domingo, 24 de junho de 2012

ESCHER E A GEOMETRIA - III


Divisão regular da superfície plana. Desenho periódico 56; XI 1942 - "Répteis"

Doris Schattschneider e Wallace Walker, no seu livro Caleidociclos de M. C. Escher, propõem a construção de modelos geométricos, que começa na observação do desenho bidimensional, transformando-o num objecto tridimensional. As figuras geométricas desenhadas, são uma continuação e desenvolvimento da obra de Escher. Cobertas com adaptações dos desenhos do artista, elas mostram alguns dos temas das suas gravuras e o resultado da sua investigação.

Existem seis simetrias de rotação no desenho periódico 56. Ligando os centros das simetrias, resulta uma rede de triângulos equiláteros. Usando 4 partes da rede (imagens 2 e 3) obtem-se o modelo do tetraedro, em que a cor e os contornos dos motivos do desenho, condizem uns com os outros. Os centros de rotação do padrão plano, tornam-se em centros de rotação do sólido. 
Triângulo equilátero
Em volta de um eixo de rotação que liga o centro de uma face triângular com o vértice oposto a esta, o sólido pode ter uma rotação de 120º e ser congruente consigo mesmo. Como esta rotação se pode realizar-se três vezes em torno de um eixo até que o sólido se encontre de novo no ponto de partida, dá-se-lhe o nome de simetria de rotação tripla dum tetraedro. Rodando o tetraedro pode ver-se três répteis a correr à volta do ponto de intersecção/eixo superfície.

Aqui no comjeitoearte, a construção do modelo geométrico Dodecaedro.

Aqui no comjeitoearte, a construção do modelo geométrico Cubo.

Aqui no comjeitoearte, a construção do modelo geométrico Octaedro

1 - Tetraedro

Passo a Passo - Construção do modelo Tetraedro
Material:

- Papel de 200grs;
- Cola;
- Tesoura;
- Espátula de vincar;
- Lápis;
- Régua graduada.

Passo 1 - Imprima o modelo 2. Recorte. Trace, dobre e vinque as arestas.
2 - Modelo Tetraedro, padrão plano -Fonte:Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany - 
Passo 2 - Monte o modelo e cole as abas, nas direcções indicadas, no interior das arestas, imagem 3.
3 - Modelo Tetraedro, com direcção da colagem das abas.

Passo 3 - Cole a aba restante.

Nenhuma face do tetraedro contem um réptil inteiro; cada um deles só se completa quando se arrasta para as outras faces.


Fonte: Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany

quarta-feira, 20 de junho de 2012

ESCHER E A GEOMETRIA - II


Esfera com peixes de Escher, em madeira, 1940
Doris Schattschneider e Wallace Walker, no seu livro Caleidociclos de M. C. Escher, propõem a construção de modelos geométricos, que começa na observação do desenho bidimensional, transformando-o num objecto tridimensional. As figuras geométricas desenhadas, são uma continuação e desenvolvimento da obra de Escher. Cobertas com adaptações dos desenhos do artista, elas mostram alguns dos temas das suas gravuras e o resultado da sua investigação.

 
Uma réplica em marfim da Esfera com peixes de Escher; foi produzida em 1962 por Masatosh, entalhador de netsuke. ( Netsuke é no Japão uma pequena peça esculpida em madeira ou marfim, para segurar um cordão com objectos pessoais ao cinto do quimono). National Gallery of Art, Washington, D. C., doação de Mr. C. V. S. Roosevelt. Fonte: Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany

 
No desenho periódico 20 de Escher, uma só peça com motivo de peixe cobre o plano num padrão que tem dois pontos diferentes de rotação quádrupla: quatro peixes giram em volta do ponto em que se encontram as suas barbatanas caudais e outros quatro peixes giram em volta do ponto onde se encontram as suas barbatanas dorsais. Podem ver-se na imagem pequenos quadrados sobre o peixe isolado, que correspondem ao centro de simetria em cada peixe desenhado. As ligações entre os pontos de rotação formam uma rede de quadrados, donde se recorta o padrão de um cubo.


