quarta-feira, 21 de março de 2012

Biografia de Rafael Bordalo Pinheiro - um dos geniais portugueses

Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Nacional do Teatro (MatrizNet)

1846 – Rafael Bordalo Pinheiro, ilustrador, ceramista e caricaturista português (m. 1905) 

Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) considerado o maior artista plástico do século XIX, destacou-se como ceramista, caricaturista, autor de banda desenhada, editor, decorador e figurinista. Proveniente de uma família de artistas, desde  cedo  revelou o gosto pelas artes. Experimentou representação no Teatro Garrett, inscreveu-se no Conservatório, matriculou-se em Desenho de Arquitectura Civil na Academia de Belas Artes, onde também se inscreveu em Desenho Histórico. 

Calendário Portuguez, por Bordalo Pinheiro - Santo António de Lisboa - P'rá cêra do Sant'Antó...
O Primeiro Zé Povinho, "A Lanterna Mágica", nº 5, Junho de 1875 

Novidades da semana - Papagaio real para Portugal. Quem passa? É o rei que vai para a caça! "António Maria", 18 de Dezembro de 1879 - Hemeroteca Municipal de Lisboa



Apesar de ter desenvolvido o gosto pela arte, em 1863 foi trabalhar como escriturário na Câmara dos Pares. Em paralelo, expôs regularmente no Salão da Sociedade Promotora de Belas Artes, a partir de 1868. Dois anos depois, em 1871, mostrou os seus trabalhos na Exposição Internacional de Madrid e participou no "Almanaque das Gargalhadas". Em 1872, é editado o álbum "Apontamentos de Rafael  Bordalo Pinheiro", que relata em 16 episódios, a viagem do Imperador D. Pedro II à Europa. Estava criada a primeira banda desenhada portuguesa. O êxito foi grande, deste modo, Rafael foi um dos pioneiros da BD a nível mundial. 


Eleições. Zé Povinho hesita entre as esperanças republicanas, de Magalhães Lima - O Século, as promessas "regeneradoras" do Serpa e as realidades "progressistas do Mariano - cujo cheiro é conhecido e bom...  "Pontos nos ii", 10 de Março de 1887 - Imagem: Hemeroteca Digital . Texto:França, José (1975), Zé Povinho 1875. Lisboa: Bertrand
Caricatura de Henry Burnay, Album das Glórias - compra, vende, troca, empresta, põe, dispõe, impõe, repõe, fia, fura e faz, litografia sobre papel, 1882 - Museu José Malhoa

Um dos títulos mais representativos em que cooperou, o célebre “O António Maria” – do qual foi fundador - , foi publicado entre 1879 e 1885. Em seguida criou o "Pontos nos II", que foi publicado entre 1885 e 1891. “A Paródia” - último jornal que dinamizou -  foi publicado entre 1900 e 1906.

Nas representações de Bordalo, as figuras da classe política do país (aqui), como Hintze Ribeiro, José Luciano de Castro, Mouzinho de Albuquerque, o duque d'Ávila, o conde de Burnay, ou em particular, António Maria Fontes Pereira de Melo, eram o alvo constante do seu sarcasmo.

A Árvore da Liberdade - "António Maria", 3 de Janeiro de 1884 - Hemeroteca Digital 
A Rethórica Parlamentar: o grande Papagaio - "A Paródia", nº 18, 16 de Maio de 1900 - Hemeroteca Digital (As alegorias com animais eram comuns, na obra gráfica da Bordalo.

A indiferença mascara a miséria - "A Paródia", nº 76, 26 de Junho de 1901 - Hemeroteca Digital (Esta é uma das bonitas pinturas de Bordalo Pinheiro)

No Brasil em 1875, realiza caricaturas para o jornal “O Mosquito”. Retoma este hábito em Lisboa e faz caricaturas a partir de quadros célebres, como “Zé Povinho na (Última) Ceia” ou “Zé Povinho – Marquês de Pombal”, realizados em 1882. A criação da figura do Zé Povinho, deve-se a Bordalo, que a viu publicada nas páginas de “A Lanterna Mágica”, em 1875. O "Zé Povinho" equivale à imagem alegórica do povo, que surge nas mais diversas situações do quotidiano. É representado com o cabelo despenteado, chapéu braguês, sorriso afectuoso, o Zé de origem rural que mostra umas vezes o seu espanto outras vezes a sua manha.


Zé Povinho; estatueta; cerâmica; 1895. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
Zé Povinho, tinteiro (o chapéu forma a tampa do tinteiro); cerâmica; 1905. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


A cerâmica foi outra das actividades de Bordalo. A partir de 1884, na fábrica de Cerâmica das Caldas da Rainha, cria inúmeras peças, das quais se evidenciam figuras caricaturais e populares, como o "Zé Povinho", a " Maria da Paciência" o "Arola" ou "John Bull", ou as peças como a "Jarra Beethoven". Foi agraciado com a ordem de cavaleiro da Legião de Honra da República Francesa, em Paris - 1889 - onde as suas cerâmicas foram acolhidas com sucesso. 

