segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Caixa em cartão revestida com tecido de Alcobaça

1 - Caixa em cartão revestida com chita de Alcobaça

As caixas em cartão são fáceis de reciclar e bastante úteis para guardar brinquedos, acessórios de moda, cadernos, livros, revistas...

Hoje sugiro o revestimento de caixas com o algodão estampado de Alcobaça .  A chita de Alcobaça, com padrão de riscas e decoração onde aparecem flores, pássaros, animais, cestos e figuras humanas, está tradicionalmente associada ao arranjo das casas. A utilização deste algodão no revestimento das caixas que hoje publico, resultou da coordenação desta chita tradicional com tecidos contemporâneos usados em decoração. 

Chita de Alcobaça, séc. XX
Chita de Alcobaça, séc. XX (pormenor do padrão).
Chita de Alcobaça, séc. XX (pormenor do padrão).


Material necessário:

- Caixa de cartão (sapatos);
- Chita de algodão de Alcobaça;
- Tecido de algodão;
- Tecido autocolante;
- Enchimento para almofadas;
- Tesoura;
- Cola para tecido;
- Régua graduada;
- Clips;
- Lápis;
- Folha de papel.


Passo a Passo:


1 - Escolha uma caixa em cartão forte, se possível uma caixa de sapatos (imagem 2).



2 - Caixa em cartão

2 - Coloque a caixa em cartão sobre a folha de papel. Desenhe o molde da caixa com as medidas do comprimento, da altura e da largura (imagem 3). Proceda de igual modo para a tampa da caixa. Recorte.


3 - Molda da caixa

3 - Coloque os moldes em papel sobre a chita de algodão de Alcobaça. Desenhe a caixa e tampa planificadas. Recorte  o tecido com  mais três centímetros para as "costuras" (imagem 4). 


4 - Molde da caixa planificada sobre a chita de algodão, com as medidas para as "costuras". 

4 - Coloque o molde da tampa da caixa sobre um tecido de algodão. Recorte seguindo as instruções - passo 3.


5 - Coloque o enchimento para almofadas sobre a tampa da caixa (imagem 5).


5 - Enchimento para almofadas.

6 - Revista a tampa com o tecido de algodão. Dobre para dentro os cantos e as "costuras". Cole com cola para tecido.


6 - Tampada caixa com enchimento

7 - Revista a caixa e a tampa com a chita de Alcobaça, seguindo as instruções - passo 6 (imagens 1 e 7). Se optar por dispensar o enchimento da tampa, a caixa ficará idêntica à imagem 7.


7 - Caixa revestida com chita sem enchimento na tampa.

8 - O interior da tampa e da caixa poderá ser forrado com tecido autocolante ou com tecido igual ao do revestimento exterior (imagens 8 e 9).


8 - Interior da tampa da caixa com tecido de algodão igual ao do revestimento exterior.

9 - Interior da caixa com tecido autocolante.

9 - Para realizar a decoração das caixas poderá recortar motivos em feltro, e juntar pequenos adornos ao seu gosto (imagens 10, 11 e 12).


10 - Feltro com colagem de flores em acrílico, sobre chita de Alcobaça.

11 - Feltro com colagem de fita de lantejoulas.

12 - Feltro com colagem de meias esferas em acrílico.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Chitas de Alcobaça

Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com pássaros, flores, folhas e brasões (pormenor). 

Os "Pintados" ou "Chita" trazidos do Oriente por Vasco da Gama, no ano de 1498, quando abrimos caminho ao comércio directo com a Índia, não incentivou os portugueses para que fossem os primeiros a copiá-los. O contacto com estas chitas indianas, levou a Inglaterra, a Holanda e a França a criar uma indústria de algodão estampado na Europa. O uso destes tecidos, fabricados segundo os processos usados na Índia, atingiu grande importância e prestígio nos séculos XVII e XVIII. Os ingleses chamam-lhe Chintz e utilizam-no tanto em decoração como em vestuário. 


Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.


Padrão com uvas, parras, flores e cornucópias (pormenor). 


Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com borboletas, flores, folhas, ânforas e figuras humanas orientais (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas, ânforas, pássaros e figuras humanas orientais (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e pássaros(pormenor).

A tradição dos panos de Alcobaça, remonta ao século XVI. Gil Vicente, na Farsa dos Almocreves, faz referência ao pano de Alcobaça como um pano grosseiro com felpa por aparar. Na mesma farsa uma personagem diz para a outra:

E logo dahi a hum ano
Para ajudar de casar
Huma orfam mandaste dar
Meio covado pano
de Alcobaça por tosar

A primeira fábrica de panos de Alcobaça foi fundada em 1774, por André de Faria Rocha e António Rodrigues de Oliveira. No ano de 1779, passa a ser administrada pela Junta da Administração das Fábricas do Reino. A produção da Real Fábrica de Lençaria e Tecidos Brancos de Alcobaça, dirige-se para as classes abastadas. A gama de panos colocada no mercado - cambraias, adamascados, veludos, bombazinas, lenços lavrados e de cambraia - aumenta consideravelmente até ao ano de 1788. Em 1792, é transmitida a título de venda à Sociedade Carvalho e Guillot. As modificações produzidas por esta sociedade, transformaram a fábrica num dos centros da moderna indústria têxtil portuguesa; em 1810, o exército de Massena (Segunda Invasão Francesa) destrói a fábrica e a sua produção. Quatro anos mais tarde, em 1814, a firma Lourenços e Pietra obtém o alvará para a abertura de uma fábrica de fiação na vila de Alcobaça. Por iniciativa de Joaquim Ferreira de Araújo Guimarães, criou-se a Companhia de Fiação e Tecidos de Alcobaça, em 1875, que perdurou ao longo do século XX. 


Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e fitas (pormenor).


Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores e folhas (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas, pássaros e cestos (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e pássaros (pormenor).

A partir de 1784 cresce o número de estabelecimentos de estamparia em Portugal, para o que muito contribuiu o rei D. José I, ao introduzir esta manufactura entre nós. A industria de estampagem de chita expande-se com grande rapidez ao longo do século XIX, com o aperfeiçoamento dos métodos de estampagem. O algodão estampado de Alcobaça ou Chita de Alcobaça, segue as tendências da produção europeia com inspiração oriental, ou recriações de desenhos ingleses e franceses, do século XVIII e início do século XX. A Chita de Alcobaça caracteriza-se por o padrão formar riscas largas, com decoração onde aparecem pássaros, aves exóticas, animais, flores, figuras humanas europeias ou orientais, cornucópias, cestos, ânforas, ninhos, pinhas, uvas e frutas tropicais. A Chita de Alcobaça está tradicionalmente associada ao arranjo das casas, à realização de colchas, à confecção de cortinas, ao forro de arcas ...  

Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas, animais e figuras humanas (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas, pássaros e cestos (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas, milhos e figuras humanas europeias (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e pássaros  (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e jarras (pormenor).

Manuel Vieira Natividade (1860-1918) é uma notável figura de Alcobaça. Apesar de ter nascido numa família de camponeses, a sua mãe procurou afastá-lo dos trabalhos agrícolas e orientou-o para os estudos. Em 1886, licenciou-se em Farmácia pela Universidade de Coimbra. Escritor, etnólogo e arqueólogo, dedicou a sua vida à investigação sobre a Pré-História e História de Alcobaça, e com interpretação iconográfica dos túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro. Iniciou um conjunto de colecções, nomeadamente cerâmica e chitas de Alcobaça, que legou aos seus descendentes.  


Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores, folhas e pássaros (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Padrão com flores e folhas (pormenor).
Algodão estampado de Alcobaça (colcha), do séc. XIX, pertencente à colecção Vieira Natividade - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.


Folha de rosto de "Arte de fazer chitas" -  Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.
Receita do livro "Arte de fazer chitas" -  Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça, Museu de Alcobaça, 1988. IPPC.


Commercio portuguez em Bristol, e portos adjacentes, no anno de 1838. Offerecido aos portugueses por A. B. de Mascarenhas

“ Chitas, e Lenços estampados da Fabrica da Sr.ª  Viuva Bandeira 8 Ca, em Chellas"
 As Chitas que esta Fabrica apresentou na Exposiçâo sâo as mais perfeitas que se podem desejar, particularmente no que diz respeito ás côres fixas. Com gosto, observamos os progressos desta parte de nossa industria; porque sendo estas Chitas estampadas em um panno assás fino e duradouro, com côres solidas, e padrões de bom gosto, assim mesmo estâo lotadas a 120 réis o covado, preço que regula com as Inglezas de igual apparencia. 
Os Lenços são de muita perfeição, e podem competir com os melhores, neste genero, das Fábricas estrangeiras. 

“Uma Coberta de Chita da Fabrica de Estamparia do Sr Filippe José da Luz em Rio de Mouro" 
Esta amostra de estamparia, e outras similhantes que podem ver-se no Armazem desta Fabrica, rua dos Fanqueiros Nº 158, por sua qualidade e preço, principiam a rivalisar com as manufacturadas em paizes estrangeiros.
Mascarenhas, Antonio Barão. Commercio portuguez em Bristol, e portos adjacentes, no anno de 1838. Offerecido aosportugueses por A. B. de Mascarenhas.Editora Nathaniel Lomas, 1839.



Fontes:

http://www.cm-alcobaca.pt/pt/default.aspx

Instituto Português do Património Cultural (1988) - Lenços e Colchas de Chita de Alcobaça. Museu de Alcobaça.

Mascarenhas, Antonio Barão. Commercio portuguez em Bristol, e portos adjacentes, no anno de 1838. Offerecido aosportugueses por A. B. de Mascarenhas.Editora Nathaniel Lomas, 1839.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Calendário 2015 personalizado, com semanas



Lenços e chitas de Alcobaça 


Os calendários que criei para 2015, têm como tema os lenços e as chitas de Alcobaça. Quem não se lembra dos panos de cores fortes com motivos de pássaros e flores? Nas casas de férias, era comum realizar colchas e cortinados com estes panos. 

Algumas imagens de lenços e chitas de Alcobaça, um calendário de 2015 e conhecimentos de informática, são o bastante para a criação destes e outros calendários de uso pessoal. 



"Tabaqueiro", também conhecido pelo "O Alcobaça", séc. XIX
  
Colcha de algodão estampado, do séc. XIX (pormenor do padrão), da colecção de Vieira Natividade.
Colcha de algodão estampado, do séc. XIX (pormenor do padrão), da colecção de Vieira Natividade.
Colcha de algodão estampado, do séc. XIX (pormenor do padrão), da colecção de Vieira Natividade.
Colcha de algodão estampado, do séc. XIX (pormenor do padrão), da colecção de Vieira Natividade.

Fonte: " Lenços e colchas de chita de Alcobaça". Instituto Português do Património Cultural, 1988.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Maquineta "Adoração dos Magos"

Maquineta "Adoração dos Magos"; presépio atribuído a Machado de Castro - Museu Nacional de Arqueologia

Janela 24


Saiba mais sobre o presépio na colecção do Museu Nacional de Arqueologia, aqui.




Desejo Festas Felizes e Bom Ano Novo a todos os amigos, visitantes e leitores do "comjeitoearte".