Desenho periódico 20; III 1938. Peixe.  Divisão regular da superfície plana. (Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany
O modelo O Cubo criado por Doris Schattschneider e Wallace Walker, tem uma relação directa com a "Esfera com peixes de Escher". Ao dar instruções para a pequena réplica da esfera, em marfim, Escher anotou que os pontos médios de simetria tripla na esfera, encontram-se nos pontos de contacto dum cubo, nela inscrito.
Na superfície do cubo nadam simetricamente doze peixes simples e em cada vértice giram três peixes (barbatanas caudais e dorsais).

Aqui no comjeitoearte, pode ver todo o processo de construção do modelo geométrico Dodecaedro.

Aqui no comjeitoearte, pode ver todo o processo de construção do modelo geométrico Tetraedro.

Aqui no comjeitoearte, pode ver todo o processo de construção do modelo geométrico Octaedro.

Cubo. No vértice visível, giram três peixes (barbatanas caudais)

Passo a Passo - Construção do modelo Cubo

Material:

- Papel de 200grs;
- Cola;
- Tesoura;
- Espátula de vincar;
- Lápis;
- Régua graduada.

1 - Modelo Cubo, metade 1. (Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany) - Imagem digitalizada
  2- Modelo Cubo, metade 2
Passo 1 - Imprima as duas metades do modelo 1 e 2. Recorte. Trace, dobre e vinque as arestas.

3 - Padrão plano
Passo 2 - Cole a aba A à aresta adequada, de forma a obter o padrão plano e completar o desenho dos peixes, figura 3.

4 - Direcção da colagem. (Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany ) - Imagem digitalizada

Passo 3 - Monte o modelo e cole as abas, nas direcções indicadas, no interior das arestas, figura 4.

Modelo Cubo, com padrão de peixes - (Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany) Imagem digitalizada
Fonte: Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany

segunda-feira, 18 de junho de 2012

M. C. Escher, fascinado pela geometria

Auto-retrato, litografia, 1829. Sitio oficial de Maurits Cornelis Escher
Maurits Cornelis Escher (Leeuwarden, 17 de Junho de 1898 — Hilversum, 27 de Março de 1972) foi um artista gráfico holandês. Ele é conhecido por as suas inspirações matemáticas, aplicadas à xilogravura, litografia e meios-tons. Estas representam construções impossíveis, explorações do infinito, metamorfoses, arquitectura e padrões geométricos.

Natureza Morta e Rua, xilogravura, 1837 














Escher nasceu na Holanda e era o filho mais novo de um engenheiro civil. Passou grande parte de sua infância em Arnhem, onde frequentou a escola primária e a escola secundária até 1918. Entrou na Escola de Arquitectura e Artes Decorativas em Haarlem. Aqui, abandonou arquitectura para se dedicar ao desenho e à gravura (1919-1922), sobre o incentivo de seu professor Samuel Jessurun de Mesquita. Em 1924 Escher casou com Jetta Umiker, que conheceu em Itália, o casal fixou residência em Roma, onde ficou até 1935. Durante esses 11 anos, Escher viajou por Itália, fez um trabalho maravilhoso, mais realista, presente nos esboços que foram usados mais tarde em litografias e/ou xilogravuras.

Um Outro Mundo, xilogravura, 1947 - Sitio oficial de M C Escher

A família mudou-se para a Suíça, em 1935, onde permaneceu dois anos, em seguida deslocou-se para Bruxelas. Depois de Escher deixar Itália, o seu interesse moveu-se da paisagem para algo que ele descreveu como "imagens mentais", com base em propósitos teóricos. Em 1941, com a Segunda Guerra Mundial em curso, Escher voltou para Baarn, na Holanda, onde viveu e trabalhou até pouco antes de sua morte.

Development II (segunda versão), gravura em madeira, 1939
Estrelas, gravura em madeira, 1948 - Sitio oficial de M C Escher
A partir dos anos 1920, a ideia de "metamorfose" em forma de um objecto ou transformando-se em algo completamente diferente tornou-se um dos temas preferidos de Escher. Depois de 1935, Escher explora cada vez mais complexos labirintos arquitectónicos que envolvem jogos em perspectiva e representações de espaços impossíveis.

Sol e Lua, gravura em madeira, 1948
Ele jogou com a arquitectura, a perspectiva e os espaços impossíveis. A sua arte continua a surpreender e a fazer pensar milhões de pessoas em todo o mundo. Na sua obra, reconhecemos a sua observação aguçada do mundo que nos envolve .
M.C. Escher, durante a sua vida, fez 448 litografias, xilogravuras e gravuras de madeira e mais de 2000 desenhos e esboços.