Na cidade de Lisboa, o Museu Rafael Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, possui um legado significativo da sua obra. Nas Caldas da Rainha, a Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro, retém admiráveis peças do artista, aqui.


Prato da "Mesa posta"; faiança; 1897 - Museu Bordalo Pinheiro

 Arola, garrafa; cerâmica; 1896. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Jarra Manuelina; cerâmica; 1892; Caldas da Rainha - Museu José Malhoa

Centro de Mesa Renascentista; faiança; 1900 - Museu Bordalo Pinheiro


Jarra Plátanos, cerâmica, 1901. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica 

Bilha (serenata); cerâmica; 1896. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
Maria da Paciência, estatueta; cerâmica; 1901. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Vinte anos depois - "A Paródia", Nº 22, 11 de Junho de 1903 - Hemeroteca Digital (Este é o duplo auto-retrato de Bordalo, na juventude e na velhice) 

Fontes: 
http://museubordalopinheiro.cm-lisboa.pt/index.html
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Home.aspx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Bordalo_Pinheiro


Árvore de Natal em cartão

1 - Árvore em cartão
Material:

Cartão com 1x1 m
X-acto
Régua de metal graduada
Caneta de feltro
Cola
Tesoura
Lápis
2 - Tiras de cartão cortadas a uma distância de 25mm de cada extremidade

Passo a passo:

1 - Corte o cartão em tiras de 25 mm de largura.

2 - Corte quatro tiras com 300 mm de comprimento. Meça 25 e 50mm a partir das extremidades de cada tira e corte as pontas em diagonal a partir da medida 25mm, sem alterar o seu comprimento (2).

3 - Corte outras quatro tiras de cartão com menos 12 mm. Meça 25 e 50mm a partir das extremidades de cada tira e corte as pontas em diagonal a partir da medida 25mm, sem alterar o seu comprimento (2).

4 - Corte as tiras de cartão restantes (em grupos de quatro), seguindo o passo 3. Corte diagonalmente todas as tiras restantes a uma distância de 25mm das extremidades, sem alterar o seu comprimento (2).

3 - Tiras de cartão com ranhuras
5 - Faça ranhuras de 12mm  a partir da marcação de 50mm (feita nos passos 2 e 3) em cada grupo de quatro tiras (3).

6 - Cada grupo de quatro tiras deve ligar-se de forma a construir um quadrado (3).

4 - Quadrados sobrepostos com marcação de junção
7 - Marque com uma caneta de feltro, os pontos em que o primeiro quadrado toca o segundo quadrado, (sobreposto) abra ranhuras  (marcação de junção) com 8 mm (4).

8 - Encaixe os dois quadrados e coloque o terceiro em cima, paralelo ao primeiro. Repita o processo de junção. Para que a árvore se mantenha estável cole as junções.

5 - Árvore rematada com dois triângulos
 9 - Quando todos os quadrados estiverem ligados, termine a árvore com dois triângulos.

10 - Pode iluminar a árvore. Prenda um casquilho a uma das réguas pela parte interior. Use uma lâmpada de 15w.

11 - Se quiser a árvore colorida pode recorrer ao papel autocolante.

terça-feira, 20 de março de 2012

Biografia do pintor Henrique Pousão

Auto-retrato, 1876, Henrique Pousão
Dia 20 de Março (aqui)

Henrique César de Araújo Pousão (1859-1884) revelou-se um caso excepcional da pintura portuguesa - geração naturalista -, muito embora toda a sua obra fosse realizada enquanto se formava. Em 1872, com 14 anos, entra na Academia de Belas Artes do Porto, no curso de Pintura Histórica, onde desde logo demonstra o seu talento, mas ainda ligado ao academismo. Em 1881, entra na Escola Nacional de Belas Artes de Paris. Com a saúde debilitada, procura melhoras na região de Puy-de-Domes, na aldeia de Saint-Sauves executa as pinturas "Aldeia de Saint-Sauves" e "Paisagem de Saint-Sauves". Estas composições, representam já uma notável qualidade espacial e consecusão de luminosidade. Por razões de saúde, troca França por Itália - Roma -, onde realiza alguns retratos num equilíbrio perfeito de naturalismo-classicismo e modernidade luminosa. A pintura "Cecília", é disso bem significativa. Pousão deixa Roma e segue no Verão para Capri, ainda por causa da sua saúde. Capri a afamada ilha de Nápoles, era já na época muito procurada pelos artistas. A beleza da paisagem, o mar, o clima, a gentileza dos habitantes, entusiasmavam poetas, pintores, escultores, músicos... Aqui realizou inúmeros trabalhos, de representação de figura e paisagens, libertando-se da sua fase académica. Em algumas obras, as composições adoptam formas concisas - perto de uma expressão abstracta -, caso de excepção na pintura portuguesa da época. A "Rua de Capri" é uma das últimas obras do artista executadas em Capri, antes de regressar a Portugal. Faleceu na sua terra natal - Vila Viçosa - aos 25 anos de idade.

