quinta-feira, 13 de setembro de 2012

1 - Antigos Mercados de Lisboa - Praça da Figueira

A Volta do Mercado, óleo sobre tela, António Carvalho da Silva Porto, 1886 - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea
Lisboa teve mercados de produtos hortícolas, frutas e outros comestíveis frescos, anteriores à edificação do mercado da Praça da Figueira, que parece ter sido o primeiro mercado fixo de comestíveis frescos de Lisboa.
Antes de 1460, efectuava-se um mercado de hortaliças e frutas nas arcadas da Rua da Ferraria (zona ribeirinha conquistada ao Tejo, junto da muralha nova de D. Fernando), que posteriormente foi transferido para as imediações do mercado de pescado da Ribeira Velha. Também existiu um mercado de hortaliças e fruta no Largo da Madalena que, em finais do século XVI, foi deslocado  para o Rossio, em frente ao palácio dos Condes de Almada, quando ali se realizava a Feira da Ladra.

Mercado da Praça da Figueira, óleo sobre tela, N. Delarive, 1792 (saloias montadas em cavalos e outras com cestas de frutas)..Reprodução fotográfica -  El Pueblo de Lisboa (1980), CML.
Campesina dos arredores de Lisboa, Saloia, gravura, H. L'Éveque, 1814 - El Pueblo de Lisboa (1980), CML.
Collecção dos decretos, resoluções e ordens das côrtes geraes extraordinárias e constituintes da nação Portugueza - nº 73, página 45 ..., Partes 1-2. Por Portugal. Cortes. - FCG Biblioteca da Arte
Ill.mo e Ex.mo Senhor – As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação portuguesa, conformando-se com o incluso Parecer da Comissão de Agricultura, atentos os motivos, aí ponderados: Ordenam, que a Praça da Figueira seja livre para todo o vendedor, ficando permitida a qualquer a venda de géneros por grosso ou por miúdo, sem dependência de manifestos, atestados, ou licenças, que tudo se há por extinto, observada com tudo a policia da Praça relativa ao arruamento e guardadas as mais Posturas do Senado da Câmara actualmente existentes. O que Vossa Excelência fará presente na Regência, para que assim se execute. 
Deus guarde Vossa Excelencia. Paço das cortes em 16 de Abril de 1821.
Mercado da Praça da Figueira, desenho de J. Christino e de M. de Macedo, c. 1850 - AML
D. José decretou que "se devassasse, em benefício do público, uma área de quatro frentes, para se estabelecer uma praça de frutas e hortaliças, com arruamentos e cabanas necessárias ao serviço e uso dela". O local escolhido situava-se perto do Poço do Borratém - palavra que em árabe significava "figueira" - no terreno doado pelo Rei, onde, antes do terramoto, existia o Hospital de Todos-os-Santos.  
As vendedeiras de frutos e hortaliças do Rossio e outras partes da cidade de Lisboa, os agricultores que traziam frutas e legumes pela manhã à cidade, e também as mulheres que quisessem ter um local fixo de venda, instalavam-se nesta área.
Este mercado que no principio foi conhecido por Horta do Hospital, Praça das Ervas e Praça Nova, popularizou com a designação de Praça da Figueira. Tinha 210 lugares destinados em principio à venda exclusiva de frutas e hortaliças. Posteriormente foi admitida a venda de aves, tabernas e tendas de bebidas. Na primeira fase, por volta de finais do século XVIII, o mercado era descoberto e as vendedeiras destribuíam-se de forma desordenada. 

