sábado, 12 de janeiro de 2013

Biografia do pintor Jean Béraud

Auto-retrato, óleo sobre tela, c. 1909


 Dia 12 de Janeiro (aqui)



Jean Béraud (São Petersburgo, Rússia, 12 de Janeiro de 1849 - Paris, França, 4 de Outubro de 1935) foi um pintor impressionista francês.
No momento do nascimento de Béraud e da sua irmã gémea Melanie, os pais viviam na Rússia, acompanhados das filhas Adrienne e Estelle. O pai, o escultor também chamado Jean Béraud, faleceu em 1853 e a sua viúva, Geneviève Eugénie Jacquin, mudou-se para Paris com os quatro filhos. 
Béraud iniciou os estudos no Liceu Bonaparte (actual Liceu Condorcet) e depois na Faculdade, mas foi obrigado a interrompê-los para tomar parte na defesa de Paris em 1870. Após a Guerra Franco-Prussiana, iniciou os estudos de pintura na Escola de Belas Artes, onde seguiu as aulas do famoso retratista Léon Bonnat. O pintor trabalhou inicialmente em retratos, encomendados nos salões elegantes de que era frequentador. No final da década de 70, voltou-se para representações da vida diária parisiense do século XIX, combinando a veracidade da observação com uma nota de humor. Tornou-se amigo dos artistas Eduardo Manet (1832-1883), Edgar Degas (1834-1917), Augusto Rodin (1840-1917) e do escritor Marcel Proust ( 1871 - 1922).

A Espera, óleo sobre tela, entre 1848-1935 - Museu d'Orsay
Domingo na Igreja de Saint-Philippe-du-Roule, Paris, óleo sobre tela, 1877 - Museu Metropolitano de Arte
Une Soirée, óleo sobre tela, 1878 - Museu d'Orsay
 La Soirée, óleo sobre tela, 1880 - Museu Carnavalet
Cena numa rua parisiense, óleo sobre painel, 1885 - Museu Metropolitano de Arte
O funeral de Victor Hugo, praça l'Etoile ( 1 de Junho de 1885), óleo sobre madeira - Museu Carnavalet
Entrada da Exposição Universal de 1889, óleo sobre madeira - Museu Carnavalet
Nos bastidores da Ópera de Paris, óleo sobre madeira, 1889 - Museu Carnavalet
Pastelaria Gloppe, óleo sobre tela, 1889 - Museu Carnavalet
Teatro Vaudeville, óleo sobre madeira, 1889 - Museu Carnavalet
Béraud exibiu as suas pinturas no Salão Oficial pela primeira vez em 1872, no entanto, só ganhou reconhecimento em 1876, com a obra Retorno do funeral. Mais tarde, em 1882, estudou com o famoso impressionista francês, Henri de Toulouse-Lautrec. As técnicas artísticas utilizadas por Béraud, em particular ao elaborar Café concerto, tornaram-se mais tarde clássicas da pintura.  
Jean Béraud tornou-se cavaleiro da Legião de Honra em 1887, mais tarde, em 1894, recebeu o título de Oficial da Ordem da Legião de Honra. Foi premiado com a medalha de ouro da Sociedade dos Artistas Franceses em 1889, e no mesmo ano, recebeu a medalha de ouro da Exposição Mundial em Paris.
Na década de 1890 o artista começou a pintar cenas religiosas criadas em ambientes contemporâneos.  No Salão de Paris em 1891, Béraud mostrou a obra "Madalena em casa do fariseu". Esta obra causou um escândalo, por as personagens estarem vestidas com roupas da época. Muito dinâmico no campo da arte, foi membro fundador da Sociedade National de Belas Artes, na companhia de Rodin.  
Jean Béraud nunca casou nem teve filhos. Foi enterrado em Montparnasse ao lado de sua mãe e da sua irmã gémea Melanie (1849-1927).

Madalena em casa do fariseu, óleo sobre tela, 1891 - Museu d'Orsay
Figaro Ilustrado, (mulher comendo castanhas assadas numa rua da cidade, França), ilustração, 1890 - Galeria Digital de Nova Iorque

Capa para Figaro Ilustrado, L'Opéra : numéro spécial 59, ilustração, 1895 - Biblioteca Nacional de França
Capa para o Figaro Ilustrado de Maio de 1893, ilustração - Biblioteca Nacional de França
Saída dos trabalhadores da casa Paquin, óleo sobre madeira, c. 1900 - Museu Carnavalet
Saída do Liceu Condorcet, óleo sobre tela, 1903 - Museu Carnavalet
O Chalet dos ciclistas no bosque de Bolonha, óleo sobre tela, c. 1900 - Museu Carnavalet
O café Absinto, óleo sobre tela, 1909 - Museu Carnavalet
Três pessoas num café, óleo sobre tela, 1910 - Museu Carnavalet
 A primeira mulher na Faculdade de Medicina de Paris (Elisabete Garrett Anderson), pintura, século XIX - Biu Santé

fontes:

