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domingo, 25 de agosto de 2013

O Incêndio do Chiado - antes e depois

"O Grande Incêndio do Chiado" - TSF

Na madrugada do dia 25 de Agosto de 1988, Lisboa acordou perplexa, perante um fumo negro que cobria parte da zona histórica do Chiado, uma das mais nobres da Baixa Pombalina.

O alarme foi transmitido para a central do R.S.B. (Regimento de Sapadores Bombeiros) e registado manualmente às 05h19m. Ao chegar ao local, os bombeiros depararam com um violento incêndio nos armazéns “Grandella” - edifício com oito pisos, desde a Rua Áurea à Rua do Carmo -, construído no inicio do século XX por Francisco Grandela (1853-1934), e renovado posteriormente.

 
Armazéns Grandella - Edifício de 1907, construído segundo o gosto "Art Noveau", por Francisco de Almeida Grandella, na Rua Áurea e Rua do Carmo.
 
Armazéns do Grandella, Rua do Carmo (1955-1970). Foto de Artur Pastor (negativo de gelatina e prata em acetato de celulose) - Arquivo Municipal de Lisboa
 
Perspectiva conjectural do território da Pedreira nos finais do século XIII. Vê-se no primeiro plano, ao centro, o Convento do Espírito Santo da Pedreira (mais tarde, Palácio dos Barcelinhos / Grandes Armazéns do Chiado); em frente, em direcção ao Poente, a estrada de Santos (a Rua Garrett de hoje); à esquerda o Convento de São Francisco e os Mártires; mais ao longe o paço que foi dos Condes de Ourém; à direita o Estudo Geral (liceu); ao fundo, à esquerda o Convento da Trindade. Desenho de Alberto Sousa -  Arquivo Municipal de Lisboa
 
Fachada do Convento do Espírito Santo, pós-terramoto 1755 (mais tarde Grandes Armazéns do Chiado), situado na confluência da Rua Garrett com a Rua Nova do Almada.  Desenho do século XIX. Foto de Armando Serôdio - Arquivo Municipal de Lisboa
Desenho da Fachada principal do Palácio Barcelinhos em 1912. Processo de obras nº 495. A antiga frontaria da igreja sofreu grandes alterações quando da transformação deste Convento em Palácio. Arquivo Histórico Municipal (legendas da foto em cima).         Palácio dos Barcelinhos. Fachada da rua Nova do Almada. Foto de 1880. No final do século XIX, estava instalado no Palácio o Hotel Gibraltar e algumas lojas do piso térreo. Museu da Cidade (legendas da foto em baixo). Lisboa: Revista Municipal, nº 25, pág. 42, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa


Grandes Armazéns do Chiado e Hotel de l'Éurope, 1910. Foto de Joshua Benoliel (negativo de gelatina e prata em vidro), na Rua do Carmo - Arquivo Municipal de Lisboa.      Manuel José de Oliveira (1774-1847), conseguiu o titulo de Barão dos Barcelinhos, por  mercê da rainha D. Maria II. Ao adquirir o Convento do Espirito Santo da Pedreira em 1836, o Barão reservou para sua habitação o piso térreo e o andar nobre do edifício, deixando os restantes espaços para instalações diversas como:  Hotel dos Embaixadores, antes de 1845; Hotel de l'Europe, 1842-1912; Hotel Gibraltar. Em 29 de Setembro de 1880, uma parte do Palácio Barcelinhos foi atingido por um incêndio. Depois da reconstrução das partes danificadas, instalou-se em 1899, no edifício, os Grandes Armazéns do Chiado. Em 1927, a família Nunes dos Santos compra aos herdeiros do Barão de Barcelinhos, o edifício dos Grandes Armazéns do Chiado. O incêndio de 25 de Agosto de 1988, deixou pouco mais do que as paredes mestras do Convento do Espírito Santo.   Lisboa: Revista Municipal, nº 25, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa                                      
Grandes Armazéns do Chiado, Grandella e ponte do Elevador de Santa Justa, 1965. Foto de Armando Serôdio - Arquivo Municipal de Lisboa

Em poucos minutos (05h45m) as chamas atingiram os “Grandes Armazéns do Chiado” – edifício com cinco pisos, desde a Rua do Crucifixo à Rua do Carmo -, comprado pela família Nunes dos Santos aos herdeiros do Barão de Barcelinhos, no início do século XX.


