segunda-feira, 28 de maio de 2012

Biografia do pintor Carl Larsson

Retrato de Carl Larsson - Charlotte e Fiell, Peter, (2000), Design do século XX. Taschen

 
Dia 28 de Maio (aqui)


Carl Larsson (Estocolmo, 28 de Maio de 1853 – Falun, 22 de Janeiro de 1919) foi um importante pintor do realismo na Suécia do século XIX e designer de interiores.  

Larsson estudou na Academia de Artes de Estocolmo, onde posteriormente teve aulas de arte clássica e de desenho com modelo. Durante os seus anos de estudante, trabalhou para o jornal Kasper e realizou grafismos para a revista Ny Illustread Tidning. Mudou-se para Paris em 1877 e em 1882, instalou-se numa colónia de artistas suecos em Grez. Aqui, realizou estudos de luz e ambiente, abandonou a pintura a óleo e pintou aguarelas com realismo poético e qualidade narrativa. Conheceu a artista sueca Karin Bergöö (1859-1928) com quem casou em 1883, tiveram oito filhos (um dos filhos faleceu ainda bébe).  Nos anos 1880, Larsson juntou-se ao grupo de arte sueco Opponents, nesse ano começou a trabalhar  como ilustrador.
 
A Ponte (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Estudo anatómico das pernas do cavalo, grafite sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Casa de Campo (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Fazenda Interior, grafite sobre papel, 1885 - Museu Nacional de Estocolmo
O pai de Karin, Adolf Bergöö, deu a casa Lilla Hyttnäs a Carl e Karin em 1888. O minúsculo chalé de madeira, que foi construído em 1837, tornou-se na residência e no centro artístico do pintor e da sua família - manteve-se na família Larsson ao longo das gerações sendo agora administrada pelos seus descendentes. Karin e Carl, decoraram os interiores num estilo folk simples – pintura em branco, mobiliário desmontável, chão de madeira, tecidos bordados – que iam adaptando ás necessidades da família. Carl retratava a vida diária dos seus sete filhos em aguarelas. Os seus estudos foram reproduzidos no livro Ett Hem (A Nossa Casa) colecção de 26 aguarelas, em 1899.  No  livro Larssons (Os Larssons) de 1902 encontram-se 32 aguarelas e 31 no seu livro Åt Solsidan (O Lado Ensolarado). Através das ilustrações destes livros, a casa dos Larssons tornou-se uma das casas mais famosas do mundo. O gosto artístico dos seus criadores, tornaram a casa numa importante influência na linha do design de interior sueco para as gerações seguintes.
 
Quatro cabeças de crianças, grafite, caneta e tinta preta, sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Matts Larsson, aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Esposa do artista com a sua filha, pastel, 1885 - Museu Nacional de Estocolmo
Quarto do papai (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
No Canto (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Lisbeth lendo (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela, carvão vegetal e têmpera, sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Flores sobre o parapeito da janela, (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
A cozinha (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Estúdio do artista (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Brita é Iduna, litografia, 1901 - Colecção particular
Véspera de Natal, ( livro Åt Solsidan (O Lado Ensolarado), aguarela, 1904-1905 - Museu Nacional de Estocolmo
Entre o Natal e Ano Novo, (livro A Nossa Casa, 26 aguarelas), aguarela sobre papel - Museu Nacional de Estocolmo
Manhã de Natal, óleo, 1894 - Colecção particular
Carl Larsson considerou as suas obras monumentais, como os afrescos nas escolas, museus e outros edifícios públicos, as suas obras mais importantes.  O seu último trabalho monumental, Midvinterblot ( Midwinter, Sacrifício) de  6 metros por 14 metros, é uma pintura a óleo concluída em 1915. Tinha sido encomendado para uma parede no Museu Nacional de Estocolmo (que já possui diversos afrescos que adornam as suas paredes).  No entanto, após a conclusão, foi rejeitado pelo conselho do museu. O afresco representa o Rei Domalde no Templo de Uppsala. A obra foi vendida ao o coleccionador japonês Hiroshi Ishizuka. Décadas mais tarde, após uma exposição sobre Larsson no Museu de Estoclomo, a pintura foi comprada e colocada no lugar para onde foi destinada.

