segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Festival Internacional de Marionetas do Porto

A 23.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) decorre entre 14 e 23 de Setembro.

"O Acidente", Teatro do Ferro
O Festival Internacional conta com o trabalho de artistas de companhias provenientes de França, Itália, Alemanha e Grécia, para além da participação portuguesa, que ocupa um lugar especial na programação deste ano. Algumas das criações apresentadas pelas companhias são em estreia absoluta.
Na programação estão o Teatro do Ferro "O Acidente", Teatro de Marionetas do Porto "Teatro Dom Roberto" e " O Ovo", A Tarumba "Cabaret de insectos - Dracularium Freak - Episódio I,  Théâtre de L'arc-en-Terre "Western", entre outros.

A programação inclui mais de três dezenas de iniciativas: uma exposição/instalação – “Fuga Geográfica”, de Rodrigo Malvar, espectáculos de rua, "workshops" e conferências.
O Festival reparte-se por diversos locais da cidade do Porto como a Casa da Música, Teatro Carlos Alberto, Mosteiro de S. Bento da Vitória, Auditório de Serralves, Teatro Helena Sá e Costa, Instituto Multimédia, Passos Manuel, Plano B ou Armazém do Chá. Saber mais aqui.

"Western", Théâtre de L'arc-en-Terre

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

2 - Antigos Mercados de Lisboa - Mercado da Ribeira Velha, Mercado da Ribeira Nova e Mercado de S. Bento

Ribeira de Lisboa, aguarela sobre papel, 1887, Ricardo Hogan - Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Lisboa teve mercados de produtos hortícolas, frutas e outros comestíveis frescos, anteriores à edificação do Mercado da Praça da Figueira. Antes de 1460, efectuava-se um mercado de hortaliças e frutas nas arcadas da Rua da Ferraria, que foi posteriormente transferido para as imediações do mercado de pescado da Ribeira Velha. Também existiu um mercado de hortaliças e frutas no Rossio, em finais do século XVI, em frente do palácio dos Condes de Almada, quando ali se realizava a Feira da Ladra.
 
Mercado da Ribeira Velha, destacando-se a Casa dos Bicos (antes do Terramoto), painel de azulejos, séculos XVII-XVIII . Museu da Cidade - El Pueblo de Lisboa (1980) CML

Novo Guia do viajante em Lisboa e seus arredores Cintra, Collares, Mafra ... Por F. M. Bordalo 1863, página 99 - FCG Biblioteca da Arte
Casa dos Bicos, foto de José Artur Leitão Bárcia, 1890-1945. A Casa dos Bicos foi mandada construir em 1523 por Braz de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque. A reabilitação do edifício data de 1983. - Monumento Nacional por decreto de 16-06-1910 - AML
A par dos mercados hortícolas, existia em Lisboa um mercado de pescado que, no século XVI, já se situava na Ribeira, era conhecido por Mercado da Ribeira Velha. Ocupava a faixa de terreno em frente à Casa dos Bicos, com várias barracas, onde as vendedeiras colocavam o peixe para venda. Consta que era um dos mercados de pescado melhor abastecidos do mundo.
Com o Terramoto de 1755, e depois de um período em que a cidade teve mercados provisórios, D. José mandou edificar para a venda de pescado, na Ribeira da cidade, nos terrenos perto da Praia de S. Paulo, o mercado da Ribeira Nova em 1771.
Mercado da Ribeira Nova na sua forma primitiva, gravura. Foto de Eduardo Portugal. Museu da Cidade - AMLChamado Mercado da Ribeira Nova, por ter vindo substituir a antiga praça em frente da Casa dos Bicos, era formado por um quadrado de 132 telheiros e cabanas, possuindo ao todo 256 bancas de venda.
Neste local e desde o século XVI, existiam cabanas onde homens e mulheres assavam sardinhas e outras variedades de peixe, que vendiam a marinheiros e a trabalhadores negros e brancos. O novo mercado formava um quadrilátero, era todo empedrado e lageado. Destinava-se à venda de pescado fresco. Tinha 123 cabanas e telheiros com 256 lugares de venda, alugados com carácter vitalício às vendedeiras. Posteriormente foi alargado às vendedeiras de frutas e verduras que ocupavam uma parte da Ribeira Velha. 