Novo Guia do viajante em Lisboa e seus arredores Cintra, Collares, Mafra ...Por F. M. Bordalo 1863 - FCG Biblioteca da Arte

 

Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta n.º 36, c.187?. (Na planta, assinalei digitalmente o espaço do Mercado da Praça da Figueira com a cor verde).
Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta n.º 43, Janeiro de 1879. (Na planta, assinalei digitalmente o espaço do Mercado da Praça da Figueira com a cor verde).
Melhoramentos de Lisboa - O novo mercado da Praça da Figueira, vista exterior (desenho do natural por Casellas). "O Ocidente" : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, N.º 239 ( 11 Agosto 1885 ) - Hemeroteca Municipal de Lisboa
Inauguração do Mercado da Praça da Figueira, com a presença da Família Real: D. Maria Pia, Rainha de Portugal, D. Luís I, Rei de Portugal, 16/05/1885 - AML
Mercado da Praça da Figueira (Rua da Betesga). Foto de Eduardo Portugal, ant. 1949 - AML

Mercado da Praça da Figueira (torrião). Foto de Eduardo Portugal, ant. 1949 - AML
Em 1835 realizam-se as primeiras obras, no centro do recinto foi construído um poço, foi arborizado e iluminado e renovados os postos de venda. Em 1849 a praça foi cercada com grades e oito entradas fechadas com portões de ferro. Em 1882, foi aprovado o projecto do novo mercado em ferro, ocupando uma área de quase 8 mil metros quadrados. Foi estreado em 24 de Abril de 1885, e existiu até o dia 30 de Junho de 1949, ano em que foi demolido. No local ficou apenas a estátua equestre de D. João I, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, sobre pedestal de Jorge Segurado.

A Vendedeira de Laranjas, óleo sobre tela, 1929. Maria de Lourdes de Mello e Castro. Foto de José Pessoa - Museu José Malhoa
Hortaliceiras, óleo sobre tela, 1938. José Almeida e Silva - Museu Grão Vasco
Bancas do Mercado da Praça da Figueira. Foto de Francesco Rocchini, 1895 - AML

Ultimo dia de funcionamento do Mercado da Praça da Figueira, 30/06/1949. Foto de Eduardo Portugal - AML
Visita do Presidente França Borges ao atelier do escultor Leopoldo de Almeida (na imagem com bata branca) para ver a estátua equestre de João I. Foto de Armando Serôdio, 1970 - AML
Panorâmica da praça da Figueira com destaque para o monumento a Dom João I. Foto de Armando Serôdio, 1972 - AML
Fontes:
Lisboa, revista municipal nº 19 de 1987, Hemeroteca Municipal de Lisboa
El Pueblo de Lisboa, (1980), CML

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Arte com plástico e brinquedos

Hiroshi Fuji, artista plástico japonês

Hiroshi Fuji, nasceu em 1960, em Kagoshima, no Japão e estudou na Universidade de Kyoto. Vive e trabalha em Fukuoka. Os projectos de Hiroshi são realizados com base em recursos locais e reciclagem de materiais, como papel, plástico, brinquedos, embalagens e a sua inclusão em obras de arte pública, envolvendo a comunidade e as crianças. As suas obras têm sido expostas desde 1983, em diversos países do mundo.

Carpa nadando no rio Kamo. Rio de Kamo Sanjyo, Kyoto, 1983. Art Net Work '83
O Jardim público é maravilhoso (Festival das lanternas de papel). Escola primária de Gokusyo, 1998.  Museum City Project
Trabalho com garrafas de plástico/Tartaruga, escultura, 2002.  Rio Hakata, Fukuok
Pássaro Sonhando, instalação, escultura. Osmani Memorial Hall, em Dhaka, Bangladesh (12 ª Bienal de Arte asiática premiado Grand Prix) 2006
Floresta Feliz, instalação, vídeo, 2008. Art Tower Mito Ibaraki, Japão
Deco-Poly, escultura, 2009. Nakanoshima Parque Osaka, Japão
Com a exposição "Central Kaeru Station - where have all these toys come from?", Hiroshi Fuji interroga de onde vêm tantos brinquedos, aqui. (Folha de S. Paulo, 06/09/2012).
O artista utilizou milhares de brinquedos que foram guardados por organizações sociais no Japão durante 13 anos, e realizou uma obra admirável. O resultado encontra-se  aqui, em Tóquio.
Criança corre perto da obra "Toy Saurus" (Brinquedossauro, em tradução livre) na exposição do artista japonês Hiroshi Fuji - Folha de S. Paulo
Exposição "Central Kaeru Station - where have all these toys come from?" de Hiroshi Fuji - 3331 ARTS CYD

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Biografia do pintor e ilustrador Di Cavalcanti

Grupo de Modernistas: Victor Brecheret, Di Cavalcanti, Menotti del Piccia, Oswald de Andrade e Helios Sellinger (1932?).


