sexta-feira, 1 de junho de 2018

Conselhos às futuras mães

Como dar a mamada, (p. 81)


Neste Dia Internacional da Criança, publico imagens criadas para o livro «Bendito é o fruto... conselhos às futuras mães» (2ª edição, 1973), pela pintora portuguesa, Raquel Roque Gameiro (1889-1970). 

Divulgo alguns conselhos pré e pós-natais às futuras mães (citados no livro), sabendo que a distância de 45 anos, nos faz reflectir sobre a evolução nos cuidados pré e pós-natal. 
      .


Alimentação (sobre a mesa, o que convém comer; em baixo, o que não  deve comer, nem beber) p.34.

Alimentação 
(...)
Fazei 4 refeições por dia: 

De manhã: pequeno almoço.  Ao meio-dia: almoço.  Ao meio da tarde: merenda .  Ao anoitecer: jantar. 

O que convém comer:

Peixe, carne, ovos e leite. Legumes, frutas cruas ou cozidas. Pão, manteiga, queijo e doces. Nozes, avelãs, mel, cerveja. Sempre pouco sal, mas sobretudo no fim da gravidez.  

O que não deve comer, nem beber: 

Aguardente. Vinho, chá ou café em abundância. Conservas ou enchidos. Alimentos retardados. Alimentos muito cozinhados, como: guisados e refogados, com temperos de colorau e pimenta.

Dieta-tipo para a gravidez e aleitamento: 

Um litro de leite diário. Hortaliças ou saladas, uma a duas vezes ao dia. Um ou dois ovos. Peixe do mar, pelo menos duas vezes por semana.  Carne magra, uma vez ao dia. Fígado da vaca, uma vez por semana. Uma maçã, laranja ou outra fruta fresca, todos os dias. Se o aumento de peso for exagerado, é necessário diminuir o mesmo, abolir os alimentos farináceos: batata, massa, arroz, pão, bolos e doces e beber muito poucos líquidos, inclusive água.
(...) 



Preferir o ar livre ( p. 40).
Regime de vida
- Descanso na cama - Depois do terceiro mês, deve haver  períodos de repouso, e nos últimos meses permanecer duas a três horas deitada com a roupa desapertada, e com os pés em cima de almofadas, para que fiquem mais altos que o corpo.  
(...)
- Dar um passeio, a pé, todos os dias. Em vez de permanecer em casa todo o dia, preferir o ar livre, uma a duas horas por dia.
- As janelas do vosso quarto devem ser abertas todos os dias, independentemente do tempo que estiver. 
(...) 


O enxoval (p. 58).

Parto na maternidade
(...) 
Para o bebé (saída da maternidade):
Uma camisa de pano fino, de algodão. 
Um casaquinho de malha de lã ou, no tempo quente, um casaquinho de algodão.
Um cueiro de flanela.
Duas a três fraldas, com o alfinete respectivo.
Sapatinhos de lã, babete e touca. 
No Inverno, outro casaquinho de lã e uma envolta de lã, para a saída.
Uma escova para o cabelo.
(...) 

Primeiro banho e tudo o que é preciso para o bebé ( p. 71).

Os olhos, os ouvidos e o nariz - (...) Nos dias seguintes, os olhos estão às vezes vermelhos, e isto é normal, mas não devem ter pus. Lavá-los cuidadosamente com água fervida. Ao fim de três dias, costumam ter a cor normal. Se assim não for, recorrer ao médico.Os ouvidos serão lavados também com algodão embebido em água fervida.O nariz também se lava com uma ponta de algodão, enrolado e embebido em água fervida.
Pele - A pele do recém-nascido e fina e muito sensível. (...) É preciso lavar com cuidado e docemente toda a superfície do corpo, particularmente o rabinho, as virilhas e as pregas do pescoço. Secar, sem esfregar, com uma toalha fina (...).


Como pegar no bebé (p.84).