Midvinterblot, óleo sobre tela, 1915 - Museu Nacional de Estocolmo (hall da  escadaria central)
 
Dalkarl com albarda, carvão e grafite sobre papel cinza - Museu Nacional de Estocolmo

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Rolling Stones" e "Star Wars" de parabéns...

Anúncio, The Rolling Stones 1st American Tour 1965 - Mick Jagger; Keith Richards; Brian Jones; Bill Wyman; Charlie Watts - a banda promoveu o álbum The Rolling Stones, Now!
The Rolling Stones a banda de rock inglesa, foi formada em 25 de Maio de 1962, e é uma das bandas mais antigas ainda em actividade. Ao lado dos Beatles, foram vistos como a banda mais importante da chamada Invasão Britânica surgida nos anos 1960. 
O grupo formado por Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Bill Wyman e Charlie Watts, compunha as suas músicas no espírito blues. Em cinquenta anos de carreira, sucessos como "Paint It, Black", "Lady Jane", "Ruby Tuesday", "Wild Horses", "(I Can't Get No) Satisfaction", "Start Me Up", "Sympathy For The Devil", "Jumping Jack Flash", "Miss You" e "Angie" fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial. Durante a sua carreira os Rolling Stones já venderam mais de 200 milhões de álbuns no mundo inteiro.


The Rolling Stones - Paint It Black




Hoje aconteceu... 50º aniversário da banda os Rolling Stones; 35º aniversário da estreia do filme Star Wars.





The Imperial March de John Williams pela Orquestra Filarmónica de Viena. (HQ)

Star Wars ou Guerra das Estrelas, é o título de uma space opera americana que foi transformada  numa série de seis filmes de ficção científica escritos por George Lucas. O primeiro filme da série foi lançado originalmente pela 20th Century Fox em 25 de Maio de 1977 sob o título Star Wars, tornando-se um fenómeno mundial. Foi acompanhado por duas sequências, Empire Strikes Back e Return of the Jedi, lançadas em intervalos de três anos. Dezasseis anos depois da exibição do último filme teve início uma nova trilogia, mais uma vez lançada em intervalos de três anos, com o último filme lançado em 19 de Maio de 2005.

John Towner Williams (Long Island, Nova Iorque, 8 de Fevereiro de 1932) é um compositor americano que foi premiado várias vezes pelas suas trilhas sonoras. É considerado um dos maiores compositores da história, tanto pelo volume de sua obra, como pela sua popularidade. Com 47 indicações, somente Walt Disney concorreu a mais Óscars do que John Williams. A sua obra para cinema é marcada por um estilo grandioso, facilmente reconhecido pelo público.
Além dos seus trabalhos para trilhas de filmes, é conhecido também pelos concertos para fagote e orquestra, para violoncelo, para trompete, para violino, flauta e trompa.
A trilha sonora para o primeiro filme de Star Wars é considerada a melhor da História. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Guaches e aguarelas do artista Bob Dylan

Bob Dylan - Festival Rock Azkena, 26 de Junho, 2010



Hoje aconteceu... Aniversário do cantor e compositor Bob Dylan

Bob Dylan (nome artístico de Robert Allen Zimmerman; Duluth, 24 de Maio de 1941), é um cantor e compositor norte-americano, um dos mais importantes artistas dos géneros folk, folk rock, blues, passando pelo gospel.
Nasceu no estado de Minnesota, é neto de imigrantes judeus russos. Aos dez anos de idade, Dylan escreveu os seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Principiou a cantar em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly. Quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, influenciado pela obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, a quem visitou em Nova Iorque em 1961. Em Março de 1962 lançou o seu primeiro álbum “Bob Dylan”.

