domingo, 27 de novembro de 2011

O FADO NA ARTE - pintura



Nas ruas de Lisboa, o fado foi difundido pelos marinheiros, através das cantigas de levantar ferro,  cantigas das fainas, cantiga do degredado, fado do marinheiro, cantado nas proas dos navios. Com o fado surgiram os fadistas, ou faia, por volta de 1840, com atitudes provocatórias, envolvendo-se frequentemente em conflitos, com uma forma bem característica de trajar: boné de oleado com tampo largo e pala, ou boné direito, com fita preta formando laço ao lado e pala, jaqueta de ganga ou com alamares. O penteado, comprido à frente, formava melenas empastadas sobre a testa. 

O Fado, óleo sobre tela, José Malhoa, 1910 - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa
Estudo para a pintura, O Fado, desenho  a carvão sobre papel, José Malhoa, 1910 - Museu do Chiado, Museu Nacional de Arte Contemporânea , Lisboa
Estudo para a pintura, O Fado, desenho  a carvão sobre papel, José Malhoa, 1910 - Museu José Malhoa

No sec. XIX , o fado era considerado uma expressão artística pagã. As sua origens boémias e ordinárias, com assento nas tabernas e prostíbulos, em ambientes de violência, fazem o fado condenável aos olhos da igreja.
As melodias do canto e da guitarra, chamaram os nobres às ruas dos bairros do castelo, estes traduziram posteriormente as músicas para as pautas das damas da sociedade, ao que levou a que o fado se tornasse assíduo dos salões, a partir de 1880.
As tabernas eram frequentadas por fidalgos, artistas, trabalhadores da hortas, populares e estrangeiros, que se reuniam em noites de fado vadio, ou seja, o fado não profissional.
Fado I, serigrafia, Júlio Pomar 

Lusitânia no Bairro Latino (Retratos de Mário de Sá Carneiro, Santa-Rita Pintor e Amadeo de Souza Cardoso), tinta acrílica sobre tela, Júlio Pomar,1985 - Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão/ Fundação Calouste Gulbenkian - CAMJAP/FCG

Fado, Cândido Costa Pinto
Lisboeta, óleo sobre tela, Cãndido Costa Pinto, 1952 - Museu da Cidade, Lisboa
Na primeira metade do sec. XX o fado foi adquirindo riqueza melódica, tornando-se mais literário e artístico. Durante as décadas de 30 e 40 esta canção passa a ser popular e comercial devido à divulgação pelos meios de comunicação. Aparecem as Casas de Fado (1946), o fadista passa a ter carteira profissional. Estas casas proporcionavam o convívio entre os compositores, fadistas e público. Torna-se famoso fora de Portugal, conquistando o mundo. Os artistas que cantam o fado vestem de negro, cantam o sofrimento, a tragédia, a desgraça, a sina e o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, os amores, a cidade, as misérias da vida.
O fado “clássico” é também conhecido como fado castiço. O fado moderno é caracterizado pelas letras de grandes poetas, a introdução de novas formas de acompanhamento, e músicas de grandes compositores. O fado não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa, embora possa ser acompanhado por violino, violoncelo e até orquestra.

Casa das Violas, óleo sobre tela e cartão prensado, José Dominguez Alvarez - Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão/ Fundação Calouste Gulbenkian - CAMJAP/FCG 


Trou de la serrure, PARTO DA VIOLA, Bon ménage. Fraise avant garde", óleo e pochoir sobre tela, Amadeo de Souza-Cardoso, 1916 - CAMJAP/FCG 
Brut 300 TSF, óleo e areia sobre tela, Amadeo de Souza-Cardoso, 1917 - CAMJAP/FCG 
Homem a tocar viola, linóleo sobre papel, Francisco Franco CAMJAP/FCG  
Homenagem a Amadeo de Souza-Cardoso, lápis de cera, José de Almada Negreiros,1970
(França, José-Augusto (1974), Almada Negreiros o Português sem Mestre, Lisboa: Estúdios Cor) 



O fado está de parabéns!
Alegria, honra, orgulho, de todos nós!

 Fado Português

O Fado nasceu um dia
quando o vento mal bulia
e o céu o mar prolongava,
na amurada dum veleiro,
no peito dum marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.

Ai, que lindeza tamanha,
meu chão , meu monte, meu vale,
de folhas, flores, frutas de oiro,
vê se vês terras de Espanha,
areias de Portugal,
olhar ceguinho de choro.

Na boca dum marinheiro
do frágil barco veleiro,
morrendo a canção magoada,
diz o pungir dos desejos
do lábio a queimar de beijos
que beija o ar, e mais nada,
que beija o ar, e mais nada.

Mãe, adeus. Adeus, Maria.
Guarda bem no teu sentido
que aqui te faço uma jura:
que ou te levo à sacristia,
ou foi Deus que foi servido
dar-me no mar sepultura.

Ora eis que embora outro dia,
quando o vento nem bulia
e o céu o mar prolongava,
à proa de outro veleiro
velava outro marinheiro
que, estando triste, cantava,
que, estando triste, cantava.


letra de José Régio
música de Alain Oulman

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