quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Biografia do pintor e ilustrador Di Cavalcanti

Grupo de Modernistas: Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Menotti del Piccia, Oswald de Andrade e Helios Sellinger (1932?).


Dia 6 de Setembro (aqui)


Auto-retrato, 1969, óleo sobre tela. Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ. Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl

Emiliano Augusto Cavalcanti Albuquerque e Melo nasceu em 6 de Setembro de 1897 no Rio de Janeiro e morreu em 26 de Outubro de 1976 no Rio de Janeiro. Foi pintor, desenhador, ilustrador e caricaturista. Era filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo e Rosalia de Sena. Viveu 79 anos  de forma  intensa e apaixonada, integrado no universo boémio e artístico do século XX.

Di Cavalcanti com o presidente Juscelino em frente a tapeçaria no Palácio da Alvorada (1956?).
Di Cavalcanti foi obrigado a trabalhar por dificuldades financeiras, depois do seu pai falecer (1914). Como meio de subsistência, realiza ilustrações para a revista Fon-Fon. No mesmo ano, expôs no Salão dos Humoristas uma série de ilustrações sobre a Balada do cárcere de Reading, de Oscar Wilde.  Em 1916, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Continuou a fazer ilustrações, frequentou o atelier do impressionista George Fischer Elpons e tornou-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Começou a pintar (1917) sob influência da art nouveau.
Realizou a sua primeira mostra individual (1917) como desenhista. Na sua obra utilizava como meio de expressão o pastel, retratando figuras femininas angélicas então na moda. Em 1921 casa-se com Maria, filha de um primo-irmão do seu pai.

Colombina, estudo de capa para  a Revista Fon-Fon
Capa para obra de Mário de Andrade
Capa do catálogo da exposição da Semana de Arte Moderna , 1922. Acervo do Instituto de Estudos Brasileiros - USP - Arquivo Anita Malfatti. Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini
Organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo - 11 a 18 de Fevereiro de 1922 - criando para essa ocasião o catálogo e o programa.
Fez a sua primeira viagem à Europa em 1923, e permaneceu em Paris até 1925. Frequentou a Academia Ranson e expõs em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã e Paris. Durante a estada em Paris conheceu Picasso, Léger, Matisse, Erik Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses.
Quando retornou ao Brasil, demonstrou na sua obra influências de Picasso, Braque e Ticiano, mostrando uma profunda admiração pela sua obra, após passagem por Itália. Realizou os primeiros painéis modernos do Brasil para o teatro João Caetano, no Rio de Janeiro (1929), e neles deixou as marcas do seu estilo: um cubismo atenuado por curvas barrocas e motivos populares como o carnaval e o samba.
Pierrot, Arlequim e Colombina, óleo sobre tela, 1922

Pierrete, óleo sobre tela, 1922
Pierrot, guache (1924). Reprodução pag. 27 do livro Emiliano Di Cavalcanti 50 anos de pintura 1922 - 1971 e, reedição de 1976 pág 31 e Cat. Christie’s Nova York, 26 de Novembro de 1996 do leilão da Coleção de Aleksander e Lucja Landau, pág. 22 sob o nº 55
Retrato da Minha Mulher, guache, 1927
Nos anos 30, participou em exposições colectivas, salões nacionais e internacionais como a International Art Center em Nova Iorque. Em 1932, fundou em São Paulo, com Flávio de Carvalho, António Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. Foi detido pela primeira vez em 1932, durante a Revolução Paulista. Casou com a pintora Noémia Mourão. Viajou pelo Recife, deslocou-se a Lisboa onde expôs no salão “O Século”, e quando voltou ao Brasil foi preso pela segunda vez no Rio de Janeiro.
Depois de libertado voltou a residir em Paris até 1940, dedicando-se à pintura de várias obras com temas da cultura brasileira, como Scène brésilienne (Museu Nacional de Arte Moderna, Paris) e Ciganos (Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro). Na década seguinte atingiu o apogeu do seu talento. Em 1937 recebeu a medalha de ouro com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris. Ilustrou livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado.
Cinco Moças de Guaratinguetá, óleo sobre tela, 1930 - Museu de Arte de São Paulo
Moleque, óleo sobe cartão 1932 - Reproduzido no Cat. "Di Cavalcanti - 100 Anos", Art Editora
Sem Título [Cena de Café-Concerto] , 1934, nanquim e lápis de cor sobre papel. Colecção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
As Bodas do Poeta, lápis sobre papel, 1941 - MASP
Influenciado por artistas e intelectuais brasileiros do seu tempo como José do Patrocínio, Olavo Bilac, Machado de Assis, entre outros, Di Cavalcanti é, juntamente com grandes nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Graça Aranha, um dos mais ilustres representantes do modernismo brasileiro.
O seu relacionamento com Noémia entra em crise (1947) e Beryl Tucker Gilman passou a ser sua companheira. Participou na I Bienal de São Paulo, em 1951. Fez uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída por mais de quinhentos desenhos. Juntamente com Alfredo Volpi, ganhou o prémio de melhor pintor nacional da II Bienal de São Paulo, conquistou o primeiro prémio da Mostra de Arte Sacra em Trieste (1956), e a medalha de ouro da Bienal Interamericana do México. Em 1955 Cavalcanti escreveu o livro Viagem da minha vida. Entre as suas obras também constam cartões para tapeçaria, para o Palácio da Alvorada, em Brasília. 