Escher foi premiado com o Cavaleiro da Ordem de Orange Nassau, em 1955. Em 1958, publicou um livro intitulado Divisão Regular do Plano, com reproduções de uma série de xilogravuras, no qual ele demonstra o conceito das formas matemáticas na sua obra.
O artista mudou-se para a casa Rosa Spier em Laren, em 1970, uma casa de repouso para artistas, onde tinha o seu próprio estúdio.  Morreu  em 27 de Março de 1972, aos 73 anos.

Fachada do Liceu em Haia, 1959 - O projecto é baseado na divisão regular 105, chamado Pegasus
Divisão Regular da Superfície Plana, xilogravura, 1957-58
Caminho de vida II, gravura em madeira, 1958

 Círculo Limite III, xilogravura, 1959
Pilares, Liceu em Nieuw, Baarn (1968) - Divisão regular 126

Snakes, xilogravura, 1969 - Sitio oficial de M C Escher
Museu Escher em Haia
 Escher e a Geometria

Escher tinha uma fantasia genial e era um excelente artífice em técnica de gravura, mas a chave para os surpreemdentes efeitos das suas gravuras, é a Matemática, mais precisamente a Geometria. Escher podia imaginar os fantásticos efeitos que desejava expressar graficamente, mas um meio necessário para capturar estes efeitos era a Matemática. 
A divisão regular da superfície plana, foi para Escher durante toda a sua vida, um tema dominante. Ele chamava à sua fascinação por este tema uma "desesperada mania". Escher tinha-se imposto a si mesmo criar divisões regulares de superfícies, nas quais fossem representadas figuras animais reconhecíveis. Realizou mais de 150 esboços coloridos de padrões cíclicos de figuras de fantasia. Escher fazia a divisão cíclica da superfície, de forma a que o padrão se transferisse a si mesmo, fazendo-o deslizar uma certa distância, numa direcção prescrita. Este processo chama-se translação de um conjunto de pontos no plano. Para além deste processo, utilizou outros movimentos de simetria de padrão, como: rotação, reflexão e reflexão com escorregamento. Embora do ponto de vista matemático, existam limitações numéricas de padrões com diferentes classes de simetrias, para o artista havia uma infinidade de possibilidades.
Nos seus desenhos coloridos, Escher distribuiu as cores de tal modo que as figuras adjacentes ficavam sempre com cores diferentes. Em padrões onde todas as figuras são idênticas, algumas simetrias podem sobrepor os contornos das figuras, mas trocam a disposição das cores. Foi pioneiro na investigação sistemática de divisões cíclicas coloridas da superfície. Hoje chama-se a este campo simetria cromática

 Conchas e estrelas-do-mar, Divisão regular da superfície plana. Desenho periódico 42; VIII 1941
 Fonte: Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany
A divisão regular com pentágonos irregulares (que está como base do desenho em cima), era um dos padrões favoritos de Escher; cada um dos pentágonos irregulares é ocupado por uma estrela do mar. Observando com atenção, podemos ver os centros da simetria de rotação quádrupla, a que correspondem as conchas 


Decoração da superfície de sólidos geométricos

 Verblifa Tin Can, 1963 - Esta caixa foi concebida em 1963 a pedido de Verblifa ("Tin Can Unidos Produtores") na ocasião da celebração de 75 anos de sua existência.  Este recipiente de metal para doces, foi um presente para clientes distintos.
Escher experimentou usar como desenho da superfície de objectos tridimensionais, os seus padrões periódicos. Nas suas experimentações, cobriu alguns modelos de cartolina, mas só um deles chegou a ser produzido em definitivo. Trata-se da encomenda de uma firma holandesa para celebração de aniversário. O projecto é baseado no desenho periódico 42 (conchas e estrelas do mar). A caixa tem a forma de um icosaedro regular com 20 faces triangulares. Cada vértice está coberto por uma estrela-do-mar de cinco faces regulares e no interior de cada face triangular, três conchas estão dispostas em simetria rotacional.
Schattschneider, Doris e Walker, Wallace, no seu livro Caleidociclos de M. C. Escher, propõem a construção de modelos geométricos, que começa na observação do desenho bidimensional, transformando-o num objecto tridimensional. As figuras geométricas desenhadas, são uma continuação e desenvolvimento da obra de Escher. Cobertas com adaptações dos desenhos do artista, elas mostram alguns dos temas das suas gravuras e o resultado da sua investigação.