Paisagem Saint-Sauves, óleo sobre tela, 1881 - Museu Nacional de Soares dos Reis
Aldeia de Saint-Sauves, óleo sobre madeira, 1881 - Museu Nacional de Soares dos Reis
Cecília, óleo sobre tela, 1882 - Museu Nacional de Soares dos Reis
Rua de Capri, óleo sobre madeira, 1882 - Museu Nacional de Soares dos Reis
Miragem, Nápoles, óleo sobre madeira, 1882 - Museu Nacional de Soares dos Reis
Rapariga Romana, aguarela sobre papel, 1882 - Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea





Esperando o Sucesso, óleo sobre tela, 1882 - Museu Nacional de Soares dos Reis


Rapariga deitada no tronco de uma árvore, óleo sobre tela, 1883 - Museu Nacional de Soares dos Reis


Ilha de Capri, óleo sobre madeira, 1883 - Museu Nacional Machado de Castro


  Auto-retrato, óleo sobre tela, 1878 - Museu Nacional Soares dos Reis.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Caixas de tabaco - rótulos e publicidade

Caixa de rapé, osso, povo inupiaq, Mar de Bering - Burke, Museu da História e Cultura Natural

As caixas de tabaco são uma relíquia do passado e reflectem a vida desse tempo. O tabaco era um luxo, o transporte devia assegurar a qualidade e a segurança, mesmo da mais pequena quantidade. 

Feitas primitivamente de materiais diversos - madeira, osso, cobre, bronze, latão, cerâmica, couro, prata ou carapaça de tartaruga - foram debeladas pelo estanho. As caixas de metal estreitas e com relevo, foram exportadas de todos os lugares da Holanda durante o século XVII. As de chumbo e de estanho vieram de Inglaterra

A caixa pequena, decorativa, feita de metal, destinava-se a manter as reservas pessoais de tabaco, podendo ser transportada no bolso. Tal como a caixa de rapé, a caixa de tabaco surgiu como uma dádiva, adaptando-se a diferentes circunstâncias. 


Caixa de tabaco, prata (8,3 cm), 1691-1692, cultura inglesa - MMA, The Metropolitan Museum of Art
Caixa de tabaco, carapaça de tartaruga, prata (2,2 x 9,5 x 7,9 cm) séc. XVII, cultura inglesa - MMA
Caixa de tabaco, cobre, latão (3,8 x 17,1 x 5,1 cm), 1760-1765, cultura alemã - MMA
Caixa de tabaco, cobre, latão (3,7 x 16,8 x 5,9 cm), 1781, cultura holandesa - MMA

Caixa de tabaco, tartaruga, ouro, metal e vidro (3,6 x 7,0 cm), século XVIII-XIX - Palácio Nacional da Ajuda
Caixa de tabaco, ferro martelado, prata, ouro (11,4 x 7,0 cm), séc. XIX, cultura japonesa - MMA
Caixa de tabaco, tartaruga, ouro, vidro e algodão (2,4 x 9,4 cm), século XIX, cultura italiana - Palácio Nacional da Ajuda
Caixa de tabaco, tartaruga (2,8 x 8,6 cm, século XIX, cultura chinesa - Palácio Nacional da Ajuda
As caixas de tabaco em metal, leves e versáteis, tinham um triplo objectivo: armazenar tabaco, decorar e anunciar. Não existiam panfletos atraentes, TV, outdoors, e-mail… Os jornais eram poucos e distantes entre si. A indústria do tabaco precisava de chamar a atenção para os seus produtos, tornando-os atraentes para que tivessem maior procura. 

As caixas de tabaco foram então uma mais-valia, no desenvolvimento da publicidade. Começaram com etiquetas de papel, cerca de 1870, foram realizadas tentativas para o uso da pedra de litografia na impressão directa das cores ao metal brilhante. Os temas de publicidade eram variados: Natal, índios, navios, presidentes, paisagens, entre outras.  

Algumas caixas tinham decorações e impressão no exterior e interior, outras, tinham padrões geométricos coloridos, frases, ilustrações representando pessoas ou objectos. Embora algumas fossem feitas estritamente para utilidade, a maioria eram peças de decoração, utilizadas tanto para uso pessoal como para exibição, daí, o interesse destas peças.


Caixa de tabaco 
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco, F. W. Saywell & Co, (local desconhecido), Bright Virgini, corte longo
Caixa de tabaco, Carreras Ltd, Melbourne, Boan's Excella, corte fino

Caixa de tabaco, Edwards, Dunlop & Co Ltd, Sydney, E.D. Tabaco especial, corte fino
Caixa de tabaco, National Tobacco Company Ltd, Brisbane & Melbourne, Sunny Girl, corte fino
Caixa de tabaco, National Tobacco Company Ltd, Brisbane & Melbourne: Queenslands Own Sunny Girl
Caixa de tabaco, The British-Australasian Tobacco Co Pty Ltd, Sydney & Melbourne, Main Top Navy
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco, 1900, cubos de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco
Caixa de tabaco, Myona Manufacturing Co, Melbourne, Phar Lap, corte fino 

Caixa de tabaco, Godfrey Phillips Pty Ltd, Melbourne, Black & White, corte especial
Caixa de tabaco, Godfrey Phillips Pty Ltd, Melbourne, Myrtle Grove