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quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - VI




No dia 25 de Abril de 1974, Lisboa tornou-se o centro das atenções da diplomacia e da informação mundial. Nesta data, terminou o isolamento internacional em que Portugal permaneceu durante o regime ditatorial do Estado Novo (1933/1974). 



Cartoon intitulado «Amigos Novos», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Setembro de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_25_de_Abril_de_1974

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


terça-feira, 24 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - V



Cartoon intitulado «turistas», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em 1972.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui)

24 de Abril 
(...) 
08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada. 

(...)
 
10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de «Grândola Vila Morena» como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.  

(...)  
14h00 - O jornal «República» insere uma curta notícia, intitulada «Limite», com o seguinte teor: « O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória»*

(...)
15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa «Limite» que regressara de Moçambique) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo sendo o «Limite» um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da R
ádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e revia previamente os textos. Para maior segurança retiram-se dos estúdios para um local seguro.  

(...)  
19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco  com a duração  de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas «Geografia» e «Revolução Solar», da autoria de Carlos Albino, e a canção «Coro de Primavera». 
 (...) 
22h00 - (...) O Capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na «Operação Fim Regime», dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem das Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.
22h30 - No Posto de Comandos encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho  e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).  
(...) 
22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa «Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofesival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas. 
 
23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade de Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
 
- Recolhem à escola prática de infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo. 
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, IP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2). 
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA, a adesão é total. 
(...)  
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
A notícia no vespertino «A República» foi o aviso de que as operações estavam bem encaminhadas. 



Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


segunda-feira, 23 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - IV


Cartoon «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?». Maio de 1969

   

Cartoon intitulado «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Maio de 1969.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui e aqui )


23 de Abril 
00h15m - Otelo Saraiva de Carvalho e  Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, encontram-se, no Apolo 70, com João Paulo Dinis. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, «Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus», através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L.), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o pais. (...) 
Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo programa Limite a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção «Venham mais cinco», de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que a canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Aponta alternativa, entre as quais «Grândola, Vila Morena». (...) 
Tarde - Encontro de Otelo com  o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comendo do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.(...) 
20h00 - Na residência do comandante Vitor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha. 
23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria (EPC). Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que ja se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia. 
23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação. 
23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da Republica, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância. 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês


Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


sexta-feira, 20 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - III



 Cartoon «emigrantes», 1972 

Cartoon intitulado «emigrantes», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, na época  anterior ao 25 de Abril de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.




1974 
(Leia outros factos aqui e aqui) 


20 de Abril - Na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima)(...).- Conclusão do essencial dos textos políticos (...). A partir dessa data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da responsabilidade do general algumas das modificações introduzidas nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar. 

21 de Abril - Encontro, em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spinola) e Fausto Marques, com visa a obter a adesão do Regimento de Caçadores Para-quedistas, comandado pelo último oficial.
 

22 de Abril 
 
00h01 - A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais.- A Escola Prática de Transmissões (EPTm), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1*, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se sem demora a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. (...) 

c. 11h00 - O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Radio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, (...) com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita marcar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta.
 

Noite - Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.
 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
* Regimento de Engenharia 1 (RE 1) 




Fontes::

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


segunda-feira, 16 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução -. II

Jornal , cartoon, 1972
Cartoon intitulado «jornal», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, na época  anterior ao 25 de Abril de 1974. 

João Abel Manta destacou-se como um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974 (leia outros factos aqui e aqui)

16 de Abril - Otelo Saraiva de Carvalho reúne no Regimento de Engenharia 1, com o major Eurico Corvacho. explicando-lhe a ideia geral de manobra, especialmente as movimentações a levar a cabo na Zona Norte. A pedido deste, agrega-lhe as forças do Centro de Instrução de Operações Especiais de Lamego, cometendo-lhes a missão de reforçar as tropas do Porto. 
 
17 de Abril - Otelo distribui as missões aos delegados do Agrupamento Norte (November), no apartamento de Dinis de Almeida, estando presentes todos os agentes de ligação para esse sector (...). 