Como dar a mamada - Com a criança deitada para o lado do peito que vai ser dado, meter-lhe o mamilo na boca e com o dedo indicador baixar o peito na altura do nariz da criança para que ela possa respirara facilmente.Deve-se ouvir o ruído da deglutição, isto é de engolir o leite porque, caso contrario, esta a engolir ar.
(...)
Como pegar no bebé - A cabeça deve estar sempre apoiada, porque a criança não a segura, senão ao fim de alguns meses.(...)Para o levantar, passar uma das nossas mãos por trás do pescoço, apoiando a cabeça no braço, e com a outra segurar as duas pernas, quer por baixo, quer por cima.Para lhe «pegar ao colo», deitá-lo sobre o braço, de maneira que as nádegas fiquem numa das mãos, e a cabeça apoiada sobre a prega do cotovelo e a outra mão por fora, a ampará-lo. 



Junto ao berço chora e ri (p.16)



Fontes:
Martins, Maria João de Sousa, 1973. Bendito é o fruto...conselhos às futuras mães. Colecção educativa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Raquel_Gameiro

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Caixa decorada para o Dia da Mãe

1

Uma caixa/embalagem forrada com papel colorido e de execução muito fácil é a minha proposta  para o Dia da Mãe.

A decoração é realizada com objectos de uso diário, reciclados (por vezes esquecidos...).

Para um acabamento mais personalizado pode realizar as flores em massa biscuit.



Material  necessário:

- Caixa de cartão;
- Cola;
- Tesoura;
- Crochet /renda;
- Fitas de cetim ou algodão;
- Bijutaria;
- Flores em biscuit  ou tecido.


Execução:

1 - Cole a roseta de crochet sobre a tampa da caixa.

2 - Coloque os vários acabamentos decorativos sobre a roseta. Cole cada um dos elementos.


2
3 - Cole as fitas em redor  da caixa.

3
Pode substituir a renda por papel recortado. Veja aqui o processo de execução.



quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - VI




No dia 25 de Abril de 1974, Lisboa tornou-se o centro das atenções da diplomacia e da informação mundial. Nesta data, terminou o isolamento internacional em que Portugal permaneceu durante o regime ditatorial do Estado Novo (1933/1974). 



Cartoon intitulado «Amigos Novos», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Setembro de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



Fontes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_de_25_de_Abril_de_1974

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa


https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


terça-feira, 24 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - V



Cartoon intitulado «turistas», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em 1972.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui)

24 de Abril 
(...) 
08h30 - Os oficiais da EPC, ligados ao MFA, iniciam nas paradas, no maior sigilo, os contactos com os cerca de cinquenta graduados (oficiais subalternos do Quadro Permanente, alferes, aspirantes, furriéis e cabos milicianos), individualmente, comunicando-lhes que, se a senha e contra-senha forem para o ar, a operação decorrerá nessa madrugada. 

(...)
 
10h00 - Álvaro Guerra comunica a Carlos Albino a escolha definitiva de «Grândola Vila Morena» como senha nacional, garantindo este a sua transmissão.  

(...)  
14h00 - O jornal «República» insere uma curta notícia, intitulada «Limite», com o seguinte teor: « O programa «Limite» que se transmite em Rádio Renascença diariamente entre a meia-noite e as 2 horas, melhorou notoriamente nas últimas semanas. A qualidade dos apontamentos transmitidos e o rigor da selecção musical, fazem de «Limite» um tempo radiofónico de audição obrigatória»*

(...)
15h00 - Encontro decisivo de Carlos Albino com Manuel Tomás (técnico da Rádio Renascença e um dos responsáveis pelo programa «Limite» que regressara de Moçambique) para a execução da senha e garantia da sua transmissão. Refira-se que, sendo sendo o «Limite» um programa independente, era obrigado a passar por duas censuras: a da R
ádio Renascença e a oficial, esta última corporizada num coronel que acompanhava as emissões em directo e revia previamente os textos. Para maior segurança retiram-se dos estúdios para um local seguro.  

