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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Regina - Caixas de chocolates e rebuçados

 

Fábrica de Chocolates Regina. Caixa de chocolates. Data: anos 50. Material: lata; ferro. Dimensões: 23,3x16,7x20cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas

Na decoração da tampa e das quatro faces da caixa, parece-me estar representada a história infantil "A Cinderela".

As latas de biscoitos e chocolates decoradas com motivos florais, paisagens ou cenas figurativas, encantam os jovens e os adultos. 

Fiz aqui no blogue, uma publicação com latas de biscoitos de marcas inglesas. Hoje, partilho o sítio do Museu das Marcas, Artes Gráficas e Publicidade, em Portugal, onde divulgam a história, os produtos, a publicidade e as campanhas de marcas portuguesas ou representadas em Portugal. 

A marca Regina fundada no ano de 1927, fez parte do quotidiano de muitas gerações de portugueses. Com uma variada gama de produtos, entre eles as caixas de furos, foi uma marca de referência a nível nacional. Após 1996, foi comprada pela Imperial. Em 2002, a empresa relançou alguns produtos da Regina obtendo muito sucesso.


Fábrica de Chocolates Regina. Caixa de bombons. Material: lata; ferro. Dimensões: 12,8x5,7x12,8cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas




Fábrica de Chocolates Regina. Caixa de chocolates. Material: lata; ferro. Dimensões: 23,3x17x23cm. Impressão de Litografia da Boavista. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas







Fábrica de Chocolates Regina. Caixa de chocolates. Material: lata; ferro. Dimensões: 22,4x16,3x15cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas






Na decoração da tampa e das quatro faces da caixa, parece-me estarem representadas cenas do quotidiano e trajes regionais de Portugal.

Rebuçados de Frutas Regina. Rebuçados, Drops, Caramelos. Fábrica de Chocolates Regina. Data: anos 30. Material: lata; ferro. Dimensões: 20,1x7x20,1cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas


Bombons, Chocolates, Drops e Rebuçados. Fábrica de Chocolates Regina. Data: anos 30. Material: lata; ferro. Dimensões: 24,9x14,7x24,9cm. Impressão de Litografia Vª Ferrão. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas


Fábrica de Chocolates Regina. Material: lata; ferro. Dimensões: 10,2x2,8x13,6cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas







Chocolates, Drops Sortidos. Fábrica de Chocolates Regina. Data: 1987. Material: lata; ferro. Dimensões: 16,5x5x16,5cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas





Fábrica de Chocolates Regina. Chocolates, Drops, Bombons. Caixa de Furos. Data: anos 40. Material: madeira; papel. Dimensões: 32,5x42,8x14cm. Colecção: Salvador Patrício Gouveia. - Museu das Marcas


Fontes:

https://museudasmarcas.pt/sobre/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-8/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-2/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-9/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-5/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-4/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina-6/

https://museudasmarcas.pt/pecas/lata-regina/

https://museudasmarcas.pt/pecas/caixa-de-furos-regina/



segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Caixas de rapé, ourivesaria - ||

 

Caixa de rapé. Autor: Jean Ducrollay (1757-1758). Material: Ouro e esmalte. Representação de penas de pavão. Local de fabrico: Paris. Dimensões: 3,2 X 7,6 X 5,8 cm. - The Wallace Collections .

Em França o uso de rapé tonou-se moda após a morte de Luís XIV, em 1715, por este condenar o hábito. 
As caixas realizadas em diversos materiais, suportes e técnicas, satisfaziam o gosto e a exigência dos clientes.  As classes ricas e abastadas preferiam as de materiais nobres como o ouro, a prata e ouro cravejados com diamantes.



Caixa de rapé. Autor: Daniel Govaers (ou Gouers) (francês, mestre 1717, ativo 1736) Material: Ouro e diamantes. Local de Fabrico: Paris, 1734. Dimensões: 2,5 X 8,3 X 6 cm. - The Metropolitan Museum of Art.



Caixa de rapé. Autor: Jean Ducrollay (1757-1758). Material: Ouro multicolorido cinzelado. Representação de paisagens. Local de fabrico: Paris. Dimensões: 3,8 X 7,7 X 3,7 cm. - Victoria and Albert Museum .

