domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Carnaval pelo mundo - máscaras

Máscara de Careto, latão, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence

Traje e máscara de Careto, algodão, sarja, lã e madeira, Salsas, Portugal - Museu Abade de Baçal

O Carnaval em Portugal é celebrado por todo o país, os festejos de Podence e Lazarim, incorporam tradições pagãs.
O Carnaval para os Caretos de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, em Trás-os-Montes, é um ritual entre o pagão e o religioso. Os homens, envergam trajes coloridos e escondem a cabeça numa máscara de lata, prendem na cintura uma enfiada de chocalhos, de campainhas, e festejam o Carnaval até cansar, para acalmar até à Pascoa. Os Caretos, invadem a praça e as ruas da aldeia no domingo e na terça-feira de Entrudo. Fazem corridas desenfreadas, atrás das raparigas solteiras, seguidos pelas crianças do sexo masculino. A eles tudo se permite, a imunidade conferida pela máscara, dá-lhes poder, por dois dias quem mais brinca mais poder tem. 

Grupo de Caretos, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence
Máscaras, Carnaval de Podence,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje


Na vila de Lazarim, concelho de Lamego, o Entrudo ou Carnaval é festejado entre comadres e compadres. As máscaras são de produção artesanal, feitas em madeira de amieiro e diferentes de ano para ano. Cabe ao seu portador imaginar o fato que a acompanha (Caretos). O Entrudo é precedido pela Semana das Comadres e dos Compadres, destinada a preparar as quadras destrutivas do testamento, que será lido na Terça-feira Gorda. Neste dia, as ruas de Lazarim enchem-se de gente para assistir ao desfile dos Caretos e à leitura dos testamentos. Tradicionalmente realiza-se um concurso de máscaras, e são premiados os artesãos mais talentosos.


Máscaras, Carnaval de Lazarim,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Máscaras, Carnaval de Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim
Mascarado, Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim


O Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. É também considerado dos mais famosos do mundo. No início do século XX, surgiu a primeira escola de samba no Rio de Janeiro. Outras foram aparecendo e iniciaram os campeonatos para a melhor escola do ano. Neste Estado, os cariocas começam os preparativos em Setembro. Na data oficial, os desfiles das escolas de samba são apresentados no Sambódromo. Na Bahia, os festejos de Carnaval são dos mais calorosos do Brasil. Na cidade de Salvador, passam mais de 150 blocos organizados. Em São Paulo, os festejos são idênticos aos do Carnaval carioca. As datas oficiais divergem para não haver concorrência. O Carnaval de Pernambuco é festejado com inúmeros bonecos gigantes, sendo o mais conhecido o Homem da Meia-Noite, que está nas ruas desde 1932. A maior atracção é o bloco "O Galo da Madrugada".

Máscara, pintura facial, Carnaval do Brasil, 2011 - CARAS
Escola de samba, Académicos do Grande Rio, Rio de Janeiro, Brasil - Foto de Mark Scott Johnson
Máscara de diabo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Santa Cruz - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche

Máscara de cervo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Niterói - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Máscara de arara, papel machê, Brasil 
Máscara, pintura facial, Bloco de capoeira, Salvador da Bahia, Brasil - Foto Fábio Rodrigues

 Mascarados, pintura facial, Bloco de rua, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto, António Cruz
Homem da Meia-Noite, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto de António Cruz


O Carnaval de Veneza pode ser considerado o mais importante e famoso de toda a Europa. A sua origem remonta segundo se pensa, ao ano de 1162, quando a então designada Repubblica Della Serenissima, obteve uma importante vitória na guerra contra Ulrico. O Carnaval de Veneza nasceu das comemorações desta vitória. Esta festa continuou e foi enriquecida com música, cultura, vestuário rico e exótico. As belíssimas máscaras tornaram-se famosas e fizeram parte da "Commedia dell'Arte", que imortalizou personagens como o Arlequim, a Columbina, o Doutor ou o Pantalone. A "Bauta", de cor branca, é considerada a máscara tradicional de Veneza, a qual permite ao seu utente comer e beber sem a retirar. Em Veneza existem cerca de dois mil fabricantes de máscaras, verdadeiras obras de arte, feitas de couro, papel machê, alumínio ou seda. Nas ruas os trajes e as máscaras permanecem exuberantes e magníficos, o auge da festa é atingido no fogo de artifício de terça-feira à noite.