Dia 6 de Setembro (aqui)


Auto-retrato, 1969, óleo sobre tela. Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ. Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl

Emiliano Augusto Cavalcanti Albuquerque e Melo nasceu em 6 de Setembro de 1897 no Rio de Janeiro e morreu em 26 de Outubro de 1976 no Rio de Janeiro. Foi pintor, desenhador, ilustrador e caricaturista. Era filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo e Rosalia de Sena. Viveu 79 anos  de forma  intensa e apaixonada, integrado no universo boémio e artístico do século XX.

Di Cavalcanti com o presidente Juscelino em frente a tapeçaria no Palácio da Alvorada (1956?).
Di Cavalcanti foi obrigado a trabalhar por dificuldades financeiras, depois do seu pai falecer (1914). Como meio de subsistência, realiza ilustrações para a revista Fon-Fon. No mesmo ano, expôs no Salão dos Humoristas uma série de ilustrações sobre a Balada do cárcere de Reading, de Oscar Wilde.  Em 1916, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Continuou a fazer ilustrações, frequentou o atelier do impressionista George Fischer Elpons e tornou-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Começou a pintar (1917) sob influência da art nouveau.
Realizou a sua primeira mostra individual (1917) como desenhista. Na sua obra utilizava como meio de expressão o pastel, retratando figuras femininas angélicas então na moda. Em 1921 casa-se com Maria, filha de um primo-irmão do seu pai.

Colombina, estudo de capa para  a Revista Fon-Fon
Capa para obra de Mário de Andrade
Capa do catálogo da exposição da Semana de Arte Moderna , 1922. Acervo do Instituto de Estudos Brasileiros - USP - Arquivo Anita Malfatti. Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini
Organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo - 11 a 18 de Fevereiro de 1922 - criando para essa ocasião o catálogo e o programa.
Fez a sua primeira viagem à Europa em 1923, e permaneceu em Paris até 1925. Frequentou a Academia Ranson e expõs em diversas cidades: Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã e Paris. Durante a estada em Paris conheceu Picasso, Léger, Matisse, Erik Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses.
Quando retornou ao Brasil, demonstrou na sua obra influências de Picasso, Braque e Ticiano, mostrando uma profunda admiração pela sua obra, após passagem por Itália. Realizou os primeiros painéis modernos do Brasil para o teatro João Caetano, no Rio de Janeiro (1929), e neles deixou as marcas do seu estilo: um cubismo atenuado por curvas barrocas e motivos populares como o carnaval e o samba.
Pierrot, Arlequim e Colombina, óleo sobre tela, 1922