Todas as corporações das várias unidades de bombeiros de Lisboa e zonas limítrofes, afluíram ao local. As edificações da Rua Nova do Almada e Rua Garrett, ficaram rapidamente cercadas pelo fogo (08.00h-09.00h). Os grandes armazéns Grandella e Chiado assolados pelas chamas, denunciavam uma tragédia de grandes proporções.

Publicidade, cerca de 1960. Armazéns do Chiado (arquivo "comjeitoearte)".

Apresentação de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1946. VIEIRA, Joaquim - Portugal século XX. Lisboa: Bertrand, 2007.




Um aspecto da passagem de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1942. Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942.  


Uma tarde elegante nos Grandes Armazéns do Chiado

Num ambiente de grande distinção,com a assistência de muitas figuras em evidencia na sociedade elegante, realizou-se, no salão de chá dos Grandes Armazéns do Chiado, uma passagem de modelos para apresentação das mais recentes criações da moda. 
O exito foi verdadeiramente  excepcional. Todos os modelos apresentados despertaram o mais vivo interêsse, pela sua originalidade, bom gôsto e inexcedível elegância, destacando-se, entre os que mais agradaram, um a que foi dada a designação de "Chiado". (...) - desde o "tailleur" prático ao de luxo, ao casaco de peles ou vestido de noite, todos se impuseram pela sua beleza... (...)
(...) 
Por seu lado, a assistência selecta que encheu o vasto salão dos Grandes Armazéns do Chiado, dificilmente esquecerá as horas de encanto e as visões de elegância que esta passagem de modelos lha proporcionou.
Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942. 


O modelo "Chiado", que despertou enorme curiosidade durante a passagem de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1942. Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942.  

Casa Jerónimo Martins & Filho, desenho. DIAS, Marina Tavares - Lisboa desaparecida 2. Lisboa : Quimera, 1990- Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Jerónimo Martins & Filho, fundada em 1792 (fornecedora da Casa Real). Rua Garrett. Foto de Joshua Benoliel (negativo de gelatina e prata em vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Jerónimo Martins e Filho, (interior). Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Casa Eduardo Martins & Ca., fundada em 1899, na Rua Garrett, foto de Alberto Carlos Lima, em 1907 (negativo de gelatina e prata em vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
Perfumaria da Moda, fundada em 1909, na Rua do Carmo. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa José Alexandre, fundada em 1833, na Rua Garrett. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa José Alexandre (interior). Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa Quintão, Rua Ivens, Lisboa. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Publicidade: Casa Quintão, no suplemento "Modas e Bordado", nº 1615, de 20 de Janeiro de 1943.
Outros estabelecimentos do comércio lisboeta, alguns centenários, foram igualmente atingidos: “Casa Aguiar”; “Casa Batalha” (1635); “Casa de Modas Ao Último Figurino”; “Casa Eduardo Martins” (1889); “Casa José Alexandre” (1833); “Casa Jerónimo Martins & Filho” (1792); “Casa Leonel”; “Charcutaria Martins e Costa” (1914); “Materna”; “Perfumaria da Moda” (1909); “Pastelaria Ferrari” (1827); “Pompadour”; “Valentim de Carvalho” (1920). 

Em poucas horas, um património histórico e de valor único para a cidade – edificado após o terramoto de 1755 - , foi aniquilado pelas chamas.

O incêndio ficou extinto cerca das 12h 30m do dia 25 de Agosto, e as operações de rescaldo prolongaram-se pelo mês de Setembro.