 Máscara Bauta, couro, Itália - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Mascarados, Veneza, Itália 
Máscara de pássaro, papel machê, artista Barbare, Veneza, Itália
Máscara, Pádua, Itália - Foto Rinina 25


O Carnaval de Basel, é o maior na Suiça e acontece entre Fevereiro e Março, em Basileia. Esta festa começa na segunda -feira depois das Cinzas e termina na quinta-feira, por isso é chamado "Carnaval protestante do mundo". Faz parte da lista das 50 festividades da Europa. Neste Carnaval existe uma divisão entre os participantes e os espectadores. Os participantes cobrem-se totalmente com traje e máscara, segundo um tema específico, de forma a permanecerem incógnitos. Os cortejos são acompanhados por a Gugge, banda de música. Durante o cortejo, existem tractores ou caminhões com reboques decorados. Os ocupantes, geralmente Waggis, distribuem flores, doces e outras delícias pela multidão.

Waggis, fantasia de carnaval, Basel, Suiça - Foto Flups
Gugge, banda de música, Carnaval de Basel, Suiça - Foto Flups
"Dummpeter", máscara tradicional, papel machê e plástico, atelier Charivari, Carnaval de Basel, Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, máscara tradicional com origens italianas, tela e cera, Carnaval da Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, personagem tradicional no Carnaval da Suiça, tem origens italianas


Um dos festivais mais famosos nas Filipinas é o Festival MassKara em Bacolod City. Ele levantou-se da escuridão que envolveu a cidade em 1980, um periodo de tragédia e de deslocalização económica. Os artistas da cidade, o governo local e grupos cívicos, decidiram criar um festival de sorrisos, pois a cidade era conhecida por a "Cidade dos Sorrisos". Durante a semana do festival, a cidade enche-se de dançarinos mascarados, que dançam pelas ruas durante a competição streetdancing, de três dias, até à praça Bacolod.

Dança de Rua, máscara, Festival MassKara, Bacolod City, Filipinas
Máscara com chapéu, gesso, lantejoulas, pérolas e plumas, Festival MassKara em Bacolod City, Filipinas - Museu Internacional do Carnaval e da Máscara de Binche


O Carnaval de Oruro na Bolívia, é uma celebração com mais de 2000 anos. Através da conservação das tradições, dos cerimoniais, da criatividade, este ritual veio a construir um modelo reconhecido em "Obras-Primas do Património Oral e Património Imaterial da Humanidade (UNESCO), em 2001. A Diablada é a dança primitiva tradicional e principal dos festejos de Carnaval. Os 48 grupos que participam nos festejos, durante três dias e três noites, representam diferentes formas de dança indígena. O Carnaval de Oruro inicia-se em Novembro, com os rituais de adoração relacionados com os mortos "Todos-os-Santos", por um período que se estende até Fevereiro, com a peregrinação à Virgem.

O Diabo, máscara primitiva tradicional dos festejos de Oruro, Bolívia
Diabo, máscara, tecido, gesso e cola, Carnaval de Oruro, Bolívia


Na República Dominicana, os tradicionais festejos de Carnaval remontam a 1800, quando a ilha começou a assumir a sua própria identidade como nação. É uma das tradições mais coloridas e a  celebração mais alegre da República Dominicana. Envolve todas as pessoas que invadem as ruas para desfrutar, compartilhar e comemorar com alegria. Em Santiago dos Cavaleiros existem dois tipos básicos de máscara de diabo, Os Lechones, com origem em dois bairros diferentes, La Joya e Los Pepines.

Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti
Lechone, máscara, papel machê, Santiago, República Dominicana
Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti


O Carnaval de Binche é um evento popular, social e humano invulgar. As suas origens vão para além do século XIV. Este evento folclórico, depois de uma longa tradição oral, é um ritual que dá aos participantes a sensação de ser único. É sem dúvida o momento mais importante na vida da cidade de Binche. Cerca de 1000 Gilles, camponeses, Arlequim e Pierrot, proporcionam entretenimento durante o Carnaval. Foi reconhecido Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2003.