Pierrete, óleo sobre tela, 1922
Pierrot, guache (1924). Reprodução pag. 27 do livro Emiliano Di Cavalcanti 50 anos de pintura 1922 - 1971 e, reedição de 1976 pág 31 e Cat. Christie’s Nova York, 26 de Novembro de 1996 do leilão da Coleção de Aleksander e Lucja Landau, pág. 22 sob o nº 55
Retrato da Minha Mulher, guache, 1927
Nos anos 30, participou em exposições colectivas, salões nacionais e internacionais como a International Art Center em Nova Iorque. Em 1932, fundou em São Paulo, com Flávio de Carvalho, António Gomide e Carlos Prado, o Clube dos Artistas Modernos. Foi detido pela primeira vez em 1932, durante a Revolução Paulista. Casou com a pintora Noémia Mourão. Viajou pelo Recife, deslocou-se a Lisboa onde expôs no salão “O Século”, e quando voltou ao Brasil foi preso pela segunda vez no Rio de Janeiro.
Depois de libertado voltou a residir em Paris até 1940, dedicando-se à pintura de várias obras com temas da cultura brasileira, como Scène brésilienne (Museu Nacional de Arte Moderna, Paris) e Ciganos (Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro). Na década seguinte atingiu o apogeu do seu talento. Em 1937 recebeu a medalha de ouro com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica, em Paris. Ilustrou livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado.
Cinco Moças de Guaratinguetá, óleo sobre tela, 1930 - Museu de Arte de São Paulo
Moleque, óleo sobe cartão 1932 - Reproduzido no Cat. "Di Cavalcanti - 100 Anos", Art Editora
Sem Título [Cena de Café-Concerto] , 1934, nanquim e lápis de cor sobre papel. Colecção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
As Bodas do Poeta, lápis sobre papel, 1941 - MASP
Influenciado por artistas e intelectuais brasileiros do seu tempo como José do Patrocínio, Olavo Bilac, Machado de Assis, entre outros, Di Cavalcanti é, juntamente com grandes nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Graça Aranha, um dos mais ilustres representantes do modernismo brasileiro.
O seu relacionamento com Noémia entra em crise (1947) e Beryl Tucker Gilman passou a ser sua companheira. Participou na I Bienal de São Paulo, em 1951. Fez uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo, constituída por mais de quinhentos desenhos. Juntamente com Alfredo Volpi, ganhou o prémio de melhor pintor nacional da II Bienal de São Paulo, conquistou o primeiro prémio da Mostra de Arte Sacra em Trieste (1956), e a medalha de ouro da Bienal Interamericana do México. Em 1955 Cavalcanti escreveu o livro Viagem da minha vida. Entre as suas obras também constam cartões para tapeçaria, para o Palácio da Alvorada, em Brasília. 

Ciganos, 1940, óleo sobre tela. Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, RJ) . Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
Gafieira, déc. 1940, óleo sobre tela. Colecção Particular. Reprodução fotográfica autoria desconhecida
O Grande Carnaval, 1953, óleo sobre tela, Acervo Banco Itaú S.A. (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica autoria desconhecida.
Cais, 1952-1954, óleo sobre tela. Colecção Particular. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Na década de 60, viveu em Paris com Ivette Bahia Rocha, apelidada de Divina. Desenhou jóias, para a firma LucienJoaillier e escreveu Reminiscências líricas de um perfeito carioca (1964).
No ano de 1971, o Museu de Arte Moderna de São Paulo realizou uma grande retrospectiva de sua obra e Cavalcanti recebeu o prémio da Associação Brasileira de Críticos de Arte. A Universidade Federal da Bahia outorgou-lhe o título de Doutor Honoris Causa. A sua obra pictórica e gráfica encontra-se nos principais museus brasileiros, como o Museu Nacional de Belas-Artes e o Museu de Arte de São Paulo, em instituições estrangeiras, como o Museu de Arte Litúrgica de Roma e em colecções particulares. O desenho esteve sempre presente ao longo de toda a produção de Di Cavalcanti, fazendo parte da sua prática comum. Mesmo quando se tornou um artista consagrado o desenho continuou a fazer parte de sua actividade. Faleceu no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976.

Mulata em rua Vermelha, 1960, óleo sobre tela, Coleção Particular. Reprodução fotográfica Vicente de Mello
Arlequins, 1964, óleo sobre cartão. Colecção Alfredo Rizkallah. Reprodução fotográfica Romulo Fialdini
Navio Negreiro , 1961, óleo sobre tela. Banco Chase Manhattan (São Paulo, SP). Reprodução fotográfica Guilherme Fracornel.
Brasil em 4 fases II (det.), óleo sobre tela sobre madeira, 1965Reprod. Catálogo "Di Vavalcanti 100 Anos".
Três Personagens com Gato,óleo sobre tela, 1970

Fontes:
http://sampa.art.br/biografias/dicavalcanti/
http://www.infoescola.com/literatura/di-cavalcanti-biografia/
http://www.dicavalcanti.com.br/apresentacao.htm