- http://www.tate.org.uk/art/artists/jean-beraud-741
- http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%91%D0%B5%D1%80%D0%BE,_%D0%96%D0%B0%D0%BD 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Biografia do artista plástico Alberto Giacometti

Alberto Giacometti, 1965. Foto de Yousuf Karsh (1908-2002) - Museu de Belas Artes de Boston

 Dia 11 de Janeiro (aqui)


Alberto Giacometti (Borgonovo, Suiça, 10 de Outubro de 1901 - Chur, Suiça, 11 de Janeiro de 1966) foi um escultor, pintor, desenhador e gravador suiço. Filho do pintor impressionista Giovanni Giacometti (1868-1933) e da sua esposa Annetta Stampa (1871-1964), Alberto Giacometti era o mais velho de quatro irmãos (Diego, Bruno e Otília) e desde cedo revelou interesse pela arte. 
Estudou pintura na Escola de Belas Artes e escultura e desenho na Escola de Artes e Ofícios em Genebra, entre 1919 e 1920. Nesse ano viajou para Itália com o seu pai, onde ficou impressionado com as obras de Alexander Archipenko e de Paul Cézanne, expostas na Bienal de Veneza. Foi também profundamente influenciado pela arte africana e egípcia, pelas obras-primas de Giotto e Tintoretto.

Auto-retrato, óleo sobre cartão, c. 1917 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Diego em pé na sala de estar, Stampa, óleo sobre tela, 11 de Novembro de 1922 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Otília (1904-1937), óleo sobre cartão, c. 1920 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Bruno (1907-?), óleo sobre cartão, c. 1916 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Em 1922, Giacometti fixou-se em Paris, onde frequentou a classe de escultura de Antoine Bourdelle, durante os cinco anos seguintes. Embora a maior parte da sua obra fosse realizada em Paris, Giacometti regressava regularmente à Suíça, onde trabalhava nos ateliers do seu pai, em Stampa e Maloja. No ano de 1927, mostrou pela primeira vez no Salon des Tuileries em Paris, a escultura Spoon Woman. Com a chegada do seu irmão e companheiro Diego (1902-1985) a Paris em 1930, iniciou uma nova fase, partilhando com ele a sua vida e obra. No início da década de 30, aderiu ao movimento surrealista e produziu algumas obras essenciais para a caracterização da escultura surrealista.
A primeira exposição individual de Giacometti teve lugar na Galeria Pierre Colle, Paris, em 1932. Por essa altura retomou o trabalho com esculturas figurativas. Criou representações de cabeças dos seus familiares e figuras com apenas alguns centímetros de altura. 

Spoon woman, bronze, 1926-1927 - MOMA
Cabeça cubista, gravura, 1933 - MOMA
Cabeça, gesso, 1933-1934 - MOMA
Composição surrealista, caneta e tinta sobre papel, c. 1933 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Aplique modelo "Máscara com serpentes", gesso, 1934. Colecção Particular - Fundação Alberto e Annette Giacometti
O pai do artista morreu em 26 de Junho de 1934, e Giacometti passou vários meses na Suiça. Nesse ano, realizou a primeira exposição individual em Nova Iorque, na Galeria Julien Levy. Durante o período entre 1935 e 1940, apresentou as suas peças surrealistas em exposições por todo o mundo. Em 14 de Fevereiro de 1935 foi expulso do grupo de surrealistas. O ano de 1937 ficou marcado pelo falecimento da sua irmã Otília, por ocasião do nascimento do seu único sobrinho Sílvio, que seria seu modelo durante a guerra.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Giacometti voltou a Genebra, onde se associou com a editora Albert Skira, e aí encontrou a que seria sua esposa e modelo favorita, Annette Arm.
 