Máscara, Carnaval de Binche
Máscara de Gille, tela coberta de cera, Carnaval de Binche
Mascarados Gilles, Carnaval de Binche


Fontes:
http://caretosdepodence.no.sapo.pt/entrudo.html ; http://casadopovodelazarim.webnode.com.pt/
http://museudamascara.cm-braganca.pt/pages/1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval_do_Brasil ;  http://www.museedumasque.be/
http://www.masksoftheworld.com/ ; http://www.infopedia.pt/$carnaval-de-veneza
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnival_of_Basel ; http://www.themasskarafestival.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnaval_de_Oruro ; http://fis.ucalgary.ca/AVal/321/Caribe.html
http://www.binche.be/detentes-loisirs/carnaval-binche

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Máscaras e folias de Carnaval – Lisboa, séculos XVII a XX

Alegoria da Comédia Italiana, óleo sobre tela, século XIX, Columbano Bordalo Pinheiro - Palácio Nacional da Ajuda (na imagem, o Doutor, Arlequim, Pierrot e Columbina).

O uso da máscara é bastante amplo no tempo e no espaço. Ritual e festiva, intrigante e enigmática, ela encaixa-se em cenas de teatro, em cerimónias de iniciação e funerais, em rituais agrícolas, de caça ou guerra, na distinção do estatuto social ou em carnavais. Cada máscara reflecte as características da sociedade política e social, religiosa, cultural ou histórica que a criou. A "máscara" terminologia, pode ser estendida a muitas outras realidades: pinturas faciais, fantoches, tatuagens e cicatrizes, etc. 
A máscara faz parte do nosso dia-a-dia. Desde a máscara do apicultor à máscara do cirurgião, desde a máscara funerária à máscara de adorno, desde a máscara de oxigénio à máscara anti-gás, o seu uso, está associado com um lugar e tempo estritamente definido.


Mascarilha, 1910, Itália - The Metropolitan Museum of Art

Nos últimos séculos, destacaram-se dois tipos de máscaras: a mascarilha, elegante, discreta, criação da Renascença italiana; a caraça, caricatural, burlesca, herdeira das tradições da comédia grega. A primeira de veludo preto, ocultava a personagem de quem a usava; a segunda, criava de forma momentânea uma personalidade nova.

Carnaval em Lisboa, mascarados, 19.., foto de Carlos Alberto Lima - Arquivo Municipal de Lisboa

Em Lisboa, nos séculos XVII e XVIII, as autoridades consideraram prejudiciais à ordem e à disciplina social, ambos os tipos de máscara. Usadas de forma indevida, eram muitas vezes uma arma de dissimulação, assegurando a impunidade de inúmeros crimes. Perante estas situações, as Ordenações Filipinas ou Código Filipino, proibiram as máscaras nas ruas e nas procissões. No reinado de D. Pedro II (1648-1706), esta proibição foi renovada por um alvará em 25 de Agosto de 1689. Todo o mascarado encontrado na rua, era preso e enviado por quatro anos para Angola, com multa de cem cruzados para a obra-pia dos enjeitados. Com este procedimento, verificou-se uma diminuição do número de crimes e roubos.
Mascarilha, algodão, 1910, Itália - The Metropolitan Museum of Art

O alvará de 1689 caiu no esquecimento, deixou de ser cumprido e os jornais de meados do século XVIII (1742-1743), noticiam alguns crimes praticados na Lisboa de D. João V, sob o disfarce de mascarilhas. O alvará foi então cumprido com rigor. Excepcionalmente, as máscaras foram permitidas nas festas de touros.

Touradas no Terreiro do Paço, Lisboa, 1900-1945, foto de José Artur Leitão Bárcia (gravura, Dicionário da História de Lisboa, Paço da Ribeira, de Miguel Soromenho) - Arquivo Municipal de Lisboa

Para festejar a aclamação do rei D. José I, foram realizadas grandes touradas no Terreiro do Paço, com a intervenção de gigantes mascarados, com narizes postiços, que aguavam o terreiro depois da morte do touro. A moda agradou aos espectadores e nas touradas apareceram inúmeros espectadores mascarados. Não havia tourada, em que não ficassem meia dúzia de burgueses pacíficos trucidados. Outro alvará foi publicado, proibindo as máscaras nas corridas de touros (25 de Julho de 1765). Nesta época, o Carnaval era de uma enorme grosseria. Os ovos, a laranjada, o talco, o esguicho, os sonhos com pimenta, as filhós com estoupa e muitas outras coisas ainda, constituíam práticas selvagens e brutais.

