quinta-feira, 17 de março de 2016

Comemoração do centenário do Museu Nacional Grão Vasco


O Museu Nacional de Grão Vasco que, em Viseu, acolhe um conjunto admirável de pinturas de retábulo da autoria de Vasco Fernandes (c. 1475-1542), o Grão Vasco,  celebra neste ano de 2016, o seu centenário.

O museu também integra obras dos pintores Columbano Bordalo Pinheiro, Silva Porto e José Malhoa, além de exemplares de faiança portuguesa, porcelana oriental e mobiliário.

A reabilitação deste museu foi realizada pelo arquitecto Eduardo Souto de Moura, entre 2001 e 2003. 





domingo, 13 de março de 2016

A "Dieta Mediterrânica" na pintura portuguesa

Natureza Morta (peixe, rábano de folhas verdes, galheteiro com azeite e vinagre); óleo sobre tela; 1931. Autor: Abel Manta (1888-1982) - Museu José Malhoa - MatrizNet.

A "Dieta Mediterrânica", com origem nos países junto ao Mar Mediterrâneo, tem sido transmitida de geração em geração ao longo dos séculos. 

A "Dieta Mediterrânica", definida pelo termo grego “díaita”, da qual deriva dieta, significa estilo de vida equilibrado, uma forma de estar e não apenas um padrão alimentar, que combina ingredientes da agricultura local, receitas e formas de cozinhar próprias utilizadas pelas diferentes comunidades ao longo dos séculos, refeições partilhadas, tradições e festividades. Este regime alimentar, juntamente com o exercício físico moderado, praticado diariamente, favorecido pelo clima ameno, completam um "modo de vida" que a ciência moderna nos convida a adoptar em benefício da nossa saúde.


Natureza Morta com Peixes, Camarões e Perna de cordeiro; óleo sobre tela; 1640-1650. Autor: Baltazar Gomes Figueira (Óbidos,1604-Óbidos,1674) - Museu de Évora - MatrizNet
Natureza Morta (ganso, fatia de abóbora e couve); óleo sobre tela; século XX. Autor: Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) - Museu do Chiado - MatrizNet
Natureza Morta (maçãs, uvas e copo com vinho); óleo sobre tela; século XX. Autor: Manuel Jardim (1884-1923) - Museu Nacional Machado de Castro - MatrizNet

Esta dieta é caracterizada pelo consumo de pão, azeite e vinho, alimentos de origem vegetal, como massas e arroz, legumes, hortaliças, fruta fresca e frutos oleaginosos. As aves, peixe e ovos devem ser consumidos numa base semanal e a carne vermelha apenas uma vez por mês. A dieta mediterrânica permite o consumo moderado de vinho tinto mas sempre às refeições.

A UNESCO, no decurso da 8ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorreu no Azerbaijão, no dia 4 de Dezembro de 2013, classificou a "Dieta Mediterrânica" como Património Cultural Imaterial da Humanidade de Portugal, Espanha, Marrocos, Itália, Grécia, Chipre e Croácia.


Natureza Morta ( couve, molho de cebolas e utensílios de cozinha); óleo sobre tela; 1887. Autor: José Queirós (1856-1920) - Museu de Évora - MatrizNet
Natureza Morta com Frutos; óleo sobre tela; 1650. Autor: António Pereda y Salgado (1611-1678).- Museu Nacional de Arte Antiga - MatrizNet
Natureza Morta (aipo, marmelo e laranja); óleo sobre tela; 1650-1684. Autores: Baltazar Gomes Figueira (Óbidos, 1604 - Óbidos, 1674) e Josefa de Ayala (Sevilha, 1630 - Óbidos, 1684)- Museu de Évora - MatrizNet

O pão é, sem dúvida, uma fonte de energia. Nutricionalmente, pertence ao grupo dos cereais e é um fornecedor de vitaminas (B1, B2, B5), fibras e hidratos de carbono.  Ao longo do território português, confecciona-se em diferentes formatos, como o Folar de Chaves, a broa de Avintes e a broa de milho com origem no Norte de Portugal, o pão de centeio da Serra da Estrela, e o pão de trigo, de que é exemplo o pão alentejano. Este, geralmente de grandes dimensões, é utilizado em diversos pratos como as açordas e as migas à alentejana.

O azeite, rico em antioxidantes e vitamina E, é um alimento transversal na dieta dos Portugueses. Utilizado principalmente como condimento nas sopas, nas saladas, nas migas, no bacalhau assado ou nas batatas cozidas, o azeite também está presente na confecção de doçaria, bolos e filhós, principalmente nas Beiras e Alentejo. 