Ciganos, 1940, óleo sobre tela. Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) . Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
Gafieira, déc. 1940, óleo sobre tela. Colecção Particular. Reprodução fotográfica autoria desconhecida
O Grande Carnaval, 1953, óleo sobre tela, Acervo Banco Itaú S.A. (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
Cais, 1952-1954, óleo sobre tela. Colecção Particular. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Na década de 60, viveu em Paris com Ivette Bahia Rocha, apelidada de Divina. Desenhou jóias, para a firma LucienJoaillier e escreveu Reminiscências líricas de um perfeito carioca (1964).
No ano de 1971, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realizou uma grande retrospectiva de sua obra e Cavalcanti recebeu o prémio da Associação Brasileira de Críticos de Arte. A Universidade Federal da Bahia outorgou-lhe o título de Doutor Honoris Causa. A sua obra pictórica e gráfica encontra-se nos principais museus brasileiros, como o Museu Nacional de Belas-Artes e o Museu de Arte de São Paulo, em instituições estrangeiras, como o Museu de Arte Litúrgica de Roma e em colecções particulares. O desenho esteve sempre presente ao longo de toda a produção de Di Cavalcanti, fazendo parte da sua prática comum. Mesmo quando se tornou um artista consagrado o desenho continuou a fazer parte de sua actividade. Faleceu no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976.

Mulata em rua Vermelha, 1960, óleo sobre tela, Coleção Particular. Reprodução fotográfica Vicente de Mello
Arlequins, 1964, óleo sobre cartão. Colecção Alfredo Rizkallah. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Navio Negreiro , 1961, óleo sobre tela. Banco Chase Manhattan (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica Guilherme Fracornel.
Brasil em 4 fases II (det.), óleo sobre tela sobre madeira, 1965Reprod. Catálogo "Di Vavalcanti 100 Anos".
Três Personagens com Gato,óleo sobre tela, 1970

Fontes:
http://sampa.art.br/biografias/dicavalcanti/
http://www.infoescola.com/literatura/di-cavalcanti-biografia/
http://www.dicavalcanti.com.br/apresentacao.htm

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Hoje aconteceu... George Eastman, criador da Kodak e impulsor da publicidade

George Eastman em 1917
George Eastman (12 de Julho de 1854 em Waterville - 14 de Março de 1932, em Rochester) era filho de Maria Kilbourn e George Washington Eastman. Vivia com os seus pais e duas irmãs em Waterville, a uns 30 quilómetros ao sul de Utica, no estado de Nova Iorque. Pobre e ainda jovem, assumiu a responsabilidade de cuidar da sua mãe, viúva, e das suas duas irmãs. Depois de trabalhar em diversos locais, mudou-se para a indústria fotográfica, em 1880, dedicando-se ao desenvolvimento de placas fotográficas secas.

