sexta-feira, 18 de julho de 2014

Monogramas. Revista "Modas e Bordados", década de 1940 - I

"Modas e Bordados" nº 1667, de 19 de Janeiro 1944. Letras C - G (imagem tratada digitalmente).

Ao folhear revistas do século passado, encontrei monogramas desenhados manualmente, com sobreposição, combinação e agrupamento de duas e três letras.  

Refiro-me à publicação periódica "Modas e Bordados - Vida Feminina", suplemento do jornal "O Século", que inclui moda, artes e assuntos femininos. A pedido das assinantes, publicava uma grande variedade de moldes, desenhos, esquemas, monogramas...  


A escritora e jornalista Maria Lamas (1893-1985), foi directora de "Modas e Bordados" entre 1928 e 1947.

Partilho convosco alguns monogramas, e as capas das publicações onde estão incluídos. 
Em breve, voltarei a este tema... 

 
"Modas e Bordados" nº 1667, de 19 de Janeiro 1944 . Na capa: Pastorinha - um dos quadros mais admirados na notável exposição (na rua de D. Pedro V) de desenhos e aguarelas de Raquel Roque Gameiro.


"Modas e Bordados" nº 1598, de 23 de Setembro 1942. Letras A - P (imagem tratada digitalmente)


"Modas e Bordados" nº 1598, de 23 de Setembro 1942. Na capa: Chapéu de feltro preto, com enfeite dourado, prendendo uma fita de veludo, também preta, que atravessa a copa e cai junto do rosto. (Modelo de Horn - Berlim)

"Modas e Bordados" nº 1613, de 6 de Janeiro 1943. Letras A - D (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1613, de 6 de Janeiro 1943. Na capa: Vestido de linha desportiva em lã cor de alfazema e cinto castanho "clouté" dourado. Turbante de veludo e penas. Modelo da Casa Bobone de Lisboa. Cliché Silva Nogueira.


"Modas e Bordados" nº 1614, de 13 de Janeiro 1943. Letras A - E (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1614, de 13 de Janeiro 1943. Na capa:  Eunice Colbert, figura gentil do nosso teatro, apresenta um delicioso chapéu de inverno. (Foto Silva Nogueira).

"Modas e Bordados" nº 1636, de 16 de Junho 1943. Letras A - M - F (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1636, de 16 de Junho 1943. Letras A - M - F (imagem tratada digitalmente).
 
"Modas e Bordados" nº 1636, de 16 de Junho 1943. Na capa: Graciosa atitude duma discípula da professora de dança, D. Margarida de Abreu. (Cliché Silva Nogueira)

"Modas e Bordados" nº 1725, de 28 Fevereiro 1945. Letras R - V (imagem tratada digitalmente).

 "Modas e Bordados" nº 1778, de 6 de Março 1946. Letras A - R (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1778, de 6 de Março 1946. Letras M - O (imagem tratada digitalmente) .



 "Modas e Bordados" nº 1778, de 6 de Março 1946. Letras F - A (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1778, de 6 de Março 1946. Na capa: Vestido de jantar ou baile, de uma grande distinção. (Exclusivo da INP para Modas e Bordados)



"Modas e Bordados" nº 1792, de 12 de Junho 1946. Letras J - B (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1792, de 12 de Junho 1946. Na capa: Maria Luísa Valente, dos Grandes Armazéns do Chiado, grande prémio (1000$00) da V Festa das Costureiras. (Foto Silva Nogueira).

"Modas e Bordados" nº 1811, de 23 de Outubro 1946. Letras M - P (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1811, de 23 de Outubro 1946. Na capa: Dois modelos da casa Hardy Amies, de Londres: um "tailleur" à esquerda, de linhas simples, e um vestido-casaco, à direita, guarnecido com fita da veludo num tom mais escuro. (Exclusivo da Reuterphoto, para "Modas e Bordados").


"Modas e Bordados" nº 1835, de 9 de Abril 1947. Letras R - M (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1840, de 14 de Maio 1947. Letras M - C (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1840, de 14 de Maio 1947. Letras L - O (imagem tratada digitalmente).

"Modas e Bordados" nº 1835, de 9 de Abril 1947. Na capa: A Léninha e o seu jardim - imagem encantadora da história desta Primavera. (Cliché de Carlos José Peres).