Caixas de valor elevado eram usadas por vezes, como pagamento pois possibilitavam ao destinatário devolvê-las ao ourives e receber o seu valor em dinheiro. O monarca francês oferecia regularmente caixas de ouro como recompensa pelos serviços prestados à sua corte. Embaixadores estrangeiros eram os destinatários dessas valiosas caixas.
Paris liderava a produção de peças de luxo de alta qualidade, na Europa do século XVIII. Os ourives franceses que produziam caixas de ouro, tornaram-se exímios na sua construção, dissimulando a solda e integrando lindamente as dobradiças . 

Caixa de rapé. Autores: Pierre Fromary e Christian HeroldMaterial: Cobre decorado com folha de ouro e esmaltes. Representação de animais, flores e outros motivos. Local de fabrico: Berlim, em 1730. Dimensões: 3,2 X 7,3 X 5,5 cm. - Victoria and Albert Museum .

As caixas de rapé francesas de ouro com jóias, estavam na moda entre os nobres alemães, no início do século XVIII. Frederico, O Grande (1712-1786), quando subiu ao trono como rei da Prússia, em 1740, restringiu a importação para incentivar o fabrico local. Apreciador de rapé, possuía uma grande colecção de caixas e bengalas que combinava com as suas roupas. Quando faleceu tinha uma colecção de 700 caixas em ouro. Frederico teria encomendado um conjunto de 125 peças de design conhecidas por "caixas de Potsdam", da qual faziam parte caixas de rapé com jóias, ornamentadas com motivos florais.

Caixa de rapé (encomenda do rei Frederico da Prússia). Autor: Guillaume George Krüger? Material: Ouro, prata, diamantes, rubis e vidro. Motivos florais. Local de Fabrico: Berlim, ca. 1765. Dimensões: 6 X 10 X 8,8 cm. - The Metropolitan Museum of Art.


Caixa de rapé (encomenda do rei Frederico da Prússia). Autor: Guillaume George Krüger? Material: Pedra de Sangue esculpida, ouro, prata, esmeralda, turquesa, diamantes, rubis e vidro. Motivos florais. Local de Fabrico: Berlim, ca. 1765. Dimensões: 7,3 X 9,5 X 5,4 cm. - Victoria and Albert Museum.

Francisco Gomes de Amorim (1827-1891), nas memórias biográficas de Almeida Garrett (1799-1854), dá-nos uma visão sobre os "critérios" de utilização da caixa de rapé, por Garrett.


GARRETT

Memórias Biográficas 

(…)

« No dia seguinte apareceu o visconde de Almeida Garrett: casaca verde bronze, com botões de metal amarelo, recortado sobre o veludo verde; colete branco, de grandes bandas: colete deslumbrante; calça côr de flor de alecrim; camisa finíssima, a tira e os punhos encanudados; gravata de côres lubricas; luvas côr de palha.

« José Estevão não o perdia de vista.

« Garrett pediu a palavra, e levantou-se com a solenidade de um semi-deus, - ah! caso assombroso! – em contraste com o raro e apurado no trajo, sacou da algibeira uma monstruosa caixa de rapé!

« José Estevão, agitando a cabeça leonina, disse para os que lhe ficavam em volta:

- « Tremei , ó povos de Israel; o divino trouxe a caixa das execuções!»

(...) 

É certo que usava caixa, de ouro ou prata dourada; mas só se servia d’ella  em ocasiões solenes, quando fazia algum discurso memorável,  dos de deitar tudo a terra; ou n’outras circunstâncias graves.(…) A pitada a proposito era um recurso oratório, uma pausa terrível, em que a ironia pungente e o sarcasmo fulminante preparavam o auditório para assistir ao sacrifício da vitima, enquanto o executor dava o último fio no cutelo... com rapé meio grosso! (...) - os amigos da Garrett chamavam à sua caixa de rapé, a caixa das execuções.

(...) 

