terça-feira, 22 de maio de 2012

O tema "Mães e filhos", na pintura de Mary Cassatt

Auto-retrato, aguarela e guache sobre papel, 1878 - Museu Metropolitano de Arte
 

Hoje aconteceu... Aniversário da pintora Mary Cassatt


 Mary Cassatt (Allegheny, 22 de Maio de 1843 — Château de Beaufresne (perto de Paris) 14 de Junho de 1926), foi uma pintora dos Estados Unidos da América. É considerada uma admirável pintora impressionista.

Retrato de Mary Cassatt no Louvre, gravura, 1879-80, Edgar Degas - Museu Metropolitano de Arte
Conhecida pelas suas representações indulgentes de mulheres e crianças, Mary Cassatt foi uma das poucas artistas americanas de vanguarda do século XIX, no activo em França. Nascida numa notável família de Pittsburgh, viajou muito pela Europa com os seus pais e irmãos enquanto criança. Atraída desde muito jovem, pelas obras de arte europeias, matriculou-se, ainda adolescente, na Academia de Artes da Pensilvânia, em Filadélfia.

No Omnibus, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Carícia Maternal (estudo), carvão e grafite, 1891 - Museu Metropolitano de Arte
Carícia Materna, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Aos vinte e três anos, decidiu seguir a carreira de pintora profissional. Contra a sua própria família conservadora, partiu com uma amiga para a Europa a fim de estudar pintura com mestres reputados. Envia uma obra pela primeira vez, para o Salão de Paris em 1868, e é aceite. Regressando aos Estados Unidos por um curto período de tempo, Cassatt voltou à Europa em 1871, aí dedicou-se à pintura, copiando os mestres conceituados em museus de Itália, Espanha e Bélgica.

Hélène de Septeuil, ponta-seca, 1890 - Museu Metropolitano de Arte
O Banho, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Mãe e Filho, pastel sobre papel - Museu Metropolitano de Arte
Cassatt fixou-se definitivamente em Paris, em 1874. Foi apresentada a Edgar Degas (1878), este convidou-a para participar na 4ª exposição dos pintores impressionistas a realizar em 1879. Cassatt juntou-se ao grupo, deste faziam parte Monet, Morisot, Renoir, Pissaro e o próprio Degas. Expõe com algumas interrupções, até 1886. Ela admirava especialmente a obra de Degas, bem como a de Manet e Gustave Courbet. Rompeu com as tradições académicas e começou a produzir grandes obras em pastel, desenho com traços extremamente vigorosos e intensos.

Mãe Brincando com o Filho, pastel sobre papel, 1897 - Museu Metropolitano de Arte
Mãe Alimentando o Filho, pastel sobre papel, 1898 - Museu Metropolitano de Arte
Jovem Mãe Costurando, óleo sobre tela, 1900 - Museu Metropolitano de Arte
Uma estreita relação de trabalho cresce entre Cassatt e Degas. Com origens semelhantes de classe alta, os dois pintores desfrutam de uma amizade baseada na sensibilidade artística comum, no interesse pela composição estrutural em negrito, a assimetria, a estética das gravuras japonesas e os assuntos contemporâneos. Nesta época dedica-se à gravura, ao desenho e cria um estilo muito próprio. A partir de então, a representação de mulheres e crianças ou mães e filhos, irá garantir-lhe notoriedade entre os impressionistas. A forma como faz a descrição da figura humana em óleo, pastel e ponta-seca são de uma técnica precisa e realista, representando as tonalidades da pele e das expressões faciais com uma perfeição invulgar.