O rei D. Luís I, mascarado de cavaleiro com armadura, 1865, litografia sobre papel (segundo foto de F. A. Gomes) - documento do Palácio Nacional da Ajuda.

A rainha D. Maria Pia, disfarçada com Dominó e mascarilha, 1865, foto de F. A. Gomes - documento do Palácio Nacional da Ajuda

 Retrato da rainha D. Maria Pia, vestida de varina (Ovar), séc. XIX - Palácio Nacional da Ajuda



 Rainha D. Maria Pia com máscara de Escocesa (1865). Palácio Nacional da Ajuda /IMC

Muitos dos nossos reis costumavam divertir-se no Carnaval, alguns deles mascaravam-se nas festas do paço: D. Fernando (filho de D. Duarte), mascarou-se de selvagem para um torneio em honra da irmã, futura imperatriz da Alemanha, D. Leonor; as rainhas, Maria Francisca de Sabóia, Sofia de Neubourg e Maria Ana de Áustria, introduziram na corte o baile de máscaras, participando na festa a figura de Arlequim, para distrair e animar os presentes; D. Pedro II e D. João V, disfarçaram-se de frades ou mendigos, em alguns Entrudos; D. José I, participava nas aventuras com os capotes brancos; a rainha D. Maria Pia, mascara-se de Varina, para os bailes dos duques de Palmela e o rei D. Luis I, de Hamlet; a rainha D. Amélia, passeia de carruagem nos festejos de Carnaval, na rua Garrett, no final do século XIX.  

Festejos de Carnaval, Rua Garrett. Vê-se  a carruagem com a rainha D. Amélia, 189.., foto Estúdio Mário Novais - Arquivo Municipal de Lisboa

O primeiro baile de máscaras público em Lisboa, realiza-se no teatro do Bairro Alto em 1823, acabando em confrontos. Alguns anos depois, em 1836, o teatro de S. Carlos organiza o primeiro baile, bem do agrado da aristocracia da época. As máscaras, sob a influência de Veneza e de Paris - Dominó, Columbina, Arlequim, Polichinelo, Pierrot - fazem do Carnaval uma festa d’Arte.

Salão nobre do teatro de S. Carlos, foto de Domingos Alvão, 1872-1946 - Arquivo Municipal de Lisboa 

Polichinelo, água forte, 1616, França - The Metropolitan Museum of Art


 
Pierrot rindo, 1855, Paris, foto de Nadar - The Metropolitan Museum of Art


 Arlequinete, desenho, primeira metade do século XX - The Metropolitan Museum of Art

Estudo para o teatro de Muñoz Seca, em Madrid, guache, 1929, José de Almada Negreiros - Museu do Chiado (Arlequim sentado, usando traje de losangos vermelhos e amarelos).

Nas ruas da Lisboa do século XIX, o corso, constituído por carros ornamentados, percorria as principais artérias da Baixa – Avenida da Liberdade, Rossio, Chiado – seguido pelos foliões: a “velha de capote e lenço” – sátira à moda do século XIX -  o “janota”, o “galego”, o "Xé-Xé". Esta foi a figura mais típica do Carnaval lisboeta até ao início do século XX (1910), é a caricatura do século XVIII, com a sua casaca de cores garridas, rendas de punho, um enorme bicorne, cabeleira, sapatos de fivela, luneta de vidro e bastão ornado de chavelho, também conhecido por “salsa” “peralta” ou “pisa-flores”, perdurou por cem anos. As Cegadas, com possíveis raízes nos autos medievais, eram farsas burlescas representadas nas ruas, tinham como temas as cenas da vida quotidiana.

Xé-Xé, festejos de Carnaval, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa

Mascarados, festejos de Carnaval, Avenida da Liberdade, Lisboa, foto de Vasco Gouveia de Figueiredo - Arquivo Municipal de Lisboa

Crianças mascaradas, festejos de Carnaval, 1907, Lisboa, foto de Alberto Carlos Lima - Arquivo Municipal de Lisboa
  Mascarados, caricaturas dos empresários dos teatros, festejos de Carnaval, 1905, Lisboa, foto de Alberto Carlos Lima - Arquivo Municipal de Lisboa (1º José Ricardo Vale; 2º Afonso Tavareira e Portulez; 3º Fernando Maia; 4º Visconde São Luiz Braga e Sousa Bastos).