Casa de Modas Ao Último Figurino, Rua Garrett, 1966. Foto de Garcia Nunes - Arquivo Municipal de Lisboa
Publicidade: Casa de Modas Ao Último Figurino, no suplemento "Modas e Bordado", nº 1612, de 30 de Dezembro de 1942

Materna, Rua do Carmo. - Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Materna, Rua do Carmo. - Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Casa Aguiar, Rua do Carmo, 1971. Foto de Joaquim Pereira Silvestre - Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Leonel, Rua do Carmo, 1971. Foto de Joaquim Pereira Silvestre - Arquivo Municipal de Lisboa
Pompadour, Rua Garrett. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Cartaz publicitário. Autor: Fred Kradolfer. Execução: Cunha e Silva. Álbum "Cartaz Publicitário". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Quinto aniversário da Pompadour  - " Chic e moderno estabelecimento que ao Chiado dá uma nota de elegância parisiense e onde as nossas lindas lisboetas dão rendez-vous" -  in, O Notícias Ilustrado nº 54 de 23 de Junho 1929 - CML, Hemeroteca Digital de Lisboa

A área atingida, cerca de 8 mil metros quadrados, ficou delimitada pela Rua do Crucifixo, Rua da Assunção, Rua do Ouro, Rua de São Nicolau, Rua de Santa Justa, Rua do Carmo, Rua Nova do Almada, Calçada de São Francisco, Rua Garrett, Rua Ivens, Calçada do Sacramento.


O plano para a reconstrução da zona do Chiado denominou-se "Projecto Global". Posteriormente foi criado o "Gabinete de Coordenação e Assessoria Técnica da Área Sinistrada do Chiado", sob a orientação e os projectos do arquitecto Siza Vieira.


Área afectada pelo fogo , com indicação dos prédios destruídos, os de que arderam as coberturas e alguns pisos, e os que ficaram danificados apenas em alguns pisos. Lisboa: Revista Municipal, nº 25, pág. 42, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa
Luvaria Ulisses e Joalharia do Carmo, Rua do Carmo. Foto de Ferreira da Cunha (negativo de gelatina e prata sobre vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
A Luvaria Ulisses foi fundada em 1925 e a Joalharia do Carmo em 1924. No século XXI, as duas casas na Rua do Carmo, mantém a traça antiga - TSF
Joalharia do Carmo, na Rua do Carmo, com o glamour de outros tempos - Máxima
Luvaria Ulisses, na Rua do Carmo. A decoração desta loja permanece intacta desde a sua fundação em 1925.
Armazéns do Chiado/Centro Comercial Chiado , Rua Garrett. Foto de R Gomes
Centro Comercial Chiado (interior). Foto de Luis Pavão, 2000. Dispositivo cromogéneo em acetato de celulose - Arquivo Municipal de Lisboa
Fontes:
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=1220&cat_visita=163
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=303
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=1219&cat_visita=164
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/LisboaRevM/LisboaRevM.htm

http://www.martinsecostasa.com/empresa.html
http://www.luvariaulisses.com/pt/pagina/1/home/

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Companhia de Bailado Verde Gaio (1940 - 1950)

Programa de espectáculo pelo Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio / Teatro da Trindade. Ilustração de Bernardo Marques - Museu Nacional do Teatro
As festas comemorativas do duplo centenário da Fundação da Nacionalidade (1140) e Restauração da Independência de Portugal (1640), decorreram no ano de 1940 com diversas cerimónias, um grande cortejo histórico organizado por Leitão de Barros e a Exposição do Mundo Português (23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940) erguida em Belém, Lisboa.

