sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cerâmica de Alcobaça

Prato, faiança monocromática azul sobre fundo branco. Peça ligada à renovação da faiança do século XX, inspirada em modelos do século XVII, diâmetro: 38cm. Produção da Olaria de Alcobaça (O.A.L.) - Museu Nacional do Azulejo
Marca, OAL/Portugal/NF

A produção cerâmica de Alcobaça, foi gerada por volta de 1875, com a instalação da Fábrica de José dos Reis, mestre-oleiro de Coimbra, que trouxe dessa cidade, técnicas e motivos decorativos como as paisagens com castelos e estátuas equestres à inglesa, que se divulgaram nas grandes produções industriais, como a Real Fábrica de Loiça de Sacavém. Com a aquisição da Fábrica de José dos Reis, em 1900, por Manuel Ferreira da Bernarda, assistiu-se ao desenvolvimento da produção, com o abastecimento do mercado local. Em meados do século XX, a fábrica assumida em 1900 por Manuel da Bernarda, passou a ser administrada por Raul da Bernarda, iniciando a venda de peças de cerâmica para o estrangeiro (Raul da Bernarda & Filhos Lda.").

Molheira, faiança decorada com esmaltes policromos, sobre fundo branco-bege. Século XX, alt. 13 cm; comp. 20,2 cm. Olaria Alcobaça Lda. - Museu dos Biscainhos
Prato, faiança moldada, esponjada e estampilhada em rosa. No centro um pagode e arvoredo, copiados das faianças inglesas do século XIX, diâmetro: 32,5cm.  Marcado com a Inscrição J. Reis, Fábrica de Loiça de Alcobaça, 1875-1897.  - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Travessa, faiança moldada, pintada, esponjada e estampilhada a azul, rosa, verde e manganês, medidas: 33cm x 26,5 cm. Marcada com M. F. B., Loiças de Alcobaça, 1900-1927 - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canudo, faiança moldada, pintada a azul e manganês, med: 37,5cm x 10,5cm. Marcado O.A.L., com a sigla de José Pedro, 1927-1947 - Canudo, faiança moldada, pintada a azul, amarelo, verde e manganês, medidas: 37,5cm x 10,5cm. Marcado O.A.L., com a sigla de José Pedro. 1927-1947 - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Em 1927, Silvino Ferreira da Bernarda, um dos seis filhos de Manuel Ferreira da Bernanda, e os dois irmãos António e Joaquim Vieira Natividade, criaram a empresa Olaria de Alcobaça, Lda. (O.A.L.). A partir dessa data, a Olaria de Alcobaça iniciou um autêntico período de renovação da produção cerâmica, desenvolvendo um produto que se dirigiu para a requalificação técnica e artística da cerâmica, em cópias de peças antigas e em apostas em  peças modernistas, especialmente até 1947. Um dos factores para a renovação da produção cerâmica, é o surgimento das peças de autor. O pintor naturalista Martinho da Fonseca (1890-1972) e o aguarelista Jorge Maltieira (1908-1994), foram os primeiros a assinar as suas peças. Posteriormente, verificou-se a estadia de pintores de cerâmica que assinaram as suas peças, como: Joaquim Natividade, Irene Natividade, Leonor Natividade, José Pedro, Silvino da Bernarda, Alberto Anjos, Arnaldo Marques e Noel Costa. 
Jarra, faiança rodada e pintada a azul, manganês, amarelo e verde, d. 1935, alt. 25,5cm. Marcado O. A. L Made in Portugal com a sigla de Noel Costa - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Jarra, faiança rodada e pintada a manganês, depois de 1935, alt. 32cm. Marcado O. A. L., com a sigla Alberto Anjos - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Prato, faiança rodada, pintada a azul e manganês, com motivos inspirados na cerâmica seiscentista de Lisboa, diâmetro: 45 cm. Marcado O. A. L. , com sigla de José Pedro. Prato, faiança rodada, pintada a azul e manganês, cm motivos inspirados na cerâmica seiscentista de Lisboa, diâmetro: 32 cm. Marcado O. A. L. Alcobaça - 1928, com a sigla de António Natividade - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Jarra, faiança rodada, pintada a azul, manganês e amarelo, com motivos copiados da cerâmica portuguesa do século XVIII, alt. 26 cm. Marcada O. A. L. com a sigla de Alberto Anjos - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Delimitando-se de uma produção de loiça comum, a Olaria de Alcobaça criou réplicas de peças  cerâmicas do séculos XVII, XVIII e XIX, tendo para o efeito realizado o desenho das peças existentes nas colecções dos principais museus. É comum a representação "compota de ginjas", pratos decorados com “rendas” e corações trespassados. Outras peças, igualmente pintadas a azul e branco, adoptaram como modelos cerâmicas de finais do século XVII e inícios do século XVIII, produzidas em Lisboa, com cercaduras de acanto e cenas centrais com veados, cães e paisagens com motivos arquitectónicos. Algumas peças iniciais da Olaria de Alcobaça, dita de cerâmica ornamental, apontam para uma renovação no tipo de objectos - jarras, potes, bases de candeeiros, pratos decorativos - e na súmula decorativa, naturalista, com fantasiosas elaborações de desenho. As formas fortemente simplificadas, com volumes esféricos e cilíndricos, podem abranger volumes rectos, prismáticos e piramidais. A decoração é envolvida por motivos vegetalistas, em registos naturalistas, envolvendo a totalidade das peças ou delimitando-as em barras bem traçadas, separadas pela policromia intensa ou escala dos motivos. 