George Eastman em 1884
Eastman foi o inventor do primeiro filme em forma de rolo, patenteado em 1884,  e da primeira câmera fotográfica que usa rolo de filme. Em 1888, George Eastman regista a marca comercial Kodak e recebe a patente pela sua câmera que usa rolo de filme  - em 4 de Setembro de 1888, com o  número de patente: 388850. Esta câmera, vocacionada para fotógrafos amadores, era um aparelho fotográfico portátil em forma de caixa, munido de um rolo de filme com capacidade para cem fotografias.

Em 1892 fundou a Eastman Kodak Company e dedicou-se à comercialização de máquinas fotográficas cada vez mais manuseáveis, como o caso da famosa Bownie (1900). A empresa também fabricou o filme flexível transparente criado por Eastman em 1889, que foi fundamental para o desenvolvimento posterior da indústria cinematográfica.

Patente, desenho 1 , câmera de George Eastman
Kodak nº 1, George Eastman
George Eastman com uma câmera Kodak, a bordo do SS Gália - foto de Frederick Igreja Fargo, 1890
Eastman acreditava na importância da publicidade tanto para a empresa como para o público. Ele próprio redigiu a publicidade dos primeiros produtos da empresa, que eram anunciados nos jornais e periódicos da época. Posteriormente, as agências publicitárias divulgaram as suas ideias em revistas, jornais, cartazes e outdoors exibindo a marca Kodak.
Para o lançamento da câmera Kodak nº 1, em 1888, Eastman criou o slogan  "Você aperta o botão, nós fazemos o resto", que depressa ficou conhecido. A publicidade era divulgada por todo o mundo. Eastman vendeu um produto e um modo de vida, registado em todos os momentos por uma câmera Kodak. Em 1897, a palavra Kodak aparecia num dos primeiros painéis luminosos na Trafalgar Square em Londres
.
Pela primeira vez, e graças ao génio criativo de Eastman, surgia uma máquina fotográfica simples e acessível. Qualquer pessoa podia tirar fotos com o simples pressionar de um botão.


Kodak. 14 Styles and Sizes for 1892. Anúncio Kodak. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Take A Kodak With you to the World's Fair,  Anúncio Kodak, 1893. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
It is Kodak Simplicity. Anúncio Kodak, 190? Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Take a Kodak with you. Anúncio Kodak, 1901 Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
The Boy with a Brownie. Anúncio Kodak, 1903 Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
 
Eastman foi um dos filantropos mais importantes do seu tempo. Durante a sua vida, Eastman fez doações monetárias  para várias organizações, mas a maior parte do dinheiro foi para a Universidade de Rochester e para o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A sua preocupação genuína com a educação dos afro-americanos, concretizou-se no Instituto de Hampton e no Instituto de Tuskegee Em 1918, favoreceu a criação da Escola de Música Eastman na Universidade de Rochester , e em 1921 uma escola de medicina e odontologia no mesmo local.