António Ferro na inauguração do Museu de Arte Popular, 1948 (em primeiro plano, o segundo a partir da direita) - Museu de Arte Popular
Frederico de Freitas, compositor, maestro e pedagogo
Francis Graça, bailarino, 1946. Foto de Silva Nogueira - Museu Nacional do Teatro
António Ferro (1895-1956), director do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) e secretário-geral das Festas dos Centenários, desejava impulsionar a criação de um "Ballet Português". Recorrendo à verba do SPN o grupo de bailado começou a criar corpo. A companhia de bailado português que veio a denominar-se "Verde Gaio", deveu-se não só a António Ferro, apaixonado pelos "Ballets Russes", mas também ao compositor Frederico de Freitas (1902-1980), ao bailarino e coreógrafo Francis Graça (1902-1980), grande inovador do teatro musicado, e ao pintor Paulo Ferreira (1911-1999), o mais importante colaborador plástico do "Verde Gaio".

Foto de cena do bailado "Muro do Derrete", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1940. Cenário e cortina de Paulo Ferreira - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa:Instituto Português de Museus
Inserido nos acontecimentos festivos do duplo centenário da Fundação da Nacionalidade (1140) e Restauração da Independência de Portugal (1640), o espectáculo de Bailados Portugueses Verde Gaio, estreou na noite de 8 de Novembro de 1940, no Teatro da Trindade, aguardado com expectativa pelo público. O programa ilustrado por Bernardo Marques, mencionava os bailados: "A Lenda das Amendoeiras" com texto de Fernanda de Castro, música de Jorge Croner de Vasconcelos e cenário e figurinos de Maria Keil do Amaral; "Ribatejo" com música de Frederico de Freitas, cenário de Estrela Faria e figurinos de Bernardo Marques; "Inês de Castro" com texto de Adolfo Simões Müller, música de Ruy Coelho e cenário e figurinos de José Barbosa e "Muro do Derrete" com argumento de Carlos Queiroz, música de Frederico de Freitas e cenário, cortina e figurinos de Paulo Ferreira. Os bailados foram coreografados por Francis Graça. A Orquestra Filarmónica de Lisboa foi dirigida pelo maestro Ivo Cruz. Os espectáculos realizaram-se entre 8 e 21 de Novembro de 1940.

Figurino para bailarino do bailado "Muro do Derrete", aguarela sobre papel. Autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro da Trindade, 1940. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro
Figurino para bailarina do bailado "Muro do Derrete", aguarela sobre papel. Autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro da Trindade, 1940. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro
 
Trajes de cena femininos do bailado "Muro do Derrete". Autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro da Trindade, 1940. Foto José Pessoa - Museu Nacional do Teatro
Foto de cena do bailado "Lenda das Amendoeiras", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1940. Cenário de Maria Keil - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus
Figurino para "Dama" do bailado "Lenda das Amendoeiras", guache sobre papel. Autoria de Maria Keil. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro da Trindade, 1940 - Museu Nacional do Teatro
Figurino para "Principe Mouro" do bailado "Lenda das Amendoeiras", guache sobre papel. Autoria de Maria Keil. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro da Trindade, 1940. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro
O êxito dos primeiros espectáculos fez com que se criassem outros bailados. No ano de 1941, realizou-se o 2º espectáculo do "Verde Gaio" no Teatro Nacional de S. Carlos, entre 21 e 25 de Junho. No programa surgiram dois novos bailados: "O Homem de Cravo na Boca" com argumento de Francisco Lage, música de Armando José Fernandes, cenário e figurinos de Bernardo Marques e "Dança da Menina Tonta" com música de Frederico de Freitas, argumento, cenário e figurinos de Paulo Ferreira. Os dois bailados foram coreografados por Francis Graça.
O "Verde Gaio" contou com a colaboração de artistas plásticos como Bernardo Marques, Carlos Botelho, Estrela Faria, José Barbosa, Maria Keil, Mily Possoz, Paulo Ferreira e Thomaz de Mello (Tom).
Maquete de cenário do bailado "O Homem de Cravo na Boca", carvão, aguarela e guache. Autoria de Bernardo Marques. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro

Figurino " Homem do Cravo" do bailado "O Homem de Cravo na Boca", aguarela e sobre papel. Autoria de Bernardo Marques. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro 
Figurinos femininos do bailado "O Homem de Cravo na Boca", guache sobre papel. Autoria de Bernardo Marques. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro
Figurino para bailarina do bailado "O Homem de Cravo na Boca", aguarela e guache sobre papel. Autoria de Bernardo Marques. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro 
Maquete de cenário do bailado "Dança da Menina Tonta", guache sobre papel. Autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro
Foto de cena do bailado "Dança da Menina Tonta", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1941. Cenário de Paulo Ferreira - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus
Trajes "Moça da Aldeia" e "Tímida", do bailado " A Dança da Menina Tonta," da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1941. Foto José Pessoa - Museu Nacional de Teatro
Em 1943, a Companhia Verde Gaio apresentou uma série de espectáculos no âmbito dos Festivais Comemorativos do 150º aniversário do Teatro de S. Carlos. O programa mencionava os bailados: "D. Sebastião" com argumento de António Ferro, música de Ruy Coelho, cenário e cortina de Carlos Botelho e figurinos de Mily Possoz e "Imagens da Terra e do Mar" com argumento de António Ferro, música de Frederico de Freitas, cenário de Carlos Botelho e cortina e figurinos de Paulo Ferreira. As coreografias dos espectáculos foram da responsabilidade de Francis Graça.
A Companhia viajou para Espanha, onde deu espectáculos entre 8 e 10 de Maio de 1943, no Gran Teatro del Liceo, em Barcelona. Decorridos dez dias, o "Verde Gaio" apresentou-se no Coliseum, em Madrid, no dia 21 do mesmo mês.
Foto de cena do bailado "D. Sebastião", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1943. Cenário e cortina de Carlos Botelho - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus
Figurino "Camões" do bailado "D. Sebastião", aguarela e guache sobre papel da autoria de Mily Possoz. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro.
Figurino "Anjos Andorinhas" do bailado "D. Sebastião", aguarela e guache sobre papel, da autoria de Mily Possoz. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro.
Trajes de cena "Mouras" do bailado "D. Sebastião", da autoria de Mily Possoz. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Foto de José Pessoa - Museu Nacional de Teatro.
Foto de cena do bailado "Imagens da Terra e do Mar", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Cenário de Carlos Botelho. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional do Teatro.
Maquete para cortina de cena do bailado "Imagens da Terra e do Mar", aguarela sobre cartão, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio, 1940-1950. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Figurino feminino do bailado "Imagens da Terra e do Mar", aguarela sobre cartão, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Trajes de cena "Alentejo" do bailado "Imagens da Terra e do Mar", da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1943. Foto José Pessoa - Museu Nacional de Teatro
Nas temporadas de ópera de 1946 e 1947, a Companhia Verde Gaio iniciou a sua participação nos bailados das diferentes óperas.
Por ocasião das Comemorações do VIII Centenário da Tomada de Lisboa aos Mouros, num espectáculo de gala realizado no Teatro de S. Carlos, em 26 de Maio de 1947, o "Verde Gaio" apresentou o novo bailado "Festa no Jardim" com argumento de Francisco Lage, coreografia de Guglielmo Morresi, música de W. A. Mozart e cenários e figurinos de Paulo Ferreira.