Saladeira, faiança moldada, pintada a azul, verde e manganês, com motivos inspirados na produção lisboeta de Monte Sinai, medidas: 26,5cm x 21cm. Marcada O. A. L. - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Prato, faiança rodada, pintada e esponjada a azul, amarelo e manganês, com motivos inspirados na loiça de Coimbra ("ratinhos"), diâmetro: 33,5 cm. Marcado O. A. L.- Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Tinteiro, faiança modelada, pintada a azul, amarelo e manganês, medidas: 21cm x 17,5cm. Marcado O. A. L. Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canjirão, faiança rodada, pintada a azul, vermelho, amarelo, verde e manganês, alt. 23cm. Marcado O. A. L., com a sigla de José Pedro - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
As peças de produção lisboeta Monte Sinai, foram modelos muito apreciados, distinguindo-se pelo azul-forte em contraste com o branco. Já a cópia e interpretação das formas da  loiça “ratinho” – assim denominada por ser vendida a preços módicos aos trabalhadores das Beiras, que se deslocavam sazonalmente para o sul do país para auxiliarem nas actividades agrícolas - com origem em Coimbra, com grande circulação em finais do século XIX e início do século XX, dará origem a peças de gosto e manufactura popular de poderosa expressividade.
Nos últimos anos da década de 1930 e nos primeiros anos de 1940, as peças da Olaria de Alcobaça foram bem sucedidas junto dos mercados brasileiro e americano, declinando a partir de 1948, quando as imposições dos encomendeiros prevaleciam e não se impunham modelos estéticos com qualidade. 


Prato com mulher tocando guitarra, faiança "ratinho"; diâmetro: 28,5cm. Local de execução, Coimbra. Século XIX-XX - Museu da Música
Prato com tocador de viola, faiança "ratinho"; diâmetro: 27,7 cm. Local de execução, Coimbra. Século XX - Museu da Música

Bacia de barba, faiança rodada, pintada a azul, amarelo, verde e manganês, diâmetro 26 cm - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura
Canjirão, faiança rodada, estampilhada a manganês, c. 1935, alt. 18,5cm - Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

Em 1959, João da Bernarda, aplicou na Olaria de Alcobaça os ensinamentos estéticos de cerâmica artística, aprendidos em Paris, e arrisca uma linha de objectos decoraticos, que foram expostos na 1ª Feira Industrial de Lisboa. Os  objectos expostos distanciaram-se claramente do protótipo português e popular, bastante diferente do que se viria a designar por loiça de Alcobaça. Fundada em 1927, a empresa O.A.L. veio a encerrar em 1984.
Outras fábricas de cerâmica tentaram igualmente estratégias que prolongaram a produção manufacturada, insistindo na decoração em pintura manual – hand painted – garantindo um fazer artesanal. A loiça de Alcobaça produzida até aos nossos dias, afirma-se na cópia de modelos antigos, e a repetição de formas e motivos decorativos soltos,  juntando policromias de azuis e amarelos ou de verdes e rosas.

Jarra, faiança rodada, policromada, séc. XX, alt. 37cm, com motivos vulgarizados da loiça de Alcobaça. 

Marca no fundo da jarra
Marcas da Fábrica José Reis, aqui
Marcas e siglas usadas entre 1900 e 1940, aqui

A Raul da Bernarda & Filhos Lda. com mais de um século de actividade e expansão,  comemorou o ano 2000 com a abertura de um Museu. Nele estão representadas mais de uma centena de peças que demonstram os estilos artísticos desenvolvidos na fábrica, desde 1900 até 1970. Em Maio de 2008, a empresa fechou as portas e iniciou o processo da insolvência.


