sábado, 6 de outubro de 2012

Biografia do arquitecto Le Corbusier

Le Corbusier no seu atelier, Rua Sévres em Paris; foto de René Burri em 1959 - Centro Georges Pompidou

Dia 6 de Outubro (aqui)


Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudónimo de Le Corbusier, (La Chaux-de-Fonds, 6 de Outubro de 1887 - Roquebrune-Cap-Martin, 27 de Agosto de 1965) foi um arquitecto, designer, urbanista e pintor francês de origem suíça.


Le Corbusier na sua mesa de trabalho, Rua Jacob; foto de Halasz Gyula Brassaï em 1931 - Colecção particular
Charles-Edouard Jeanneret-Gris estudou gravura em metal na Escola de Artes Aplicadas em La Chaux-de-Fonds, Suiça, onde foi aconselhado pelo seu professor, Charles L'Eplattenier, a estudar arquitectura. A primeira casa que construiu, a Vila Fallet, em 1905-1907, foi para um professor da escola. Depois de ter viajado por Itália e visitado Budapeste e Viena, mudou-se para Paris em 1908, onde trabalhou no atelier de arquitectura de Auguste Perret. Conheceu Wolf Dohrn, o director de Dresdener Werkstätten für Hanwerksunst, assim como o teórico de Design, o alemão Peter Behrens, com quem trabalhou durante 1 ano, e em 1911 regressou à Suíça.

Vila Fallet, desenhada em 1905 e construída em 1907 - La Chaux-de-Fonds, Suiça
Vila Schwob, desenhada em 1916 e construída em 1917 -  La Chaux-de-Fonds, Suíça
Vila Schwob, também chamada de Vila Turca,1916-1917; lápis de grafite e tinta, com lápis de cores; La Chaux-de-Fonds, Suiça  - Centro Georges Pompidou
Desenvolveu um conceito de um Kit de habitação produzido em série em betão reforçado, o Dom-ino-houses (1914-1915), e desenhou e construiu a Vila Schwob, em La Chaux-de-Fonds (1916). Jeanneret mudou-se para Paris em 1917 e por volta de 1920 adoptou o pseudónimo de Le Corbusier. Em Paris desenvolveu
uma nova abordagem da pintura com o artista Amédée Ozenfant, conhecido como Purista, com quem publicou um manifesto intitulado Aprés le cubisme, le purisme, em 1918. A sua predilecção pela arquitectura clássica grega era esboçada nos artigos do jornal L'Esprit Nouveau, do qual era editor. Executou planos para uma grande cidade utópica de blocos altos estandardizados conhecida como A cidade contemporânea para três milhões de habitantes, que foram mostrados no Salão de Outono de 1922. 

Pavilhão de L'Esprit Nouveau, em França, 1925 ( original destruido); réplica em Bolonha, Itália, 1977
Pavilhão de L'Esprit Nouveau, em França, 1925 (original destruído); réplica em Bolonha, Itália, 1977
Neste ano, Le Corbusier e o seu primo arquitecto, Pierre Jeanneret, fizeram uma sociedade de arquitectos na Rua de Sévres em Paris, e construíram inúmeras residências particulares e prédios de habitação. Le Corbusier desenhou o Pavilhão de L'Esprit Nouveau para a a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, em 1925, que atraiu aplausos e críticas. Depois deste acontecimento Le Corbusier e outros formaram a UAM (União dos Artistas Modernos), em 1929.