 GARRETT memórias biográficas – volume 3 – Francisco Gomes de Amorim – 1884  (pág. 340 e 563)

Editora: Imprensa Nacional


Design para tampa de caixa de rapé. Autor: Mongenor Material: Caneta, tinta e aguarela. Local de fabrico: França, séc. XVIII. - Victoria and Albert Museum .


Caixa de rapé. Autor: Jean Ducrollay; Louis Roucel. Paris, França. Data: ca 1755-56. Material: Ouro, prata, diamantes e esmeraldas,  cinzelado, esmalte. Dimensões: 4,8 X 9,6 X 7,6 cm. - Palácio Nacional da Ajuda, Portugal (MatrizPix)


As caixas criadas para armazenar rapé, eram sinónimo de riqueza e bom gosto, exibidas como acessórios de moda por homens e mulheres. Algumas caixas tinham outras funções como a de guardar cosméticos. O uso do rapé generalizou-se como substância de uso medicinal, pela crença de que ajudava na prevenção de doenças. A arte de inalar e oferecer rapé, obedecia a códigos sociais de etiqueta.


Caixa de rapé. Autor: Joseph Etienne Blerzy (francês activo entre 1750-1806) Material: Ouro, esmalte e pérolas. Alegoria de geografia. Local de Fabrico: França, 1777-1778. Dimensões: 3,7 X 8,3 X 6,2 cm. - The Metropolitan Museum of Art.

Caixa de rapé, com relógio. Autores: Alexander James Strachan (criador), Anthony Mesure (relojoeiro) Material: Ouro, esmalte e pérolas. Local de fabrico: Londres, em 1800. Dimensões: 8,4 X 5,8 X 3,2. - Victoria and Albert Museum .

 

Caixa de rapé. Material: Ouro, prata, diamante e turquesa. Local de fabrico: São Petersburgo, em 1820. Dimensões: 6,6 X 3,3 X 2,4 cm. - Victoria and Albert Museum .


Fontes:

https://www.wallacecollection.org/

https://www.metmuseum.org/art/collection/sech/200378

https://collections.vam.ac.uk/item/O112980/box-ducrollay-jean/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307018/snuff-box-pierre-fromery/

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/460516

https://collections.vam.ac.uk/item/O158199/snuffbox-kr%C3%BCger-jean-guillaume/

https://collections.vam.ac.uk/item/O733977/snuff-box-design-mongenor/

http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=0&REGPAG=50&CRITERIO=+rap%C3%A9&IDFOTO=12926

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/460517

https://collections.vam.ac.uk/item/O156462/snuffbox-strachan-alexander-james/

https://collections.vam.ac.uk/item/O156570/snuffbox-unknown

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Caixas de rapé, porcelana - I

Caixa de rapé, em porcelana e ouro de Luis XVI, em forma de ovo. Fabrico: Fábrica de Porcelana de Sèvres. Paris. Data: ca 1764-65. Material: Porcelana de pasta macia, ouro cinzelado, esmalte. Dimensões: 4 X 5,8 cm. - Victoria and Albert Museum


No século XVI, por volta dos anos 70, o tabaco era de uso geral na Europa Ocidental. No século seguinte, em 1630, fumar tornou-se um hábito social, muito do agrado de todas as classes, apesar do seu custo. 

O tabaco em pó, denominado rapé, foi muito popular em Inglaterra após a peste bubónica (1665-1666), pois acreditavam que o rapé possuía propriedade antisséptica. Os consumidores podiam comprá-lo já ralado e pronto para consumo ou em pedaços. Neste caso, ralavam o tabaco na hora com o auxílio de um pequeno ralador, obtendo um cheiro de maior qualidade.

Vendia-se em pequenas caixas realizadas nos mais diversos materiais nobres ou não como prata, ouro, cobre, metais comuns, porcelana, madeira e papier maché. Os consumidores desejavam e tornavam visíveis caixas de prata e prata dourada, ricamente decoradas. 