Levantamento topográfico de Francisco Goullard: nº 340, 1881. Planta referente à rua Occidental da Moeda, à praça Dom Luiz Primeiro, mercado e rua da Ribeira Nova ( Na planta, assinalei digitalmente o espaço do Mercado da Ribeira com uma seta na cor amarela) - AML
Projecto do Mercado da Ribeira Nova, planta e fachada, 20/04/1876. Frederico Ressano Garcia (1847-1911) - AML
Projecto do Mercado da Ribeira Nova, detalhes, 20/04/1876. Frederico Ressano Garcia (1847-1911) - AML
Projecto do Mercado da Ribeira Nova, detalhes, 20/04/1876. Frederico Ressano Garcia (1847-1911) - AML
O novo Mercado da Avenida 24 de Julho ou Mercado da Ribeira Nova, como também ficou conhecido, foi projectado pelo engenheiro Ressano Garcia - a quem se deve o planeamento e construção de estruturas da zona metropolitana de Lisboa como a Avenida da Liberdade, a Praça Marquês de Pombal, a Avenida 24 de Julho, os bairros de Campo de Ourique e da Estefânia e a Linha de Sintra. O mercado tem 10 mil metros quadrados de área coberta e foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1882. Em 1893 foi parcialmente destruído por um incêndio. A reconstrução, ficou a cargo do arquitecto João Piloto e foi concluída em 1930, com a instalação da cúpula. O Mercado voltou rapidamente a ser o centro do comércio grossista e retalhista. No ano de 2001 o espaço estreou um novo aspecto social, cultural e recreativo. O antigo mercado da Ribeira Nova foi demolido em 1926.

O Novo Mercado 24 de Julho, inaugurado em 1 de Janeiro de 1882 (Desenho do Natural por António Ramalho) - O Ocidente : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, nº 109 de 1 de Janeiro de 1882 - Hemeroteca Municipal de Lisboa
Panorâmica da Ribeira, post. 1895 - AML
Mercado 24 de Julho ou Ribeira Nova, foto de Eduardo Portugal - AML
Varina preparando o peixe para venda, foto de Benoliel, Joshua, 1909 - AML
Varinas à porta do Mercado 24 de Julho, foto de Benoliel, Joshua, 1909 - AML

O Mercado da Ribeira, óleo sobre madeira, 1924, Mário Augusto. Foto de José Pessoa - Museu Grão Vasco
Vendedeira de peixe, aguarela, 1940, Alberto Souza - Museu José Malhoa
Mercado 24 de Julho, foto de Eduardo Portugal, depois de 1930 - AML

Mercado de S. Bento

A parte ocidental da cidade tinha também um mercado próprio, o Mercado de S. Bento, situado na Rua de s. Bento e inaugurado em 1 de Janeiro de 1881. O edifício foi construído em ferro, com projecto do arquitecto E. A. Bettencourt. Tinha 29 tendas, cada uma com 22 lugares. Vendia hortaliça, frutos, aves, carnes, pescado, bebidas, e toda a espécie de víveres. O edifício foi construído pela Companhia dos Mercados Edificações Urbanas, que teve o direito de o explorar por cinquenta anos no fim dos quais o entregou à Câmara. Foi demolido em 1938.


Mercado Ocidental em S. Bento, Lisboa, inaugurado em 1 de Janeiro de 1881. (Desenho do natural por António Ramalho). "O Ocidente", revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, nº 80 de 11 de Março de 1881 - Hemeroteca Municipal de Lisboa
Mercado de S. Bento, 1898-1908 - AML
Alfarrabista no mercado de S. Bento, mano João. Foto de Benoliel, Joshua, 1907 - AML
A volta do Mercado (estudo), desenho a carvão, 1927. Carlos António Rodrigues dos Reis - Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Mulheres no Mercado, óleo sobre tela, século XX. Abel Salazar - Museu Abade de Baçal

Fontes:
El Pueblo de Lisboa (1980), CML
 O "Ocidente" revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, Hemeroteca Municipal de Lisboa