18 de Abril - Otelo distribui as missões aos delegados do Sector Centro (Charlie), em sua casa, contando-se entre estes o capitão Correia Bernardo, em representação da Escola Prática de Cavalaria ( Santarém). 

19 de Abril Otelo distribui as missões aos delegados do Sector Sul (Sierra), em casa do major Fernandes da Mota. 
 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês)
          


Fontes::

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


domingo, 15 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - I

Televisão, cartoon de 1972

Cartoon intitulado «televisão», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, na época  anterior ao 25 de Abril de 1974. 

João Abel Manta destacou-se como um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.


1973 


Um grupo de oficiais das Forças Armadas constituído por Melo Antunes, Victor Alves, Vasco Lourenço, Garcia dos Santos, Otelo Saraiva de Carvalho e Marques Júnior, tomaram a iniciativa de implantar a democracia e acabar com a guerra colonial.


9 de Setembro - Reunião clandestina de capitães no Monte Sobral (Alcaçovas); nasce o Movimento das Forças Armadas (MFA).

1974
(leia ouros factos aqui)

16 de Março - Primeira tentativa de golpe militar, para derrubar a ditadura, implantar a democracia e acabar com a guerra colonial. 

Uma coluna comandada pelo capitão Armando Marques Ramos, do Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha, marcha sobre Lisboa. O golpe falha. 

Os militares do MFA não desistem, mantêm-se firmes na sua decisão e fazem um plano detalhado e pensado ao pormenor.

15 de Abril - Otelo Saraiva de Carvalho conclui o Plano Geral das Operações que intitula de «Viragem Histórica». 

É realizado um encontro entre  alguns capitães e tenentes para planear a tomada da Emissora Nacional.

É escolhido o Radio Clube Português, para posto emissor do MFA, por possuir uma rede que cobria o pais e o Ultramar, emitir noticiários de hora a hora, e de dispor de um estúdio compacto de gerador de emergência e radio-telefone para o centro emissor em Porto Alto.



30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta

terça-feira, 25 de abril de 2017

As conquistas de Revolução de Abril I MFA


"Os presentes das Forças Armadas" para o povo português, no cumprimento das promessas dos capitães de Abril.  


Democracia
Liberdade
Paz
Eleições Livres
Descolonização
Liberdade de Imprensa
Justiça
Educação
Cultura
Direito à Greve
Dinamização Cultural
Assistência
Saneamento
Prestígio Internacional


As conquistas de Abril, neste belo e significativo cartoon de João Abel Manta, realizado em Dezembro de 1974.



Fontes: 
João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edicões "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


sexta-feira, 24 de abril de 2015

"O 25 de Abril de 1974" nos jornais e revistas da época

Primavera? Cartaz de João Abel Manta. Jornal "Diário de Lisboa", nº 18442, dia 28 de Abril de 1974; págs. 16-17 - Hemeroteca Digital
Jornal "A Capital", nº 2213, dia 25 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital


Jornal "Diário de Lisboa", nº 18439, dia 25 de Abril de 1974 - Hemeroteca digital


Jornal "Diário Popular", nº 11317 (3ª tiragem), dia 25 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital

Jornal "República" nº 15421 (3ª edição), dia 25 de Abril de 1974 - Hmeroteca Digital
Jornal"A Capital", nº 2214, do dia 26 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital
Jornal "Diário Popular", nº 11318, dia 26 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital
Jornal "Repúblicanº 15422 (2ª edição), dia 26 de Abril de 1974 - Hmeroteca Digital

Movimento das Forças Armadas, Portugal: Programa (1974). Cartaz (112 x 38cm). Simbolo do MFA  - Biblioteca Nacional de Portugal
Jornal "Notícias da Amadora", nº 658, dia 27 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital
Jornal "Notícias da Amadora",  suplemento ao nº 658, dia 27 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital
"Notícia: semanário ilustrado", nº 751. Suplemento: Golpe militar em Lisboa: a nossa posição. Dia 27 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital

"O Século Ilustrado", nº 1895, págs: 67-73. Dia 27 de Abril de 1974 - Hemeroteca Digital