Candeeiro com duas figuras, bronze, 1949-1950 - SFMOMA
Três homens a andar II, bronze, 1948-1949 - Instituto de Arte de Chicago
O Nariz, bronze ferro e fio, 1947 - HIRSHHOR
O Chariot, bronze pintado, madeira, 1950 - MOMA
A Floresta (Composição com 7 figuras e cabeça), bronze pintado, 1950 - Museu Metropolitano de Arte
Giacometti reencontrou Simone de Beauvoir, Pablo Picasso e Jean-Paul Sartre de quem se tornou amigo, no início de 1940. Algumas das obras dessa década, são ainda ecos de surrealismo, como a escultura O Nariz (1947-1949). Durante esta época, realizou uma série de retratos de personalidades das artes e das letras como, Marie-Laure de Noailles, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.
A exposição individual - com o prefácio do catálogo escrito por Sartre - em 1948, na Galeria de Pierre Matisse, Nova Iorque, ajudou Alberto Giacometti não só artisticamente, mas também na venda das suas obras, o que confirmou a sua projecção internacional.  Para a exposição, que abriu em Dezembro de 1950, na mesma galeria, Giacometti produziu algumas das suas esculturas mais famosas, com edição em bronze, incluindo: Quatro figuras num pedestal, A Floresta, O homem que anda, entre outras. 
Alberto Giacometti no seu estúdio - Fundação Beyeler
Mulher a andar, bronze, 1932-1936 - TATE
Diego sentado no estúdio, óleo sobre tela, 1950 - Instituto de Arte de Chicago
Jean-Paul Sartre de perfil, lápis sobre papel, c.1949 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Esculturas no estúdio, litografia e offset, 1951 - Instituto de Arte de Chicago
O ano de 1949 ficou marcado pelo casamento do artista com Annette Arm, no dia 19 de Julho. Foi somente em Junho de 1951 que realizou uma exposição pós-guerra em Paris, na Galeria Maeght, onde o seu amigo Louis Clayeux o convenceu a entrar. No decorrer da década de 50, o artista produziu várias novas obras, todas em gesso, incluindo O Gato e O Cão. Em 1955, foi homenageado com retrospectivas no Arts Gallery, de Londres e no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova Iorque.  Recebeu o Prémio Internacional Carnegie de Escultura em 1961, o Grande Prémio de Escultura na Bienal de Veneza de 1962, o Prémio Guggenheim em 1964 e o Grand Prix Internacional des Arts concedido por França em 1965. 

O Gato, bronze, 1954 - Museu Metropolitano de Arte
O Cão, bronze, 1951 - MOMA
Homemque anda, lápis e caneta sobre papel, 1950-1951. Colecção particular - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Homem que anda II, bronze, 1960 - Galeria Nacional de Arte
Annette VI, bronze, 1962 - Museu Metropolitano de Arte
Em 1965, as exposições retrospectivas de Giacometti foram organizados pela Tate Gallery, de Londres, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Museu Louisiana, Humlebaek, Dinamarca e Stedelijk Museum, em Amsterdão. 
Giacometti morreu no dia 11 de Janeiro de 1966, em Chur. A Fundação Alberto e Annette Giacometti - criada em 2003 - recebeu um legado da viúva Annette Alberto Giacometti, possuindo uma colecção de cerca de 5.000 obras, exibidas frequentemente em todo o mundo através de exposições e empréstimos de longo prazo. Annette Giacometti faleceu em 19 de Setembro de 1993.
Busto de Diego, bronze, 1954 - Centro de Arte Walker
Busto de Diego, bronze, 1955 - MUMOK
Alberto Giacometti no seu estúdio - Fundação Beyeler

fontes:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Alberto_Giacometti
- http://fr.wikipedia.org/wiki/Alberto_Giacometti
- http://www.fondation-giacometti.fr/fr/art/16/decouvrir-l-œuvre/97/alberto-giacometti/98/reperes-biographiques/
- http://www.guggenheim.org/new-york/collections/collection-online/show-full/bio/?artist_name=Alberto%20Giacometti&page=1&f=Name&cr=1
- http://www.kunstmuseumluzern.ch/en/collection.html






terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Escultor Étienne Maurice Falconet - 222 anos do seu falecimento