Ellen Mary Cassatt, pastel sobre papel, 1899 - Museu Metropolitano de Arte
Primavera: Margot em Pé num Jardim, óleo sobre tela, 1900 - Museu Metropolitano de Arte
Ajoelhada numa poltrona, ponta-seca, 1903 - Museu Metropolitano de Arte
Durante sua longa residência em França, Cassatt enviou pinturas para exposições nos Estados Unidos. Assim, eram dela as primeiras obras impressionistas vistas neste país. Actuou como colaboradora na formação de çolecções particulares, desempenhando um papel crucial na constituição de algumas das mais importantes colecções de arte impressionista daquele país. Continua o seu trabalho como pintora e gravadora até 1914. No ano seguinte ficará completamente cega, por sofrer de diabetes. Morre em 1926, meses antes de Monet, o último a falecer dos membros do grupo original dos impressionistas. Está enterrada no jazigo da família, em Le Mesnil-Théribus.
Mulher com Cão, lápis sobre papel, 1880 - Museu Metropolitano de Arte
O Penteado, ponta-seca, 1990-91 - Museu Metropolitano de Arte
A Prova, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Biografia do pintor e gravador Albrecht Dürer

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 29 anos), óleo sobre painel, 1500 - Antiga Pinacoteca, Munique

 Dia 21 de Maio (aqui)


Albrecht Dürer (Nuremberga, 21 de Maio de 1471 — Nuremberga, 6 de Abril de 1528) foi um pintor e gravador, geralmente considerado como o maior artista do Renascimento alemão.  A sua vasta obra inclui retábulos e obras religiosas, numerosos retratos, auto-retratos e gravuras em cobre.  As suas xilogravuras, tais como a série Apocalipse (1498), conservam um espírito mais gótico do que o resto de sua obra.

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 13 anos), ponta de prata sobre papel - Galeria Albertina, Viena, Áustria
Dürer era o segundo filho do ourives Albrecht Dürer, o Velho, que deixou a Hungria para se estabelecer em Nuremberga (1455) e de Barbara Holper.  Dürer começou a sua formação como desenhista na oficina de ourives do seu pai. A sua habilidade precoce é evidenciada por um notável auto-retrato feito em 1484, quando tinha apenas 13 anos. 
Em 1486, com a idade de quinze anos foi admitido na oficina do pintor e gravador Michael Wolgemut, cujo retrato Dürer iria pintar em 1516.  Depois de três anos na oficina Wolgemut, partiu para um período de viagem.  Em 1490 Dürer completou a sua primeira pintura conhecida, um retrato do seu pai, onde é visível o estilo característico de mestre convicto.  


Retrato do Pai de Dürer, óleo sobre painel, 1490 - Galeria Uffizi, Florença
Auto-retrato ((Albrecht Dürer  com 22 anos), óleo sobre linho, transferido de pergaminho, 1493 - Museu do Louvre, Paris
Viajou durante quatro anos tendo conhecido a Holanda, a Alsácia, e Basileia, na Suíça, onde perfez  a sua primeira xilogravura, São Jerónimo a Curar um Leão. Uma obra-prima no início deste período é um auto-retrato pintado em pergaminho em 1493, com a idade de vinte e dois anos. Em 1494 Dürer fez a sua primeira viagem a Itália, passando o inverno em Veneza. A viagem a Itália teve um forte efeito sobre Dürer, repercussões directas e indirectas da arte italiana são aparentes na maioria de seus desenhos e pinturas  da década seguinte. Em Veneza, Dürer contemplou gravuras de mestres da Itália central, sendo influenciado pelo florentino Antonio Pollaiuolo, com os seus estudos do corpo humano em movimento, e pelo veneziano Andrea Mantegna, um artista preocupado com temas clássicos e com a articulação linear da figura humana. Uma série de ousadas aguarelas de paisagens, foram feitas nesta jornada e estão entre as mais belas criações de Dürer.

Vista do Arco, aguarela e guache sobre papel, 1495 - Museu do Louvre, Paris
Apocalipse de São João: 15. O Anjo com a chave no Poço do Abismo, xilogravura, 1497-98 - Galeria de Arte, Alemanha
Durante esta primeira viagem a Itália, o artista iniciou as xilogravuras da série  Apocalipse de São João, editadas em Nuremberga em 1498. Estas xilogravuras exibem composições ricas, muitas vezes sobrecarregadas.