Natureza Morta com Frutos e Flores; óleo sobre tela; 1670. Autora: Josefa de Ayala dita Josefa de Óbidos (1630-1684) -  Museu Nacional de Arte Antiga - MatrizPix
Natureza Morta; óleo sobre tela; 1941. Autora: Maria Keil (1914-2012) - Centro de Arte Moderna - MatrizNet

Interior; óleo sobre tela; 1914. Autor: Eduardo Afonso Viana (1881 - 1967) - Museu do chiado - MatrizNet

O pescado integra a dieta mediterrânica, mas em Portugal, o peixe é consumido tradicionalmente devido à dimensão da nossa costa e à qualidade do pescado capturado no Atlântico. O peixe é rico em omega 3, proteínas, vitamina D, cálcio, ferro e vitamina B 12. A célebre sardinha, o polvo e o bacalhau, são os peixes preferidos pelos portugueses, que comem 57 quilos de pescado por ano per capita. Por esta razão, é importado cerca de dois terços do peixe que chega à mesa.

Portugal tem uma grande variedade de vinhos com excelente qualidade. Em quantidades moderadas ( 250 ml por dia), é um excelente tónico. As regiões produtoras de melhor vinho são o Douro, o Alentejo, e o Dão, merecendo também referência as regiões do Minho, Terras do Sado, Bairrada e Bucelas.


Abóboras; óleo sobre tela; 1944. Autor: Mário Eduardo de Passos Reis. - Museu do Chiado - MatrizNet
Natureza Morta - A Lagosta; óleo sobre tela; 1953. Autor: Eduardo Afonso Viana (1881-1967) - Museu Nacional soares dos Reis - MatrizNet
Natureza Morta; óleo sobre tela; 1965. Autor: Abel Manta (Autor: Abel Manta (1888-1982) - Museu Nacional Grão Vasco - MatrizPix.

O tomate, a cebola, o alho e o azeite, são imprescindíveis na dieta mediterrânica, assim como algumas ervas aromáticas. Além dos temperos já mencionados, no norte de Portugal é comum usar a salsa e o louro, no sul, especialmente no Alentejo, utilizam os coentros, a hortelã, o poejo, os orégãos, o alecrim... 

A descoberta do caminho marítimo para a Índia, por Vasco da Gama, possibilitou aos portugueses o consumo da pimenta (designada no Brasil como pimenta-do-reino), canela, noz-moscada e cravinho-da-índia. A doçaria portuguesa faz uso abundante da canela.


Hortaliceiras; óleo sobre tela; 1938. Autor: José de Almeida e Silva (1864-1945) - Museu Grão Vasco - MatrizNet

Milho ao Sol; óleo sobre madeira; 1927. Autor: José Malhoa (1855-1933) - Museu Grão Vasco - MatrizNet
Festa na aldeia; óleo sobre madeira; século XIX; Autor: Leonel Marques Pereira (1828 - \1892) - Museu do Chiado - MatrizNet

Azeite e Pão (montado alentejano com campo de trigo e conjunto de oliveiras); óleo sobre tela; século XX. Autor: João de Melo Falcão Trigoso (1879-1956) - Museu do Chiado - MatrizNet

Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gastronomia_de_Portugal
https://sites.google.com/site/docapescacreative/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Baltazar_Gomes_Figueira

https://ess.ualg.pt/pt/content/dieta-mediterranica-patrimonio-cultural-imaterial-da-humanidade#sthash.xUG9sl69.dpuf



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Chafariz do Largo do Carmo - século 18

Chafariz do Largo do Carmo. Foto "comjeitoearte", 2015.


O Chafariz localizado no centro do Largo do Carmo, em Lisboa, foi construído a partir de 1769, no âmbito da urbanização pombalina.  O projecto inicial é provavelmente do engenheiro D. Miguel Ângelo de Blasco ( Itália-Génova /1679 - 1772?/Lisboa). As obras foram concluídas sobre a orientação de Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791). 

Este chafariz foi um dos mais procurados pelos aguadeiros, por se encontrar na paróquia do Sacramento, local onde residiam muitos dos mesmos. 

Em 1851, o chafariz tinha o maior caudal de todos os que foram construídos no âmbito do Aqueduto das Águas Livres.

A enorme afluência de pessoas que residiam nas proximidades deste chafariz, levava a conflitos constantes entre aguadeiros e habitantes da zona envolvente. A Câmara de Lisboa, em Outubro de 1875, aprovou uma proposta prevendo a demolição do chafariz, que não se efectivou.

Construído à cerca de 240 anos, o chafariz mantém-se em funcionamento e das suas bicas circulares continua a jorrar água fresca. 

Chafariz do Largo do Carmo, gravura. Negativo de gelatina e prata em vidro. (13x18 cm), 1900-1945. Fotógrafo: José Artur Leitão Bárcia (1873-1945). Arquivo Municipal de Lisboa
Largo do Carmo, gravura. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. (6x9 cm), 1930-195?. Fotógrafo: Eduardo Portugal (1900-1958). Arquivo Municipal de Lisboa

Planta de Lisboa anterior ao terramotoálbum contendo 18 páginas, com estudos parciais e plantas; tinta da china sobre papel vegetal. Autor: José Valentim de Freitas (1791-1870) Publicação entre 1850-1860? - Biblioteca Nacional de Portugal. (A circunferência de cor amarelo, localiza o Largo do Carmo, o Convento do Carmo e a Igreja do Carmo. Foto modificada digitalmente).