In war as in peace The Kodak is at the front. Anúncio Kodak, 1904. Ilustrador, Frederic Remington. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Vacation Days are Kodak Days. Anúncio Kodak, 1904. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
If it isn't an Eastman, it isn't a Kodak. Anúncio Kodak, 1905. Ilustrador, Alonzo Kimball. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
KodaK. Anúncio Kodak, 1906. Ilustradora, Elizabeth Shippen  Green. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Quando realizava viagens pela Europa, Eastman visitava as galerias de arte, adquirindo progressivamente obras de arte. Como resultado a sua casa transformou-se numa galeria, com um dos mais belos acervos particulares de arte. Na sua antiga casa na 900 East Avenue, em Rochester, Nova Iorque, foi inaugurado o George Eastman House International Museum of Photography e Cinema em 1949, que foi designado como património nacional.
Nos últimos anos de vida, Eastman sofria de dores intensas, causadas por um distúrbio que lhe afectava a coluna vertebral.  Passou os dois anos finais de vida numa cadeira de rodas. Suicidou-se em 14 de Março de 1932. O seu funeral foi realizado na Igreja Episcopal de São Paulo em Rochester. Foi enterrado nas terras da empresa que ele fundou no Kodak Parque, em Rochester, Nova Iorque.
A Kodak, Anúncio Kodak, 190?. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
The Kodak Christmas Story. Anúncio Kodak, 1907. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
The Kodak, Anúncio Kodak, 1906. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
All out-doors invites your Kodak. Anúncio Kodak, 1911. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Development is at your convenience, when you use the Kodak Tank. Anúncio Kodak, 1907. Ilustrador, E. Allan Gilbert. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Take a Kodak with you. Anúncio Kodak, 1913. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Out-Of-Doors-Days. Anúncio Kodak, 1915. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Keep a Kodak Story of the Children. Anúncio Kodak, 1916. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Mapping Alaska's Mountains -- with the Squeeze of a Bulb. Anúncio Kodak, 1919. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Kodak -- the gift that helps to make her Christmas merry... Anúncio Kodak, 1919. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
Kodak as you go. Anúncio Kodak, 1920. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries
For the out-of-doors days KODAK. Anúncio Kodak, 1920. Surgimento da publicidade na América, 1850-1920 - Duke University Libraries


Fontes:
http://www.kodak.pt/ek/PT/pt/Home.htm
http://www.infopedia.pt/$george-eastman
http://en.wikipedia.org/wiki/George_Eastman

The Big Art Mob, poderá ser o maior mapa de arte urbana em todo o mundo

As tatoos da minha rua (Carlos Paredes). Largo Oliveirinha, Lisboa Portugal (pub. soamim) - Big Art Mob

O site The Big Art Mob, foi lançado a 31 de Agosto e pretende ser um guia público e interactivo da arte urbana em todo o mundo. O The Big Art Mob não só identifica a arte pública como permite mapeá-la. O projecto pretender ser em pouco tempo o maior mapa de arte urbana do mundo.
 
Esta base de dados tem já cerca de 12 mil registos, a maioria localizados no Reino Unido. Portugal  tem poucas obras registadas, pelo que será proveitoso actualizar esta base de dados.
Todos podem  colaborar  no desenvolvimento deste site publicando um stencil, um graffiti ou uma escultura... Os utilizadores podem adicionar uma imagem e/ou um vídeo, uma descrição e a localização neste site, facilitando a descobreta dessa obra. Através de uma colaboração entre o The Big Art Mob e o Google StreetView, a rua em que a obra está pode também ser "visitada".

Alfie Dennen, responsável pelo site, explicou que  arte pública pode ser  todo o tipo de obras acessíveis ao público  - “ uma peça de um museu que está exposta num espaço público, uma escultura, por exemplo. Ou uma parede com um graffiti”. Para Dennen,  o The Big Art Mob é como o outro lado do Google Art Project, que permite ver obras de museus e instituições parceiras e circular pelas galerias de algumas delas.

O projecto é vasto e ilimitado, qualquer pessoa de qualquer parte do mundo pode publicar mais do que um trabalho neste mapa. As obras podem ser pesquisadas no site, pelo nome do artista ou pela localização, desde a morada exacta até à cidade ou apenas ao país.
Saber mais em Público. pt, por Cláudia Carvalho.
As tatoos da minha rua (Beatriz Costa), Largo Oliveirinha, Lisboa Portugal (pub. soamim) - Big Art Mob

sábado, 1 de setembro de 2012

Biografia da pintora Tarsila do Amaral

Foto de Tarsila do Amaral, c. 1925

Dia 1 de Setembro (aqui)


Tarsila do Amaral (Capivari, 1 de Setembro de 1886 — São Paulo, 17 de Janeiro de 1973) foi uma pintora e desenhista brasileira, uma das figuras principais da primeira fase do movimento modernista brasileiro. 