Aqui no comjeitoearte, pode ver o processo de construção do modelo geométrico Cubo.



Aqui no comjeitoearte, pode ver o processo de construção do modelo geométrico Tetraedro.



Aqui no comjeitoearte, pode ver o processo de construção do modelo Octaedro.

Aqui no comjeitoearte, pode ver o processo de construção do modelo Icosaedro.



 Dodecaedro
Passo a Passo - Construção do modelo Dodecaedro

Material:

- Papel de 200grs;
- Cola;
- Tesoura;
- Espátula de vincar;
- Lápis;
- Régua graduada.

1 - Modelo do dodecaedro, metade 1 - Fonte:Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany - Imagem digitalizada
2 - Modelo do dodecaedro, metade 2 - Fonte:Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany - Imagem digitalizada
Passo 1 - Imprima as duas metades do modelo 1 e 2. Recorte. Trace, dobre e vinque as arestas.

Passo 2 - Cole a aba A à aresta adequada, de forma a completar o desenho da concha, figura 3.

3 - Arestas coladas de forma a completar o desenho da concha
Passo 3 - Monte o modelo e cole as abas, nas direcções indicadas, no interior das arestas, figura 4.

4 - Direcção da colagem das abas - Fonte:Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany - Imagem digitalizada

5 - Duas "taças" ligadas
Passo 4 - Obtém duas "taças", ligadas uma à outra. Cole as restantes abas às arestas correspondentes para fechar e obter o dodecaedro.
Dodecaedro. Desenho periódico 42; VIII 1941 - Um dos padrões geométricos preferidos de Escher, era a divisão regular com pentágonos irregulares (fig. a). Aqui no dodecaedro, a decomposição especial da superfície em pentágonos irregulares é a chave do sucesso.; em cada face deste dodecaedro encontra-se uma estrela-do-mar, com cinco pontas regulares, que está rodeada, por três espécies de conchas.                                                                                      Fonte:Schattschneider, Doris e Walker, Wallace (1991), Caleidociclos de M. C. Escher. Benedikt Taschen: Germany - Imagem digitalizada

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Três senhores da música!

São hoje aniversariantes: Demis Roussos, 15 de Junho de 1946, Alexandria, Egipto; Johnny Hallyday, 15 de Junho de 1943, Paris; Sérgio Endrigo, 15 de Junho de 1933, Pula, Ístria (Croácia) - 7 de Setembro de 2005; 


Demis Roussos - "Forever and ever", 1973



Johnny Hallyday, AU PARC DES PRINCES, 2003 - Diego -live


Sergio Endrigo - "Lontano dagli occhi" (Sanremo 1969) 


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Parques do mundo

OS PARQUES MAIS ORIGINAIS DO MUNDO


Fica no Hakone Open-Air, no Japão, e tem uma rede gigante colorida onde os visitantes podem saltar à vontade.


Aqui as crianças podem trepar pelas paredes curvas das diversões e escorregar pelas janelas. O Brumlebyen fica em Copenhaga, na Dinamarca.


Destina-se a crianças com necessidades especiais. Chama-se Clemyiontri Park, foi decorado com as cores do arco-íris e fica na Virgínia, nos Estados Unidos
 
 
 Neste parque nova-iorquino, as crianças podem estudar e fazer experiências científicas.
 
 
Aqui, na Sábado. pt de 6/12/2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

As Festas de Lisboa e os tronos de Santo António

Santo António, óleo sobre tela, 2006. Armanda Passos - Galeria S. Mamede

Fernando Martins de Bulhões (15 de Agosto de 1195 - 13 de Junho de 1231) mais tarde Santo António, nasceu numa casa nobre, dentro da muralha, perto da Sé de Lisboa. As festas da cidade de Lisboa, celebram-se a 13 de Junho, data que se pensa ser a da morte do Santo - mas não padroeiro, porque essa qualidade pertence a São Vicente.

