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terça-feira, 6 de maio de 2014

Village Underground Lisboa - Museu da Carris


Village Underground Lx @ Canal 180


O Village Underground Lisboa, vai ser inaugurado no dia 10 de Maio de 2014. De portas abertas desde o dia 9 de Abril, a pequena aldeia está instalada em Alcântara, no Museu da Carris. Na totalidade são 14 contentores-escritórios - com intervenção do street artist Akacorleone - e dois autocarros - um adaptado a cafetaria, o outro, a sala de reuniões. A cidade de Lisboa conta com mais este espaço cultural, que estará a funcionar em pleno à data da inauguração.

Museu da Carris
Rua 1º de Maio 101-103, Alcântara
1300-472, Lisboa
Telefone: 213613087

 


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Restauro do Salão Nobre do Palácio da Pena foi concluido

Salão Nobre do Palácio da Pena, visão geral com lustre - Foto Maria João Sousa. Parques de Sintra Monte da Lua, PSML

O restauro do Salão Nobre do Palácio da Pena, implicou um trabalho de três anos e um investimento de 262,500 euros. O objectivo da intervenção foi o de reapresentar o Salão no seu estado original, numa tentativa de reproduzir a época de D. Fernando II (1816-1885). O processo de reabilitação passou pela remodelação geral das infraestruturas, restauro do pavimento, dos revestimentos em madeira e estuque, dos lustres, dos vitrais e do mobiliário especialmente encomendado por D. Fernando.


Salão Nobre do Palácio da Pena (antes e depois) - Foto Sábado
 
 
Salão Nobre do Palácio da Pena - Foto Parques de Sintra Monte da Lua, PSML


Salão Nobre do Palácio da Pena, mobiliário restaurado. Reprodução fidedigna dos estofos originais, de acordo com análises efectuadas a pedaços do original pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (antes e depois) - Foto Sábado

O espaço que se encontrava em mau estado e com insuficiente manutenção, ganhou em apresentação e inovação com o apoio de consultores e informação histórica. O projecto contou com o apoio do Laboratório José de Figueiredo (DGPC) na investigação histórica.
 
Alguns dos elementos originais deste projecto são, entre outros, os quatro dias necessários para a recolocação do lustre após restauro e montagem das estátuas dos “turcos”; 
o tempo para se encontrar a cor original das paredes através de análise cromática em laboratório, que equivaleu a um mês; a colocação de tiras de LED no exterior das janelas para que os vitrais possam ser observados durante o período nocturno; a adopção de um sistema inovador de deteção de incêndios com aspiração contínua do ar (com uma análise constante dos parâmetros de CO2) e sem recurso a caixas no tecto.


Salão Nobre do Palácio da Pena, tocheiros empunhados por “Turcos” (antes e depois) - Foto Sábado


Salão Nobre do Palácio da Pena, tocheiro empunhado por "Turco" - Foto Maria João Sousa. Parques de Sintra Monte da Lua, PSML

Salão Nobre do Palácio da Pena, lustre - Foto Maria João Sousa. Parques de Sintra Monte da Lua, PSML

O restauro do lustre e dos quatro tocheiros empunhados por “Turcos”, foi particularmente importante neste projecto, foram completamente desmontados, limpos e retirada a oxidação, estabilizada a superfície, protegidos e iluminados com lâmpadas especiais. 

O mobiliário foi todo restaurado de forma a reproduzir com precisão os estofos originais, de acordo com análises efectuadas a pedaços do original pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Couro.

Salão Nobre do Palácio da Pena, estuque com relevo - Foto WOA Parques de Sintra Monte da Lua, PSML

Salão Nobre do Palácio da Pena, estuque com relevo - Foto WOA Parques de Sintra Monte da Lua, PSML
Salão Nobre do Palácio da Pena, estuque com relevo. Foram respeitadas as técnicas e materiais originais (antes  depois) - Foto Sábado

Os revestimentos de paredes e tectos (com estuques lisos e com relevo) foram tratados respeitando as técnicas e materiais originais. O pavimento sofreu uma intervenção profunda, com desinfestação, reforço dos apoios das vigas nas paredes e substituição de áreas deterioradas.
 
