sábado, 2 de junho de 2012

Biografia do arquitecto Nicolau Nasoni

Nicolau Nasoni, 1691-1773

 Dia 2 de Junho (aqui)


O pintor e arquitecto de origem italiana, Nicolau Nasoni nasceu a 2 de Junho de 1691, na Toscana, e faleceu a 30 de Agosto de 1773, no Porto, recebendo sepultura na sua Igreja dos Clérigos - obra-prima do Barroco nortenho. Discípulo do pintor Giuseppe Nasini, Nasoni inicia a sua carreira artística na cidade de Siena. A sua formação como pintor é realizada através de encomendas de arte efémera, nomeadamente na construção e decoração de arcos de triunfo, carros alegóricos, etc. Na vertente da arquitectura, Nasoni aprendeu no atelier de Franchini e de Vicenzo Ferrati.


Igreja dos Clérigos ( Torre dos Clérigos), 1731-1773 - Porto

Torre dos Clérigos, 1954-1763 - Porto
Após a sua estada em Siena, Nasoni dirige-se para Roma. A próxima etapa foi a Ilha de Malta. Em 1723 encontrava-se ao serviço do grão-mestre Frei António Manuel de Vilhena, incumbido de pintar algumas dependências do Palácio dos Grãos-Mestres em La Valetta. Aqui estabelece ligações com o portuense Frei Roque de Távora e Noronha, irmão do deão da Sé do Porto, conseguindo ser contratado para uma empreitada nas obras de renovação da Catedral portuense. Deste modo, em 1725, o artista estabelece-se definitivamente na cidade do Porto. No panorama da pintura portuguesa setecentista, Nasoni destaca-se como pintor ilusionista, dominando a técnica do trompe l'oeil e da perspectiva, conferindo profundidade cenográfica a superfícies planas. Após a Sé do Porto, onde pinta a têmpera, Nasoni encarrega-se da pintura das abóbadas da Sé Catedral de Lamego, decorria o ano de 1737. Outros contratos são celebrados para efectivar pinturas na Igreja da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, na Igreja de S. Pedro de Tarouca e ainda os tectos do Palácio do Freixo, no Porto. 

Paço Episcopal, 1734 - Porto

Paço Episcopal visto do rio Douro, 1734 - Porto
Como arquitecto, Nasoni marcaria o Barroco setecentista na cidade do Porto e seu termo. A sua primeira e emblemática obra foi a Igreja, enfermaria e Torre dos Clérigos, cujo projecto foi apresentado em 1731 e a sua construção iniciada em 1732, é considerada a obra-prima do Barroco portuense. No periodo compreendido entre os anos de 1743 e 1749, Nasoni encontra-se à frente das obras de remodelação da fachada da Igreja do Senhor Bom Jesus matosinhense, reedificando em 1745 a Igreja de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia, e estando ainda activo em 1749 na reconstrução da Igreja da Misericórdia do Porto. O labor deste artista italiano estendeu-se à arquitectura civil. O historiador Robert Smith atribui-lhe a autoria do risco da Quinta do Ramalde, da Quinta do Viso, da Quinta da Prelada, de Santa Cruz do Bispo e ainda do Palácio do Freixo. Provavelmente, embora a documentação seja omissa a esse respeito, Nasoni terá sido o autor do Solar de Mateus, palácio nos arredores de Vila Real.

Palácio do Freixo (Pousada do Porto) e jardim envolvente, 1742-1754 - Porto
Pousada do Palácio do Freixo

Pousada do Palácio do Freixo, interior

O estilo arquitectónico de Nicolau Nasoni inscreve-se no universo de um Barroco de aparato e cenográfico, influenciado pela arquitectura italiana da Toscânia e de Roma. De volumetrias sólidas, linhas túrgidas e movimentadas, o seu Barroco decorativista estabeleceu escola no Norte de Portugal, influenciando decisivamente os artistas portugueses. Além da sua vertente de pintor-arquitecto, Nasoni idealizou diversos desenhos para peças de ourivesaria, modelos de escultura e ainda ornatos e retábulos em talha dourada, influenciando também assim os artistas do Barroco português.

Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, São Nicolau,  1746-1752 - Porto
Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, interior da Sala das Sessões (2003) - SIPA
Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, interior da Sala das Sessões (2003) - SIPA
Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, interior, tecto da Sala das Sessões (2003) - SIPA
Fachada da Igreja da Misericórdia, 1748 - Porto
Galilé da Sé do Porto, 1736 - Porto
Palácio de Mateus (corpo central, atribuído a Nasoni), 1740-1743 - Vila Real

Quinta de Bonjóia, 1759 - Campanhã, Porto


sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Criança e a Arte Portuguesa

 A Mãe, desenho, tinta-da-china sobre papel, 1871-1875. Miguel Ângelo Lupi - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Retrato da Família do 1º Visconde de Santarém, pintura, óleo sobre tela, 1816. Domingos António de Sequeira - Museu Nacional de Arte Antiga

As condições económicas, sociais e humanitárias no pós-guerra eram degradantes. As crianças viviam situações afrontosas, umas com fome - eram obrigadas a realizar trabalhos pesados para ajudar as suas famílias - outras órfãs e desprotegidas. O mundo não estava sensibilizado para os direitos das crianças, então, a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs à Organização das Nações Unidas que fosse criado um dia dedicado às crianças. Pela primeira vez, no dia 1 de Junho de 1950, celebrou-se o Dia da Criança. A UNICEF tem entre outras responsabilidades, a de promover este dia em todo o mundo.