A pintura que ilustra o crescimento mais marcante de Dürer em direcção ao espírito renascentista é um auto-retrato, pintado em 1498. Dürer procurou transmitir, na representação de sua própria pessoa, o ideal aristocrático do Renascimento. Através da janela vê-se uma paisagem minúscula de montanhas com um mar distante, que é claramente uma reminiscência da pintura contemporânea veneziana e florentina. 

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 26 anos), óleo sobre painel, 1498 - Museu do Prado, Madrid
Lebre Jovem, aguarela e guache sobre papel, 1502 - Galeria Albertina, Viena
O estilo da pintura de Dürer vacilou entre o Renascimento gótico e italiano, até cerca de 1500, quando finalmente, definiu uma direcção. É notória essa definição nos retratos de Oswolt Krel, nos retratos de três membros da aristocrática família Tucher de Nuremberga, todos datados de 1499.  Em 1500, Dürer pintou um outro auto-retrato, que é um, lisonjeiro retrato de Cristo.
Dürer começou por volta de 1500, a aprofundar o estudo das proporções do corpo humano, o resultado é claro na gravura de Adão e Eva (1504) onde ele demonstrou o seu ideal de beleza. 

Retrato de Oswolt Krel, óleo sobre painel de cal, 1499 - Antiga Pinacoteca, Munique
Adão e Eva, gravura, 1504 - Rijksmuseum, Amesterdão
Em Adoração dos Reis Magos (1504), demonstra a mestria que entretanto adquiriu da perspectiva e do estudo das proporções do corpo humano.
No Outono de 1505, Dürer fez uma segunda viagem a Itália, onde permaneceu até o Inverno de 1507.  Mais uma vez passou grande parte do seu tempo em Veneza. Na maioria das adaptações livres de Dürer é notória a influência do pintor Giovanni Bellini, de quem Dürer se tornou amigo. Os trabalhos mais impressionantes de Dürer deste período são o retábulo Festa das grinaldas de Rosas e Jesus entre os Doutores (1506). No primeiro - para a Igreja de São Bartolomeu - destacasse a maravilhosa manipulação das cores, no segundo, a execução virtuosa demonstra domínio e muita atenção aos detalhes. Nesta pintura uma inscrição num pedaço de papel no livro em primeiro plano, pode ler-se, "Opus quinque dierum" ("o trabalho de cinco dias").  Dürer, pode ter realizado esta obra de arte meticulosa, em não mais de cinco dias.

Adoração dos Reis Magos (detalhe), óleo sobre madeira, 1504 - Galeria Uffizi, Florença
Festa das grinaldas de Rosas (detalhe), óleo sobre painel de álamo, 1506 - Galeria Nacional, Praga
Jesus entre os Doutores, óleo sobre painel, 1506 - Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid
Em Fevereiro de 1507, Dürer voltou a Nuremberga, onde dois anos mais tarde, adquiriu uma casa (que ainda permanece e é preservada como um museu).   Entre as pinturas que pertencem ao período após o seu segundo retorno da Itália destacam-se o Martírio dos Dez Mil (1508), encomendada por Frederico, o Sábio, e Adoração da Santíssima Trindade (1511), ambas cenas de multidões. Entre 1507 e 1513 Dürer completou uma série de gravuras em cobre, a Paixão, entre 1509 e 1511 produziu a Pequena Paixão em xilogravuras.  Ambas as obras são caracterizadas pela serenidade.  Entre 1513 e 1514, Dürer criou as melhores gravuras em cobre, O Cavaleiro a Morte e o Diabo, São Jerónimo na sua Cela, e Melencolia I.