A reparação dos vitrais das janelas, bastante completa, estendeu-se às caixilharias e calhas de chumbo.

A inaugurado do Salão Nobre ocorreu no dia 23 de Janeiro de 2014.
O Palácio da Pena, expoente máximo do Romantismo do séc. XIX, em Portugal, é o segundo monumento mais visitado, com cerca de 720.000 visitantes em 2012, e o mais popular entre os pólos sob gestão da empresa Parques de Sintra
.


Salão Nobre do Palácio da Pena, porcelana e vitral - Foto Maria João Sousa. Parques de Sintra Monte da Lua, PSML

Salão Nobre do Palácio da Pena, pavimento (antes e depois) - Foto Sábado



Fontes:
http://www.sabado.pt/Multimedia/FOTOS/Artes/Salao-Nobre-do-Palacio-da-Pena-completamente-resta.aspx


http://www.parquesdesintra.pt/noticias/salao-nobre-do-palacio-da-pena-completamente-restaurado/




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Moeda comemorativa dos "250 anos da Torre dos Clérigos"


A Torre dos Clérigos completa 250 anos (21 de Abril de 1763). Ao longo do ano de 2013, a Irmandade dos Clérigos preparou diversos eventos que irão marcar o aniversário da Torre.

O arquitecto italiano Nicolau Nasoni, foi o responsável pelo projecto da Torre dos Clérigos, a obra mais representativa do seu esplendor artístico.
Na cidade do Porto existe um grande número de obra arquitectónica da autoria de  Nasoni: Clérigos, Igrejas da Santa Casa da Misericórdia, da Ordem do Terço, e de Nossa Senhora da Esperança; Palacete de S. João Novo; Quinta do Viso; Palácio de Bonjoia e Palácio do Freixo. É considerado um dos mais significativos arquitectos da cidade do Porto.

A Torre é um monumento nacional desde 1910, e está inserida no Centro Histórico do Porto, Património Mundial da UNESCO. 

Os "250 anos da Torre dos Clérigos" vão ser perpetuados  numa moeda de 2 euros. A autorização da emissão da moeda, consta no Diário da República (DR) 1.ª série-Nº 66-4 de Abril de 2013- Portaria nº 141/2013, publicado pelo Ministério das Finanças.

Moeda "250 aniversário da Torre dos Clérigos " (Datas e Figuras da História de Portugal) - Imprensa Nacional Casa da Moeda
A face nacional da moeda "250 aniversário da Torre dos Clérigos", é da autoria do escultor Hugo Maciel.
Nascido a 16 de Novembro de 1988, Hugo Maciel é doutorado em Belas Artes / Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Os trabalhos de escultura pública do artista, podem ser vistos em Lisboa, Aljustrel e Sesimbra. Foi premiado em 2009, 2010 e 2011.

Conforme o DR, "na face nacional da moeda é representada a Torre dos Clérigos, no centro da composição, em perspectiva de baixo para cima, de modo a conferir-lhe verticalidade e monumentalidade, num segundo plano, define-se a cidade do Porto vista do rio, cidade que é indissociável daquele monumento, que é circundada pelas legendas «250 Anos Torre dos Clérigos - 2013» e o escudo nacional com a legenda «Portugal», envolvendo todo o desenho encontram-se as 12 estrelas, dispostas em forma circular, que representam a União Europeia".

Segundo o já referido DR, "É aprovado o desenho da face nacional da emissão comemorativa da moeda corrente referida no artigo anterior, a qual consta do anexo à presente portaria, da qual faz parte integrante".


sábado, 18 de maio de 2013

Museu da Batalha venceu o Prémio Kenneth Hudson

Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB)
Hoje, Dia Internacional dos Museus, o Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) está duplamente de parabéns! 
Nomeado entre 28 museus de 16 países, o MCCB recebeu hoje o Prémio Kenneth Hudson do Fórum Europeu dos Museus, na cerimónia do Prémio Melhor Museu do Ano de 2013. Foram apresentadas a concurso 40 candidaturas, provenientes de 20 países.