Auto-Retrato [Manteau Rouge] , óleo sobre tela, 1923. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Tarsila nasceu numa propriedade rural no interior de São Paulo. Era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, e neta de José Estanislau do Amaral, cognominado “o milionário”, em virtude da imensa fortuna acumulada em fazendas do interior paulista. Estudou em São Paulo (Colégio Sion) e, a partir de 1902, em Barcelona, Espanha (Colégio del Sagrado Corazón). Ali, aos 16 anos, pintou "Sagrado Coração de Jesus", o seu primeiro quadro conhecido.
Casou com o médico André Teixeira Pinto, em 1906, de quem teve uma filha, Dulce. Separou-se depois do nascimento da sua filha, por incompatibilidade de culturas. Fez escultura com William Zadig e Mantovani em 1916, na capital paulista. No ano seguinte, estuda pintura e desenho com Pedro Alexandrino (1856-1942).

Retrato de Oswald de Andrade, óleo sobre tela, 1922. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Colecção Particular
A Caipirnha, óleo sobre tela, 1923. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Colecção Particular
Viaja em 1920 para Paris, estuda na Académie Julien e frequenta a Academia de  Emile Renard. Em 1922, uma das suas telas foi admitida no Salão dos Artistas Franceses. No mesmo ano, regressou ao Brasil e juntou-se aos intelectuais modernistas, formando o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. Um ano depois, novamente em Paris, fez amizade com André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger. O poeta Blaise Cendrars, apresentou-a a Constantin Brancusi, Vollard, Jean Cocteau e Erik Satie entre outros. Expôs em Paris (com grande sucesso) em 1926 e casou com Oswald de Andrade.


A Cuca, óleo sobre tela, 1924. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Acervo Musée de Grénoble, França
Estrada de Ferro Central do Brasil, óleo sobre tela, 1924. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini  - Colecção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (SP)
Abaporu, óleo sobre tela, 1928. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Colección Costantini (Buenos Aires, Argentina)
De regresso ao Brasil, iniciou a chamada fase Pau-Brasil, que mergulha na temática nacional, onde surge a fauna e a flora, com cores acentuadamente tropicais. Em 1928, pintou Abaporu, tela que inspira o Movimento Antropofágico, desencadeado por Oswald de Andrade. Tarsila expõe as suas telas pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em Julho de 1929. Tarsila e Oswald separaram-se em 1930. Após uma viagem à União Soviética (1933), iniciou uma fase voltada para temas sociais com as obras Operários e 2ª Classe, dando início à pintura social no Brasil. No ano seguinte, participou do Primeiro Salão Paulista de Belas-Artes.

Cartão Postal , óleo sobre tela, 1929. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Coleção Particular

Operários, óleo sobre tela, 1933. Reprodução fotográfica Fábio Praça - Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. Palácio Boa Vista (Campos do Jordão, SP)
O Casamento, óleo sobre tela, 1940. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Coleção Particular
Entre meados dos anos 1930 e meados dos anos 1950, Tarsila viveu com o escritor Luís Martins. Colaborou como cronista de arte no Diário de São Paulo em 1936. A convite da Comissão do IV Centenário de São Paulo, realizou em 1954, o painel Procissão do Santíssimo e, em 1956, entregou O Batizado de Macunaíma, sobre a obra de Mário de Andrade, para a Livraria Martins Editora. A retrospectiva Tarsila, 50 Anos de Pintura, organizada pela crítica de arte Aracy Amaral e apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), em 1969, ajudou a consolidar a importância da artista. De 1936 a 1952, foi colunista da rede Diários Associados. Em 1951, participou da Primeira Bienal de São Paulo e, em 1963, teve sala especial na Sétima Bienal de São Paulo. No ano seguinte, já perto da oitava década de vida, ainda participou da Bienal de Veneza.

Procissão do Santíssimo, estudo, óleo sobre cartolina sobre aglomerado, 1956. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo (SP)
A Primavera, óleo sobre tela, 1946. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Colecção Particular
O Batizado de Macunaíma, óleo sobre tela, 1956. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini - Colecção Particular
Religião Brasileira III, exata, óleo sobre tela,1964. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini  - Colecção Particular



 Vida e Obra de Tarsila do Amaral
Fontes:
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=3386&cd_item=1&cd_idioma=28555
http://educacao.uol.com.br/biografias/tarsila-do-amaral.jhtm