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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Gastronomia - Casamentos anos 60 / 70

Mesa de "copo-d'água" da década de 1970, em Portugal. Destaca-se o "bolo de noiva", encimado por decoração em forma de vestido de noiva (arquivo "comjeitoearte").

 
Em Portugal, os banquetes de casamento ou copo-d'água, obedeciam a tradições locais e costumes familiares. Nos meios rurais, as ementas incluíam carne de suíno, ovino, caprino e aves, que muitas vezes, provinha de animais criados pelas famílias dos noivos. Na véspera do dia do casamento, as cozinheiras iniciavam a confecção dos assados, dos salgados e do "bolo de noiva" e dos doces, seguindo receitas tradicionais, até ao nascer do sol. Os fartos banquetes realizados em casa ou em espaços reservados para o efeito, terminavam em alegres bailes.


"Bolo de noiva" com vários andares, numa mesa de banquete de casamento da década de 1960, em Portugal. No interior do "terceiro andar" do bolo vê-se a representação das figuras de um casal de noivos, com trajes tradicionais de casamento. Ao lado direito, um grande cesto confeccionado em nougat, decora a mesa do banquete (arquivo "comjeitoearte"). 

Nos meios urbanos, os banquetes ou "copo-d'água" realizavam-se em casa, em espaços de aluguer para festas, em hotéis e restaurantes. As ementas, seguiam a influência gastronómica da época e a tradição. A variedade de iguarias e doces que as compunham, atendia à simplicidade ou à sofisticação do tipo de celebração
. Os "bolos de noiva" caracterizavam-se pela estrutura com vários andares, a cor branco e a decoração requintada. A saída dos noivos do banquete era um dos momentos altos da festa. O casal, utilizando um dos automóveis da época (Citroën, Volkswagen, Renault, Alfa Romeo, Mercedes-Benz...), partia para a "lua-de-mel" perante o regozijo de convidados e familiares. Na década de 70, o movimento hippie influenciou o visual dos noivos e a decoração dos ambientes.

Ementa de casamento - Lisboa, 1962

(arquivo "comjeitoearte")


"Consommé" Rico

O consommé é um caldo concentrado feito com diversos tipos de carne. É considerado um prato tipicamente francês. Costuma servir-se quente no início de uma refeição.


" O Mestre Cozinheiro"




Lagosta Ornada



"O Mestre Cozinheiro"


"Blogue do pescador"


Ementa de casamento - Lisboa, 1961

(arquivo "comjeitoearte")



Maionese de Gambas

 
"O Grande Livro Ilustrado de Culinária"


"Galantine" de Galinha

Na gastronomia francesa, a  galantine é um prato de carne desossada e recheada. É uma preparação muito elaborada e demorada, apresentada de forma sofisticada e elegante (mesa galante).




"O Mestre Cozinheiro"

Wikipédia - Galantina de  Pato

Ementa de casamento - Lisboa, 1971

(arquivo "comjeitoearte")



"Savarin"

O "Savarin" é um clássico da confeitaria francesa. Depois de cozido é regado com calda aromatizada e decorado com "chantilly". O nome é uma homenagem a Jean Anthelme Brillant-Savarin (1755-1826), famoso chefe de cozinha francês, do século XIX. 

" O Livro de Pantagruel"


"pixabay"


"Petits Fours" de Amêndoa

" O Livro de Pantagruel"



"Aquarius" Pastelaria


Ementa de casamento - Lisboa, 1979

(arquivo "comjeitoearte")



Lampreia de ovos



"Revista de Culinária e Doçaria"



Cestos de Nougat com Fios de Ovos e Chantilly

As Corbeilles e os cestinhos de Nougat com recheio de fios de ovos e decoração de chantilly, eram doçaria frequente e quase obrigatória, nas mesas de banquetes de casamentos nas décadas de 1960 e 1970. A Corbeille, de grande aparato, funcionava como peça de exposição entes de ser servida. A técnica do nougat faz parte da doçaria conventual portuguesa, combinando a textura crocante com o sabor forte da amêndoa. Nas vitrines das pastelarias mais icónicas era comum a apresentação de corbeilles. Este tipo de doçaria artesanal e delicada, é difícil de encontrar em pastelarias comuns.


                            

Corbeille de nougat em mesa de banquete de casamento na década de 1960 e de 1970. Detalhe da asa de um cesto de nougat com fios de ovos (As fotografias são antigas e têm algumas imperfeições, por isso apresento o detalhe).