Rafael Bordalo Pinheiro cria a figura do Zé Povinho (aqui), e a caricatura política, passa a ser uma nova forma do Carnaval contemporâneo. 
"No Carnaval de 1880, palhaço entre máscaras célebres (Adriano Machado da justiça, o prior da Lapa, o Ávila e o Braamcamp, Rodrigues de Freitas republicano e o longo infante D. Augusto), Zé Povinho é apanhado por El-rei e pelo Mariano de Carvalho, que lhe augura a albarda de antemão aceite". (Augusto França, 1975: 79)
Em 1903, "o Zé, puxa um carro carnavalesco, que é o do Estado, bem alegórico, entre a dívida e o deficit, e rodado pelo José Luciano e o Hintze, da "rotação" partidária". (Augusto França, 1975: 91)

Desenho publicado no jornal "O António Maria, de Rafael Bordalo, 12 de Fevereiro de 1880 - França, José-Augusto (1975), Zé Povinho 1875. Lisboa: Grande Angular
 
Desenho publicado no jornal A Paródia, de Rafael Bordalo, 18 de Fevereiro de 1903 - França, José-Augusto (1975), Zé Povinho 1875. Lisboa: Grande Angular

Fontes: 
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt
http://www.metmuseum.org/en
França, José-Augusto (1975), Zé Povinho 1875. Lisboa: Grande Angular
Dantas, Júlio (1969), Lisboa dos nossos avós. Lisboa: Município de Lisboa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Decorações para o Carnaval


Material:

Papel de seda colorido
Papel vegetal
Régua graduada
Tesoura
Espátula de madeira
Figura 1
Passo a Passo:

1 - No papel de seda, desenhe um rectângulo com as medidas que desejar.  Recorte.

2 - Divida o rectângulo em cinco partes iguais (figura 1).

Figura 2
Figura 3

Figura 4
 
Figura 5
3 - Seleccione as silhuetas e imprima (figuras 2, 3, 4, 5 ).

4 - Copie para o papel vegetal. As linhas tracejadas, indicam as dobras no papel de seda (figura 5).
Figura 6
5 - Dobre o papel de seda. Vinque com a espátula (figura 6). 

6 - Sobre o papel de seda dobrado, decalque a figura escolhida (figura 6). As dobras no papel de seda, devem coincidir com as linhas tracejadas.

7 - Recorte a figura. Desdobre para obter um friso de silhuetas. 

8 - Se desejar um friso com maior comprimento, é só repetir o processo anterior e colar as diversas partes entre si.



Fábrica de máscaras no Brasil

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Máscaras e Tradições de Carnaval

Carnaval, óleo sobre tela, Isolino Vaz - Museu José Malhoa
O Carnaval existe desde sempre. Vemo-lo entre os egípcios, que homenageavam a Deusa Ísis e o Touro Apis; entre os teutões, a Deusa Herta; entre os gregos e romanos as festas Bacanais, Lupercais e Saturnais, onde os escravos tomam o lugar dos senhores e os senhores o dos escravas. Na Idade Média, dominada pela vida religiosa e pelo culto aos santos, estas festividades perderam a força. O santo Entrudo surgiu como uma manifestação religiosa, onde a igreja se misturava com o povo em danças e procissões. A partir do século XVI, a Igreja Católica estabelece a data da Quaresma e em consequência a dos festejos de Carnaval. Estes deveriam limitar-se aos três dias antes da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas - dia seguinte ao dia de Carnaval - e tem a duração de 47 dias.
A Itália do século XVI transfigurou o Carnaval, transformando-o na obra-prima de poetas e pintores. No século XVIII, Veneza cria o Pierrot, a Columbina, o Arlequim e o Polichinelo. Em França, o Carnaval é uma manifestação artística, onde prevalece a ordem e a elegância, com seus bailes e desfiles alegóricos. No Brasil, o Carnaval festeja-se desde os finais do século XVIII. É a maior festa do país, as escolas de samba exibem danças, fantasias e carros alegóricos.