O Martírio dos Dez Mil, óleo sobre tela, 1508 - Museu de História de Arte, Viena, Áustria
São Jerónimo na sua Cela, gravura, 1514 -  Galeria de Arte, Alemanha
Pequena Paixão: 20, Pilatos lavando as mãos, xilogravura. 1511 - Museu Britânico, Londres
Em 1512, Maximiliano I nomeia Dürer como pintor da corte, o pintor trabalha para o imperador até 1519. Durante esse tempo tentou adaptar a sua imaginação criativa à mentalidade de Maximiliano, o que era estranho para ele. Em 1520 depois da morte do imperador, parte para os Países Baixos, onde é recebido por Carlos V, com grandes honras. Percorreu a Zelândia, Bruges, Gante, onde viu as obras dos mestres do século XV. Entre as obras criadas nesta fase, destaca-se Sant'Ana com a Virgem e o Menino, São Jerónimo (1521) e o pequeno retrato de Bernhard von Resten

Estudo de um homem com 93 anos, desenho a pincel em cinza e violeta sobre papel - Galeria Albertina, Viena, Áustria
São Jerónimo, óleo sobre painel, 1521 - Museu de Arte Antiga, Lisboa (a figura do santo é baseada num desenho de um homem com 93 anos, de Antuérpia)
A saúde de Dürer começou a declinar. Dedicou os seus últimos anos aos escritos teóricos e científicos e ilustrações. Uma das maiores pinturas de Dürer, os chamados Quatro Homens Santos (São João, São Pedro, São Paulo, e São Marcos), foi feita em 1526.  Este trabalho marca a sua realização final ao mais alto nível como pintor.
Dürer morreu em 1528 com 56 anos e foi sepultado no cemitério da igreja em Nuremberga. Foi um dos artistas mais influentes de seu país e criador das gravuras de cobre mais bonitas. 
Dois dos seus livros foram publicados em vida, Instrução para medições à régua e ao compasso, de 1525, e o Tratado sobre fortificações, de 1527. O livro sobre Proporção do corpo humano (Quatro livros sobre as proporções humanas) foi publicado logo após a sua morte, em 1528.

Os Quatro Homens Santos, óleo sobre painel, 1526 - Antiga Pinacoteca, Munique
Porto de Antuérpia, desenho a pena sobre papel, 1520 - Galeria Albertina, Viena
Cegonha, desenho a pena sobre papel, 1515 - Museu d'Ixelles, Bruxelas

domingo, 20 de maio de 2012

Construção de fantoche de luva

O espectáculo de  “Punch e Judy”, surgiu primeiro na antiga Roma, onde lhe chamavam Phersu. As cenas representadas por Punch, Judy e companhia, remontam possivelmente ao repertório da Comédia dell’Arte.
O termo “fantoche”, generalizou-se em Portugal  no seio da grande família das marionetas. O boneco é normalmente manipulado por uma pessoa,  que cria a ligação entre as personagens e o público através de movimentos especiais e usando um tom de voz aflautado.  No fantoche de luva, o corpo é a mão do manipulador que se introduz na luva; a cabeça e os braços são os dedos do manipulador. Os dedos usados para manipular o fantoche são o indicador (cabeça),  o médio e o polegar (braços).


Construção do fantoche Punch

Para a construção da cabeça, os materiais utilizados são o barro e papier-mâché  (camadas de papel); a luva e as mãos são confeccionadas com tecidos ou feltro.

Material:

Papel de jornal
Papel de seda
Cartolinas coloridas (cabelo, chapéu, colarinho)
Cola branca líquida, para papel
Tesoura
X-acto 
Lápis
Plasticina ou barro
Folha de cartão, A4
Um prato e duas tigelas
Feltro ou retalhos de tecidos
Cola celulósica
Tinta e verniz
Pincéis
1 - Cabeça modelada em plasticina ou barro
Passo a passo:

1 – Forme um rolo em cartão 75 mm de comprimento e um diâmetro suficiente para introduzir o dedo indicador.
2 – Amacie a plasticina ou o barro e modele a cabeça em volta do rolo (pescoço do fantoche). Faça os contornos exagerados (1).
3 – Corte os papéis (jornal e seda) em pequenos quadrados ou triângulos. 

2 - Papel de jornal dentro de água
4 – Coloque água numa das tigelas e ensope o papel de jornal. (2).
5 – Coloque a cola na outra tigela.
6 – Espete um lápis num pedaço de plasticina e introduza-o na cabeça já modelada. Desta forma não precisa de segurar na cabeça.