Retrato de Étienne Maurice Falconet (1741) por Jean-Baptiste Lemoyne, o Jovem (1704 - 1778). Desenho a giz - Museu Metropolitano de Arte
Étienne Maurice Falconet (nasceu em Paris no dia 1 de Dezembro de 1716 e faleceu na mesma cidade no dia 4 (24?) de Janeiro de 1791) foi um talentoso escultor do rococó em França, no reinado de Luis XV. Adaptou o estilo clássico do barroco a um intimo e decorativo rococó francês. 
Falconet iniciou desde cedo a realização de figuras em barro. O seu trabalho chamou a atenção do escultor Jean-Baptiste Lemoyne que fez dele seu aprendiz. Uma das suas primeiras esculturas, Milo de Crotone, proporcionou-lhe o ingresso na Academia de Belas Artes de Paris em 1754. Nos Salões de 1755 e 1757, chamou a atenção do público com os seus mármores L'Amour e Nymphe au bain (também chamado de "A Banhista"), actualmente no Louvre. Apadrinhado por Madame de Pompadour, foi nomeado director dos estúdios da fábrica de porcelana de Sèvres, em 1757. Enquanto director, executou desenhos de modelos para a fábrica, produziu pequenas esculturas de nus femininos e figuras mitológicas, como Vénus e Cupido. Criou um conjunto de figuras feitas em biscuit branco (Crianças de Falconet), ilustrando as Artes, que pretendiam complementar os serviços de mesa de grande gala. Os estilos destas esculturas ornamentais para a mesa de jantar, espalharam-se pela maioria das manufacturas de porcelana da Europa. Após a Revolução Francesa de 1789, a porcelana biscuit continuou a ser produzida nos anos 1800 e posteriores.

Milo de Crotone, mármore (recepção na Academia em 1754) - Museu do Louvre
L'Amour menaçant, mármore (exibida no Salão em 1757) - Museu do Louvre
Nymphe au bain, mármore (exibida no Salão em 1757) - Museu do Louvre
 
Pygmalion et Galatée, mármore (exibida no Salão em 1763) - Museu do Louvre
Falconet permaneceu como director da fábrica de Sévres até 1766, quando recebeu o convite de Catherine II da Rússia, por sugestão de seu amigo Denis Diderot, para realizar uma estátua equestre de Pedro, o Grande. A estátua conhecida por "Cavaleiro de Bronze", tornou-se num símbolo da cidade de São Petersburgo. 
Falconet deixou a Rússia depois de 12 anos de trabalho e voltou a Paris. As suas mãos transformavam com igual sucesso, pequenas figuras de ninfas ou crianças e majestosos monumentos. Realizou numerosas obras: Moisés e David para a igreja de São Roque em Paris, Pigmalião, O Inverno, entre outras. Muitas das suas obras religiosas foram destruídas por ocasião da Revolução Francesa. Falconet produziu o capítulo "Reflexões sobre a escultura", a pedido de Diderot para a Enciclopédia. Publicou "Observações sobre a estátua de Marco Aurélio", que foi interpretado como as descrições para a execução da escultura de Pedro, o Grande. Os textos de Falconet sobre arte foram reunidos em Obras literárias (seis volumes), publicadas pela primeira vez em Lausanne, em 1781-1782.
Em 1783, um acidente vascular cerebral pôs termo à sua carreira como escultor. 
L’Amitié tendant son cœur à deux mains, porcelana biscuit, 1765. (Falconet retoma o tema da amizade como uma homenagem póstuma a Madame de Pompadour em 1764. Esta alegoria foi um grande sucesso.) - Fábrica de Porcelana de Sèvres
Rapaz com uma foice, gravura, 1757 ( a partir do Primeiro Livro de Figuras da Fábrica de Porcelanas de França) - Museu Metropolitano de Arte
Menina com embarcação, gravura, 1757 ( a partir do Primeiro Livro de Figuras da Fábrica de Porcelanas de França) - Museu Metropolitano de Arte
Cupido, porcelana biscuit, 1761. Manufactura de Sèvres - Museu Metropolitano de Arte
La Bergère des Alpes, porcelana biscuit, 1766-73. Manufactura de Sèvres - Museu Metropolitano de Arte
Cupido e Psique, porcelana biscuit, esmalte, 1765. Manufactura de Sèvres - Museu Victoria e Alberto
Vaso com tampa, porcelana pintada e dourada, 1769. Possivelmente o segundo tamanho do vaso "ferré". Manufactura de Sèvres. (Provavelmente desenhado por Étienne Maurice Falconet e pintado por Jean-Louis Morin) - Colecção Wallace
Relógio de cornija de lareira, bronze, latão, esmalte e aço, c. 1775. (Atribuído a Étienne Maurice Falconet) - Colecção Wallace
Figuras de Grupo, porcelana pintada com esmaltes, 1830-1835. Figuras de porcelana usadas como enfeites de mesa em jantares de gala. Fabrica Derby. (Cópia de figuras modeladas em Sèvres (1756), por Falconet) - Museu Victoria e Alberto
Cavaleiro de Bronze, monumento a Pedro, o Grande. Bronze e granito, 1782. São Petersburgo, Russia - Instituto de Arte Courtauld

fontes:
http://www.britannica.com/EBchecked/topic/200696/Etienne-Maurice-Falconet
http://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_Maurice_Falconet
http://fr.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_Maurice_Falconet