Sidewalk Café
, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2008

Still Life With Peaches, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2008
Ao longo dos últimos quarenta e oito anos, Dylan lançou quarenta e seis álbuns e escreveu mais de 500 músicas. Vendeu mais de 110 milhões de discos em todo o mundo. Foi reconhecido e homenageado com diversos prémios, recebeu um doutoramento honoris-causa em música pela Universidade de Princeton, New Jersey em 1970 e pela Universidade de St. Andrews, Escócia, em 2004. Além de ganhar vários prémios Grammy, ganhou um Óscar em 2001. O seu álbum "Together Through Life», de 2009, entrou nas paradas de sucesso no Reino Unido e América, e traçou Top Five em muitos outros países ao redor do mundo.
Em 2004, Bob Dylan foi escolhido pela revista Rolling Stone, como o 2º melhor artista de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles, uma das suas principais canções, "Like a Rolling Stone", foi escolhida como a melhor de sempre.
Bicycle, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2009
Bicycle, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2010
Embora Bob Dylan seja mais conhecido como cantor e compositor, ele é também escritor, cineasta, actor, desenhista e pintor.
Uma colecção de desenhos, realizados a lápis e carvão por Bob Dylan, durante as viagens nos Estados Unidos, Europa, México e Ásia entre 1989 e 1992, foram publicadas no livro com o título "Drawn Blank" em 1994.
Ingrid Mössinger – curadora do Museu Kunstsammlungen, em Chemnitz, Alemanha – ficou agradavelmente surpreendida com o trabalho de Dylan, contactou a equipe do artista e ficou impressionada ao saber que Bob Dylan concordaria em exibir o seu trabalho em público pela primeira vez. Baseado na série "Drawn Blank", Bob Dylan realiza guaches e aguarelas, em várias versões da mesma imagem, utilizando cores diferentes. Faz a sua primeira exposição denominada "The Drawn Blank Series” – aguarelas e guaches - no Museu Kunstsammlungen em Chemnitz, Alemanha, entre Outubro de 2007 e Fevereiro de 2008. Nesta exposição são apresentadas 170 aguarelas e guaches. Devido ao grande sucesso foi prolongada até à Pascoa de 2008.
Man On A Bridge, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2010
Motel Pool, impressão em papel Museu Etching - Colecção 2011

Em Abril de 2008, Dylan recebeu uma Menção Especial do Prémio Pulitzer "pelo seu profundo impacto na música popular e cultura americana, marcado por composições líricas de poder poético extraordinário".

Página oficial de Bob Dylan aqui
Train Tracks (White), impressão em papel Museu Etching - Colecção 2012
Train Tracks (Red), impressão em papel Museu Etching - Colecção 2012


Show de Bob Dylan no Brasil 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

O tema "Mães e filhos", na pintura de Mary Cassatt

Auto-retrato, aguarela e guache sobre papel, 1878 - Museu Metropolitano de Arte
 

Hoje aconteceu... Aniversário da pintora Mary Cassatt


 Mary Cassatt (Allegheny, 22 de Maio de 1843 — Château de Beaufresne (perto de Paris) 14 de Junho de 1926), foi uma pintora dos Estados Unidos da América. É considerada uma admirável pintora impressionista.

Retrato de Mary Cassatt no Louvre, gravura, 1879-80, Edgar Degas - Museu Metropolitano de Arte
Conhecida pelas suas representações indulgentes de mulheres e crianças, Mary Cassatt foi uma das poucas artistas americanas de vanguarda do século XIX, no activo em França. Nascida numa notável família de Pittsburgh, viajou muito pela Europa com os seus pais e irmãos enquanto criança. Atraída desde muito jovem, pelas obras de arte europeias, matriculou-se, ainda adolescente, na Academia de Artes da Pensilvânia, em Filadélfia.

No Omnibus, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Carícia Maternal (estudo), carvão e grafite, 1891 - Museu Metropolitano de Arte
Carícia Materna, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Aos vinte e três anos, decidiu seguir a carreira de pintora profissional. Contra a sua própria família conservadora, partiu com uma amiga para a Europa a fim de estudar pintura com mestres reputados. Envia uma obra pela primeira vez, para o Salão de Paris em 1868, e é aceite. Regressando aos Estados Unidos por um curto período de tempo, Cassatt voltou à Europa em 1871, aí dedicou-se à pintura, copiando os mestres conceituados em museus de Itália, Espanha e Bélgica.