Cadeira Modelo nº B301 Basculant (1928), Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand ( Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Chaise-longue Modelo Nº B306 (1928), Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand ( Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Sofá Modelo LC2 Grand Confort (1928), Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand ( Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Cadeira rotativa, (1928), Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand
Le Corbusier via uma casa como 'uma máquina para viver' com mobiliário funcional apropriado ou 'équipment de l´habitation'. Por consequência, ele co-desenhou uma linha de mobiliário em aço tubular sistematizado, com Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand, que entrara para a sociedade de design e arquitectura em 1927. Tendo surgido pela primeira vez em 1928, estes projectos modernos rudimentares, que incluíam a cadeira Basculant nº B301 (1928), a Chaise-longue Nº B306 (1928) e a cadeira e sofá Grand Confort Nº LC2 (1928), projectaram uma nova pureza estética e simbolizavam o Estilo Internacional.
Nos anos 20 e 30, Le Corbusier concentrou-se nas encomendas arquitectónicas, de que fazem parte a famosa Vila Savoye, em Poissy, entre 1928-1929, a Cité du Refuge, em Paris, entre 1930-1931, o Pavilhão Suiço, Cidade Universitária em Paris, entre 1930-1932.
Vila Savoye, desenho de elevação, 1928-1929 - Poissy, França
Vila Savoye, planta do piso superior, 1928-1929 - Poissy, França
Vila Savoye, 1928-1929 - Poissy, França
Vila Savoye, 1928-1929 - Poissy, França
Pavilhão Suiço (maquette), Cidade Universitária em Paris, entre 1930-1932; Le Corbusier, Pierre Jeanneret - MOMA
Pavilhão Suiço (interior), Cidade Universitária em Paris, entre 1930-1932
No decorrer dos anos 50, Le Corbusier afastou-se do formalismo do Estilo Internacional e adoptou uma linguagem mais livre e mais expressiva. O seu interesse crescente pela versatilidade escultural do betão ficou demonstrado no seu complexo habitacional Unité d'Habitation de Marselha, em Marselha, !945-1952 - aqui estabeleceu a prática da construção modularizada e estudou as proporções humanas aplicadas ao projecto de edificações, sintetizadas no seu Modulor - e com a sua notável igreja Notre Dame du Haut em Ronchamp, em França1950-1955.
Le Corbusier foi um dos mais influentes arquitectos, designers e teóricos do século XX, e a sua promoção do formalismo geométrico teve consequências de grande alcance.

Unité d'Habitation, desenho de secção, 1945-1952 - Marselha, França
Unité d'Habitation, 1945-1952- Marselha, França
Unité d'Habitation, terraço-jardim, 1945-1952 - Marselha, França
Igreja Notre Dame du Haut, 1950-1955 -  Ronchamp, França
Igreja Notre Dame du Haut, interior, 1950-1955 -  Ronchamp, França 


Interior, Ronchamp, 1955; foto de Robert Doisneau
Igreja Notre Dame du Haut (maquette), 1950-1955; Ronchamp, França - Centro Georges Pompidou

Entre as contribuições de Le Corbusier para a formulação de uma nova linguagem arquitectónica do século XX encontram-se estes cinco pontos, formalizados no projeto da Vila Savoye:
  • Construção sobre pilotis (pilares).
Ao tornar todas as construções suspensas, cria-se no ambiente urbano uma perspectiva nova. Uma inédita relação "interno-externo" entre observador e morador.
  • Terraço-jardim.
Os telhados do passado ficam ultrapassados. Com o avanço técnico do betão-armado, seria possível aproveitar a última laje da edificação como espaço de lazer.
  • Planta livre da estrutura
A definição dos espaços internos não mais estaria atrelada à concepção estrutural. O uso de sistemas viga-pilar em grelhas ortogonais geraria a flexibilidade necessária para a melhor definição espacial interna possível.
  • Fachada livre da estrutura
Consequência do tópico anterior. Os pilares devem ser projectados internamente às construções, criando recuos nas lajes de forma a tornar o projecto das aberturas mais flexível. Deveriam ser abolidos quaisquer resquícios de ornamentação.
  • Janela em fita
Localizada a uma certa altura, de um ponto ao outro da fachada, de acordo com a melhor orientação solar.

O Modulor, tinta da china, guache e colagem de papéis, 1950 - Centro Georges Pompidou
A escala humana é uma medida de referência relativa, utilizada nas artes e na arquitetura e baseada no corpo humano.
Le Corbusier dedicou boa parte de seus estudos ao desenvolvimento de uma medida universal para a arquitectura: o Modulor. As suas proporções forneceriam as medidas de referência para todos os aspectos do projecto. Ele acreditava criar uma relação perfeita entre a arquitectura e a escala humana. Em 1955, criou o Modulor 2.

As séries de medidas designadas por Modulor, eram baseadas na secção áurea e nas medidas do corpo humano e destinavam-se a ser aplicadas para calcular as larguras e alturas dos espaços arquitectónicos com o objectivo de manter a escala humana.
Ao observar a figura do modulor verificamos que é baseado em três medidas que se relacionam entre si segundo a secção áurea: 1130mm, 700mm e 430mm. 