Desenho do programa das Festas de Lisboa, 1934. Almada Negreiros - (França, José Augusto (1974), Almada o Português sem Mestre. Lisboa: Estúdios Cor).  
Milagre das Bilhas - Uma jovem ia à fonte com a bilha no regaço, buscar água.  Ao chegar, partiu a bilha e ficou a chorar. Santo António apareceu e perguntou-lhe a razão do seu pranto. Cheio de compaixão, Santo António consertou a bilha.

Santo António e o Menino Jesus, cerâmica, 1884-1905. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica. 
Santo António e o Menino Jesus - A imagem de Santo António é representada com o Menino Jesus ao colo. Diz a lenda que em Mação, o Santo ia buscar lenha do outro lado do Tejo, a pedido de sua mãe. Na volta viu que barco e barqueiro tinham desaparecido. Santo António pediu ajuda ao Menino e este disse-lhe que atirasse o feixe de lenha ao rio que Ele o transportaria para a outra margem. Segundo a lenda Santo António apareceu do outro lado do rio com o Menino ao colo.
Nesta data, celebrava-se a missa e a procissão saía da Igreja de Santo António para a Sé, onde era rezada um Te Deum, logo após, dava-se início à procissão pelo Bairro de Alfama.Alfama é o lugar de excelência nas festividades, e na alegria dos arraiais. Festões e balões coloridos fazem a ligação de uma janela à janela em frente, que assim o ajuda a estreiteza das ruas. O cheiro a manjerico – com cravo de papel e quadra – e a sardinha assada, percorre os becos, vielas e escadinhas dos bairros de Lisboa durante os festejos
Desenho do programa das Festas de Lisboa, 1934. Almada Negreiros - (França, José Augusto (1974), Almada o Português sem Mestre. Lisboa: Estúdios Cor).
Festas dos Santos Populares, ornamentações, 1973 - Arquivo Municipal de Lisboa
Coreto das Festas dos Santos Populares no largo de São Miguel, 1963 - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Arnaldo Madureira)
As cantigas de Lisboa, são declarações apaixonadas. Ai, venham ver a Lisboa-princesa! A Lisboa com coroa de rainha! A Lisboa-menina! A Lisboa-mãe e madrinha! A sereia do mar, pisando a terra em passos de balancé, quando leva a giga com peixes de prata, ofegando, com o peito às ondas. 
As cantigas de Lisboa têm a marca de falas e segredos de afecto que a cidade recebe dos seus poetas enfeitiçados. Quando nas noites de Junho, percorre a ronda dos arraias populares, é nas escadinhas, nos becos e nas calçadas, que vai encontrar os tronos de Santo António.


Trono de Santo António, madeira, barro pintado e chumbo, século XX - Museu Antoniano
Tronos de Santo António, 1º prémio, 1952. Calçada do Jogo da Péla, freg. Santa Justa - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de António Castelo Branco)
Peças de aspecto popular, os tronos, eram executadas por crianças dos bairros antigos de Lisboa, firmados na devoção ao santo. A quem passava, as crianças pediam um tostãozinho para o santo. Vem o costume, segundo se diz, do peditório que em toda a cidade se fez, por altura do terramoto de 1755, para ajudar na reconstrução da sua igreja. 
Foi nos anos 30, do século XX, que Leitão de Barros, orientador desta tradição, fomentou concursos de tronos e de janelas enfeitadas, nos quais colaboravam as colectividades de cada bairro.

Em pleno século XXI, os tronos continuam a merecer a atenção e admiração popular.

Festas Populares, Trono de Santo António, 1950. Rua da Lapa, freg. Lapa - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Judah Benoliel)
Concurso de Tronos de Santo António, 1º prémio, 1953. Beco de Santa Helena, freg. São Miguel - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Armando Serôdio)
Concurso dos tronos de Santo António, 2º prémio, 1953. Rua de São Tomé, freg. Santiago - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Armando Serôdio)
Concurso dos Tronos de Santo António, 1958 - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Armando Serôdio)
Concurso de Tronos de Santo António, 1960. Rua de Santo Estêvão, freg. Santo Estêvão - Arquivo Municipal de Lisboa (foto de Armando Serôdio)
Pedido para as Almas, aguarela sobre papel, Maria Mancia (Maria Mancia de Lemos Roxas, Marquesa da Bemposta y Subserra) - El Pueblo de Lisboa,1980. Exposición iconográfica. Museu Municipal de Madrid