 

Caixa de rapé. Fabrico: Viena. Data: ca 1730. Material: Porcelana de pasta dura, ouro. Dimensões: 3,5 X 7,5 cm. - The Metropolitan Museum of Art

Caixa de rapé, pintada com vistas do Elba em Meissen. No interior uma mulher e um menino num parque. Fabrico: Fábrica de Porcelana Meissen. Alemanha. Data: ca 1740-45. Material: Porcelana de pasta dura, cobre dourado, esmalte. Dimensões: 4,4X8,8X6,7 cm- Victoria and Albert Museum

Na obra do escritor português Eça de Queiróz (1845-1900), a "caixa de rapé" como objecto utilizado por algumas personagens e na relação entre elas, aparece associada a diferentes situações do quotidiano. 


Singularidades de uma Rapariga Loura

(...)

Quando Macário lhe disse, uma manhã, ao almoço, abruptamente, sem transições emolientes: «Peço-lhe licença para casar», o tio Francisco, que deitava o açúcar no seu café, ficou calado, remexendo com a colher, devagar, majestoso e terrível; e quando acabou de sorver pelo pires, com grande ruído, tirou do pescoço o guardanapo, dobrou-o, aguçou com a faca o seu palito, meteu-o na boca e saiu; mas à porta de sala parou, e voltando-se para Macário, que estava de pé, junto da mesa, disse secamente: 

-Não.

-Perdão, tio Francisco!

-Não.

- Mas ouça, tio Francisco…

-Não.

Macário sentiu uma grande cólera.

(…)

Macário voltou-se com uma esperança.

- Dê-me daí a caixa do rapé – disse o tio Francisco.

Tinha-lhe esquecido a caixa! Portanto estava perturbado.

(…)

Eça de Queiróz – Contos – 16ª Edição. Edição «Livros do Brasil» Lisboa

Pág. 23. (escrito entre 1874 e 1897)


Caixa de rapé em forma de gato. Fabrico: Meissen Manufactory. Alemanha Data: ca 1745. Material: Porcelana de pasta dura, ouro. Dimensões: 6,7 cm. - The Metropolitan Museum of Art

Design de caixa de rapé. Autor: Gabriel Jacques De Saint-Aubin. França. Data: ca 1750. Material: Lápis, caneta e tinta, aguarela e aguada. Dimensões: 1,5X3 pol. - Victoria and Albert Museum

Caixa de rapé, pintada com figuras em paisagens com vista para o parque, a cidade-castelo e o porto, incluindo figuras elegantes observando uma fábrica ribeirinha. Fabrico: Fábrica de Porcelana de Meissen. Pintor: Herold, Christian Friedrich. Data: ca 1750-60. Material: Porcelana de pasta dura, dourado, esmalte. Dimensão: Altura: 4X8,3X6,4 cm - Victoria and Albert Museum


O rapé generalizou-se por toda a Europa no século XVIII, com regras de etiqueta para o seu uso. Fumar rapé era um passatempo e um ritual social muito elegante. Armazenado em pequenas caixas portáteis e herméticas, transportadas na mão ou no bolso, foram consideradas por vezes, como pequenas joias, demonstrando o gosto e a situação financeira de quem as usava. As caixas possuíam sempre uma tampa articulada. Os recipientes em porcelana decorados com ouro e prata também estavam na moda.

O design das caixas estava ligado á sua função. Fumar rapé exigia que a caixa fosse segura com uma mão enquanto se retirava uma pequena quantidade de tabaco em pó com a outra. A forma e o tamanho deveria ser adequada à palma da mão. Uma tampa articulada, além de evitar desperdício durante o uso, encaixava milimetricamente para manter o rapé seco. 


Caixa de rapé. Caixa rectangular vertical, do tipo duplo compartimento com duas tampas articuladas. Fabrico: Meissen. Saxónia. Data: ca 1725-35 (feito), ca. 1735-1745 (esmaltado). Material: Porcelana de pasta dura, cobre dourado, esmaltes e dourados. Dimensões: 8,7cm X 8,4cm X 4,5cm. - Victoria and Albert Museum

Caixa de rapé. Modelada como um caçador descansando sobre um monte. Fabrico: Fábrica de Porcelana Saint-Cloud. França. Data: ca 1738-39. Material: Porcelana de pasta macia, prata, esmalte. - Victoria and Albert Museum