Monogramas em forma de circulo, aqui.
Monogramas em forma de polígono, aqui.



sábado, 5 de julho de 2014

Jan van Eyck, autor do retrato de Isabel de Portugal, foi o promotor da pintura a óleo

Detalhe de Jan van Eyck, Portrait of a Man (Self Portrait?); óleo sobre madeira de carvalho (26x19cm), 1433. - The National Gallery

No final do século XIV, surgiu uma nova pintura com textura, transparência e efeitos surpreendentes na cor, que deslumbrou a Europa da época.
 
A pintura a óleo, feita sobre madeira (já conhecida anteriormente embora mais rudimentar), apareceu na Flandres, tendo como promotor Jan van Eyck (1390-1441) que, em conjunto com o seu irmão Hubert, a aperfeiçoou e difundiu. 

O artista pintor, encetava a sua obra sobre um suporte de tábuas de carvalho, com os veios impermeabilizados por uma camada de gesso e cola animal, onde traçava o desenho, impermeabilizando-o com óleo de linhaça. Para a pintura, o óleo de linhaça era misturado com pigmentos reduzidos a pó, formando uma pasta de secagem lenta – foi necessário ter experiência e conhecimento dos pigmentos para não criar reações de incompatibilidade entre eles. 

A técnica da pintura a óleo era bastante complexa, pois exigia a sobreposição de diversas camadas de cor com maior ou menor transparência, de acordo com o resultado pretendido, o que dependia da quantidade de óleo usado na mistura.
Os artistas melhoravam constantemente as técnicas que iam descobrindo, guardando-as no maior segredo.

Como menciona António João Cruz, referindo-se à utilização do pigmento terra verde:  
(...)
Cennini descreve essa utilização da seguinte forma: «pega num pouco de terra verde e num pouco de branco de chumbo, bem misturados; aplica duas camadas por baixo da face, por baixo das mãos, por baixo dos pés e por baixo das zonas de carnação»; ao aplicar as camadas de cor rosada, «tem em mente que na pintura sobre madeira têm que ser aplicadas mais camadas do que na pintura mural; mas não muitas mais, de forma a que não deixe de ser visível um pouco do verde que já está sob as zonas de carnação. (...)
        ( http://ciarte.no.sapo.pt/textos/html/200701.html ).   
 
Utensílios e fabrico de tintas na pintura a óleo. Correia, João, A arte uma história visível. Lisboa: Edições Rumo.

Os antigos tratados de pintura referem um conjunto de pigmentos naturais usados juntamente com pigmentos artificiais. Dos pigmentos naturais importantes na história da pintura, podem destacar-se o azul ultramarino, o cinábrio, a terra verde (usado na Idade Média na pintura a têmpera) e os ocres. O azul ultramarino (obtido da pedra semi-preciosa lápis-lazúli) e o cinábrio (sulfureto de mercúrio, de cor vermelha) foram vistos como materiais de luxo e de prestígio, durante a Idade Média e época romana.

Como menciona António João Cruz, referindo-se à preparação do pigmento cinábrio:
(...)
O processo de preparação era simples. Segundo Vitrúvio, «quando o minério está seco, é moído com pilões de ferro e, através de sucessivas lavagens e aquecimentos, são removidas as impurezas e é obtida a cor». (...)
       ( http://ciarte.no.sapo.pt/textos/html/200701.html ).   

A origem dos pigmentos e o saber associado à sua preparação é referida por Isabel Stilwell:
(…)
- De onde é que vêm os seus pigmentos? – perguntava Henrique.
- Conhece a Urzela, de que se consegue uma cor púrpura? Já começámos a exportar para a Flandres.
Van Eyck entusiasmou-se:
- Roccella Tinctoria? Mas o produto que nos chega é o resultado de uma fórmula, não me diga que me vai dar a fórmula?
Henrique deu uma gargalhada trocista .
- É o segredo do negócio, e quem trabalha neste ramo está proibido de falar. Sabe que tive de decretar castigos pesados para quem faz contrabando do líquen? Felizmente existe na Madeira  em grandes quantidades, mas quando conquistar as Canárias, vou começar a exportar sangue-de-dragão, a resina da planta vale ouro…
(…)
(Stilwell, Isabel (2013), Ínclita Geração. Isabel de Borgonha a filha de D. Filipa de Lencastre que levou Portugal ao mundo. Lisboa: A Esfera dos Livros, pág. 46).

