A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa Onofriana (1820-1846), cantava e tocava guitarra na rua do Capelão, Mouraria.
Progressivamente, o fado aparece em eventos festivos ligados a festas populares, em festas de beneficência, nos palcos teatrais. O Teatro de Revista (1870), passa a integrar as actuações de intérpretes de fado nos quadros musicais, para o divulgar junto de um público mais alargado.
No inicio do século XX, a fadista Ercília Costa foi a primeira com projecção internacional.
No fado “clássico” ou fado castiço destacaram-se, Alfredo Marceneiro, Maria Teresa de Noronha, Hermínia Silva, Lucília do Carmo, entre outros. O fado moderno, teve o seu apogeu com Amália Rodrigues. Foi ela que popularizou fados com letras de grandes poetas e músicas de grandes compositores. Foi seguida por fadistas como Carlos do Carmo, Teresa Tarouca, João Braga, Maria da Fé, Mísia, e outros.
Estudo para a pintura O Fado, desenho a carvão sobre papel, José Malhoa, 1910 - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea
Figurino Fado da Liberdade, (figurino da revista "O Sete e Meio", Teatro Apolo) desenho/pintura sobre papel, José Leitão de Barros, 1927 - Museu Nacional do Teatro
Figurino O Fado, desenho/pintura sobre papel, Jorge Herold,1937 - Museu Nacional do Teatro
Figurino Guitarra Portuguesa (figurino da revista "Pernas à Vela",Teatro Variedades) desenho/pintura sobre cartolina, Pinto de Campos, 1958 - Museu Nacional do Teatro
Figurino Guitarra Portuguesa(figurino da revista "Pernas à Vela",Teatro Variedades) desenho/pintura sobre cartolina, Pinto de Campos, 1958 - Museu Nacional do Teatro
Figurino Guitarra Portuguesa(figurino da revista "Pernas à Vela",Teatro Variedades) desenho/pintura sobre cartolina, Pinto de Campos, 1958 - Museu Nacional do Teatro
O fado de Lisboa, tornou-se numa canção nacional, que é hoje mundialmente conhecido. Pode ser acompanhado por violino, violoncelo e até orquestra, mas a sonoridade da guitarra é indispensável. Destacam-se executantes como Joel Pina, Artur Caldeira, Raul Nery, Pedro Caldeira Cabral, Armandinho ou José Inácio, entre outros.
Actualmente muitos jovens, Ana Moura, Raquel Tavares, Mariza, Maria Ana Bobone, Camané, Katia Guerreiro, Carminho, Mafalda Arnauth… em conjunto com os nomes dos consagrados, estão dando vigor a esta canção nacional.
Figurino A Rosa Cantadeira, ( figurino da opereta "A Rosa Cantadeira", Teatro Apolo) desenho/pintura sobre papel, Jorge Barradas, 1944 - Museu Nacional do Teatro
Fado Liró, (folha de música da revista "A.B.C.", Teatro Avenida) litografia sobre papel, Cervantes de Houro, 1908 - Museu Nacional do Teatro
Fado da Alta (folha de música da revista "Paz e União", Teatro Apolo) litografia sobre papel, Alves Coelho, 1914 - Museu Nacional do Teatro
Nas ruas de Lisboa, o fado foi difundido pelos marinheiros, através das cantigas de levantar ferro, cantigas das fainas, cantiga do degredado, fado do marinheiro, cantado nas proas dos navios. Com o fado surgiram os fadistas, ou faia, por volta de 1840, com atitudes provocatórias, envolvendo-se frequentemente em conflitos, com uma forma bem característica de trajar: boné de oleado com tampo largo e pala, ou boné direito, com fita preta formando laço ao lado e pala, jaqueta de ganga ou com alamares. O penteado, comprido à frente, formava melenas empastadas sobre a testa.
No sec. XIX , o fado era considerado uma expressão artística pagã. As sua origens boémias e ordinárias, com assento nas tabernas e prostíbulos, em ambientes de violência, fazem o fado condenável aos olhos da igreja.
As melodias do canto e da guitarra, chamaram os nobres às ruas dos bairros do castelo, estes traduziram posteriormente as músicas para as pautas das damas da sociedade, ao que levou a que o fado se tornasse assíduo dos salões, a partir de 1880.
As tabernas eram frequentadas por fidalgos, artistas, trabalhadores da hortas, populares e estrangeiros, que se reuniam em noites de fado vadio, ou seja, o fado não profissional.
Lusitânia no Bairro Latino(Retratos de Mário de Sá Carneiro, Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardoso), tinta acrílica sobre tela, Júlio Pomar,1985 - Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão/ Fundação Calouste Gulbenkian - CAMJAP/FCG
Na primeira metade do sec. XX o fado foi adquirindo riqueza melódica, tornando-se mais literário e artístico. Durante as décadas de 30 e 40 esta canção passa a ser popular e comercial devido à divulgação pelos meios de comunicação. Aparecem as Casas de Fado (1946), o fadista passa a ter carteira profissional. Estas casas proporcionavam o convívio entre os compositores, fadistas e público. Torna-se famoso fora de Portugal, conquistando o mundo. Os artistas que cantam o fado vestem de negro, cantam o sofrimento, a tragédia, a desgraça, a sina e o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, os amores, a cidade, as misérias da vida.