Cachepot, faiança, alto relevo, c. 1980, alt. 14 cm. Raul da Bernarda
Marca no fundo do cachepot, empresa Raul da Bernarda


Marca empresa Raul da Bernarda, aqui
Marca da empresa Raul da Bernarda e Filhos, aqui
Peças de cerâmica  da produção da Raul da Bernarda

O Museu Raul da Bernarda acolhe algumas das mais belas e representativas peças da produção da “Raul da Bernarda & Filhos, Lda”. Podemos admirar a Faiança Portuguesa do último século e também a Faiança de Alcobaça.




Fontes:

Museu Nacional do Azulejo (2001). Cerâmica de Alcobaça de João da Bernarda [1875-1947]. Ministério da Cultura

http://www.nazarefm.com/nfm/index.php?option=com_content&view=article&id=509:alcobaca--camara-compra-museu-da-ex-fabrica-de-ceramica-raul-da-bernarda&catid=5:alcobaca&Itemid=22

http://www.oestecim.pt/custompages/ShowPage.aspx?pageid=94d854ee-8f3e-4cc7-abe3-2b2f99f179de

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Biografia da pintora Berthe Morisot

Berthe Morisot. Foto de Félix Nadar (1820-1910) - Abstração Coletiva

 Dia 14 de Janeiro (aqui)


Berthe Morisot (Bourges, 14 de Janeiro de 1841 — Paris, 2 de Março de 1895) foi uma pintora impressionista francesa. 
 
Retrato de Berthe Morisot, óleo sobre tela, c. 1873. Pintura de Edouard Manet (1832-1883) - Museu de Arte Cleveland
Retrato de Berthe Morisot, óleo sobre tela, 1874. Pintura de Edouard Manet - Palácio de Belas Artes de Lille
Berthe era filha de uma família da nobreza e foi educada no gosto por as artes e a música (neta do importante pintor rococó Jean-Honoré Fragonard). Decidiu ser artista muito cedo, o seu interesse e dedicação foram constantes, apesar dos protestos da família e amigos. Iniciou a sua formação pictórica juntamente com a irmã Edma, em Paris (1852), quando a família se fixou nesta cidade. Em 1858, Berthe e Edma estudaram algumas das obras expostas no Museu do Louvre, onde conheceram Henri Fantin-Latour e Félix Bracquemond. Entre 1861 e 1868, as duas irmãs foram alunas de Camille Corot Jean-Baptiste, no seu estúdio em Ville d'Avray. Incentivadas por Corot, começaram a aplicar a técnica de pintura ao ar livre, uma prática raramente assumida por pintores do sexo feminino no século XIX. A esse período de intensa aprendizagem seguiram-se viagens por Espanha e Inglaterra. A sua irmã Edma mudou-se para a cidade de Lorient, na costa da Bretanha após o seu casamento com o oficial da marinha Adolfo Pontillon, em 1869. Berthe visitou frequentemente a irmã e retratou-a em inúmeras pinturas, aguarelas e desenhos.

A mãe e a irmã da pintora, óleo sobre tela, 1869/70 - Galeria Nacional de Arte

O porto de Lorient, óleo sobre tela, 1869 - Galeria Nacional de Arte
Na varanda, aguarela com toques de guache sobre grafite em papel teceu, 1871-72 - Instituto de Arte de Chicago
O berço (madame Pontillon, nascida Edma Morisot (1839-1921), irmã da artista e a sua filha Blanche), óleo sobre tela, 1872 - Museu d'Orsay
Leitura, óleo sobre tela, 1873 - Museu de Arte Cleveland
Em 1868, Berthe conheceu Édouard Manet, que viria a exercer uma enorme influência sobre o seu trabalho. Daí em diante, Manet e Morisot mantiveram uma estreita relação artística para o resto das suas vidas, incentivando-se com o casamento de Berthe com Eugène Manet, o irmão do pintor, em 1874. Édouard Manet fez vários retratos dela, por sua vez Berthe, despertou nele o interesse pela pintura ao ar livre. 
A pintora exibiu pela primeira vez, no importante Salão de Paris (1864), patrocinado pelo governo. O seu trabalho foi seleccionado para exposição em seis salões posteriores, até que, abandona o Salão Oficial de 1874 para se juntar ao grupo liderado por Monet, Sisley, Renoir e participar com eles na primeira exposição (sob o nome de Artistas Anónimos Associados). A inauguração ocorreu em 15 de Abril de 1874, 15 dias antes da abertura do Salão oficial, no estúdio do fotógrafo Félix Nadar. O ano de 1879, ficou marcado pelo nascimento da filha do casal, Julie Manet, no mês de Abril. 
A pintora realizou uma série de viagens de estudo pela Itália, Países Baixos e Bélgica. As suas obras foram apresentadas em Nova Iorque (1886), e posteriormente na Exposição Internacional de Paris. 