Retrato da Infanta D. Isabel de Portugal. Reprodução aguarelada do retrato da Infanta D. Isabel, filha de D. João I, pintado em Avis, em Janeiro de 1429, por Jan van Eyck, moço de câmara de Filipe o Bom, duque de Borgonha e de Barbante, conde da Flandres. (450 x 410mm) Século XVII? -Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Filipe III de Borgonha, dito, Filipe, o Bom (1396-1467), com cortes em Dijon e Ghent, nomeou  Jan van Eyck pintor da corte da Flandres, o que contribuiu seguramente para a notoriedade do artista. 
A cultura aristocrática da corte movia-se dentro dos moldes da maneira de viver da cavalaria.  A arte, onde se incluía a pintura de Van Eyck, desenvolvia-se num meio de vida palaciana e tinha como destino a corte e a classe média superior que se relacionava nesse meio.

As pinturas de então, atingiam valores elevadíssimos e, valendo como moeda, eram transacionadas e oferecidas.

Em 1428, Filipe enviou uma delegação de embaixadores borgonheses a Portugal, para negociar o casamento com Isabel de Portugal (1397-1471), que incluiu Van Eyck, o qual, realizou dois retratos da princesa, que foram entregues em Borgonha ao duque Filipe. 

A realização dos dois retratos é historiada por Isabel Stilwell:
(…)
Isabel estava fascinada a olhar para o pintor com um avental de burel pendurado ao pescoço, a cara redonda e bem-disposta, agora absolutamente concentrada no que estava a fazer.
- Pintar dois quadros ao mesmo tempo, senhor Van Eyck? – perguntou divertida.
- Duvida de que sou capaz? – retorquiu o pintor, chamando com a mão o rapazinho muito loiro que misturava tintas numa tigela e não devia ter mais de dez anos. (…)
(Stilwell, Isabel (2013), Ínclita Geração. Isabel de Borgonha a filha de D. Filipa de Lencastre que levou Portugal ao mundo. Lisboa: A Esfera dos Livros, pág. 34).
Retrato de Isabel de Portugal, Duquesa consorte de Filipe, o Bom, de Borgonha. O retrato é uma cópia (ca. 1500) do retrato original (ca. 1430). O original poderá ter sido realizado por Jan van Eyck ou Rogier van der Weyden - Musée des Beaux Arts de Dijon - Wikipédia
O contrato de casamento foi elaborado, e Isabel, ainda em Portugal, casou por procuração, em Julho de 1429, na cidade de Lisboa. O casamento religioso entre Isabel e o duque de Borgonha, foi celebrado no dia 7 de Janeiro de 1430, em Burges .

Na Europa da época, a pintura de Van Eyck evidenciou-se pela alta qualidade, cuidada execução e uso de cores delicadas, sendo certamente o maior entre os pintores do século XV.


Políptico de Ghent ou Adoração do Cordeiro Místico (retábulo aberto); óleo sobre madeira; 1425-1432; Jan van Eyck. - Catedral de Saint-Bavo de Ghent - Wikipédia


O retábulo intitulado Ghent Políptico ou Adoração do Cordeiro Místico, feito por Jan van Eyck o pelo irmão Hubert (1366-1426) - falecido antes da obra concluída -, é um políptico de doze tabelas a óleo sobre madeira, realizado para a igreja de Saint-Jean, agora Catedral de Saint-Bavo de Ghent. É considerado um dos maiores retábulos do Norte da Europa do século XV, por medir 350 x 461 cm depois de aberto. Normalmente fechado, o políptico é aberto durante as festividades, mostrando as cores vibrantes do interior.

Adoração do Cordeiro Místico (detalhe do painel); óleo sobre madeira; 1425-29; Jan van Eyck. - Catedral de Saint-Bavo de Ghent - Web Gallery of Art

A fase de execução do Ghent Políptico ou Adoração do Cordeiro Místico, é tema para Isabel Stilwell:

(...)
Viajavam habitualmente juntos, mas desta vez Isabel conseguira convencer o marido de que precisava com urgência de visitar Van Eyck para que Fernando visse a pintura do Cordeiro Místico, antes de regressar a Lisboa com grande parte da comitiva portuguesa que estava decidida a voltar a Portugal.
Coisa rara, o sol conseguira despontar por entre as nuvens e, da janela do quarto no torreão do grande castelo da cidade, via a cúpula negra da Catedral de São João, lá em baixo à esquerda do rio que atravessava Ghent, tão cheia de vida. 
(...)
Isabel e Fernando olharam o painel maravilhados. 
(...)
Van Eyck, escutando vozes. olhou para baixo do andaime e saudou-os:
- Senhora Dona Isabel, que felicidade, sempre vieram.
E ágil, apesar dos seus mais de 40 anos, desceu dos andaimes e, feltindo um joelho, beijou a mão da duquesa.
- Venha, venha, quero mostrar-lhe o que acabei de pintar hoje mesmo.
 (...)
- Agora sente-se aqui neste banco, e diga-me: sabe quem é Sibila de Cumes? 
(...)
- Sibila de Cumes era como eu, uma estranha num país que não é seu, que surgiu ao rei em Roma  e lhe propôs vender nove livros de profecias... O rei não concordou com o preço e não os comprou. E então a profetisa ou deusa, conforme as histórias, disse-lhe que os ia destruir.
(...)
- Senhora Dona Isabel, apresento-lhe a minha Sibila.
Isabel olhou para um painel individual, encostado ao paramentador da sacristia, e viu-se a si mesma! A mesma touca com que posara para ele em Avis, a mesma roupa...
(...)
Fernando com o seu sentido prático, comentou: 
- Isabel, o pai vai ficar muito orgulhoso de saber que és Sibila de Cumes.
(...)
Van Eyck anuiu:
- Que esta notícia não saia daqui. Quando durante a santa missa levantarmos a cabeça para observar o meu maravilhoso quadro, só nós saberemos que vemos Isabel de Portugal.
(Stilwell, Isabel (2013), Ínclita Geração. Isabel de Borgonha a filha de D. Filipa de Lencastre que levou Portugal ao mundo. Lisboa: A Esfera dos Livros, págs. 124-127).
Políptico de Ghent ou Adoração do Cordeiro Místico (retábulo fechado); óleo sobre madeira; 1432; Jan van Eyck. - Catedral de Saint-Bavo de Ghent - Wikipédia



Políptico de Ghent ou Adoração do Cordeiro Místico (painéis com representação das profetisas da mitologia grega; à esquerda, Sibila Eritréia em atitude de oração; à direita, Sibila de Cumes coloca a mão sobre o ventre num gesto que sugere a gravidez de Maria; o rosto e o vestuário da Sibila de Cumes é semelhante ao de Isabel de Portugal); óleo sobre madeira; 1432; Jan van Eyck. - Catedral de Saint-Bavo de Ghent - Web Gallery of Art


O retábulo recuperado das minas de sal de Altausse no final da Segunda Guerra Mundial - Wikipédia

O retábulo ou políptico de Ghent foi bastante cobiçado, sendo vítima de vários ataques e roubos. Em consequência, os diversos painéis foram separados continuamente, permanecendo assim, por longos períodos de tempo. No ano de 1566, foi removido e escondido, evitando a destruição pelos iconoclastas da época. Na Segunda Guerra Mundial, o exército nazi desviou-o com outras sete mil obras de arte, sendo resgatadas pelo MFAA (Monuments, Fine Arts, and Archives program o Monuments Men) no fim da guerra. Em 1934, foi roubado o painel The Just Judges (canto inferior esquerdo do políptico). Actualmente, o painel visível é uma cópia feita pelo pintor belga Jen Vanderveken, no ano de 1945. Desde 2010, o retábulo está a ser sujeito a um minucioso trabalho de restauro, com o apoio da Fundação Getty, na Califórnia, estando prevista a conclusão em 2017.



Fontes:

http://it.wikipedia.org/wiki/Filippo_III_di_Borgogna
http://it.wikipedia.org/wiki/Isabella_d%27Aviz_(1397-1471)
http://it.wikipedia.org/wiki/Jan_van_Eyck
http://es.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADptico_de_Gante
http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/e/eyck_van/jan/index.html
http://ciarte.no.sapo.pt/textos/html/200701.html       (António João Cruz)   

Stilwell, Isabel (2013), Ínclita Geração. Isabel de Borgonha a filha de D. Filipa de Lencastre que levou Portugal ao mundo. Lisboa: A Esfera dos Livros.
Correia, João, A arte uma história visível. Lisboa: Edições Rumo.



domingo, 22 de junho de 2014

A imagem de Santo António por ceramistas contemporâneos portugueses

Junho é o mês das festividades dos "Santos Populares". Muitas vilas e cidades portuguesas celebram o seu feriado municipal durante este mês.