Caixa de rapé, com forma de barril achatado, com fundo duplo, moldada com argolas. Duas tampas, uma de porcelana e outra de vidro semitransparente. Fabrico: Fabrica de Porcelana de Meissen. Data: ca 1760-70. Material: Porcelana de pasta dura, ormolu, esmalte. Dimensão: Altura: 8 cm - Victoria and Albert Museum

 

A Ilustre Casa de Ramires

(…)

O Pereira tirou da algibeira do colete a caixa de tartaruga, sorveu detidamente uma pitada, com o carão pendido para a esteira. Pois maior pena, mesmo para o Fidalgo. Enfim! Depois de palavra trocada… Mas era pena, porque ele gostava da propriedade; já pelo S. João pensara em abeirar o Fidalgo; e apesar de os tempos correrem escassos, não andaria longe de oferecer um conto e cinquenta!

(…)

 - Isso é sério, ó Pereira!

O velho lavrador pousou a caixa de rapé sobre a toalha, com decisão:

- Meu Fidalgo, eu não era homem que entrasse na Torre para caçoar com Vossa Excelência! Proposta a valer, escritura a fazer… Mas se o arrendamento está tratado…

(…)

Eça de Queiróz – A Ilustre Casa de Ramires – Livros do Brasil Pág. 71   

 ISBN 978-711-031-029-8 (A primeira edição em 1900)

 

Caixa de rapé com miniaturas de cenas portuárias. Fabrico: Fabrica de Porcelana de Meissen. Data: ca 1735. Material: Porcelana de pasta dura, esmaltes, montagem em ouro. Dimensão: 4,1 X7,6 X 6cm cm - Victoria and Albert Museum

 
Caixa de rapé, moldada externamente com conchas sobrepostas, principalmente bivalves, pintadas em tons de rosa, amarelo, vermelho, marrom e cinza. Fabrico: Fábrica de Porcelana de Capodimonte, França. Pintor: Giovanni Caselli. Modelador: Giuseppe Gricci. Data: ca 1750. Material: Porcelana de pasta mole, esmalte, montagem em prata dourada. Dimensão: 9 X7,8 X 4,3cm - Victoria and Albert Museum


Caixa de rapé, com formato oval acinturado. Estilo Chinoiserie.  Fabrico: Fábrica de Porcelana de Meissen. Pintor: Herold, Christian Friedrich. Data: ca 1730-35. Material: Porcelana de pasta dura, esmalte, montagem em ouro. Dimensão: 4,3 X 6,8 X 4,2cm - Victoria and Albert Museum

Caixa de rapé. Fabrico: Manufactura de  Sèvres. França. Data: ca 1765-1770. Material: Porcelana de pasta macia, prata. Dimensões:  Diâmetro 7,1 cm. - The Metropolitan Museum of Art


Fontes:

https://www.metmuseum.org/

https://www.vam.ac.uk/

https://collections.vam.ac.uk/item/O157814/snuffbox-sevres-porcelain-factory/

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/203200

https://collections.vam.ac.uk/item/O307045/snuff-box-meissen-porcelain-factory/

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/207219

https://collections.vam.ac.uk/item/O734096/snuff-box-design-gabriel-jacques-de/


https://collections.vam.ac.uk/item/O307036/snuff-box-herold-christian-friedrich/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307007/snuff-box-unknown/

https://collections.vam.ac.uk/item/O99295/snuff-box-saint-cloud-porcelain/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307404/snuff-box-meissen-porcelain-factory/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307037/snuff-box-herold-christian-friedrich/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307002/snuff-box-giuseppe-gricci/

https://collections.vam.ac.uk/item/O307038/snuff-box-herold-christian-friedrich/

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/207238

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Cigarreiras | século XX

 

"Cigarros Motor". Cartaz. Data 1910. The American Tobacco Co. Lake Vänem Museum - Europeana

A cigarreira (aqui no blogue), tornou-se muito popular no século XIX e início do século XX. Fumar  era uma actividade socialmente aceite entre pessoas da alta sociedade. Considerado acessório elegante muito apreciado por cavalheiros, e damas que gostavam de fumar com estilo, estava muitas vezes associado ao status de quem os utilizava "a caixa da vaidade". Planeadas para serem transportadas no bolso de um casaco, calças, ou carteira de senhora, eram frequentemente feitas de materiais nobres como ouro, prata ou marfim, e adornadas, por vezes, com pedras preciosas. 