Jovem fazendo a  toilette, óleo sobre tela, 1877 - Museu d'Orsay
Dia de Verão, óleo sobre tela, c. 1879 - Galeria Nacional de Londres
Jovem fazendo tricôt, óleo sobre tela, 1883 - Museu Metropolitano de Arte
Júlia filha da pintora, com a sua nany, óleo sobre tela, 1884 - Instituto de Arte Minneapolis
Duas meninas numa varanda no lago do Jardim Tuileries, Paris, aguarela e lápis sobre papel, 1885 - Galeria Nacional da Dinamarca
A leitura, óleo sobre tela, 1888 - Museu de Belas Artes da Flórida
Eugène Manet com a sua filha Julie - Museu Marmottan Monet
As pinturas de Berthe Morisot reflectem as restrições culturais da sua classe, no século XIX. Ela evitou cenas urbanas e de rua, preferindo cenas da vida doméstica, em que ela usava a família e amigos pessoais como modelos.  Ao pintar figuras no exterior, tentou conseguir a mesma aparência informal e espontânea das aguarelas e pastéis. A paleta de luz e a modelagem da forma com toques de cor são características que se podem observar na tela " Jovem fazendo tricôt ", de 1883. A sua obra inclui paisagens, retratos, representações de jardins e cenas de barcos. Ganhou a admiração dos seus colegas impressionistas, mas a sua obra foi ridicularizada por muitos críticos. 
Berthe mantinha um relacionamento estreito com os pintores impressionistas, realizando reuniões frequentes em sua casa, com artistas e intelectuais da época. Mulher de uma grande cultura e charme, entre os seus amigos, Stéphane Mallarmé, Edgar Degas, Charles Baudelaire, Émile Zola, Emmanuel Chabrier, Renoir e Monet. Após a morte de Édouard Manet, em 1883, organizou uma exposição em sua homenagem, com a ajuda de Claude Monet e Émile Zola em 1895.
Berthe Morisot morreu de pneumonia no dia 2 de Março de 1895, em Paris, e legou a maioria dos seus trabalhos aos seus colegas artistas: Degas, Monet e Renoir. Foi enterrada no jazigo de Manet no Cemitério Passy. 
No primeiro aniversário da sua morte, foi realizada uma retrospectiva na Galeria Paul Duran-Ruel.

Pastora deitada, óleo sobre tela, 1891 - Museu Thyssen-Bornemisza
Jeanne Pontillon, aguarela sobre grafite em papel teceu, c. 1893- Instituto de Arte de Chicago
Jovem num parque, óleo sobre tela, 1888-1893 - Museu de Belas Artes de Toulouse
O penteado, óleo sobre tela, 1894 - Museu Nacional de Belas Artes, Argentina
Cabeça de Julie Manet, filha da pintora, bronze, c. 1886 - Museu de Arte da Carolina do Norte
  Foto de Julie Manet, filha de Berthe Morisot e Eugène Manet (1878-1966)
Retrato de Berthe Morisot, gravura, ponta seca, séc. XIX. Marcelin Gilbert Desboutin (1823-1902) - INHA

Fontes:
http://www.nga.gov/home.htm
http://fr.wikipedia.org/wiki/Berthe_Morisot
http://www.britannica.com/EBchecked/topic/392419/Berthe-Morisot
http://en.wikipedia.org/wiki/Berthe_Morisot

sábado, 12 de janeiro de 2013

Biografia do pintor Jean Béraud

Auto-retrato, óleo sobre tela, c. 1909


 Dia 12 de Janeiro (aqui)