Hélène de Septeuil, ponta-seca, 1890 - Museu Metropolitano de Arte
O Banho, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte
Mãe e Filho, pastel sobre papel - Museu Metropolitano de Arte
Cassatt fixou-se definitivamente em Paris, em 1874. Foi apresentada a Edgar Degas (1878), este convidou-a para participar na 4ª exposição dos pintores impressionistas a realizar em 1879. Cassatt juntou-se ao grupo, deste faziam parte Monet, Morisot, Renoir, Pissaro e o próprio Degas. Expõe com algumas interrupções, até 1886. Ela admirava especialmente a obra de Degas, bem como a de Manet e Gustave Courbet. Rompeu com as tradições académicas e começou a produzir grandes obras em pastel, desenho com traços extremamente vigorosos e intensos.

Mãe Brincando com o Filho, pastel sobre papel, 1897 - Museu Metropolitano de Arte
Mãe Alimentando o Filho, pastel sobre papel, 1898 - Museu Metropolitano de Arte
Jovem Mãe Costurando, óleo sobre tela, 1900 - Museu Metropolitano de Arte
Uma estreita relação de trabalho cresce entre Cassatt e Degas. Com origens semelhantes de classe alta, os dois pintores desfrutam de uma amizade baseada na sensibilidade artística comum, no interesse pela composição estrutural em negrito, a assimetria, a estética das gravuras japonesas e os assuntos contemporâneos. Nesta época dedica-se à gravura, ao desenho e cria um estilo muito próprio. A partir de então, a representação de mulheres e crianças ou mães e filhos, irá garantir-lhe notoriedade entre os impressionistas. A forma como faz a descrição da figura humana em óleo, pastel e ponta-seca são de uma técnica precisa e realista, representando as tonalidades da pele e das expressões faciais com uma perfeição invulgar.

Ellen Mary Cassatt, pastel sobre papel, 1899 - Museu Metropolitano de Arte
Primavera: Margot em Pé num Jardim, óleo sobre tela, 1900 - Museu Metropolitano de Arte
Ajoelhada numa poltrona, ponta-seca, 1903 - Museu Metropolitano de Arte
Durante sua longa residência em França, Cassatt enviou pinturas para exposições nos Estados Unidos. Assim, eram dela as primeiras obras impressionistas vistas neste país. Actuou como colaboradora na formação de çolecções particulares, desempenhando um papel crucial na constituição de algumas das mais importantes colecções de arte impressionista daquele país. Continua o seu trabalho como pintora e gravadora até 1914. No ano seguinte ficará completamente cega, por sofrer de diabetes. Morre em 1926, meses antes de Monet, o último a falecer dos membros do grupo original dos impressionistas. Está enterrada no jazigo da família, em Le Mesnil-Théribus.
Mulher com Cão, lápis sobre papel, 1880 - Museu Metropolitano de Arte
O Penteado, ponta-seca, 1990-91 - Museu Metropolitano de Arte
A Prova, ponta-seca, 1890-91 - Museu Metropolitano de Arte

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Biografia do pintor e gravador Albrecht Dürer

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 29 anos), óleo sobre painel, 1500 - Antiga Pinacoteca, Munique

 Dia 21 de Maio (aqui)


Albrecht Dürer (Nuremberga, 21 de Maio de 1471 — Nuremberga, 6 de Abril de 1528) foi um pintor e gravador, geralmente considerado como o maior artista do Renascimento alemão.  A sua vasta obra inclui retábulos e obras religiosas, numerosos retratos, auto-retratos e gravuras em cobre.  As suas xilogravuras, tais como a série Apocalipse (1498), conservam um espírito mais gótico do que o resto de sua obra.

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 13 anos), ponta de prata sobre papel - Galeria Albertina, Viena, Áustria
Dürer era o segundo filho do ourives Albrecht Dürer, o Velho, que deixou a Hungria para se estabelecer em Nuremberga (1455) e de Barbara Holper.  Dürer começou a sua formação como desenhista na oficina de ourives do seu pai. A sua habilidade precoce é evidenciada por um notável auto-retrato feito em 1484, quando tinha apenas 13 anos. 
Em 1486, com a idade de quinze anos foi admitido na oficina do pintor e gravador Michael Wolgemut, cujo retrato Dürer iria pintar em 1516.  Depois de três anos na oficina Wolgemut, partiu para um período de viagem.  Em 1490 Dürer completou a sua primeira pintura conhecida, um retrato do seu pai, onde é visível o estilo característico de mestre convicto.  