O MCCB encontra-se instalado no centro da vila da Batalha e abriu as portas à comunidade no ano de 2011. Está organizado em cinco áreas temáticas que abrangem a Batalha de Aljubarrota, Geologia, Panteologia, Arqueologia, formação do território. O MCCB procura preservar, valorizar e divulgar o Património, impulsionando a Cultura da região onde se insere. 
O lema é "Museu de todos".

Mosaico Hipocampo, detalhe. Exposição permanente - "Passado"
Sistema de Pesos e Medidas. Exposição permanente - "Passado"
Telefone. Exposição permanente - "Passado"
Portal, Capelas imperfeitas. Exposição permanente - "Passado"

terça-feira, 19 de março de 2013

Biografia do pintor e ilustrador Manuel Ribeiro de Pavia

Manuel Ribeiro de Pavia - CMMRP

Manuel Ribeiro de Pavia (19 de Março de 1907, Pavia, Alentejo - 19 de Março de 1957, Lisboa), de seu nome verdadeiro Manuel Paulino Ribeiro, foi um pintor, aguarelista e ilustrador neo-realista. 

O baptismo de Manuel de Pavia, realizou-se com a Coroa de Nossa Senhora, no dia 27 de Setembro de 1907, na Igreja da Conversão de São Paulo em Pavia. Os seus padrinhos de baptismo foram Manuel Rodrigues Aguincha e Manuel Lopes Gião.
Manuel de Pavia frequentou a Escola Comercial e Industrial Gabriel Pereira, em Évora, entre 1923 e 1929, enquanto trabalhava na firma Moagem Eborense Lda. 


Vendedeira, tinta-da-china e aguarela sobre papel, 1948 - PVA

Sem título, tinta-da-china e guache sobre papel, 1949 - CAM/FCG

A sua actividade como desenhador e ilustrador, foi iniciada a partir de 1929, quando se fixou em Lisboa. Exerceu influência determinante na melhoria das artes gráficas portuguesas, quer através de capas, quer ilustrando obras de escritores seus contemporâneos. Foi autor de numerosas litografias coloridas à mão, de desenhos, de gravuras e projectos para murais, onde o tema Alentejo é interpretado de forma inconfundível, com força renovada e criadora.
 

Álbum Líricas,  "O Mar" (desenho IV),1950; Editora Inquérito - CMMRP
Álbum Líricas,  "As Tranças" (desenho V),1950; Editora Inquérito - CMMRP
Álbum Líricas,  "Maternidade" (desenho XI),1950; Editora Inquérito - CMMRP
Álbum Líricas,  "Irmandade" (desenho XII),1950; Editora Inquérito - CMMRP
Álbum Líricas,  "O Vento e as Folhas" (desenho XIV),1950; Editora Inquérito - CMMRP
Manuel de Pavia apresentou os seus trabalhos nas Exposições Gerais de Artes Plásticas e na Exposição dos Modernos Gravadores Portugueses (Galeria de Artes e Letras, 1955).

Participou na Exposição Gravura Portuguesa (Pórtico, 1956).

A Editorial Inquérito, publicou um álbum - Líricas - com 15 desenhos seus e texto de José Gomes Ferreira (1950).

Em Maio de 1957, após a sua morte, a revista Vértice, publicou um número especial com depoimentos de intelectuais, testemunhando a actividade do pintor e ilustrador na vida artística portuguesa.

Em 1958, um grupo de amigos do artista realiza na Sociedade Nacional de Belas-Artes, a primeira exposição e única retrospectiva da sua obra.

Traje Típico Português - Alto Alentejo, aguarela sobre papel, 1953 - OL
Traje Típico Português - Campino, aguarela sobre papel, 1953- OL
Camponeses, gravura colorida sobre papel - OL

Em 1976, na Feira Internacional de Lisboa, foi apresentada, no Mercado Popular do Livro e do Disco, uma exposição documental sobre a sua obra, que posteriormente foi intinerante em várias cidades do país.