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

1 - Antigos Mercados de Lisboa - Praça da Figueira

A Volta do Mercado, óleo sobre tela, António Carvalho da Silva Porto, 1886 - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea
Lisboa teve mercados de produtos hortícolas, frutas e outros comestíveis frescos, anteriores à edificação do mercado da Praça da Figueira, que parece ter sido o primeiro mercado fixo de comestíveis frescos de Lisboa.
Antes de 1460, efectuava-se um mercado de hortaliças e frutas nas arcadas da Rua da Ferraria (zona ribeirinha conquistada ao Tejo, junto da muralha nova de D. Fernando), que posteriormente foi transferido para as imediações do mercado de pescado da Ribeira Velha. Também existiu um mercado de hortaliças e fruta no Largo da Madalena que, em finais do século XVI, foi deslocado  para o Rossio, em frente ao palácio dos Condes de Almada, quando ali se realizava a Feira da Ladra.

Mercado da Praça da Figueira, óleo sobre tela, N. Delarive, 1792 (saloias montadas em cavalos e outras com cestas de frutas)..Reprodução fotográfica -  El Pueblo de Lisboa (1980), CML.
Campesina dos arredores de Lisboa, Saloia, gravura, H. L'Éveque, 1814 - El Pueblo de Lisboa (1980), CML.
Collecção dos decretos, resoluções e ordens das côrtes geraes extraordinárias e constituintes da nação Portugueza - nº 73, página 45 ..., Partes 1-2. Por Portugal. Cortes. - FCG Biblioteca da Arte
Ill.mo e Ex.mo Senhor – As Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação portuguesa, conformando-se com o incluso Parecer da Comissão de Agricultura, atentos os motivos, aí ponderados: Ordenam, que a Praça da Figueira seja livre para todo o vendedor, ficando permitida a qualquer a venda de géneros por grosso ou por miúdo, sem dependência de manifestos, atestados, ou licenças, que tudo se há por extinto, observada com tudo a policia da Praça relativa ao arruamento e guardadas as mais Posturas do Senado da Câmara actualmente existentes. O que Vossa Excelência fará presente na Regência, para que assim se execute. 
Deus guarde Vossa Excelencia. Paço das cortes em 16 de Abril de 1821.
Mercado da Praça da Figueira, desenho de J. Christino e de M. de Macedo, c. 1850 - AML
D. José decretou que "se devassasse, em benefício do público, uma área de quatro frentes, para se estabelecer uma praça de frutas e hortaliças, com arruamentos e cabanas necessárias ao serviço e uso dela". O local escolhido situava-se perto do Poço do Borratém - palavra que em árabe significava "figueira" - no terreno doado pelo Rei, onde, antes do terramoto, existia o Hospital de Todos-os-Santos.  
As vendedeiras de frutos e hortaliças do Rossio e outras partes da cidade de Lisboa, os agricultores que traziam frutas e legumes pela manhã à cidade, e também as mulheres que quisessem ter um local fixo de venda, instalavam-se nesta área.
Este mercado que no principio foi conhecido por Horta do Hospital, Praça das Ervas e Praça Nova, popularizou com a designação de Praça da Figueira. Tinha 210 lugares destinados em principio à venda exclusiva de frutas e hortaliças. Posteriormente foi admitida a venda de aves, tabernas e tendas de bebidas. Na primeira fase, por volta de finais do século XVIII, o mercado era descoberto e as vendedeiras destribuíam-se de forma desordenada. 