Família, pintura, óleo sobre tela, 1937. Sarah Afonso - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian

Família, pintura, óleo sobre cartão, 1951. Rogério Ribeiro - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian 

Nove anos depois, a Declaração dos Direitos da Criança foi proclamada pela Resolução da Assembleia Geral de 20 de Novembro de 1959, da ONU. Os dez princípios que a compõe, apontam a que a criança tenha uma infância feliz, possa gozar, em seu próprio benefício e no da sociedade, dos direitos e das liberdades declaradas e apela aos pais e à sociedade em geral, que reconheçam os direitos e que se empenhem para que sejam cumpridos. Em 20 de Novembro de 1989, as Nações Unidas aprovou por unanimidade a Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC), documento que enuncia num total de 54 artigos, um amplo conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos económicos, sociais e culturais – de todas as crianças, assim como as respectivas disposições para que sejam aplicados. Os artigos da Convenção estão divididos em quatro categorias de direitos: os direitos à sobrevivência; os direitos relativos ao desenvolvimento; os direitos relativos à protecção e os direitos de participação. Portugal ratificou a Convenção em 21 de Setembro de 1990.

Uma Pausa Forçada, pintura, óleo sobre madeira, 1913. Alves Cardoso - Museu José Malhoa

Peixinheiras, pintura, óleo sobre tela, 1938. António Lino - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Madona da Serra (Beira Alta), pintura, óleo sobre madeira, 1939. Augusto Tavares - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

O Dia Mundial da Criança é oficialmente a 20 de Novembro, data que a ONU reconhece como Dia Universal das Crianças, em celebração da aprovação da Declaração dos Direitos da Criança. A data da celebração efectiva, varia de país para país.

 A Avó, pintura, óleo sobre tela, 1856. António José Patrício - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

 A Refeição do Menino, gravura, litografia, 1951. Júlio Pomar - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

O Primeiro Filho, pintura, óleo sobre tela, 1936-1937. Carlos António Rodrigues dos Reis - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Como eles se criam-estudo, desenho, carvão sobre papel. José Malhoa - Museu José Malhoa

A Viúva, escultura em mármore, 1893. António Teixeira Lopes - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Ida para o dispensário, escultura em argila, 1908. José de Oliveira Ferreira - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Busto de Criança, cerâmica, 1908. António Augusto da Costa Motta - Museu da Cerâmica

 Retrato de Domingos e Mariana Benedita Vitória de Sequeira, pintura, óleo sobre tela, 1815-1816. António Domingos de Sequeira - Museu Nacional de Arte antiga

Meninas, pintura, óleo sobre tela, 1928. Sarah Afonso - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Apanhando Flores, pintura, óleo sobre tela, séc. XIX - XX. José Júlio de Sousa Pinto - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Cena Rústica, óleo sobre tela, 1882. Artur José de Sousa Loureiro - MNAC, Museu do Chiado

O sendeiro, pintura, óleo sobre madeira, 1856. Tomás da Anunciação - Museu do Chiado/Museu Nacional de Arte Contemporânea
A Perrice, pintura, óleo sobre tela, 1894. Henrique Pinto - Museu José Malhoa

Rapaz com Cabaz, aguarela sobre papel, 1887. Rafael Bordalo Pinheiro - Palácio Nacional da Ajuda
Cabeça de Rapaz, pintura, óleo sobre tela, José Júlio de Sousa Pinto - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Menina das Camélias, pintura, óleo sobre tela, 1912. José de Almeida e Silva - Museu Grão Vasco

Estudando, pintura, óleo sobre tela, 1907-1913. José Maria Veloso Salgado - Museu da Guarda

Cabra-Cega, pintura, óleo sobre tela, 1914. Alberto Lacerda - Museu José Malhoa

Cabeça de Menina, gravura, litografia, 1917. Sousa Pinto - Museu José Malhoa

Flor do Mar, desenho, carvão sobre papel, 1929. José Maria Veloso Salgado - Museu José Malhoa

Abstracção (Maria), pintura, óleo sobre madeira. António Carneiro - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
Retrato dos filhos do pintor António Carneiro, pintura, óleo sobre tela. António Carneiro - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian
Auto-retrato com família, desenho, grafite e aguada, 1930-1931. Mário Eloy - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea
Crianças da Nazaré, pintura, aguarela sobre papel, 1939. Laura Costa - Museu José Malhoa

Menina Sentada, pintura, óleo sobre tela, 1938. Maria Keil - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Recreio, pintura, óleo sobre contraplacado de madeira, 1940. Agostinho Salgado - Museu José Malhoa

Menina Isabel Patrício, pintura, óleo sobre tela, 1950. Eduardo Malta - Museu José Malhoa

Meninos, desenho, tinta e guache sobre cartolina. Almada Negreiros - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea

Rapaz do Guarda-Chuva, pintura, óleo sobre tal, 1952. Júlio Resende - Colecção particular ( Almeida, Bernardo (2005), Júlio Resende. Lisboa:Caminho.
Meninos, pintura, óleo sobre tela, 1961. Jorge Pinheiro - Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian

 Menina das Tranças, escultura em mármore, 1947. Leopoldo Neves de Almeida - Museu José Malhoa
 
Ternura, escultura em bronze. Henrique Moreira - Museu José Malhoa


Zagal, escultura em barro cozido, 1944. Numídico Bessone - Museu José Malhoa

Menina com um Mocho na Mão, cerâmica, azulejo, 1989. Paula Rego - Museu Nacional do Azulejo