Modulor 2
Verificamos ainda que:

430mm + 700mm = 1130mm
1130mm + 700mm = 1830mm
1130mm + 700mm = 2260mm

Estas medidas correspondem a dimensões antropométricas importantes:

2260mm para a altura da figura com o braço esticado.
1830mm para a altura até ao topo da cabeça. 
430mm que corresponde ao espaço do braço levantado.

Pavilhão de Exposição, Z.H.L.C., Zurique, Suíça, 1963-1967
Pavilhão de Exposição (secção transversal) Z.H.L.C., Zurique, Suíça, 1963-1967; Le Corbusier, Pierre Jeanneret - MOMA
Design para uma sala de jantar, 1929; Charlotte Perriand (Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Sala de jantar exibida no Salon des Artistes Décorateurs em Paris, 1929; Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand (Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Mobiliário de Cozinha Atelier Le Corbusier Tipo 1, alumínio e madeira pintada,1946-1951 - Centro Georges Pompidou


Biblioteca na Church House, em Auray, 1928-1929; Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand (Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen)
Le Corbusier no seu atelier da Rua Sèvres, Março de 1950; foto de Robert Doisneau

Fontes:
Fiell, Charlotte & Peter, Design do século XX: Taschen
http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier 

Esta mensagem foi reformulada em 10/10/2012

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Manuel de Arriaga - 1º presidente eleito da primeira República Portuguesa

O presidente eleito da República Portuguesa, Dr. Manuel de Arriaga. "O Ocidente"  revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, 30 de Agosto de 1911 - Bibliotecas Municipais de Lisboa
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira, nasceu a 8 de Julho de 1840, na Horta (Açores),  e faleceu a 5 de Março de 1917. Foi professor liceal, escritor e político. Desde jovem empenhado na propaganda republicana, notabilizou-se como advogado na defesa de correligionários processados pelas suas ideias ou actividades, fez parte do Directório do Partido Republicano (1891), foi deputado em duas legislaturas ainda durante a Monarquia (1882 e 1892) e foi eleito para as Constituintes de 1911. A 24 de Agosto de 1911 tornou-se no primeiro presidente da primeira República Portuguesa constitucionalmente eleito - a República Portuguesa foi proclamada em Lisboa no dia 5 de Outubro de 1910. No entanto, a sua política conciliadora, baseada em propósitos de defesa da honra nacional e na concórdia de toda a família portuguesa, colidiu com as tendências golpistas sempre presentes na política do novo regime. A crise desencadeada pelo golpe de Pimenta de Castro, que envolveu a dissolução do Parlamento, levou-o a atitudes contraditórias com as leis da República. O Parlamento declarou-o fora da lei e Manuel de Arriaga foi obrigado a demitir-se em 29 de Maio de 1915, após o que se retirou da actividade política, vindo a morrer em 1917. 

Página de "A Capital" (diário republicano da noite) de 24 de Agosto de 1911 - Bibliotecas Municipais de Lisboa
Bilhete Postal (selos da primeira República Portuguesa/presidente Manuel de Arriaga) - Delcampe
Bilhete Postal (moedas de Portugal, entre 1889 e 1915) - Delcampe

Fontes:
http://www.infopedia.pt/$manuel-de-arriaga
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Arriaga 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia Mundial do Animal

O Cão e o Cego, tinta da china sobre papel, 1936. José de Almada Negreiros - Museu Abade de Baçal
O Dia Mundial do Animal celebra-se em 4 de Outubro por este dia ser o de São Francisco Assis, o santo padroeiro dos animais. 

Os principais objectivos da celebração do Dia Mundial do Animal são: 
  1. Sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e a preservação de todas as espécies; 
  2. Mostrar a importância dos animais na vida das pessoas. 
  3. Celebrar a vida animal em todas as suas vertentes
A imagem que escolhi para representar este dia ilustra o 2º objectivo - Mostrar a importância dos animais na vida das pessoas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A figuração do Outono na porcelana inglesa

Figura alegórica do Outono; porcelana com decoração em esmalte policromado,1758. Fábrica de Porcelana Chelsea - Instituto de Arte de Chicago
Na Europa do século XVIII são evidentes as mudanças de longo alcance. Marcada pelo Iluminismo - movimento cultural de determinada esfera de intelectuais, que procurou agitar o poder da razão humana sobre a doutrina – cuja filosofia encontra raízes em toda a Europa Ocidental e Central, presencia a sua influencia nos  aspectos da vida política e cultural da época.
 