Retrato do Pai de Dürer, óleo sobre painel, 1490 - Galeria Uffizi, Florença
Auto-retrato ((Albrecht Dürer  com 22 anos), óleo sobre linho, transferido de pergaminho, 1493 - Museu do Louvre, Paris
Viajou durante quatro anos tendo conhecido a Holanda, a Alsácia, e Basileia, na Suíça, onde perfez  a sua primeira xilogravura, São Jerónimo a Curar um Leão. Uma obra-prima no início deste período é um auto-retrato pintado em pergaminho em 1493, com a idade de vinte e dois anos. Em 1494 Dürer fez a sua primeira viagem a Itália, passando o inverno em Veneza. A viagem a Itália teve um forte efeito sobre Dürer, repercussões directas e indirectas da arte italiana são aparentes na maioria de seus desenhos e pinturas  da década seguinte. Em Veneza, Dürer contemplou gravuras de mestres da Itália central, sendo influenciado pelo florentino Antonio Pollaiuolo, com os seus estudos do corpo humano em movimento, e pelo veneziano Andrea Mantegna, um artista preocupado com temas clássicos e com a articulação linear da figura humana. Uma série de ousadas aguarelas de paisagens, foram feitas nesta jornada e estão entre as mais belas criações de Dürer.

Vista do Arco, aguarela e guache sobre papel, 1495 - Museu do Louvre, Paris
Apocalipse de São João: 15. O Anjo com a chave no Poço do Abismo, xilogravura, 1497-98 - Galeria de Arte, Alemanha
Durante esta primeira viagem a Itália, o artista iniciou as xilogravuras da série  Apocalipse de São João, editadas em Nuremberga em 1498. Estas xilogravuras exibem composições ricas, muitas vezes sobrecarregadas.

A pintura que ilustra o crescimento mais marcante de Dürer em direcção ao espírito renascentista é um auto-retrato, pintado em 1498. Dürer procurou transmitir, na representação de sua própria pessoa, o ideal aristocrático do Renascimento. Através da janela vê-se uma paisagem minúscula de montanhas com um mar distante, que é claramente uma reminiscência da pintura contemporânea veneziana e florentina. 

Auto-retrato (Albrecht Dürer  com 26 anos), óleo sobre painel, 1498 - Museu do Prado, Madrid
Lebre Jovem, aguarela e guache sobre papel, 1502 - Galeria Albertina, Viena
O estilo da pintura de Dürer vacilou entre o Renascimento gótico e italiano, até cerca de 1500, quando finalmente, definiu uma direcção. É notória essa definição nos retratos de Oswolt Krel, nos retratos de três membros da aristocrática família Tucher de Nuremberga, todos datados de 1499.  Em 1500, Dürer pintou um outro auto-retrato, que é um, lisonjeiro retrato de Cristo.
Dürer começou por volta de 1500, a aprofundar o estudo das proporções do corpo humano, o resultado é claro na gravura de Adão e Eva (1504) onde ele demonstrou o seu ideal de beleza. 

Retrato de Oswolt Krel, óleo sobre painel de cal, 1499 - Antiga Pinacoteca, Munique
Adão e Eva, gravura, 1504 - Rijksmuseum, Amesterdão
Em Adoração dos Reis Magos (1504), demonstra a mestria que entretanto adquiriu da perspectiva e do estudo das proporções do corpo humano.
No Outono de 1505, Dürer fez uma segunda viagem a Itália, onde permaneceu até o Inverno de 1507.  Mais uma vez passou grande parte do seu tempo em Veneza. Na maioria das adaptações livres de Dürer é notória a influência do pintor Giovanni Bellini, de quem Dürer se tornou amigo. Os trabalhos mais impressionantes de Dürer deste período são o retábulo Festa das grinaldas de Rosas e Jesus entre os Doutores (1506). No primeiro - para a Igreja de São Bartolomeu - destacasse a maravilhosa manipulação das cores, no segundo, a execução virtuosa demonstra domínio e muita atenção aos detalhes. Nesta pintura uma inscrição num pedaço de papel no livro em primeiro plano, pode ler-se, "Opus quinque dierum" ("o trabalho de cinco dias").  Dürer, pode ter realizado esta obra de arte meticulosa, em não mais de cinco dias.