Dança da Luta durante desfile carnavalesco, 1906?, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa
Dança da Bica, Pirâmide, 1905, Lisboa - Ilustração Portuguesa, nº 71, p. 289 - Ayuntamiento de Lisboa, 1980. El Pueblo de Lisboa, Museu Municipal de Madrid. Lisboa: Ayuntamento de Lisboa
O povo português, contribuiu para as celebrações carnavalescas com a criação das Danças. As Danças, de uma organização complexa e disciplinada, eram verdadeiras mascaradas agitadas por movimentos delirantes. Evidenciavam-se a Dança da Luta; a Dança das Espadas; a Dança da Bica e a Dança dos Machetins. Em todas, os participantes executavam vários números acrobáticos, mostrando a sua destreza, força e equilíbrio. Na Dança da Bica, o grupo era composto por vários homens altos e fortes, fazendo uns de homens e outros de mulheres. Os que faziam de homens, apresentavam-se com barba e nas mãos levavam arcos adornados com flores de papel. Os que faziam de mulheres, usavam lenços brancos.

Cegada, 1911, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Joshua Benoliel
Entre as brincadeiras de Carnaval estavam as Cegadas, com possíveis raízes nos autos medievais. Eram farsas burlescas representadas nas ruas e tinham como tema as cenas da vida quotidiana. Nestas representações, os figurantes utilizavam indumentárias e caracterizações apropriadas aos personagens que pretendiam encarnar. 

Paródia de Carnaval, gravura, meados do século XIX, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa
Grupo carnavalesco, 192?, Avenida da Liberdade, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Octávio Bobone.
As Paródias  de Carnaval, eram constituídas por um grupo de cerca de trinta a quarenta pessoas, figurando personagens distintas.
Xé-Xé, óleo sobre tela, 1895, José Malhoa - Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves

As paródias e os cortejos, eram acompanhados por figuras populares como o “Xé-Xé”, uma das principais figuras do Carnaval até cerca de 1910, chamavam-lhe salsa, peralta ou pisa-flores. Era uma caricatura da Lisboa do século XVIII. Usava uma casaca colorida com punhos de renda, sapatos de fivela, cabeleira de estopa, um enorme bicorne, luneta de vidro e bastão ornado de um chavelho.

Xé-Xé, 1910, Avenida da Liberdade, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Augusto Bobone

Xé-Xé, 1898?, Praça D. Pedro IV, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa
 
Mulher de capote e lenço, litografia, 1842, Macphail - Ayuntamiento de Lisboa, 1980. El Pueblo de Lisboa, Museu Municipal de Madrid. Lisboa: Ayuntamento de Lisboa

A “velha de capote e lenço” - outra figura popular - era uma sátira à moda do início do século XIX. Vestia um capote preto sem mangas e um lenço bicudo de tarlatana gomada, usava caixa de rapé.

Cortejo dos Municípios, grupo de Braga com o rei David no centro, Avenida da Liberdade, Lisboa,1947-06-01  - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Ferreira da Cunha
No coração da província, não havia procissão nem cortejo, que não fosse precedido por uma figura, fruto da imaginação popular, o Rei David ou Rei Mouro, devido à sua origem árabe. Não havia festa, dança ou tourada, sem o Rei David. Gerações e gerações, viram-no passar com grandes barbas de estopa, coroa de papelão dourado, vestes reais. 

Matiné infantil, na legação de Espanha, 1907, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Alberto Carlos Lima


Desfile, anterior a 1932, Avenida da liberdade, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Joshua Benoliel.

Os bailes de máscaras, assaltos e corsos, eram espectáculos reservados à burguesia, que se adornava para passear na Avenida da Liberdade e subir o Chiado, em caleche ou carro alegórico, decorados de forma vistosa e imaginativa. 

Carnaval na Rua Garret e Largo do Chiado, Lisboa, 1905 - Arquivo Municipal de Lisboa

Carro alegórico, 1906, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa, foto de Alberto Carlos Lima.

Desfile, 1903, Avenida da Liberdade, Lisboa - Arquivo Municipal de Lisboa


Fontes:

Dantas, Júlio, 1969, Lisboa dos nossos avós. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa.
 
Ayuntamiento de Lisboa, 1980. El Pueblo de Lisboa, Museu Municipal de Madrid. Lisboa: Ayuntamento de Lisboa

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/