Em 1983, alguns dos seus trabalhos foram apresentados no Centro de Arte Moderna/ FCG, na exposição de inauguração do CAM.

Em 16 de Junho de 1984, foi inaugurada a Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia (CMMRP) na Freguesia de Pavia, Mora, com a finalidade de perpetuar o espólio do artista, promover e divulgar a sua obra. 

Em 2005, foram mostrados alguns dos seus trabalhos na exposição Um Tempo um Lugar (Câmara Municipal de Vila Franca de Xira).

Casa na Duna, de Carlos de Oliveira; Coimbra Editora, 1944 - PVA
Passagem de Nível, poemas de Sidónio Muralha; Publicação: Coimbra, 1942 - Biblioteca Miguel Torga
As Mãos e os Frutos, poemas de Eugénio de Andrade; Publicação: Portugália, 1948 - Biblioteca Miguel Torga

Revista Colóquio/Letras nº 41 (Janeiro de 1978). Ilustração de "A Casa da Malta", de Fernando Namora - 2ª edição (1951) - FCG
Revista Colóquio/Letras nº 52 (Novembro de 1979). Alegoria na edição conjunta de "Gaibéus"; "Maré"; "Avieiros", de Alves Redol - FCG

Revista Colóquio/Letras nº 94 (Novembro de 1986). Capa de "Aldeia Nova", de Manuel da Fonseca (1942) - FCG
Revista Colóquio/Letras nº 103 (Maio de 1988). "Retalhos da Vida de um Médico" de Fernando Namora, 2ª edição (1953) - FCG

Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia






































sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cerâmica de Alcobaça

Prato, faiança monocromática azul sobre fundo branco. Peça ligada à renovação da faiança do século XX, inspirada em modelos do século XVII, diâmetro: 38cm. Produção da Olaria de Alcobaça (O.A.L.) - Museu Nacional do Azulejo
Marca, OAL/Portugal/NF

A produção cerâmica de Alcobaça, foi gerada por volta de 1875, com a instalação da Fábrica de José dos Reis, mestre-oleiro de Coimbra, que trouxe dessa cidade, técnicas e motivos decorativos como as paisagens com castelos e estátuas equestres à inglesa, que se divulgaram nas grandes produções industriais, como a Real Fábrica de Loiça de Sacavém. Com a aquisição da Fábrica de José dos Reis, em 1900, por Manuel Ferreira da Bernarda, assistiu-se ao desenvolvimento da produção, com o abastecimento do mercado local. Em meados do século XX, a fábrica assumida em 1900 por Manuel da Bernarda, passou a ser administrada por Raul da Bernarda, iniciando a venda de peças de cerâmica para o estrangeiro (Raul da Bernarda & Filhos Lda.").