3 - Cabeça envolvida com pedaços de papel de jornal, embebido em água.
7 – Revista a cabeça e o pescoço com os pedaços de papel de jornal embebidos em água (3).

4 - Papel de seda molhado em cola.
8 – Coloque os pedaços de papel de seda no prato e a cola na tigela (4).
9 – Molhe o papel de seda na cola e aplique a segunda camada. Continue a aplicação de camadas alternadas de papel de jornal e papel de seda até ter 6 camadas (4).
10 – Deixe secar entre dois a quatro  dias.

5 - Peças cortadas com a plasticina á vista.
11 – Desenhe uma linha guia ao redor da cabeça e corte ao meio com um x-acto (5).
12 – Remova a plasticina ou barro.
13 – Volte a unir as duas partes, cubra a junta com papel embebido em cola. Deixe secar.
6 - Pintura da face com cores fortes
14 – Pinte com tinta cor de pele. Depois da tinta seca, pinte com cores fortes os olhos a boca e os outros elementos de caracterização. Envernize(6).
7 - Caracóis colados, virados para a frente
15 – Para a execução do cabelo, corte tiras de papel, encaracole e cole com os caracóis para a frente (7).

8 - Molde e chapéu
16 – Faça o chapéu conforme o molde (cone planificado num quadrado de papel), (8). Cole-o na cabeça.
17 - Reforce o pescoço: cole no interior um tubo de papel com 100 mm de comprimento.
9 - Moldes, luva e mãos
18 – No feltro ou tecido escolhido, trace a luva e as mãos segundo o molde da imagem 9 (A a B 230mm, C a D 200 mm). Coloque as mãos como em 9, coza em volta, deixe abertos a base e o pescoço.
19 – Na abertura do pescoço introduza a cabeça virada para baixo. Prenda a cabeça do fantoche à luva, com cola forte. Vire a luva.
10 - Colarinho realizado com uma tira de papel pregueado.
20 – Execute o colarinho com uma tira de papel pregueada, cole na luva junto ao pescoço.

O fantoche está pronto! Poderá construir outros fantoches, com algumas modificações e um pouco de imaginação.
Para a construção do  palco e cenário, pode reutilizar caixas de cartão.  Cubra a fachada  com papéis brilhantes e coloridos, ou pinte com algumas figuras básicas.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dia Internacional dos Museus - Museu da Marioneta, visita virtual

Um pedaço de Alma que sai por uma Cicatriz, barro, seda e tule. Técnica de manipulação: à vista. Marionetas de S. Lourenço, Helena Vaz. País: Portugal - Museu da Marioneta





O Museu foi criado pela Companhia de Marionetas de S. Lourenço, em 1987, num velho edifício situado entre o Castelo de S. Jorge e a Graça. A Companhia, fundada por José Alberto Gil, músico, e Helena Vaz, marionetista e artista plástica, conseguiu reunir diferentes tipos de marionetas  constituindo o fundo inicial do museu. Com a criação deste espaço dedicado à marioneta, dava-se continuidade a uma tradição portuguesa de teatro e ópera.

Barnum Girl I - Suzette, madeira, barro, tecido e plumas. Técnica de manipulação: à vista. Marionetas de S. Lourenço, Helena Vaz. País: Portugal - Museu da Marioneta
Rinaldo, ferro, madeira, tecido, lantejoulas e plumas, Giacomo Cuticchio. Técnica de manipulação: vara por cima. País: Itália - Museu da Marioneta
Polichinelo, madeira, tecido e plástico, Petr Rezac. Técnica de manipulação: luva. País: França - Museu da Marioneta
O país foi percorrido ao longo dos séculos, por companhias ambulantes de bonecreiros, firmando a tradição portuguesa de teatro e ópera de marionetas. A tradição provém do reportório histórico de óperas para marionetas de António José da Silva, o Judeu (Rio de Janeiro, 8 de Maio de 1705 - Lisboa, 19 de Outubro de 1739), autor de sátiras que criticavam a sociedade portuguesa da época. A sua obra teatral inspirava-se na linguagem e no espírito do povo, incorporava o canto e a música como elementos do espectáculo.
Os populares bonecos de Santo Aleixo foram trazidos à luz do dia por Michael Giacometti (1929-1990), musicólogo e Henrique Delgado (1938-1971), ele próprio criador de um teatro de marionetas. Estes bonecos fazem parte de um grupo de marionetas de composição essencialmente rural, que percorria o Alto Alentejo, com as suas representações. A sua existência remonta ao século XVIII, por volta de 1798. 