Cigarreira em ouro, oferecida ao Capitão Tamlyn por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Esta peça e uma fosforeira, ambas em ouro, têm um mapa do Atlântico e têm representada a rota seguida pelos aviadores, com a particularidade de um pequeno diamante assinalar o local do resgate efectuado pelo Paris City. 

Em carta assinada pelos dois, ainda durante o ano de 1922, ofereciam o valioso conjunto afirmando que “não iriam esquecer a ajuda que lhes tinha prestado na noite de 11 de Maio de 1922”, e pediam-lhe que aceitasse a “pequena prenda” que lhe enviavam juntamente com a carta. Uma pequena prenda em ouro, com um mapa do Atlântico e das suas margens W e E gravadas, com um diamante incrustrado no local do salvamento. Uma obra realizada pelos antigos joalheiros da Coroa Leitão & Irmão. - Museu do Ar


Cigarreira com relógio. Materiais: prata dourada, prata, esmalte e vidro. Local de produção: Suíça . - Palácio Nacional da Ajuda. MatrizPix .

Cigarreira. Materiais: esmalte sobre cobre. Decoração: motivos egípcios e padrões geométricos. Local de produção: Japão. Data: 1900-1910. - Victória and Albert Museum. 

Cigarreira. Materiais: esmalte sobre cobre. Decoração: motivos egípcios e padrões geométricos. Local de produção: Japão. Data: 1900-1910. - Victória and Albert Museum. 

Cigarreira. Materiais: ouro, platina e diamantes. Decoração: efeito de cestaria com faixas entrelaçadas. Local de produção: São Petersburgo. Rússia. Criador: August Hollming / Fabergé. Data: 1899-1908. - Victória and Albert Museum. 

Cigarreira. Materiais: prata. Local de produção: China. Data: 1910. - Victória and Albert Museum. 

A cigarreira é assunto de memórias, na literatura portuguesa do século XXI. Os escritores António Lobo Antunes e Manuel Alegre, trouxeram para a actualidade o objecto que lhes deixou recordações na infância e juventude. 

(...)

Mas onde eu queria chegar era à história da cigarreira de prata que descobri num baú do celeiro, toda triques, de certeza caríssima, com uma dedicatória para o meu tio Joaquim

(o tal médico dos navios)

num alemão ardente. Como eu andava mal de dinheiro para pastilhas de mentol peguei na cigarreira e fui à loja de penhores com ela, devia ter uns doze ou treze anos. Expliquei ao empregado

(claro que eu usava calções na altura)

que um dos meus vários negócios correra mal e necessitava de empenhar aquilo para satisfazer dívidas alimentares urgentes da minha família. O empregado ouviu-me com a maior seriedade

- Claro que sim, claro que sim

entregou-me umas moedas pela cigarreira, despediu-se

- Boa tarde, cavalheiro

respeitoso, compreensivo, amigo. Comprei uma barrigada de rebuçados no Paraíso e, de fome consolada, fui para casa dos meus avós onde estava de férias. Encontrei a minha avó a bordar na salinha dela, que me beijou sem levantar os olhos para mim. Só passados minutos dei pela cigarreira do tio Joaquim na mesinha ao lado da cadeira dela, que o empregado dos penhores lhe levou nessa mesma tarde

- O seu neto apareceu com isto lá no estabelecimento, senhora dona Eva

e a minha avó, depois de lhe agradecer, de certeza que lhe entregou a meia dúzia de moedas das pastilhas. A minha avó não me disse uma palavra

(deixou que a cigarreira se exprimisse por ela) 

eu não disse nada

(deixei que a cigarreira se exprimisse por mim)

e nunca nenhum de nós falou neste assunto. Lembro-me de nesse dia o meu avô me perguntar, já durante a fruta 

- Os negócios estão a correr-te melhor, filho?

e desde então, coberto de vergonha, não tornei a entrar numa loja de penhores. Tenho ideia de que uma ocasião, ao passar pela porta, o empregado me piscar o olho a chamar-me

 - Maroteco

palavra sempre difícil de aceitar para um ricaço como eu. 