 "Vida Mundial: documentário semanal da imprensa", nº 1821, dia 3 de Maio de 1974 - Hemeroteca Digital
"Flama: órgão oficial da Juventude Escolar Católica", nº 1365, dia 3 de Maio de 1974 - Hemeroteca Digital

"Notícia: semanário ilustrado", nº 752, dia 4 de Maio de 1974 - Hemeroteca Digital 
"Seara Nova: revista quinzenal de doutrina política", nº1543, Maio de 1974 - Hemeroteca Digital
Entrevista exclusiva do capitão Salgueiro Maia à revista Fatos e Fotos (1974) - Centro de Documentação 25 de Abril
Jornal "Diário de Lisboa", nº 18446, dia 3 de Maio de 1974. "1 de Maio de 1974. Uma coisa nunca vista", ilustração de João Abel Manta - Fundação Mário Soares

"Sempre Fixe", nº 6/2ª série, dia 11 de Maio de 1974. "Não deixai murchar as flores", ilustração de João Abel Manta - BNP


Fontes:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm
http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=HomePage
http://www.bnportugal.pt/
http://www.fmsoares.pt/

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Revolução de Abril - Liberdade, Democracia e Paz - O fim da censura

Revolução de 25 de Abril de 1974. Largo do Carmo, Lisboa. Militares e população (ROSAS, Fernando - Lisboa revolucionária : roteiro dos confrontos armados no século XX . Lisboa : Tinta da China, 2007. ISBN 978-972-8955-45-8) - Arquivo Municipal de Lisboa


A História de Portugal, ficou indubitavelmente marcada pelo dia em que a Liberdade, a Democracia e a Paz, foram conquistadas. Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, os militares intentaram uma revolução que derrubou o Governo - chefiado pelo Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro-Ministro) Marcelo Caetano.

O Movimento das Forças Armadas (MFA), foi saudado com grande entusiasmo pela população que desejava a liberdade.


Dia 25 de Abril de 1974. Forças militares nos Restauradores, Lisboa. Fotografia nº: 22. Registo nº: 1038 - Centro de Documentação 25 de Abril , UC
Dia 25 de Abril de 1974. Na Praça da Figueira, Lisboa. Fotografia nº: 6. Registo nº: 1021 - Centro de Documentação 25 de Abril, UC
Mural com a frase: "Dá mais força à liberdade". Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978.

O país vivia em ditadura desde o golpe militar de 28 de Maio de 1926, quando dois generais - Gomes da Costa e Mendes Cabeçadas - impuseram uma ditadura militar, no intuito de impedir a agitação social e política que o país tinha experimentado durante a 1ª República (1910-1926).

A partir de 1932, António de Oliveira Salazar assumiu o cargo de Presidente do Conselho de Ministros (Primeiro-Ministro) e implantou uma ditadura que intitulou de Estado Novo. 


Revolução de 25 de Abril de 1974, Lisboa. Retrato masculino / Caetano, Marcelo José das Neves Alves. Presidente do Conselho de Ministros, 1968-1974. Foto de Alfredo Cunha - Arquivo Municipal de Lisboa
Mural com frases e palavras sobre a época da ditadura, de 1926 a 1974. Portugal. GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978.
Mural artístico do PRP com a frase: "Morte ao Fascismo". Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978.

Este regime político autoritário vigorou em Portugal durante 41 anos.

As condições mínimas de vida, o analfabetismo, a fraca instrução, fizeram dos portugueses um povo represado e profundamente descontente. Para fugir à pobreza muitos portugueses emigraram para França, Alemanha, Suíça e Canadá.


Cantar de emigação (aqui)- Adriano Correia de Oliveira
(Canção censurada)


Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai 


Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará


Menina dos olhos tristes (aqui) - José Afonso

(Canção censurada)


Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar


Que Força é Essa (aqui) - Sérgio Godinho
(Canção censurada)

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades para os outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força para pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força para pouco dinheiro 

Que força é essa
que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compreendes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes 

Que força é essa
que força é essa...
..........................