Molheira, faiança decorada com esmaltes policromos, sobre fundo branco-bege. Século XX, alt. 13 cm; comp. 20,2 cm. Olaria Alcobaça Lda. - Museu dos Biscainhos
Prato, faiança moldada, esponjada e estampilhada em rosa. No centro um pagode e arvoredo, copiados das faianças inglesas do século XIX, diâmetro: 32,5cm.  Marcado com a Inscrição J. Reis, Fábrica de Loiça de Alcobaça, 1875-1897.  - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Travessa, faiança moldada, pintada, esponjada e estampilhada a azul, rosa, verde e manganês, medidas: 33cm x 26,5 cm. Marcada com M. F. B., Loiças de Alcobaça, 1900-1927 - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canudo, faiança moldada, pintada a azul e manganês, med: 37,5cm x 10,5cm. Marcado O.A.L., com a sigla de José Pedro, 1927-1947 - Canudo, faiança moldada, pintada a azul, amarelo, verde e manganês, medidas: 37,5cm x 10,5cm. Marcado O.A.L., com a sigla de José Pedro. 1927-1947 - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Em 1927, Silvino Ferreira da Bernarda, um dos seis filhos de Manuel Ferreira da Bernanda, e os dois irmãos António e Joaquim Vieira Natividade, criaram a empresa Olaria de Alcobaça, Lda. (O.A.L.). A partir dessa data, a Olaria de Alcobaça iniciou um autêntico período de renovação da produção cerâmica, desenvolvendo um produto que se dirigiu para a requalificação técnica e artística da cerâmica, em cópias de peças antigas e em apostas em  peças modernistas, especialmente até 1947. Um dos factores para a renovação da produção cerâmica, é o surgimento das peças de autor. O pintor naturalista Martinho da Fonseca (1890-1972) e o aguarelista Jorge Maltieira (1908-1994), foram os primeiros a assinar as suas peças. Posteriormente, verificou-se a estadia de pintores de cerâmica que assinaram as suas peças, como: Joaquim Natividade, Irene Natividade, Leonor Natividade, José Pedro, Silvino da Bernarda, Alberto Anjos, Arnaldo Marques e Noel Costa. 
Jarra, faiança rodada e pintada a azul, manganês, amarelo e verde, d. 1935, alt. 25,5cm. Marcado O. A. L Made in Portugal com a sigla de Noel Costa - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Jarra, faiança rodada e pintada a manganês, depois de 1935, alt. 32cm. Marcado O. A. L., com a sigla Alberto Anjos - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Prato, faiança rodada, pintada a azul e manganês, com motivos inspirados na cerâmica seiscentista de Lisboa, diâmetro: 45 cm. Marcado O. A. L. , com sigla de José Pedro. Prato, faiança rodada, pintada a azul e manganês, cm motivos inspirados na cerâmica seiscentista de Lisboa, diâmetro: 32 cm. Marcado O. A. L. Alcobaça - 1928, com a sigla de António Natividade - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Jarra, faiança rodada, pintada a azul, manganês e amarelo, com motivos copiados da cerâmica portuguesa do século XVIII, alt. 26 cm. Marcada O. A. L. com a sigla de Alberto Anjos - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Delimitando-se de uma produção de loiça comum, a Olaria de Alcobaça criou réplicas de peças  cerâmicas do séculos XVII, XVIII e XIX, tendo para o efeito realizado o desenho das peças existentes nas colecções dos principais museus. É comum a representação "compota de ginjas", pratos decorados com “rendas” e corações trespassados. Outras peças, igualmente pintadas a azul e branco, adoptaram como modelos cerâmicas de finais do século XVII e inícios do século XVIII, produzidas em Lisboa, com cercaduras de acanto e cenas centrais com veados, cães e paisagens com motivos arquitectónicos. Algumas peças iniciais da Olaria de Alcobaça, dita de cerâmica ornamental, apontam para uma renovação no tipo de objectos - jarras, potes, bases de candeeiros, pratos decorativos - e na súmula decorativa, naturalista, com fantasiosas elaborações de desenho. As formas fortemente simplificadas, com volumes esféricos e cilíndricos, podem abranger volumes rectos, prismáticos e piramidais. A decoração é envolvida por motivos vegetalistas, em registos naturalistas, envolvendo a totalidade das peças ou delimitando-as em barras bem traçadas, separadas pela policromia intensa ou escala dos motivos. 