Em Lisboa, as festas em honra de Santo António, acontecem no dia 13, Porto e Braga, festejam o São João no dia 24, Sintra e Évora festejam o São Pedro no dia 29.

Fazem parte dos festejos as procissões, as marchas populares, as sardinhas assadas, os manjericos e os martelinhos. 

A imagem de Santo António é a que mais inspira os artistas e artesãos. A prová-lo, estão as diversas representações da figura do Santo em alusão à sua característica como pregador e aos milagres que lhe são atribuídos, entre os quais, a aparição do Menino Jesus ao  Santo.

Os trabalhos de alguns ceramistas portugueses dedicados ao figurado e azulejaria, merecem especial atenção, por revelarem criatividade, sensibilidade e modernidade, na forma como a figura o Santo é tratada.


Santo António, barro moldado à mão e cozido. Autoria de Ana Franco - Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
Ana Franco nasceu em Lisboa. Matriculou-se na Academia das Artes, onde se interessou pela cerâmica figurativa. Fez o Curso de Técnicas de Pintura em cerâmica e Pintura em azulejo ministrado pela CEART e o curso de Formadores ministrado pelo IEFP. É membro das Associações dos Artesãos de Lisboa e Odivelas.

As suas peças integraram diversas exposições. Foi distinguida com o "Prémio Artesanato 1999", do IEFP, o "Prémio Bual 1999", o 1º Prémio "Tronos de Santo António 1999", o 3º Prémio no concurso "Tronos de Santo António 2000", o 1º Prémio "Presépio 1999" e o 1º Prémio "Presépio 2000". Algumas das suas peças encontram-se no Museu Municipal Professor Raul de Almeida, Mafra, e no Museu do Presépio, Casa dos Capuchinhos, Fátima.


 Visão de Santo António, barro. Autoria de Bernardete Gomes - Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
Bernardete Gomes nasceu em Torres Vedras em 1961. Frequentou a Escola António Arroio, na área de Artes e Técnicas de Tecidos, na década de 80. No entanto, a sua vocação para a modelagem do barro levou-a a dedicar-se com determinação à cerâmica escultórica.

As suas peças integraram diversas exposições, entre elas, a Feira de Artesanato de Estremoz, em 2013. Em dois anos consecutivos participou no concurso "Tronos de Santo António", conquistando em ambos o 2º Prémio.

Santo António, barro vermelho (25 x 32 cm). Autoria de Dália Santos - Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
Dália Santos nasceu em Lisboa em 1962. Frequentou o Curso Básico em Desenho na AR.CO.

Participou em inúmeras exposições colectivas e individuais, merecendo especial destaque as seguintes: Salão Nobre do Tivoli, Lisboa - 1991; Câmara Municipal de Lisboa; Feira Internacional de Lisboa (FIL); Centro de Formação Profissional de Setúbal; Feira Nacional do Artesanato de Vila do Conde - 1992. Caixa Geral d Depósitos, Lisboa - 1993. Criação e execução da peça "Frei Agostinho", a pedido da Junta de Freguesia de Sobreda, para a comemoração do 1º aniversário da vila - 1994. AERSET - 1996. Oficina da Cultura de Almada - 1998. FIL, Lisboa; AERSET, Setúbal Forúm Picoas, Lisboa - 1999/2000; "A Arte da Terra", Almada - 2005; FIA, Lisboa - 2008.

Foi distinguida com vários prémios dos quais se destacam: dois 2º prémios, um 3º Prémio e duas Menções Honrosas no concurso "Presépios de Natal", organizado pela CML e AARL, nos anos 1991, 1992 1994 e 1995; um 1º Prémio, e um 3º Prémio no concurso "Tronos de Santo António", Lisboa, entre 1993 e 1995; um 3º Prémio na Oficina de Cultura de Almada em 1999.

Santo António, cerâmica. Autoria de Ernesto Silva / Zabel Moita - Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
Ernesto Silva e Zabel Moita nasceram em Aljezur. Nesta cidade têm casa, atelier e uma Galeria, onde vendem as suas obras de arte. Estão ligados pelo gosto artístico e pelo matrimónio. 

Ernesto Silva nasceu em 1938. A sua actividade plástica iniciasse ao modelar com o miolo de pão, animais, flores e caricaturas de figuras populares. A partir daí, o barro foi o seu material de eleição. Ao longo dos anos foi adquirindo saberes que lhe permitiram experimentar diversas correntes artísticas, em especial o surrealismo.