Atlas da Carta Topográfica de Lisboa, nº 43; escala 1:1000; Outubro de 1858; dimensão: 920 x 625 mm. Autor: engenheiro Filipe Folque (1800-1874)- Arquivo Municipal de Lisboa. (A circunferência de cor verde, localiza o Largo do Carmo, com chafariz, a Igreja do Carmo e o quartel do Carmo. Foto modificada digitalmente).

Arquitectura infraestrutural, tardo-barroca. Chafariz em cantaria de calcário lioz, do tipo nicho, cujo bloco fontanário, de quatro frentes e quatro bicas circulares, com torneiras, que jorram água para dois tanques, é encimado por uma pirâmide ornada por quatro golfinhos. 

O fontanário é protegido por um nicho formado por quatro arcos de volta perfeita, com fecho marcado pelo escudo nacional, coroado, assentes em quatro pilares toscanos, rematados por pináculos piramidais, com cobertura em falsa cúpula, composta por quatro nervuras e rematada por urna no exterior. 

O conjunto arquitectónico está implantado sobre plataforma de planta circular com dois degraus.


Chafariz do Largo do Carmo; escudo nacional, coroado; pináculos piramidais; urna exterior. Foto "comjeitoearte", 2015.


Chafariz do Largo do Carmo; pirâmide ornada por golfinhosFoto "comjeitoearte", 2015.
;Chafariz do Largo do Carmo; plataforma circular com dois degraus .Foto "comjeitoearte", 2015.
Chafariz do Largo do Carmo. Ao lado direito é visível a entrada principal da Igreja do Convento do Carmo. Foto "comjeitoearte", 2015.
Igreja do Convento do  Carmo; vista lateral exterior. Foto "comjeitoearte", 2015
Fontes:
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
http://purl.pt/index/geral/PT/index.html
http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/chafariz-do-largo-do-carmo
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/Default.aspx

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Porta-Cartas em feltro

1 - Porta-Cartas


O feltro é um material adequado a inúmeros trabalhos de reciclagem pois é um tipo de tecido que não desfia e por isso dispensa acabamento moroso.


O Porta-Cartas que vos sugiro foi realizado com uma caixa de cartão (cereais ou bolachas) reciclada, forrada com feltro. 


Uma sugestão para o Dia dos Namorados, Dia da Mãe ou para presente de aniversário.


Material:

- Feltro;
- Tecido ou papel autocolante;
- Cola branca;
- Cola universal;
- Tesoura;
- Trincha;
- Lápis;
- Caixa de cartão;
- Aplicações várias.


2 - Material

O feltro é colado sobre a superfície que se quer forrar com cola branca, aplicada com uma trincha. Para a colagem dos lados e das aplicações decorativas é usada a cola universal. 


Passo a Passo:


1 - Planifique a caixa.  Retire a face A e as partes B, C e D, com o auxílio da tesoura (imagem 3). 

3 - Face A e partes B, C, e D.

2 - Coloque a caixa planificada sobre o feltro. Marque a área de corte, deixando cerca de 2 cm de margem (imagem 4). Recorte a forma obtida.

4 - Área de corte

3 - Aplique a cola branca sobre a caixa e cole o feltro, com cuidado para não rasgar. Faça cortes a 45º nos cantos (a e b). Aplique cola, dobre as margens para dentro e cole ( imagem 5).

5 - Corte dos cantos e colagem

4 - Coloque a caixa planificada sobre o tecido ou papel autocolante. Marque a área de corte igual à área da caixa e recorte. Cole o tecido ou papel (imagem 6).


6 - Colagem do tecido ou papel autocolante

5 - Feche a caixa colando os lados, com a cola universal. Pode usar molas para pressionar, até a cola secar (imagem 7).


7 - Colagem dos lados da caixa

6 - Para o laço, aplique uma fita de algodão, com a cola universal, na parte interior da caixa. Para reforçar, aplique uma fita na margem interior da caixa. 


8 - Aplicação das fitas de algodão. 

7 - A decoração do Porta-Cartas é feita com galão colorido, botões, missangas ou outras aplicações. 


9 - Aplicação de galão com trevos de 4 folhas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Chafariz de Santo Estêvão - século 18

O chafariz está integrado num muro da Igreja de Santo Estêvão

Este chafariz localizado no lado exterior da Igreja de Santo Estêvão, dá para uma escadaria pública, as Escadinhas de Santo Estêvão, em Lisboa.

Nos azulejos do século XVIII que revestem por completo as paredes, vê-se e Pomba do Espírito Santo representada na cúpula, e Nossa Senhora do Carmo e o Menino na parede frontal.

O estado de degradação em que se encontra este chafariz é bem visível.

Parede frontal

Cúpula

Parede lateral esquerda

Parede lateral direita







Fotos "comjeitoearte"

Fonte:
http://www.lisbonlux.com/