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades para outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força para pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força para pouco dinheiro
 
Que força é essa
que força é essa...
......................... 


A polícia política PIDE (Policia Internacional de Defesa do Estado) tinha como objectivo controlar e censurar a oposição e a opinião pública em Portugal e nas colónias. Milhares de portugueses foram encarcerados sem julgamento ou após julgamento em tribunais especiais, por oposição ao regime.

A censura eliminava todos os textos e novidades contrárias aos velhos costumes. Os assuntos políticos adversos ao Estado Novo eram prontamente proibidos e cortados pela censura.

A polícia carrega sobre as mulheres dos operários em greve. Barreiro, Julho 1942. Foto de Eduardo Gageiro - 25 fotos de Abril
Mural artístico do MRPP com a frase: "Pela Democracia". Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978
 
Mural artístico (pormenor). Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978

A guerra colonial contribuiu muito para a decisão de derrubar o Governo. Angola, Guiné e Moçambique, foram durante 13 anos, províncias onde milhares de jovens portugueses combateram, mesmo contra a sua vontade. Muitos voltavam estropiados, com traumas de guerra ou não voltavam. 

A ONU condenava a actuação de Portugal mas os governantes não negociavam a independência dos países africanos.


13 anos de guerra colonial: mais de 10 000 mortos e cerca de 30 000 feridos e mutilados entre a juventude portuguesa, crimes e massacres contra os povos das colónias. Foto de Eduardo Gageiro - 25 fotos de Abril

Mural artístico do MDMP, com a frase: " Pela paz, pela democracia. Mulheres de todo o mundo unidas". Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978

Mural artístico. Portugal - GUIMARÃES, Sérgio - As Paredes na Revolução: Graffiti. Mil Dias Editora, 1978
Em muitas famílias portuguesas a angústia de ter um filho na guerra era imensa. Os militares perceberam que a guerra estava longe de acabar e era impossível ganhá-la. 

Um grupo de oficiais das Forças Armadas decidiu derrubar a ditadura, implantar a democracia e acabar com a guerra colonial. Garcia dos Santos, Marques Júnior, Melo Antunes, Otelo Saraiva de Carvalho,  Vasco Lourenço e Victor Alves, prepararam o golpe que faria cair o regime fascista. 

Autocolante comemorativo do 25 de Abril - Biblioteca Nacional de Portugal
Autocolante comemorativo do 25 de Abril - Biblioteca Nacional de Portugal

Autocolante comemorativo do 25 de Abril - Biblioteca Nacional de Portugal
 
A Revolução de 25 de Abril, conhecida como a Revolução dos Cravos, iniciou uma série de procedimentos que viriam a terminar com a implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de Abril de 1976.

Os cravos vermelhos serão para sempre, a imagem do dia em que os portugueses fizeram uma revolução sem mortos e sem tiros.  


Linhas gerais do Governo Provisório. "O Século", 07-05-1974 - Biblioteca Nacional de Portugal
Postal com a frase: "A poesia está na rua". Abril-Maio de 74. Pintora Helena Vieira da Silva. Colecção de Daniel Pires  - Biblioteca Nacional de Portugal
"Os Ridiculos", nº: 184 (4 de Maio de 1974). Edição completa aqui - Hemeroteca Digital

Quatro décadas após o 25 de Abril, a Liberdade, a Democracia e a Paz, fazem parte do quotidiano dos portugueses, como o sol que nasce no horizonte.

Autocolante comemorativo do 25 de Abril - Biblioteca Nacional de Portugal

 Na Juventude o Futuro de Abril


Mudam-Se Os Tempos, Mudam-Se As Vontades (aqui) 
(Luís Vaz de Camões) José Mário Branco
(Canção censurada)

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Ref: E se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Mas se tudo o mundo é composto de mudança,
Troquemo-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança.




Fontes:
http://purl.pt/94/1/index.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_dos_Cravos
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Gageiro
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/
http://www.cd25a.uc.pt/index.php
http://www.pcp.pt/actpol/temas/25abril/25anos/25fotos.html
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/EFEMERIDES/25Abril40Anos/25deabril40Anos_OsRidiculos.htm