Zabel Moita nasceu em 1940. Decoradora de interiores e estilista, entre outras actividades artísticas, iniciou a criação de peças em cerâmica influenciada pelo marido. As pequenas figuras femininas que intitulou de "Espantadinhas", foram as suas primeiras "experimentações" plásticas. Na sua obra destacam-se os presépios, as ceias e os crucifixos. Tem uma predilecção especial pela imagem de Santo António. 

Participaram em inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro, onde algumas das suas peças marcam presença. Das últimas exposições realizadas destacam-se a FIA 2008, em Lisboa. Está representada no Museu do Presépio, Casa dos Capuchinhos, em Fátima.


Santo António, painel de azulejo pintado à mão (60X100cm). Autoria de José Maia. Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
José Maia nasceu em Évora, no Alentejo, em 1975. Frequentou o curso da Escola Profissional da Região do Alentejo, EPRAL, motivado pela sua grande paixão, as Artes Plásticas, especialmente a cerâmica. Cedo se destacou nesta área, representando a Escola na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Em 1977, criou o seu próprio atelier, realizando diversos trabalhos, especialmente na área da Azulejaria Portuguesa. Trabaslhou no atelier de Manuel Marques Antunes em Lisboa.
Participou em diversas exposições individuais e colectivas.


Santo António, barro preto. Autoria de Sérgio Amaral. Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.
Sérgio Manuel Couto Amaral nasceu em Santa Luzia, em 1959. A sua actividade artística estende-se pela pintura, artesanato e escultura. A vontade de experimentar novos materiais, levou-o a trabalhar o ferro e a iniciar-se na cerâmica no ano de 1982. O barro negro é o material eleito para as suas peças ("Matarrachos" e "Cristos"). Seis anos mais tarde, em 1988, frequenta a oficina da gravura da Gulbenkian, leccionada por Rui Marçal. Frequenta um curso de Cerâmica de Roda e participa no Workshop "Novos Materiais em Cerâmica".

Participou em exposições individuais e colectivas e outros eventos, destacando-se uma exposição colectiva em Paris. Uma das suas obras foi designada "Obra de Mérito", no Salão de Pintura da Feira de São Mateus, em Viseu. A convite do ICEP, desloca-se à Áustria em 1993. A sua obra está representada em colecções nacionais e no estrangeiro. Foi distinguido com o Prémio Artesanato Contemporâneo, FIA 2010. Uma das suas exposições mais recentes teve lugar no Museu Municipal de Carregal do Sal, em 2011.

Está representado em vários museus: Museu Municipal de Viana do Castelo, Museu Popular de Pombal, Museu de Cavernães e Museu Municipal de Carregal do Sal.


Fontes:
http://anafranco.paginas.sapo.pt/
http://www.cm-estremoz.pt/index.php?pa=466&lang=1
http://newsletter.fil.pt/fia/jun08-1/candidaturas.html
http://www.rostos.pt/inicio2.asp?mostra=2&cronica=90787
http://www.algarve123.com/pt/O_Algarve/0803/Aljezur#comments
http://www.aljezur.net/arte/ernesto.html
http://www.aljezur.net/arte/zabel.html
http://siteantigo.capuchinhos.org/contactos/fatima/fatima.htm
http://www.faroldanossaterra.net/2011/10/08/museu-municipal-de-carregal-do-sal-com-exposicao-temporaria-promovida-pelo-ccc/ 
http://www.faroldanossaterra.net/2008/01/08/%E2%80%9Cos-matarrachos%E2%80%9D-em-exposicao-no-museu-municipal-de-carregal-do-sal/

Bajouca, Carlos (2002), Cerâmica e Escultura, Painel de Artistas. Sistema J. Editora Portuguesa de Livros Lda.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

A imagem de Santo António na cerâmica portuguesa

Grupo escultórico, Santo António e o "Milagre da Bilha", 1921. Peça em barro, moldada e modelada. Autor: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Fernando Martins - futuro Santo António (Lisboa, 1195? - Pádua, 1231), viveu na primeira metade do século XIII. Foi frade agostinho no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa, de onde transitou para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. Tornou-se franciscano cerca de 1220. Depois de viver em Portugal, viajou por Itália e França. Foi viver para Bolonha e de seguida para Pádua, onde morreu. Leccionou em universidades italianas e francesas e foi o primeiro doutor da Igreja franciscano. Foi canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer.
 