Saladeira, faiança moldada, pintada a azul, verde e manganês, com motivos inspirados na produção lisboeta de Monte Sinai, medidas: 26,5cm x 21cm. Marcada O. A. L. - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Prato, faiança rodada, pintada e esponjada a azul, amarelo e manganês, com motivos inspirados na loiça de Coimbra ("ratinhos"), diâmetro: 33,5 cm. Marcado O. A. L.- Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Tinteiro, faiança modelada, pintada a azul, amarelo e manganês, medidas: 21cm x 17,5cm. Marcado O. A. L. Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canjirão, faiança rodada, pintada a azul, vermelho, amarelo, verde e manganês, alt. 23cm. Marcado O. A. L., com a sigla de José Pedro - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
As peças de produção lisboeta Monte Sinai, foram modelos muito apreciados, distinguindo-se pelo azul-forte em contraste com o branco. Já a cópia e interpretação das formas da  loiça “ratinho” – assim denominada por ser vendida a preços módicos aos trabalhadores das Beiras, que se deslocavam sazonalmente para o sul do país para auxiliarem nas actividades agrícolas - com origem em Coimbra, com grande circulação em finais do século XIX e início do século XX, dará origem a peças de gosto e manufactura popular de poderosa expressividade.
Nos últimos anos da década de 1930 e nos primeiros anos de 1940, as peças da Olaria de Alcobaça foram bem sucedidas junto dos mercados brasileiro e americano, declinando a partir de 1948, quando as imposições dos encomendeiros prevaleciam e não se impunham modelos estéticos com qualidade. 


Prato com mulher tocando guitarra, faiança "ratinho"; diâmetro: 28,5cm. Local de execução, Coimbra. Século XIX-XX - Museu da Música
Prato com tocador de viola, faiança "ratinho"; diâmetro: 27,7 cm. Local de execução, Coimbra. Século XX - Museu da Música

Bacia de barba, faiança rodada, pintada a azul, amarelo, verde e manganês, diâmetro 26 cm - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canjirão, faiança rodada, estampilhada a manganês, c. 1935, alt. 18,5cm - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Em 1959, João da Bernarda, aplicou na Olaria de Alcobaça os ensinamentos estéticos de cerâmica artística, aprendidos em Paris, e arrisca uma linha de objectos decoraticos, que foram expostos na 1ª Feira Industrial de Lisboa. Os  objectos expostos distanciaram-se claramente do protótipo português e popular, bastante diferente do que se viria a designar por loiça de Alcobaça. Fundada em 1927, a empresa O.A.L. veio a encerrar em 1984.
Outras fábricas de cerâmica tentaram igualmente estratégias que prolongaram a produção manufacturada, insistindo na decoração em pintura manual – hand painted – garantindo um fazer artesanal. A loiça de Alcobaça produzida até aos nossos dias, afirma-se na cópia de modelos antigos, e a repetição de formas e motivos decorativos soltos,  juntando policromias de azuis e amarelos ou de verdes e rosas.

Jarra, faiança rodada, policromada, séc. XX, alt. 37cm, com motivos vulgarizados da loiça de Alcobaça. 

Marca no fundo da jarra
Marcas da Fábrica José Reis, aqui
Marcas e siglas usadas entre 1900 e 1940, aqui

A Raul da Bernarda & Filhos Lda. com mais de um século de actividade e expansão,  comemorou o ano 2000 com a abertura de um Museu. Nele estão representadas mais de uma centena de peças que demonstram os estilos artísticos desenvolvidos na fábrica, desde 1900 até 1970. Em Maio de 2008, a empresa fechou as portas e iniciou o processo da insolvência.


Cachepot, faiança, alto relevo, c. 1980, alt. 14 cm. Raul da Bernarda
Marca no fundo do cachepot, empresa Raul da Bernarda


Marca empresa Raul da Bernarda, aqui
Marca da empresa Raul da Bernarda e Filhos, aqui
Peças de cerâmica  da produção da Raul da Bernarda

O Museu Raul da Bernarda acolhe algumas das mais belas e representativas peças da produção da “Raul da Bernarda & Filhos, Lda”. Podemos admirar a Faiança Portuguesa do último século e também a Faiança de Alcobaça.




Fontes:

Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

http://www.nazarefm.com/nfm/index.php?option=com_content&view=article&id=509:alcobaca--camara-compra-museu-da-ex-fabrica-de-ceramica-raul-da-bernarda&catid=5:alcobaca&Itemid=22

http://www.oestecim.pt/custompages/ShowPage.aspx?pageid=94d854ee-8f3e-4cc7-abe3-2b2f99f179de