Punch, madeira e tecido, Petr Rezac. Técnica de manipulação: luva. País: Inglaterra - Museu da Marioneta
Judy, madeira e tecido, Petr Rezac. Técnica de manipulação: luva. País: Inglaterra - Museu da Marioneta
Mestre Salas, madeira, tecido e arame. Técnica de manipulação: vara por cima. Santo Aleixo, Portugal - Museu da Marioneta.

A transferência do Museu da Marioneta para o Convento das Bernardas, ocorreu em Novembro de 2001, tornando-se o primeiro e único espaço museológico, que se apresenta inteiramente dedicado à interpretação e divulgação da história da marioneta e do teatro de marionetas, atravessando a história desta cativante forma de arte através do mundo, revelando os diversos tipos de marionetas e as diferentes abordagens que elas permitem.
O espólio do museu detém uma diversificada colecção de marionetas. Numa primeira fase, foi dada preferência à recolha a nível nacional, alcançando assim uma das mais significativas e completas colecções de marionetas tradicionais portuguesas.
Branca-Flor, tecido, madeira,lã, palha e plástico, Lília da Fonseca. Técnica de manipulação: luva. País: Portugal - Museu da Marioneta

Cavaleiro de Uma Távola Qualquer II,  madeira, metal (folha de flandres), pêlo de animal, cabedal, fio de algodão e plástico, Delphim Miranda. Técnica de manipulação: vara e fios.  País: Portugal - Museu da Marioneta

Mulher das Cobras, barro, tecido e plumas. Técnica de manipulação: à vista. Marionetas de S. Lourenço, Helena Vaz. País:Portugal - Museu da Marioneta

Com a colaboração de diversas pessoas “enfeitiçadas” por esta arte, o museu viu alargado e diversificado o seu espólio, com destaque para as diferentes formas teatrais que provêm de tradições antigas ou surgem de procuras artísticas actuais, sondando novas formas, novos materiais e novas técnicas. Desde finais de 2008, foi integrada uma original e extensa colecção de marionetas e máscaras do sudeste asiático e africanas, de Java, Bali, Sri Lanka, Birmânia, Tailândia, Índia, Vietname e China.
O Museu da Marioneta para além de ser o único deste tipo em Portugal, tem um acervo digno de “excelência".

Ginidal Raksha, madeira, tinta, tecido, fio de algodão e metal. Técnica de manipulação: fios. País: Sri-Lanka. Col. Francisco Capelo - Museu da Marioneta

Palhaço, madeira e tecido, Joaquim Pinto. Técnica de manipulação: luva. País: Portugal - Museu da Marioneta
Fandangueiro, madeira e tecido, Manuel Rosado.  Técnica de manipulação: fios. País: Portugal - Museu da Marioneta
Pirata, papier-maché e tecido, Henrique Delgado. Técnica de manipulação: luva. País: Portugal - Museu da Marioneta
Dona Pulquéria, tecido, lã, plástico, madeira, palha, metal, plumas e pêlo de animal, Lília da Fonseca. Técnica de manipulação: luva. País: Portugal - Museu da Marioneta
Satyaki, pele de animal (burro?), osso, madeira, fio de bambu e pigmentos. Técnica de manipulação: sombra. País: Bali, Indonésia. Col. Francisco Capelo - Museu da Marioneta



Saiba como construir um fantoche de luva aqui no "comjeitoearte"