Foto de cena do bailado "Festa no Jardim", Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, 1947. Cenário de Paulo Ferreira - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus
Maquete para cenário do bailado "Festa no Jardim", guache sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. 1947. Teatro Nacional de S. Carlos. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Figurino "Dona de Casa" para o bailado "Festa no Jardim", guache sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1947. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Figurino "Convidada" para o bailado "Festa no Jardim", guache sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1947. Foto de José Pessoa - Museu Nacional de Teatro
Figurino "Mouro" do bailado "Festa no Jardim", guache sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
O bailado estreado pelo "Verde Gaio", no Teatro Nacional de S. Carlos, em Dezembro de 1948, teve grande sucesso. "Nazaré" com argumento e coreografia de Francis Graça, música de Frederico de Freitas, figurinos de José Barbosa, cenário de José Barbosa (na estreia em Portugal) e depois de Eduardo Anahory (na apresentação em Paris), marcou o regresso de Francis como coreografo do grupo.
O ponto mais alto da vida da Companhia Verde Gaio, ficou marcado pela apresentação em Paris, no Théâtre des Champs-Elysées, entre 9 e 19 de Junho de 1949. António Ferro em entrevistas à imprensa francesa elogiava o "Verde Gaio", dando a conhecer ao público parisiense o grupo que resultara da sua paixão pela dança. As criticas dos jornais de Paris foram muitas e bastante entusiastas, sendo largamente difundidas pela imprensa portuguesa.
No final de 1949, António Ferro o grande entusiasta e pilar da companhia, é nomeado ministro de Portugal em Berna, Suiça, afastando-se do cargo de director do SNI.

Fotografia de Francis Graça e Madeleine Rosay, no bailado "Nazaré", 1948 - Museu Nacional do Teatro
Figurino "Mulher da Nazaré" do bailado "Nazaré", guache sobre cartão, da autoria de José Barbosa. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1948. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Maquete para cenário do bailado "Nazaré", guache sobre cartão, da autoria de Eduardo Anahory. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio, 1949. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
Cartaz de apresentação da Companhia de Bailados Portugueses Verde Gaio no Théâtre des Champs-Elysées, em Paris. Foto de Luisa Oliveira - Museu Nacional de Teatro
António Ferro não voltou a intervir na política cultural portuguesa. O "Verde Gaio" apesar de continuar com Francis Graça como director, perdeu o seu ponto de apoio e a sua orientação. O grupo de dança ainda foi convidado para um Festival Internacional de Dança, em Lausanne, onde despertou grande interesse. Em 1950, o "Verde Gaio" foi elogiado por um famoso crítico e historiador de bailado, o inglês Arnold Haskell, director da escola do Sadler's Wells Ballet.
A partir de 1951, o "Verde Gaio" colaborou apenas nas danças das óperas levadas à cena em  S. Carlos, exibindo ocasionalmente algum bailado em cerimónias e festas oficiais, em Portugal e por vezes no estrangeiro.

Figurino "D. Inês" do bailado "Inês de Castro", (2ª versão) aguarela sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1948 - Museu Nacional de Teatro
Figurino "D. Pedro" do bailado "Inês de Castro", (2ª versão) aguarela sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1948 - Museu Nacional de Teatro
Figurino "Primeira-Aia" do bailado "Inês de Castro", (2ª versão) aguarela sobre papel, da autoria de Paulo Ferreira. Companhia Portuguesa de Bailados Verde Gaio. Teatro Nacional de S. Carlos, 1948 - Museu Nacional de Teatro

Francis Graça foi afastado do "Verde Gaio" em 1960, sendo a direcção entregue a Margarida de Abreu, professora do Conservatório e directora do Círculo de Iniciação Coreográfica. 
Em 1963, Francis aceitou dirigir a Academia Parnaso, no Porto. Quando já nada o fazia acreditar em voltar ao bailado, recebeu um convite para criar um uma coreografia para o Grupo Gulbenkian de Bailado. O bailado intitulado "Encruzilhada" estreou em 1 de Abril de 1968, no Teatro Politeama, com Isabel Santa Rosa e Carlos Trincheiras, nos protagonistas. Foi o último bailado que Francis coreografou. Faleceu em Julho de 1980, com 78 anos, incapacitado por uma artereosclerose.

Cartaz da Escola de Ballet Clássico Parnaso, 1963 - Museu Nacional deTeatro
Retrato do bailarino Francis, óleo sobre tela, 1930. Autoria do pintor Mário Eloy - Museu do Chiado
Retrato de António Ferro, 1925. Autoria do pintor Mário Eloy - Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus.

Fontes:

Museu Nacional do Teatro, 1999-2000. Verde Gaio Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Instituto Português de Museus. ISBN- 972-776-016-3

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