(...)  
19h00 - Os censores na Rádio Renascença autorizam os textos e o seguinte alinhamento do bloco  com a duração  de 11 minutos: quadra, canção Grândola, quadra, poemas «Geografia» e «Revolução Solar», da autoria de Carlos Albino, e a canção «Coro de Primavera». 
 (...) 
22h00 - (...) O Capitão Salgueiro Maia, que vai comandar a coluna militar da EPC, na «Operação Fim Regime», dá início a uma breve reunião, no piso dos quartos dos oficiais, para dar a conhecer a Ordem das Operações, distribuir missões e definir detalhes para o desencadear da operação.
22h30 - No Posto de Comandos encontra-se reunido o Estado Maior do Movimento das Forças Armadas, dirigido pelo major Otelo Saraiva de Carvalho  e constituído pelos tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Nuno Fisher Lopes Pires, major Sanches Osório, capitão Luís Macedo, adjunto operacional, e comandante Vítor Crespo, que assegura a ligação com a Marinha, garantida pela presença permanente do comandante Almada Contreiras no Centro de Comunicações da Armada (CCA). Contam, também, com a colaboração de quatro oficiais do RE 1 (Frazão, Máximo, Reis e Cepeda).  
(...) 
22h55 - 1ª senha: a voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa «Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofesival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas. 
 
23h00 - Na Escola Prática de Artilharia (EPA), em Vendas Novas, os capitães Mira Monteiro e Oliveira Patrício e os tenentes Marques Nave, Cabaças Ruaz, Sales Grade, Andrade de Silva e António Pedro procedem à detenção dos comandante e 2º comandante da unidade, respectivamente coronel Mário Belo de Carvalho e tenente-coronel João Manuel Pereira do Nascimento, ocupam as centrais rádio e telefónica e assumem o controlo do quartel.
 
- Recolhem à escola prática de infantaria (EPI) as forças que se encontravam em exercícios de campo. 
- O «10º grupo de comandos» divide-se em equipas, distribuídas por 4 automóveis, para constituir patrulhas destinadas, além de manter a vigilância ao R.C.P., a observar as principais instalações das Forças de Segurança (GNR, PSP, IP e DGS), e dos quartéis da Calçada da Ajuda (RC 7 e RL 2). 
- No BC 5 o major Cardoso Fontão comunica aos oficiais presentes o que está a acontecer e os objectivos do MFA, a adesão é total. 
(...)  
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
A notícia no vespertino «A República» foi o aviso de que as operações estavam bem encaminhadas. 



Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975. Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


segunda-feira, 23 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - IV


Cartoon «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?». Maio de 1969

   

Cartoon intitulado «O regresso da velha» / «Então meninos têm-se divertido?», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, em Maio de 1969.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.



1974
(Leia outros factos aqui e aqui )


23 de Abril 
00h15m - Otelo Saraiva de Carvalho e  Costa Martins, protegidos pelo major FA Costa Neves, encontram-se, no Apolo 70, com João Paulo Dinis. Este esclarece que apenas colabora no programa matutino Carrocel do R.C.P., razão pela qual não poderá emitir a senha pretendida. Obtêm, contudo, a garantia de transmissão do seguinte sinal, entretanto combinado, «Faltam cinco minutos para a meia-noite. Vai cantar Paulo de Carvalho «E depois do adeus», através dos Emissores Associados de Lisboa (E.A.L.), que apenas dispõem de um raio de alcance de cerca de 100 a 150 quilómetros de Lisboa. A limitada potência do emissor torna, assim, necessária a emissão de um segundo sinal, através de uma estação que alcance todo o pais. (...) 
Final da manhã - Álvaro Guerra, contactado por Almada Contreiras em nome do Movimento para conseguir a emissão de um sinal radiofónico de âmbito nacional que sirva de código para o desencadeamento das operações, solicita a Carlos Albino, seu colega no República e um dos responsáveis pelo programa Limite a transmissão, no início da madrugada de 25 de Abril, da canção «Venham mais cinco», de José Afonso. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que a canção estava proibida pela censura interna da Renascença. Aponta alternativa, entre as quais «Grândola, Vila Morena». (...) 
Tarde - Encontro de Otelo com  o tenente-coronel de cavalaria Correia de Campos, num bar na zona do Rego (Lisboa), onde o último aceita participar no Movimento e assumir o comendo do Regimento de Cavalaria 7, coadjuvado pelos tenentes Cid, Cadete e Aparício, logo que concretizada a detenção dos oficiais superiores daquele regimento que deveria ser efectuada por grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.(...) 
20h00 - Na residência do comandante Vitor Crespo, no Restelo, realiza-se uma reunião final de Otelo e Vítor Alves com representantes da Armada, nomeadamente os comandantes Geraldes Freire e Abrantes Serra, onde foi obtida a garantia da neutralidade das forças da Marinha. 
23h00 - Chegada a Santarém dos capitães Candeias Valente e Torres, oficiais do Movimento, portadores da ordem de operações para a Escola Prática de Cavalaria (EPC). Comunicam telefonicamente com o tenente Ribeiro Sardinha informando que ja se encontram na cidade, na Pastelaria Bijou. Este contacta Salgueiro Maia. 
23h30 - O capitão Salgueiro Maia desloca-se à Pastelaria Bijou, no Largo do Seminário, em Santarém, para se encontrar com os agentes de ligação. 
23h55 - Na viatura de Salgueiro Maia, estacionada junto ao Jardim da Republica, é-lhe entregue a ordem de operações e acertados os últimos detalhes. Uma viatura da PIDE/DGS ronda a zona e segue o capitão à distância. 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês


Fontes:

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta


sexta-feira, 20 de abril de 2018

25 de Abril - Factos da Revolução - III



 Cartoon «emigrantes», 1972 

Cartoon intitulado «emigrantes», realizado pelo arquitecto, pintor e ilustrador João Abel Manta, na época  anterior ao 25 de Abril de 1974.

João Abel Manta foi um dos maiores cartonistas portugueses. Os seus trabalhos abordaram de forma critica e irónica a realidade portuguesa nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril.




1974 
(Leia outros factos aqui e aqui) 


20 de Abril - Na mais importante das reuniões, Otelo Saraiva de Carvalho distribui as missões aos delegados das unidades da Região Militar de Lisboa (Lima)(...).- Conclusão do essencial dos textos políticos (...). A partir dessa data, Otelo, que também assegura a ligação com Spínola, passa a efectuar os contactos, por razões de segurança, através do major de cavalaria na reserva Carlos Alexandre de Morais. São da responsabilidade do general algumas das modificações introduzidas nomeadamente a designação de Movimento das Forças Armadas (MFA), em substituição da versão anterior de Movimento dos Oficiais das Forças Armadas (MOFA) e de Junta de Salvação Nacional (JSN) em alternativa à proposta de Directório Militar. 

21 de Abril - Encontro, em Oeiras, de Otelo e do major Moura Calheiros com os coronéis Rafael Durão (representante do general Spinola) e Fausto Marques, com visa a obter a adesão do Regimento de Caçadores Para-quedistas, comandado pelo último oficial.
 

22 de Abril 
 
00h01 - A partir do início deste dia, todos os delegados do Movimento nas unidades entram em estado de alerta, preparados para receber o contacto do agente de ligação, portador das instruções finais.- A Escola Prática de Transmissões (EPTm), localizada em Sapadores, recebe autorização do Estado-Maior do Exército (EME), por proposta do tenente-coronel Garcia dos Santos, para o estabelecimento de uma linha directa com o RE 1*, da Pontinha, numa extensão de 4 quilómetros. Inicia-se sem demora a sua instalação, efectuada por uma equipa comandada pelo furriel Cedoura, que ficará concluída em menos de 24 horas. (...) 

c. 11h00 - O capitão Costa Martins contacta João Paulo Dinis, no Radio Clube Português (R.C.P.), por incumbência de Otelo, (...) com o objectivo de emitir um sinal radiofónico para desencadear o movimento. O radialista, que desconhecia o emissário, desconfia da sua identidade, mas aceita marcar um encontro entre os três, nessa noite, num bar lisboeta.
 

Noite - Reunião de Otelo, na Reboleira, com os grupos de comandos coordenados pelo major Jaime Neves.
 
30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês
* Regimento de Engenharia 1 (RE 1) 




Fontes::

30 anos de Abril (2004); Junta de Freguesia das Mercês

João Abel Manta,Cartoons 1969-1075. Edições "O Jornal", 1975Lisboa

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Abel_Manta