Adoração dos Reis Magos (detalhe), óleo sobre madeira, 1504 - Galeria Uffizi, Florença
Festa das grinaldas de Rosas (detalhe), óleo sobre painel de álamo, 1506 - Galeria Nacional, Praga
Jesus entre os Doutores, óleo sobre painel, 1506 - Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid
Em Fevereiro de 1507, Dürer voltou a Nuremberga, onde dois anos mais tarde, adquiriu uma casa (que ainda permanece e é preservada como um museu).   Entre as pinturas que pertencem ao período após o seu segundo retorno da Itália destacam-se o Martírio dos Dez Mil (1508), encomendada por Frederico, o Sábio, e Adoração da Santíssima Trindade (1511), ambas cenas de multidões. Entre 1507 e 1513 Dürer completou uma série de gravuras em cobre, a Paixão, entre 1509 e 1511 produziu a Pequena Paixão em xilogravuras.  Ambas as obras são caracterizadas pela serenidade.  Entre 1513 e 1514, Dürer criou as melhores gravuras em cobre, O Cavaleiro a Morte e o Diabo, São Jerónimo na sua Cela, e Melencolia I.

O Martírio dos Dez Mil, óleo sobre tela, 1508 - Museu de História de Arte, Viena, Áustria
São Jerónimo na sua Cela, gravura, 1514 -  Galeria de Arte, Alemanha
Pequena Paixão: 20, Pilatos lavando as mãos, xilogravura. 1511 - Museu Britânico, Londres
Em 1512, Maximiliano I nomeia Dürer como pintor da corte, o pintor trabalha para o imperador até 1519. Durante esse tempo tentou adaptar a sua imaginação criativa à mentalidade de Maximiliano, o que era estranho para ele. Em 1520 depois da morte do imperador, parte para os Países Baixos, onde é recebido por Carlos V, com grandes honras. Percorreu a Zelândia, Bruges, Gante, onde viu as obras dos mestres do século XV. Entre as obras criadas nesta fase, destaca-se Sant'Ana com a Virgem e o Menino, São Jerónimo (1521) e o pequeno retrato de Bernhard von Resten

Estudo de um homem com 93 anos, desenho a pincel em cinza e violeta sobre papel - Galeria Albertina, Viena, Áustria
São Jerónimo, óleo sobre painel, 1521 - Museu de Arte Antiga, Lisboa (a figura do santo é baseada num desenho de um homem com 93 anos, de Antuérpia)
A saúde de Dürer começou a declinar. Dedicou os seus últimos anos aos escritos teóricos e científicos e ilustrações. Uma das maiores pinturas de Dürer, os chamados Quatro Homens Santos (São João, São Pedro, São Paulo, e São Marcos), foi feita em 1526.  Este trabalho marca a sua realização final ao mais alto nível como pintor.
Dürer morreu em 1528 com 56 anos e foi sepultado no cemitério da igreja em Nuremberga. Foi um dos artistas mais influentes de seu país e criador das gravuras de cobre mais bonitas. 
Dois dos seus livros foram publicados em vida, Instrução para medições à régua e ao compasso, de 1525, e o Tratado sobre fortificações, de 1527. O livro sobre Proporção do corpo humano (Quatro livros sobre as proporções humanas) foi publicado logo após a sua morte, em 1528.

Os Quatro Homens Santos, óleo sobre painel, 1526 - Antiga Pinacoteca, Munique
Porto de Antuérpia, desenho a pena sobre papel, 1520 - Galeria Albertina, Viena
Cegonha, desenho a pena sobre papel, 1515 - Museu d'Ixelles, Bruxelas