Santo António, 1884-1905. Peça em barro, moldada e modelada. Autor: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças da Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Em 1400, na Flandres, os atributos antonianos eram o livro - o qual representaria o Evangelho ou a Bíblia, e a sabedoria de António como doutor da Igreja - o lírio - como símbolo da pureza, pobreza e castidade - a chama e o coração. A chama e o coração, poderiam significar o seu amor intenso e o sacrifício a Deus da sua própria vida. Estes dois atributos desapareceram mais tarde.

Santo António, séc. XX. Peça em barro, modelada e vidrada. Autora: Rosa Ramalho - Museu de Arte Popular
Santo António, S. João e S. Pedro (imagem de santo híbrido), séc. XX. Peça em barro, modelada. Autora: Rosa Ramalho - Museu de Arte Popular

Santo António, séc. XX. Peça em barro policromado. Autora: Rosa Ramalho - Museu Nacional de Etnologia
 
Santo António, prato decorativo, séc. XX. Peça em barro, modelada e vidrada. Autora: Rosa Ramalho. São Martinho de Galegos, Barcelos. - Museu de Arte Popular

Na iconografia de Santo António, os atributos da Cruz e do Menino Jesus, apareceram tardiamente. A imagem do Menino, perdurou e tornou-se inseparável do Santo, tendo como origem as suas aparições a Santo António. Quando o Menino é representado em cima do livro (Bíblia), evoca a característica do Santo como pregador.  A Cruz - que nem sempre é representada - pode significar o espírito missionário ou o desejo de se tornar um mártir da fé.


Santo António (155 milímetros diâmetro x 265 milímetros de altura). Figurado. Autora: Maria Júlia Oliveira Mota (Júlia Ramalho) - Comprado em1984 pelo Museu de Olaria
Santo António (130 milímetros de largura x 308 milímetros de altura). Figurado. Autor: Domingos Gonçalves Lima (Mistério). Comprado em1984 pelo Museu de Olaria
Andor de Santo António, séc. XX. Peça em barro policromado. Autor: Domingos Gonçalves Lima (Mistério). Santa Maria de Galegos, Barcelos - Museu Nacional de Etnologia
Santo António, séc. XX. Peça em faiança moldada. Autor: Leonel de Parma Cardoso. Fábrica de Louça de Sacavém - Museu da Cerâmica

Santo António com o Menino, séc. XX. Peça em barro, modelada e vidrada. Autora: Rosa Barbosa Lopes.  São Martinho de Galegos, Barcelos - Museu dos Biscainhos
Santo António, travessa, 1895. Faiança. Produção de Coimbra - Museu Nacional Machado de Castro
Imagem de Santo António, séc. XX. Peça em barro,  modelada e policromada. Produção de Estremoz - Museu da Cidade
 
Milagre de Santo António pregando aos peixes, século XX (meados). Peça em barro vermelho policromado e vidrado (230x275mm). Autoria de  José Franco - Museu Antoniano

Em Portugal, Santo António tornou-se uma figura muito conhecida. A devoção popular colocou-o entre os santos mais amados e representados do Cristianismo. Foram-lhe atribuídos inúmeros milagres e graças até aos dias de hoje, por isso, a imagem do Santo está presente em inúmeras igrejas portuguesas.

Os registos de azulejos são muito comuns na cidade de Lisboa. Invocadores de Jesus Cristo, da Sagrada Família, da Virgem e dos Santos, no intuito de proteger as casas e os seus moradores, posicionam-se nas fachadas das habitações, sobre a porta ou entre as janelas.
 

Nas comemorações do 13 de Junho, dia de Santo António na cidade de Lisboa, a imagem é integrada nas procissões e festas principais da cidade. 

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa
http://conventosantoantonio.org.br/iconografia-antoniana
http://www.folclore-online.com/religiosidade/sto_antonio/page9.html#.U5qce8tF1eO




sábado, 7 de junho de 2014

Maior Colecção do Mundo de Gravuras de Rembrandt em Portugal



A Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro tem patente ao público a exposição "Gravuras de Rembrandt (1606-1669), o Aguafortista, na Colecção da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso e Pinheiro", até ao dia 28 de Junho de 2014.

Estarão expostas algumas das 282 gravuras de Rembrandt da Colecção Dionísio Pinheiro.


Museu Dionísio Pinheiro
Pc. Dr. António Breda, nº 4
3750-106 Águeda 
Portugal

Tel.: 234 623 720