Novo Guia do viajante em Lisboa e seus arredores Cintra, Collares, Mafra ...Por F. M. Bordalo 1863 - FCG Biblioteca da Arte

 

Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta n.º 36, c.187?. (Na planta, assinalei digitalmente o espaço do Mercado da Praça da Figueira com a cor verde).
Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard: planta n.º 43, Janeiro de 1879. (Na planta, assinalei digitalmente o espaço do Mercado da Praça da Figueira com a cor verde).
Melhoramentos de Lisboa - O novo mercado da Praça da Figueira, vista exterior (desenho do natural por Casellas). "O Ocidente" : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, N.º 239 ( 11 Agosto 1885 ) - Hemeroteca Municipal de Lisboa
Inauguração do Mercado da Praça da Figueira, com a presença da Família Real: D. Maria Pia, Rainha de Portugal, D. Luís I, Rei de Portugal, 16/05/1885 - AML
Mercado da Praça da Figueira (Rua da Betesga). Foto de Eduardo Portugal, ant. 1949 - AML

Mercado da Praça da Figueira (torrião). Foto de Eduardo Portugal, ant. 1949 - AML
Em 1835 realizam-se as primeiras obras, no centro do recinto foi construído um poço, foi arborizado e iluminado e renovados os postos de venda. Em 1849 a praça foi cercada com grades e oito entradas fechadas com portões de ferro. Em 1882, foi aprovado o projecto do novo mercado em ferro, ocupando uma área de quase 8 mil metros quadrados. Foi estreado em 24 de Abril de 1885, e existiu até o dia 30 de Junho de 1949, ano em que foi demolido. No local ficou apenas a estátua equestre de D. João I, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, sobre pedestal de Jorge Segurado.

A Vendedeira de Laranjas, óleo sobre tela, 1929. Maria de Lourdes de Mello e Castro. Foto de José Pessoa - Museu José Malhoa
Hortaliceiras, óleo sobre tela, 1938. José Almeida e Silva - Museu Grão Vasco
Bancas do Mercado da Praça da Figueira. Foto de Francesco Rocchini, 1895 - AML

Ultimo dia de funcionamento do Mercado da Praça da Figueira, 30/06/1949. Foto de Eduardo Portugal - AML
Visita do Presidente França Borges ao atelier do escultor Leopoldo de Almeida (na imagem com bata branca) para ver a estátua equestre de João I. Foto de Armando Serôdio, 1970 - AML
Panorâmica da praça da Figueira com destaque para o monumento a Dom João I. Foto de Armando Serôdio, 1972 - AML
Fontes:
Lisboa, revista municipal nº 19 de 1987, Hemeroteca Municipal de Lisboa
El Pueblo de Lisboa, (1980), CML

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Arte com plástico e brinquedos

Hiroshi Fuji, artista plástico japonês

Hiroshi Fuji, nasceu em 1960, em Kagoshima, no Japão e estudou na Universidade de Kyoto. Vive e trabalha em Fukuoka. Os projectos de Hiroshi são realizados com base em recursos locais e reciclagem de materiais, como papel, plástico, brinquedos, embalagens e a sua inclusão em obras de arte pública, envolvendo a comunidade e as crianças. As suas obras têm sido expostas desde 1983, em diversos países do mundo.

Carpa nadando no rio Kamo. Rio de Kamo Sanjyo, Kyoto, 1983. Art Net Work '83
O Jardim público é maravilhoso (Festival das lanternas de papel). Escola primária de Gokusyo, 1998.  Museum City Project
Trabalho com garrafas de plástico/Tartaruga, escultura, 2002.  Rio Hakata, Fukuok
Pássaro Sonhando, instalação, escultura. Osmani Memorial Hall, em Dhaka, Bangladesh (12 ª Bienal de Arte asiática premiado Grand Prix) 2006
Floresta Feliz, instalação, vídeo, 2008. Art Tower Mito Ibaraki, Japão
Deco-Poly, escultura, 2009. Nakanoshima Parque Osaka, Japão
Com a exposição "Central Kaeru Station - where have all these toys come from?", Hiroshi Fuji interroga de onde vêm tantos brinquedos, aqui. (Folha de S. Paulo, 06/09/2012).
O artista utilizou milhares de brinquedos que foram guardados por organizações sociais no Japão durante 13 anos, e realizou uma obra admirável. O resultado encontra-se  aqui, em Tóquio.
Criança corre perto da obra "Toy Saurus" (Brinquedossauro, em tradução livre) na exposição do artista japonês Hiroshi Fuji - Folha de S. Paulo
Exposição "Central Kaeru Station - where have all these toys come from?" de Hiroshi Fuji - 3331 ARTS CYD