Jean Béraud (São Petersburgo, Rússia, 12 de Janeiro de 1849 - Paris, França, 4 de Outubro de 1935) foi um pintor impressionista francês.
No momento do nascimento de Béraud e da sua irmã gémea Melanie, os pais viviam na Rússia, acompanhados das filhas Adrienne e Estelle. O pai, o escultor também chamado Jean Béraud, faleceu em 1853 e a sua viúva, Geneviève Eugénie Jacquin, mudou-se para Paris com os quatro filhos. 
Béraud iniciou os estudos no Liceu Bonaparte (actual Liceu Condorcet) e depois na Faculdade, mas foi obrigado a interrompê-los para tomar parte na defesa de Paris em 1870. Após a Guerra Franco-Prussiana, iniciou os estudos de pintura na Escola de Belas Artes, onde seguiu as aulas do famoso retratista Léon Bonnat. O pintor trabalhou inicialmente em retratos, encomendados nos salões elegantes de que era frequentador. No final da década de 70, voltou-se para representações da vida diária parisiense do século XIX, combinando a veracidade da observação com uma nota de humor. Tornou-se amigo dos artistas Eduardo Manet (1832-1883), Edgar Degas (1834-1917), Augusto Rodin (1840-1917) e do escritor Marcel Proust ( 1871 - 1922).

A Espera, óleo sobre tela, entre 1848-1935 - Museu d'Orsay
Domingo na Igreja de Saint-Philippe-du-Roule, Paris, óleo sobre tela, 1877 - Museu Metropolitano de Arte
Une Soirée, óleo sobre tela, 1878 - Museu d'Orsay
 La Soirée, óleo sobre tela, 1880 - Museu Carnavalet
Cena numa rua parisiense, óleo sobre painel, 1885 - Museu Metropolitano de Arte
O funeral de Victor Hugo, praça l'Etoile ( 1 de Junho de 1885), óleo sobre madeira - Museu Carnavalet
Entrada da Exposição Universal de 1889, óleo sobre madeira - Museu Carnavalet
Nos bastidores da Ópera de Paris, óleo sobre madeira, 1889 - Museu Carnavalet
Pastelaria Gloppe, óleo sobre tela, 1889 - Museu Carnavalet
Teatro Vaudeville, óleo sobre madeira, 1889 - Museu Carnavalet
Béraud exibiu as suas pinturas no Salão Oficial pela primeira vez em 1872, no entanto, só ganhou reconhecimento em 1876, com a obra Retorno do funeral. Mais tarde, em 1882, estudou com o famoso impressionista francês, Henri de Toulouse-Lautrec. As técnicas artísticas utilizadas por Béraud, em particular ao elaborar Café concerto, tornaram-se mais tarde clássicas da pintura.  
Jean Béraud tornou-se cavaleiro da Legião de Honra em 1887, mais tarde, em 1894, recebeu o título de Oficial da Ordem da Legião de Honra. Foi premiado com a medalha de ouro da Sociedade dos Artistas Franceses em 1889, e no mesmo ano, recebeu a medalha de ouro da Exposição Mundial em Paris.
Na década de 1890 o artista começou a pintar cenas religiosas criadas em ambientes contemporâneos.  No Salão de Paris em 1891, Béraud mostrou a obra "Madalena em casa do fariseu". Esta obra causou um escândalo, por as personagens estarem vestidas com roupas da época. Muito dinâmico no campo da arte, foi membro fundador da Sociedade National de Belas Artes, na companhia de Rodin.  
Jean Béraud nunca casou nem teve filhos. Foi enterrado em Montparnasse ao lado de sua mãe e da sua irmã gémea Melanie (1849-1927).

Madalena em casa do fariseu, óleo sobre tela, 1891 - Museu d'Orsay
Figaro Ilustrado, (mulher comendo castanhas assadas numa rua da cidade, França), ilustração, 1890 - Galeria Digital de Nova Iorque

Capa para Figaro Ilustrado, L'Opéra : numéro spécial 59, ilustração, 1895 - Biblioteca Nacional de França
Capa para o Figaro Ilustrado de Maio de 1893, ilustração - Biblioteca Nacional de França
Saída dos trabalhadores da casa Paquin, óleo sobre madeira, c. 1900 - Museu Carnavalet
Saída do Liceu Condorcet, óleo sobre tela, 1903 - Museu Carnavalet
O Chalet dos ciclistas no bosque de Bolonha, óleo sobre tela, c. 1900 - Museu Carnavalet
O café Absinto, óleo sobre tela, 1909 - Museu Carnavalet
Três pessoas num café, óleo sobre tela, 1910 - Museu Carnavalet
 A primeira mulher na Faculdade de Medicina de Paris (Elisabete Garrett Anderson), pintura, século XIX - Biu Santé

fontes:

- http://www.tate.org.uk/art/artists/jean-beraud-741
- http://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%91%D0%B5%D1%80%D0%BE,_%D0%96%D0%B0%D0%BD