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).  
(...) 
22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa «Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofesival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas. 
 
23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade de Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
 
- Recolhem à escola prática de infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo. 
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, IP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2). 
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA, a adesão é total. 
(...)  
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
A notícia no vespertino «A República» foi o aviso de que as operações estavam bem encaminhadas. 



Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


segunda-feira, 23 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - IV


Cartoon «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?». Maio de 1969

   

Cartoon intitulado «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Maio de 1969.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui e aqui )


23 de Abril 
00h15m - Otelo Saraiva de Carvalho e  Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, encontram-se, no Apolo 70, com João Paulo Dinis. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, «Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus», através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L.), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o pais. (...) 
Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo programa Limite a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção «Venham mais cinco», de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que a canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Aponta alternativa, entre as quais «Grândola, Vila Morena». (...) 
Tarde - Encontro de Otelo com  o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comendo do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.(...) 
20h00 - Na residência do comandante Vitor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha. 
23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria (EPC). Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que ja se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia. 
23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação. 
23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da Republica, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância. 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês


Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


sexta-feira, 20 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - III



 Cartoon «emigrantes», 1972 

Cartoon intitulado «emigrantes», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, na época  anterior ao 25 de Abril de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.




1974 
(Leia outros factos aqui e aqui) 


20 de Abril - Na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima)(...).- Conclusão do essencial dos textos políticos (...). A partir dessa data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da responsabilidade do general algumas das modificações introduzidas nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar. 

21 de Abril - Encontro, em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spinola) e Fausto Marques, com visa a obter a adesão do Regimento de Caçadores Para-quedistas, comandado pelo último oficial.
 

22 de Abril 
 
00h01 - A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais.- A Escola Prática de Transmissões (EPTm), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1*, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se sem demora a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. (...) 

c. 11h00 - O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Radio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, (...) com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita marcar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta.
 

Noite - Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.
 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
* Regimento de Engenharia 1 (RE 1) 




Fontes::

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta