segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O cinema português em cartaz

Cartaz do filme A Rosa do Adro (1919), drama. Adaptado da obra de Manuel Maria Rodrigues. Realização de Georges Pallu (filme mudo) - Cinema Português, UBI

A história do Cinema Português, foi revigorada com a criação de um centro produtor de filmes, a Invicta Film Limitada, fundada por Alfredo Nunes de Matos, em 1917, na cidade do Porto. Ganharam especial destaque algumas das suas produções, como A Rosa do Adro (1919), adaptado da obra de Manuel Maria Rodrigues, Amor de Perdição (1921), adaptado da novela de Camilo Castelo Branco, Os Fidalgos da Casa Mourisca (1921), adaptado do romance de Júlio Dinis, todos eles com realização de Georges Pallu. Amplas camadas de público foram atraídas para o cinema, satisfazendo assim, o lema da produtora de filmes. Em 1931, todos os haveres da Invicta Film foram a leilão, o estúdio foi demolido e a firma não voltou a funcionar.

Cartaz do filme Amor de Perdição (1921), drama. Adaptado na novela de Camilo Castelo Branco. Realização de Georges Pallu (filme mudo). Primeiro filme Português a ser distribuído comercialmente nos Estados Unidos - Cinema Português, UBI
 
Cartaz do filme Maria do Mar (1930), drama. Realização de Leitão de Barros (filme mudo) - Cinema Português, UBI
 
Cartaz do filme A Severa (1931), drama. Adaptado da obra de Júlio Dantas. Realização de Leitão de Barros. Primeiro filme sonoro português - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme As Pupilas do Senhor Reitor (1935), romance. Adaptado do romance de Júlio Dinis. Realização de Leitão de Barros - Cinema Português, UBI
Os anos 30/40, denominados como a Época de Ouro do Cinema Português, foram o auge da comédia nacional. Os portugueses riam com os seus actores favoritos, entre eles António Silva, Vasco Santana, Ribeirinho e Beatriz Costa. As multidões invadiam os cinemas, para ver fitas como A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo, Maria Papoila (1937), de Leitão de Barros, Aldeia da Roupa Branca (1939), de Chianca de Garcia, O Pai Tirano (1941), de António Lopes Ribeiro, O Pátio das Cantigas (1942), de Francisco Ribeiro (Ribeirinho), O Costa do Castelo (1943) e A Menina da Rádio (1944), de Artur Duarte, A Vizinha do lado (1945), de António Lopes Ribeiro, O Leão da Estrela (1947) e O Grande Elias (1950), de Artur Duarte.

Cartaz do filme A Canção de Lisboa (1933), comédia. Realização de Cottinelli Telmo. Este filme foi totalmente realizado por portugueses (no cartaz, à esquerda sobre o fundo cor de rosa, a assinatura de Almada Negreiros) - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Aldeia da Roupa Branca (1939), comédia. Realização de Chianca de Garcia - Associação para a Promoção do Cinema Português

Cartaz do filme Aniki-BóBó (1942), drama. Realização de Manoel de Oliveira - Cinema Português, UBI
 
Cartaz do filme Ala-Arriba (1940), drama. Realização de Leitão de Barros. Segundo informação do SPN, foi o primeiro filme português premiado no estrangeiro, Taça Bienalli em Veneza, 1942 - Cinema Português, UBI
Outro tipo de filme ficaria para sempre na memória dos portugueses,  Maria do Mar (1930), filme mudo, de Leitão de Barros – um documentário romanceado da vida dos pescadores da Nazaré, que dava a conhecer a realidade portuguesa. Em 1931, o cinema torna-se sonoro e falante. A Severa (1931), de Leitão de Barros, baseado na obra de Júlio Dantas, foi o primeiro filme falado e cantado em português. A sonorização seria feita em Paris, nos estúdios de Epinay. O filme obteria um sucesso extraordinário, o público entregara-se definitivamente ao cinema sonoro. 
 
Folha de música do filme O Pátio das Cantigas (1942)Eden Teatro. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais - Museu Nacional do Teatro
Com a criação da Tobis Portuguesa (1932), o cinema português iniciou uma nova e promissora fase. O filme Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo, foi enfim, totalmente realizado em Portugal. As Pupilas do Senhor Reitor (1935), adaptado do romance de Júlio Dinis, com realização de Leitão de Barros, teve grande sucesso junto do público. O filme foi louvado pela Inspecção dos Espectáculos como “uma bela expressão da arte nacionalista”. À época, foi o maior êxito comercial depois de " A Severa".
O Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), foi criado pelo Estado Novo em 1934, tendo-lhe sucedido o Secretariado Nacional de Informação (SNI), em 1945. Estes organismos eram responsáveis pela área de informação, comunicação social e acção cultural. 

Cartaz do filme Sonho de Amor (1945), ficção. Realização de Carlos Porfírio- Cinema Português, UBI
Cartaz do filme A Vizinha do Lado (1945), comédia. Realização de António Lopes Ribeiro .
Cartaz do filme O Leão da Estrela (1947) comédia. Realização de Arthur Duarte - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Fado, História d'uma Cantadeira (1948), drama. Realização de Perdigão Queiroga. O filme foi um dos maiores sucessos de bilheteira - Cinema Português, UBI
Na década de 40, foram produzidas cerca de quarenta e cinco longas-metragens, na linha dos projectos para o grande público. No Porto, realizasse a importante produção nacional Aniki-BóBó, inspirado num conto de Rodrigues de Freitas. Esta primeira longa-metragem ficcional de Manoel de Oliveira, totalmente rodada na cidade do Porto, ficou concluída no final de 1942. Quando da estreia, o filme seria incompreendido e apelidado de excessivamente poético - o filme viria a ser reproduzido pelo Cineclube do Porto, em 1954, sendo para muitas pessoas, uma agradável surpresa. 

 
Cartaz do filme Cantiga da Rua, comédia. Realização de Henrique Campos - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Frei Luis de Sousa (1950), drama. Baseado na peça teatral de Almeida Garrett. Realização de António Lopes Ribeiro - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Saltimbancos (1951), drama. Realização de Manuel Guimarães. Prémio do SNI para a melhor fotografia-Salazar Dinis - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Mudar de Vida (1966), drama. Realização de Paulo Pocha. Premiado em 1966, no Festival de Veneza, e em 1967, com o Prémio da Casa da Imprensa - Melhor Filme e com o 2º Prémio João Ortigão Ramos. – Cinema Português, UBI
Amália Rodrigues aparece como protagonista no cinema em Capas Negras (1947), de Armando de Miranda e Fado, História d'uma Cantadeira (1948), de Perdigão Queiroga. O segundo filme, com enredo sentimental, excelente montagem e fados cantados por Amália, foi dos maiores sucessos de bilheteira, superando as tão apreciadas comédias.
O cinema inicia um novo caminho ao ser avaliado na sua componente estética, com a criação da Cinemateca Portuguesa (1944), no âmbito do SNI, sobre a direcção de Manuel Félix Ribeiro, e com a fundação do Clube Português de Cinematografia (Cineclube do Porto), em 1945. Por volta do ano de 1956, existiam mais de 30 cineclubes em actividade, assistindo-se a um crescente interesse pela arte cinematográfica.

Cartaz do filme Belarmino (1964), documentário/drama. Realização de Fernando Lopes. É considerado um dos filmes chave do cinema português. Premiado em 1964, com o Prémio do SNI para a Melhor Fotografia (Augusto Cabrita), Prémio da Casa da Imprensa/Cinema para a Melhor Realização e em 1968, com o Prémio Molins de Rey (Espanha) - Cinema Português,UBI
 
Cartaz do filme O Cerco (1969), ficção. Realização de António da Cunha Telles. Apresentado no Festival de Cannes, obteve êxito comercial e foi distinguido com alguns prémios oficiais - Cinema Português,UBI
Cartaz do filme Nós Por Cá Todos Bem (1978), documentário/ficção. Realizado por Fernando Lopes - Cinema Português, UBI

Cartaz do filme O Rei das Berlengas (1978), comédia. Realização de Artur Semedo. Premiado em 1978, no 7º Festival de Cinema da Figueira da Foz e em La Coruña, Espanha - Melhor Realização e Melhor Interpretação (Mário Viegas). - Cinema Português, UBI

Nas adaptações literárias, Frei Luis de Sousa (1950) - baseada na peça de teatro de Almeida Garrett -, de António Lopes Ribeiro, cativou numeroso público, sensível a histórias comoventes. A fita etnográfica Ala-Arriba (1942), de Leitão de Barros, foi premiada com a Taça Bienalli em Veneza. No decorrer dos anos 50, o cinema perde alguma da qualidade das décadas anteriores. No entanto, o primeiro sinal de mudança vem de Manuel Guimarães, com o filme Saltimbancos (1951), onde acentuará o já assumido estilo neo-realista. O filme foi distinguido com o prémio do SNI para a melhor fotografia (Salazar Dinis).

Cartaz do filme Veredas (1978), fantástico/lendas. Realização de João César Monteiro- Cinema Português, UBI
Cartaz do filme O Principe com Orelhas de Burro (1980), ficção. Adaptado do romance de José Régio, com realização de António de Macedo - Cinema português, UBI
Cartaz do filme Kilas, o Mau de Fita (1980), crime/drama. Realização de José Fonseca e Costa. Premiado em 1980, Biarritz - Makhila d'Honneur, e em 1981, com o Grande Prémio do IPC - Instituto Português de Cinema. - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Cerromaior (1981), drama. Adaptado da obra de Manuel da Fonseca. Realização de Luis Filipe Rocha - Cinema Português, UBI
Pela década de 60, surge o moderno cinema português, representado em festivais e premiado: Belarmino (1964) de Fernando Lopes, foi premiado em 1964, com o Prémio do SNI para a Melhor Fotografia (Augusto Cabrita), Prémio da Casa da Imprensa/Cinema para a Melhor Realização e em 1968, com o Prémio Molins de Rey (Espanha). Mudar de Vida , de Paulo Rocha, foi premiado em 1966, no Festival de Veneza, e em 1967, com o Prémio da Casa da Imprensa - Melhor Filme e com o 2º Prémio João Ortigão Ramos. O Cerco (1969), de António da Cunha Telles, foi apresentado no Festival de Cannes, obteve êxito comercial e foi distinguido com alguns prémios oficiais. Muitas das películas cinematográficas intemporais, adquiriram um renovado encanto graças à televisão.

Cartaz do filme Deus, Pátria, Autoridade (1977), documentário. Realização de Rui Simões - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Silvestre (1981), conto tradicional/ fantástico. Realização de João César Monteiro. Foi apresentado em 1981, no Festival de Veneza - selecção oficial (Itália)  - Cinema Português, UBI

Cartaz do filme Recordações da Casa Amarela (1989), ficção. Realização de João César Monteiro. Distinguido com o Leão de Prata, no Festival de Veneza, com o Grande Prémio Especial do Júri, no Festival de Dunquerque, em 1995, e com o Prémio FIPRESCI-Federação Internacional de Críticos de Cinema, no Festival de Montevideu, Uruguai, em 1997. - Cinema Português, UBI

Nos anos 70, o filme Veredas (1978), de João César Monteiro é apresentado em Febiofest, Praga (República Checa, 2004) na Sala Truffaut di Modena (Itália, 2007), no Brasil e em Praga (2011).  O Rei das Berlengas (1978), de Artur Semedo, é premiado em 1978, no 7º Festival de Cinema da Figueira da Foz e em La Coruña, Espanha - Melhor Realização e Melhor Interpretação (Mário Viegas). O filme Deus, Pátria, Autoridade (1977), de Rui Simões, foi um dos marcos do filme político da época.
O cinema português passou por um período de projectos estéticos demasiado arrojados, conquistando no entanto, a nível internacional, uma imagem de prestígio.  
 

Cartaz do filme Fio do Horizonte (1993). Realização de Fernando Lopes. Premiado em 1993, no Festival de Cinema de Amiens, em França, com os Prémios para Melhor Filme, Melhor Direcção Artística e Melhor Actor - Claude Brasseur - Associação para a Promoção do Cinema Português
Cartaz do filme Três Irmãos (1994), drama. Realização de Teresa Villaverde - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Longe da Vista (1998), drama. Realização de João Mário Grilo - Cinema Português, UBI

Cartaz do filme Costa dos Murmúrios (2004). Realização de Margarida Cardoso. Adaptado do romance de Lídia Jorge. Festivais e Prémios: 2004 - Mannheim-Heidelberg International Filmfestival – Menção Especial; 2005 - Globos de Ouro, Portugal – Melhor Actriz (Beatriz Batarda); 2005 - Caminhos do Cinema Português, Portugal – Melhor Filme - Cinema Português, UBI
Os anos 80/90, trouxeram a consagração internacional da obra de Manoel de Oliveira, e o reconhecimento da existência de um cinema nacional, com obras de sucesso comercial, confirmado pela adesão do público português. 
O filme Kilas, o Mau da Fita  (1980), de José Fonseca e Costa, foi premiado em 1980, Biarritz - Makhila d'Honneur, e em 1981, com o Grande Prémio do IPC - Instituto Português de Cinema. Recordações da Casa Amarela (1989), de João César Monteiro, foi distinguido com o Leão de Prata, no Festival de Veneza, com o Grande Prémio Especial do Júri, no Festival de Dunquerque, em 1995, e com o Prémio FIPRESCI-Federação Internacional de Críticos de Cinema, no Festival de Montevideu, Uruguai, em 1997. Três Irmãos (1994), de Teresa Villaverde, foi premiado em 1994, no Festival de Veneza, com o Prémio Melhor Actriz (Maria de Medeiros), no Festival de Cancún, com o Prémio Melhor Actriz, Tigre de Ouro, e em 1995, no Festival de Montréal, Loba de Ouro. O filme O Fio do Horizonte (1993), de Fernando Lopes, foi premiado em 1993, no Festival de Cinema de Amiens, em França, com os Prémios para Melhor Filme, Melhor Direcção Artística e Melhor Actor - Claude Brasseur. Foi ainda atribuída uma Menção Especial da OCIC/Organização Católica Internacional do Cinema, no mesmo festival.
 

Cartaz do filme Aquele Querido Mês de Agosto (2008), romance. Realização de Miguel Gomes. Festivais e Prémios: 15º Festival Internacional de Cinema de Valdivia [Chile, 2008]: Melhor Filme Internacional e Prémio da Crítica; Retrospectiva Miguel Gomes [Áustria, 2008]: Prémio FIPRESCI; 32º Festival Internacional de Cinema de São Paulo [Brasil, 2008]: Prémio da Crítica para Melhor Filme; 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira [Portugal, 2008]: Prémio Especial do Júri, Prémio da Crítica, Prémio do Público, Prémio dos Cineclubes; Festival Internacional de Cinema de Las Palmas [Gran Canaria – Espanha, 2009]: Prémio Lady Harimaguada de Prata, Prémio José Rivero para Melhor Jovem Realizador;14ª Gala dos Globos de Ouro SIC/ Caras [Portugal, 2009]: Melhor Filme; Filminho – Festa do Cinema Galego e Português [Portugal, Espanha, 2009]: Grande Prémio Filminho;11º BAFICI – Festival Internacional de Cinema de Buenos Aires, Retrospectiva Miguel Gomes [Argentina, 2009]: Melhor Filme (Competição Oficial Internacional) - Cinema Português, UBI; O Som e a Fúria


Cartaz do filme O que há de Novo no Amor (2011), drama. Realização de Hugo Alves; Hugo Martins; Mónica Santana Baptista; Patrícia Raposo; Rui Santos (II); Tiago Nunes. Festivais e Prémios : 2011 - IndieLisboa: Prémio TAP para a Melhor Longa-Metragem Portuguesa ; 2011 - Festival Raindance, Londres: competição oficial. 2011 - Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Brasil) ; 2011 - Festival de Cinema Português de Toronto (Canadá) ; 2011 - 15º Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira (Portugal) - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme América (2010), comédia/drama. Realização de João Nuno Pinto. Prémio Revelação e Prémio Melhor Actor para Fernando Luís no Festival Caminhos do Cinema Português - 2011 - Cinema Português, UBI
Cartaz do filme Tabu (2012), drama/romance. Realização de Miguel Gomes. Festivais e Prémios : 2012 - 62º Festival Internacional de Cinema de Berlim – Selecção Oficial em Competição: Prémio Alfred Bauer; Prémio da Critica FIPRESCI (Alemanha) ; 2012 - Festival Internacional de Cinema de Las Palmas (Gran Canaria – Espanha): Prémio Lady Harimaguada de Prata, Prémio do Público ; 2012 - 36º Festival Internacional de Cinema de Hong Kong ; 2012 - CPH:PIX (Dinamarca); 2012 - BAFICI (Argentina); - 2012 - 11º Festival Internacional da Transilvânia (Roménia) - Cinema Português, UBI

Cartaz do filme A Gaiola Dourada (2013). Realização do português Ruben Alves. Filme mais visto do ano, nos cinemas portugueses.

Fontes:

http://cvc.instituto-camoes.pt/cinema/index1.html

http://www.amordeperdicao.pt/

http://www.cinemateca.pt/Entrada.aspx
 
http://cvc.instituto-camoes.pt/cinema/index1.html
 
http://www.instituto-camoes.pt/
Biblioteca -digital

domingo, 25 de agosto de 2013

O Incêndio do Chiado - antes e depois

"O Grande Incêndio do Chiado" - TSF

Na madrugada do dia 25 de Agosto de 1988, Lisboa acordou perplexa, perante um fumo negro que cobria parte da zona histórica do Chiado, uma das mais nobres da Baixa Pombalina.

O alarme foi transmitido para a central do R.S.B. (Regimento de Sapadores Bombeiros) e registado manualmente às 05h19m. Ao chegar ao local, os bombeiros depararam com um violento incêndio nos armazéns “Grandella” - edifício com oito pisos, desde a Rua Áurea à Rua do Carmo -, construído no inicio do século XX por Francisco Grandela (1853-1934), e renovado posteriormente.

 
Armazéns Grandella - Edifício de 1907, construído segundo o gosto "Art Noveau", por Francisco de Almeida Grandella, na Rua Áurea e Rua do Carmo.
 
Armazéns do Grandella, Rua do Carmo (1955-1970). Foto de Artur Pastor (negativo de gelatina e prata em acetato de celulose) - Arquivo Municipal de Lisboa
 
Perspectiva conjectural do território da Pedreira nos finais do século XIII. Vê-se no primeiro plano, ao centro, o Convento do Espírito Santo da Pedreira (mais tarde, Palácio dos Barcelinhos / Grandes Armazéns do Chiado); em frente, em direcção ao Poente, a estrada de Santos (a Rua Garrett de hoje); à esquerda o Convento de São Francisco e os Mártires; mais ao longe o paço que foi dos Condes de Ourém; à direita o Estudo Geral (liceu); ao fundo, à esquerda o Convento da Trindade. Desenho de Alberto Sousa -  Arquivo Municipal de Lisboa
 
Fachada do Convento do Espírito Santo, pós-terramoto 1755 (mais tarde Grandes Armazéns do Chiado), situado na confluência da Rua Garrett com a Rua Nova do Almada.  Desenho do século XIX. Foto de Armando Serôdio - Arquivo Municipal de Lisboa
Desenho da Fachada principal do Palácio Barcelinhos em 1912. Processo de obras nº 495. A antiga frontaria da igreja sofreu grandes alterações quando da transformação deste Convento em Palácio. Arquivo Histórico Municipal (legendas da foto em cima).         Palácio dos Barcelinhos. Fachada da rua Nova do Almada. Foto de 1880. No final do século XIX, estava instalado no Palácio o Hotel Gibraltar e algumas lojas do piso térreo. Museu da Cidade (legendas da foto em baixo). Lisboa: Revista Municipal, nº 25, pág. 42, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa


Grandes Armazéns do Chiado e Hotel de l'Éurope, 1910. Foto de Joshua Benoliel (negativo de gelatina e prata em vidro), na Rua do Carmo - Arquivo Municipal de Lisboa.      Manuel José de Oliveira (1774-1847), conseguiu o titulo de Barão dos Barcelinhos, por  mercê da rainha D. Maria II. Ao adquirir o Convento do Espirito Santo da Pedreira em 1836, o Barão reservou para sua habitação o piso térreo e o andar nobre do edifício, deixando os restantes espaços para instalações diversas como:  Hotel dos Embaixadores, antes de 1845; Hotel de l'Europe, 1842-1912; Hotel Gibraltar. Em 29 de Setembro de 1880, uma parte do Palácio Barcelinhos foi atingido por um incêndio. Depois da reconstrução das partes danificadas, instalou-se em 1899, no edifício, os Grandes Armazéns do Chiado. Em 1927, a família Nunes dos Santos compra aos herdeiros do Barão de Barcelinhos, o edifício dos Grandes Armazéns do Chiado. O incêndio de 25 de Agosto de 1988, deixou pouco mais do que as paredes mestras do Convento do Espírito Santo.   Lisboa: Revista Municipal, nº 25, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa                                      
Grandes Armazéns do Chiado, Grandella e ponte do Elevador de Santa Justa, 1965. Foto de Armando Serôdio - Arquivo Municipal de Lisboa

Em poucos minutos (05h45m) as chamas atingiram os “Grandes Armazéns do Chiado” – edifício com cinco pisos, desde a Rua do Crucifixo à Rua do Carmo -, comprado pela família Nunes dos Santos aos herdeiros do Barão de Barcelinhos, no início do século XX.


Todas as corporações das várias unidades de bombeiros de Lisboa e zonas limítrofes, afluíram ao local. As edificações da Rua Nova do Almada e Rua Garrett, ficaram rapidamente cercadas pelo fogo (08.00h-09.00h). Os grandes armazéns Grandella e Chiado assolados pelas chamas, denunciavam uma tragédia de grandes proporções.

Publicidade, cerca de 1960. Armazéns do Chiado (arquivo "comjeitoearte)".

Apresentação de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1946. VIEIRA, Joaquim - Portugal século XX. Lisboa: Bertrand, 2007.




Um aspecto da passagem de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1942. Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942.  


Uma tarde elegante nos Grandes Armazéns do Chiado

Num ambiente de grande distinção,com a assistência de muitas figuras em evidencia na sociedade elegante, realizou-se, no salão de chá dos Grandes Armazéns do Chiado, uma passagem de modelos para apresentação das mais recentes criações da moda. 
O exito foi verdadeiramente  excepcional. Todos os modelos apresentados despertaram o mais vivo interêsse, pela sua originalidade, bom gôsto e inexcedível elegância, destacando-se, entre os que mais agradaram, um a que foi dada a designação de "Chiado". (...) - desde o "tailleur" prático ao de luxo, ao casaco de peles ou vestido de noite, todos se impuseram pela sua beleza... (...)
(...) 
Por seu lado, a assistência selecta que encheu o vasto salão dos Grandes Armazéns do Chiado, dificilmente esquecerá as horas de encanto e as visões de elegância que esta passagem de modelos lha proporcionou.
Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942. 


O modelo "Chiado", que despertou enorme curiosidade durante a passagem de modelos nos Grandes Armazéns do Chiado, em 1942. Modas e Bordados, Vida Feminina, nº 1607, 25 de Novembro de 1942.  

Casa Jerónimo Martins & Filho, desenho. DIAS, Marina Tavares - Lisboa desaparecida 2. Lisboa : Quimera, 1990- Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Jerónimo Martins & Filho, fundada em 1792 (fornecedora da Casa Real). Rua Garrett. Foto de Joshua Benoliel (negativo de gelatina e prata em vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Jerónimo Martins e Filho, (interior). Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Casa Eduardo Martins & Ca., fundada em 1899, na Rua Garrett, foto de Alberto Carlos Lima, em 1907 (negativo de gelatina e prata em vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
Perfumaria da Moda, fundada em 1909, na Rua do Carmo. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa José Alexandre, fundada em 1833, na Rua Garrett. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa José Alexandre (interior). Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Casa Quintão, Rua Ivens, Lisboa. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Publicidade: Casa Quintão, no suplemento "Modas e Bordado", nº 1615, de 20 de Janeiro de 1943.
Outros estabelecimentos do comércio lisboeta, alguns centenários, foram igualmente atingidos: “Casa Aguiar”; “Casa Batalha” (1635); “Casa de Modas Ao Último Figurino”; “Casa Eduardo Martins” (1889); “Casa José Alexandre” (1833); “Casa Jerónimo Martins & Filho” (1792); “Casa Leonel”; “Charcutaria Martins e Costa” (1914); “Materna”; “Perfumaria da Moda” (1909); “Pastelaria Ferrari” (1827); “Pompadour”; “Valentim de Carvalho” (1920). 

Em poucas horas, um património histórico e de valor único para a cidade – edificado após o terramoto de 1755 - , foi aniquilado pelas chamas.

O incêndio ficou extinto cerca das 12h 30m do dia 25 de Agosto, e as operações de rescaldo prolongaram-se pelo mês de Setembro.


Casa de Modas Ao Último Figurino, Rua Garrett, 1966. Foto de Garcia Nunes - Arquivo Municipal de Lisboa
Publicidade: Casa de Modas Ao Último Figurino, no suplemento "Modas e Bordado", nº 1612, de 30 de Dezembro de 1942

Materna, Rua do Carmo. - Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Materna, Rua do Carmo. - Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Casa Aguiar, Rua do Carmo, 1971. Foto de Joaquim Pereira Silvestre - Arquivo Municipal de Lisboa
Casa Leonel, Rua do Carmo, 1971. Foto de Joaquim Pereira Silvestre - Arquivo Municipal de Lisboa
Pompadour, Rua Garrett. Álbum "Casas comerciais". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

Cartaz publicitário. Autor: Fred Kradolfer. Execução: Cunha e Silva. Álbum "Cartaz Publicitário". Estúdios Mário Novais (1933-1983). Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian
Quinto aniversário da Pompadour  - " Chic e moderno estabelecimento que ao Chiado dá uma nota de elegância parisiense e onde as nossas lindas lisboetas dão rendez-vous" -  in, O Notícias Ilustrado nº 54 de 23 de Junho 1929 - CML, Hemeroteca Digital de Lisboa

A área atingida, cerca de 8 mil metros quadrados, ficou delimitada pela Rua do Crucifixo, Rua da Assunção, Rua do Ouro, Rua de São Nicolau, Rua de Santa Justa, Rua do Carmo, Rua Nova do Almada, Calçada de São Francisco, Rua Garrett, Rua Ivens, Calçada do Sacramento.


O plano para a reconstrução da zona do Chiado denominou-se "Projecto Global". Posteriormente foi criado o "Gabinete de Coordenação e Assessoria Técnica da Área Sinistrada do Chiado", sob a orientação e os projectos do arquitecto Siza Vieira.


Área afectada pelo fogo , com indicação dos prédios destruídos, os de que arderam as coberturas e alguns pisos, e os que ficaram danificados apenas em alguns pisos. Lisboa: Revista Municipal, nº 25, pág. 42, 3º trimestre de 1988  - Hemeroteca Digital de Lisboa
Luvaria Ulisses e Joalharia do Carmo, Rua do Carmo. Foto de Ferreira da Cunha (negativo de gelatina e prata sobre vidro) - Arquivo Municipal de Lisboa
A Luvaria Ulisses foi fundada em 1925 e a Joalharia do Carmo em 1924. No século XXI, as duas casas na Rua do Carmo, mantém a traça antiga - TSF
Joalharia do Carmo, na Rua do Carmo, com o glamour de outros tempos - Máxima
Luvaria Ulisses, na Rua do Carmo. A decoração desta loja permanece intacta desde a sua fundação em 1925.
Armazéns do Chiado/Centro Comercial Chiado , Rua Garrett. Foto de R Gomes
Centro Comercial Chiado (interior). Foto de Luis Pavão, 2000. Dispositivo cromogéneo em acetato de celulose - Arquivo Municipal de Lisboa
Fontes:
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=1220&cat_visita=163
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=303
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/index.php?id=1219&cat_visita=164
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/LisboaRevM/LisboaRevM.htm

http://www.martinsecostasa.com/empresa.html
http://www.luvariaulisses.com/pt/pagina/1/home/