O Iluminismo floresceu até finais do século XVIII, após o qual a emoção, o lirismo, a subjectividade e o eu, têm prioridade sobre a lei e ordem, o espírito romântico ou Romantismo, vai estender-se às artes e à literatura. Inglaterra, no século XVIII, é a sede de dois grandes movimentos culturais — Neoclassicismo e Romantismo — que vão dar nova forma às artes.

Verão e Outono (grupo), porcelana pintada com esmaltes e dourada, 1759-1769. Fábrica de Porcelana Chelsea - Museu Vitória e Alberto
Outono (Quatro estações); porcelana, 1753-1755. Fábrica de Porcelana Chelsea - Museu Metropolitano de Arte
Outono (figura); porcelana pintada com esmaltes e ligeiramente dourada, 1770. Fábrica de Porcelana Bow - Museu Vitória e Alberto
Em Inglaterra a primeira pasta mole de porcelana foi demonstrada por Thomas Briand para a Royal Society em 1742.  Em 1749, Thomas Frye, um pintor de retratos, tirou uma patente sobre uma porcelana contendo cinzas de ossos.  Esta foi a primeira Bone china, posteriormente aperfeiçoada por Josiah Spode . As receitas foram muito bem guardadas, um dos sócios fundadores da fábrica Lowestoft, disse ter escondido num barril em Bow a receita da mistura da sua porcelana.

Outono (castiçal); porcelana  pintada com esmaltes e dourada, 1770. Fábrica de Porcelana Plymouth - Museu Vitória e Alberto
Outono (estatueta); porcelana pintada com esmaltes, 1772-1775. Fábrica de Porcelana Bristol - Museu Vitória e Alberto
Outono (estatueta); porcelana pintada com esmaltes e dourada, 1775. Fábrica de Porcelana Bristol - Museu Vitória e Alberto
Durante os quinze anos após a demonstração de Briand, diversas fábricas foram fundadas em Inglaterra:
A Fábrica de Porcelana Chelsea (estabelecida em torno de 1743-1745) é a primeira fábrica importante de porcelana em Inglaterra.

A Fábrica de Porcelana Bow (ca 1747-1764 activa, fechou em 1776) foi rival da fábrica de porcelana Chelsea na fabricação de porcelana de pasta mole em Inglaterra.

A Porcelana Plymouth e Bristol era uma porcelana de pasta dura feita no condado inglês de Devon, no século XVIII.

A Porcelana Royal Crown em Derby é dos mais antigos fabricantes de porcelana inglesa, com sede em Derby , Inglaterra (disputado por Royal Worcester 1751).

Outono (castiçal); porcelana esmaltada e dourada, 1765. Fábrica de Porcelana Derby - Museu Vitória e Alberto
Outono (figura), porcelana esmaltada e dourada, 1820. Fábrica de Porcelana Derby - Museu Vitória e Alberto
Outono (figura), porcelana vidrada, 1755-1760. Fábrica de Porcelana Bow - Museu Vitória e Alberto

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pintor João Cristino da Silva - época romântica, século XIX

Auto-retrato, óleo sobre tela, 1854 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
João Cristino da Silva foi um pintor português da época romântica. Nasceu em 14 de Julho de 1877, no bairro lisboeta de Alfama, numa família burguesa ligada ao comércio. Frequentou a Academia das Belas Artes de Lisboa, entre 1841 e 1845, onde revelou a sua aptidão para as artes, mas também o seu temperamento nervoso e uma personalidade irreverente que recusa o ensino académico. Por não concordar com o ensino de António Manuel da Fonseca, abandonou a Academia.

Cinco artistas em Sintra, óleo sobre tela, 1855 (ao fundo à esquerda, o Palácio da Pena sobre uma montanha imaginária de pedra) - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Cinco artistas em Sintra, gravura (a partir da pintura com o mesmo nome), 1855-1856 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Em sociedade com Moutinho, decide dedicar-se à ourivesaria, numa loja da Rua da Prata, ponto de encontro da geração contestatária e liberal, e especialmente de um grupo de artistas com ideais românticos que preconizava uma nova atitude artística e o entendimento de uma pintura de captação “do natural”, mais próxima do povo, contrária ao academismo. Posteriormente Cristiano desiste da ourivesaria e continua a pintar, apresentando pequenos quadros no limitado mercado de arte português, a partir de finais da década de 40.

Cabeça de rapaz, óleo sobre metal, 1854 (estudo para a pintura Cinco artistas em Sintra) - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Cristino integrou uma comissão de selecção de obras a mostrar na Exposição Universal de Paris, em 1855, e, nesta exposição, apresentou a pintura Cinco artistas em Sintra - o quadro foi adquirido pelo rei D. Fernando antes da Exposição Universal de Paris. Esta obra torna-se a mais significativo desta geração romântica pela intenção de síntese das linhas exploradas por este grupo através da pintura de paisagem, retrato e costumes. Neste primeiro retrato colectivo de artistas portugueses, formado por Tomás da Anunciação, Francisco Metrass, Victor Bastos, José Rodrigues, e o próprio Cristino, na romântica Sintra, os aspectos cenográficos ligam-se ao tratamento de pormenores, especialmente na descrição dos trajes populares, enquanto que num plano longínquo, surge o Palácio da Pena, entre brumas e entre efeitos de luz variados. A novidade apresentada, captação do tema “no natural”, torna-se o elemento de coesão do grupo, a afirmação de um entendimento contrário à pintura de atelier e ao ensino académico.

Cristo e a Samaritana, lápis sobre papel, 1857 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Flores e frutos, óleo sobre tela, 1859 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Cabo Carvoeiro. Nau dos Corvos. Berlengas, óleo sobre tela, 1955-1960 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Entre 1855 e 67 realizou pinturas em Sintra, Coimbra, Buçaco, Ribatejo, Nazaré e Leiria. Valorizou a divulgação das características específicas dos seus locais preferidos através de uma escolha premeditada de sítios exuberantes e dramáticos que se ajustam a um sentimento idealizado. As paisagens revelam acontecimentos banais ou trágicos, por vezes sublinhados por tonalidades sombrias e focos de luz e apresentam um registo de signos românticos, como cadeias montanhosas, mares agitados, ruínas, castelos, narrativas e imagens de costumes, tratados em contrastes cromáticos. Importava sublinhar uma ideia, um conceito de natureza aliado a uma poética e a um estado de espírito romântico, já que Cristino se considerava “homem de um temperamento sanguíneo, alma de fogo, expansivo e entusiasta até o delírio”.

Retrato de Tomás José de Anunciação, lápis sobre papel. 1960 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Pastores e gado passando uma ribeira, óleo sobre tela, 1860 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Paisagem e animais-vista de Lisboa, óleo sobre tela, 1859 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Cristino promove um pré-naturalismo e o registo do pitoresco, através dos costumes populares e desencadeia um processo de aceitação de um gosto pela pintura da paisagem, “ao natural”, desde as décadas de 50-60. Esta nova postura decorre de um propósito e do prazer por Viagens na minha terra, sugeridas e praticadas por Almeida Garrett, ainda em 1844, e, cria as condições necessárias à admissão do naturalismo, introduzido por Silva Porto e Marques de Oliveira, já em 1879.

Sem título (Marinha), óleo sobre tela, 1855-1860 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Paisagem no Buçaco, óleo sobre tela, 1862 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Fonte dos Amores, Quinta das Lágrimas, óleo sobre tela, 1871 - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
A partir de 1859, Cristino leccionou na Academia, tal como os colegas de grupo desta geração romântica, Tomás da Anunciação e Francisco Metrass e participou nas exposições da Sociedade Promotora das Belas Artes. Em 1869, após intempestivas cenas na Academia, foi internado em Rilhafoles durante um ano e a partir desta data pouco produziu. Morreu em 12 de Maio de 1877, vítima de ataque cardíaco.

Fontes:
http://www.matriznet.ipmuseus.pt/MatrizNet/Entidades/EntidadesConsultar.aspx?IdReg=68131
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Cristino_da_Silva