O fado “clássico” é também conhecido como fado castiço. O fado moderno é caracterizado pelas letras de grandes poetas, a introdução de novas formas de acompanhamento, e músicas de grandes compositores. O fado não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa, embora possa ser acompanhado por violino, violoncelo e até orquestra.
Homenagem a Amadeo de Souza-Cardoso, lápis de cera, José de Almada Negreiros,1970
(França, José-Augusto (1974),Almada Negreiros o Português sem Mestre,Lisboa: Estúdios Cor)
O fado está de parabéns!
Alegria, honra, orgulho, de todos nós!
Fado Português
O Fado nasceu um dia quando o vento mal bulia e o céu o mar prolongava, na amurada dum veleiro, no peito dum marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava.
Ai, que lindeza tamanha, meu chão , meu monte, meu vale, de folhas, flores, frutas de oiro, vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal, olhar ceguinho de choro.
Na boca dum marinheiro do frágil barco veleiro, morrendo a canção magoada, diz o pungir dos desejos do lábio a queimar de beijos que beija o ar, e mais nada, que beija o ar, e mais nada.
Mãe, adeus. Adeus, Maria. Guarda bem no teu sentido que aqui te faço uma jura: que ou te levo à sacristia, ou foi Deus que foi servido dar-me no mar sepultura.
Ora eis que embora outro dia, quando o vento nem bulia e o céu o mar prolongava, à proa de outro veleiro velava outro marinheiro que, estando triste, cantava, que, estando triste, cantava.
Júlio Martins Resende da Silva Dias nasceu em 23 de Outubro de 1917 no Porto, faleceu em 21 de Setembro de 2011 em Valbom, Gondomar, com 93 anos. Diplomou-se em Pintura no ano de 1945, pela Escola Superior de Belas Artes do Porto e aqui foi discípulo de Dórdio Gomes. Estudou as técnicas de afresco e gravura na Escola de Belas Artes de Paris, 1947/1948. Neste período de tempo, recebe lições de Othon Friesz na Academia Grande Chaumière. Em 1953 cria as Missões Internacionais de Arte. Em 1958 é convidado para a docência na Escola de Belas Artes do Porto. Em 1962 presta provas públicas para a cadeira de professor da mesma escola.
" Motivo Alentejano" - óleo sobre tela, 1951
"Grupo" - óleo sobre platex, 1954
Autor de uma obra emblemática, reconhecida desde cedo pela crítica e pelo público como de referência, procurou num processo lento e sólido a afirmação de valores plásticos e éticos num percurso que o artista foi defenindo de modo cada vez mais nítido. Docente na Escola de Belas Artes do Porto, entre 1958 e 1987, ano em que se aposentou, influenciou humana e pictoricamente gerações sucessivas de alunos. Foi responsável pelo perfil moderno que a escola ganhou a partir dos anos sessenta. Resende aprendeu enquanto olhava o mundo à sua volta, preparado com os lápis, os pincéis, as telas ou simplesmente papel. O artista aprendeu sempre, nunca se fechou na orla do academismo.
"Divertimento" - óleo sobre madeira, 1962
" Homem e pássaro " - óleo sobre tela, 1978
Recebeu diversos prémios entre eles: Prémio especial na Bienal de S. Paulo, 1951. Concurso Internacional – Projecto Mar Novo - para Sagres, com o arquitecto João Andersen, 1º prémio, 1956. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2º prémio de pintura, 1957. Prémio Diogo de Macedo, no Salão de Arte Moderna SNBA, Lisboa, 1960. Prémio Artes Gráficas na Bienal de Artes de S. Paulo, com ilustração do romance Aparição, 1969. Foi nomeado membro da Academia Real de Ciências, Letras e Belas Artes Belga, Bruxelas, 1972. Recebe o grau de Oficial da Ordem de Santiago de Espada, 1973. Recebe as insígnias de Comendador de Mérito Civil de Espanha atribuídas pelo Rei de Espanha, 1982. Recebe a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, 1997.
" Conversa IV" - óleo sobre tela, 1987
"Menina e espelho" - óleo sobre tela, 1989
" Cabeça no encarnado" - óleo sobre tela, 1996
Em 1993, é criado o Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende.
Está representado nos Museus de Macau, Paris, Antuérpia, Bruxelas, Noruega, Finlândia, Brasil, Amarante, Lisboa, Ovar, Évora e Porto. Ao longo da sua vida, o artista apresentou o seu trabalho em Galerias e Museus de todo o mundo.
"Ribeira Negra" - mural em grés, 1984
O mural de 40 metros de extensão e três de altura intitulado "Ribeira Negra", é uma das grandes obras de representação da cidade do Porto através das suas gentes. O painel que deu origem ao mural em grés colocado à entrada nascente do portuense túnel da Ribeira, tem um espaço próprio na Alfândega do Porto, foi inaugurado em Novembro de 2010.