ANTUNES, António Lobo - As Outras Crónicas A Loja de Penhores. - Alfragide: D. Quixote, 2023. ISBN 9789722079204 

Google books 

  

Cigarreira. Materiais: madeira. Decoração: figura feminina sobre fundo escuro. Data: 1920. - Stadtmuseum Einbeck

Cigarreira. Materiais: alumínio. Decoração: Retrato do Príncipe Henrique (Príncipe Henrique, os cigarros feitos com o melhor tabaco turco). Local de produção: Saxónia. Data: 1900-1930. - Stadtmuseum Einbeck

 
Cigarreira. Materiais: prata esmaltada e laca. Decoração: padrão geométrico em verde, preto e branco. Local de produção: Paris. Criador: Gérard Sandoz. Estilo: Art Déco. Data: 1929. - Victória and Albert Museum. 

Cigarreira. Materiais: platina, ouro e diamante. Decoração: linhas paralelas gravadas e diamantes engastados em platina. Local de produção: Londres. Criador: Cartier. Data: 1934-1935. - Victória and Albert Museum.  

Cigarreira. Materiais: prata. Decoração: monograma em relevo "CEG" - Erik Gustaf Cavallin. Local de produção: Suécia. Criador: Nilsson Wiwen. Data: 1953. - Carlotta Kulturen


 Cigarreira. Materiais: ouro. Decoração: entrelaçado em forma de cestaria. Local de produção: Paris. Criador: Boucheron. Data: ca. 1963. - Victória and Albert Museum

Um verso de Pessoa

Ás vezes ainda sinto os helicópteros a girar dentro de mim. Vinham do Norte. Pela cor da bandeira, sabia-se se transportavam mortos ou feridos. Durante breve passagem por Luanda, eu olhava os helicópteros que se dirigiam para o Hospital. Às vezes ocorria-me obsessivamente um verso de "O Menino de sua Mãe", mas não era o "jaz morto e arrefece". Era, quando acendia um cigarro, o "caiu-lhe da algibeira / a cigarreira breve". Pensava no último cigarro fumado com Manuel Ortigão. Caminhando pelas ruas de Luanda, ou rolando nas picadas, de quando em quando lá vinha a "cigarreira breve". Talvez seja supersticioso ou dê demasiada importância aos sinais. Pelo sim pelo não deixei de usar cigarreira. Mas nem assim. Sempre que puxava de um cigarro, lá vinha Pessoa com a sua cigarreira breve a cair da algibeira do menino de sua mãe.

ALEGRE, Manuel - Memórias Minhas - Alfragide: D. Quixote, 2024. ISBN 9789722081634 

Google books 

Cigarreira. Materiais: pele. Decoração: bordado "petit point" com flores e barra em dourado. Local de produção: Suécia. Data: 1962. - Carlotta Kulturen - Europeana


Caixa de cigarros. Material: metal. Marca: Wings - 10 Original Cigarillos Nº 75. Data: anos 1990. Arquivo "comjeitoearte".


Fontes:

https://www.europeana.eu/pt/item/91682/vm_objekt_124452

https://museudoar.pt/conteudos/galeria/pioneiros/pdf/35a40-dois-valentes-parte-i-e-ii-dr_2387.pdf

http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=0&REGPAG=50&CRITERIO=cigarreira&IDFOTO=8537

https://collections.vam.ac.uk/item/O1377623/cigarette-case/

https://collections.vam.ac.uk/item/O1377628/cigarette-case/

https://collections.vam.ac.uk/item/O152721/cigarette-case-and-august-hollming/

https://collections.vam.ac.uk/item/O1160457/cigarette-case/

https://www.google.pt/books/edition/As_Outras_Cr%C3%B3nicas/LgPfEAAAQBAJ?hl=pt-PT&gbpv=0

https://kulturerbe.niedersachsen.de/objekt/record_kuniweb_1402621/

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