Rosa-Limpo, Bertha. O livro de Pantagruel . Lisboa: Editorial "O Século".
O Mestre Cozinheiro. Lisboa: Editorial Anagrana.
Terence e Caroline Couran. O Grande Livro Ilustrado da Culinária. Lisboa: Círculo de leitores

https://ca.wikipedia.org/wiki/Consom%C3%A9
https://blogdopescador.com/lagosta-gigante/
https://en.wikipedia.org/wiki/Galantine
https://pixabay.com/pt/photos/bolo-savarin-sobremesa-suites-292461/
https://www.aquarius.com.pt/produtos.html

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Comidas da 2ª metade do séc. XX | Ementas


Cachepô. Forma quadrada, vidrado de branco, com arestas e pés a dourado. Decoração floral com cravo vermelho decorado no pé com uma bandeira. Datação: Século XX. Categoria: Cerâmica. Técnica: Faiança, estampilha. Fabricado em Aveiro, Portugal. - Museu Nacional do Azulejo  - RAIZ, Museus e Monumentos Online.

Na comemoração do 51º aniversário do 25 de Abril, relembrei algumas comidas e doces dos anos 70. 

A gastronomia está ligada à cultura e à evolução dos povos. A preparação, a apresentação e o consumo dos alimentos, mostram as tradições, os valores e a história de uma sociedade.

Um olhar sobre as ementas da segunda metade do século XX, ajuda-nos a desvendar cheiros, sabores e métodos de preparação que nos são familiares.

Serviço de chá. Decoração aerografada com elementos geométricos. Datação: 1940. Categoria: Cerâmica. Técnica: Faiança, aerografia. Fabricado em Sacavém, Portugal. - Museu Nacional do Azulejo  - RAIZ, Museus e Monumentos Online.


No livro de Economia Doméstica/Cadernos do Povo, de 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães), lê-se: 
"Uma das peças fundamentais da cozinha é o fogareiro ou o fogão. Há os que trabalham a lenha, carvão, petróleo, gás e electricidade. Os fogões elétricos estão na categoria dos quase inacessíveis. O carvão e a lenha, têm o inconveniente de se tornarem pouco limpos;(...). O gás é muito limpo, e desde que a dona de casa saiba trabalhar com ele, torna-se económico; (...). Os fogões de petróleo, sendo bem tratados e limpos, não deixam de ser práticos. 
A lenha deve ser guardada em lugar seco, fechado e é mas económico comprá-la já enxuta e cortada. (...) O carvão vegetal é um óptimo combustível para  aquecer os ferros de passar e engomar, mas para o fogão das cozinhas como a sua combustão é rápida, fica por preço muito elevado.
A cozinha para ser económica, deve compreender pratos simples, práticos e económicos". (...) 
Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). 

As tabelas apresentadas no livro, indicam ementas por unidade. As ementas de sopas, indicam os ingredientes e as quantidades.

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). - Biblioteca Nacional de Portugal

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). - Biblioteca Nacional de Portugal

Cesto. Forma oval a imitar verguinha. Junto às duas asas larerais, decoração floral com rosas e folhas. Datação: Século XX. Categoria: Cerâmica. Técnica: Verguinha. Autor: Maria Júlia Arroja. Fabricado em Caldas da Rainha, Portugal. - Museu da Cerâmica - RAIZ, Museus e Monumentos Online.
 

As ementas para o prato único, também indicam os ingredientes e as quantidades.

CARNE

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). - Biblioteca Nacional de Portugal

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). - Biblioteca Nacional de Portugal


Jarro. Forma de um papagaio sobre base circular, cónica e plana. Datação: Século XX. Categoria: Cerâmica. Técnica: Moldado. Autor: José Sanches. Fabricado em Lisboa, Portugal. - Museu da Cerâmica - RAIZ, Museus e Monumentos Online.


PEIXE

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães). - Biblioteca Nacional de Portugal

Continuando a leitura do livro Economia Doméstica (Manuel Maria Calvet de Magalhães)

"Quando se fala de prato único, há quem se alarme, supondo que terá de suportar a sobriedade de umas couves cozidas, ou de um simples arroz sem mais nada. 

O prato único é coisa bem diferente. Nos países onde a civilização nos leva grande avanço, foi estabelecido como medida económica e como medida higiénica e hoje está no uso corrente de quase todos os lares.

Trata-se de servir em cada refeição um prato onde se apresentem duas ou três variedades de alimentos que se combinem entre si, para agrado do paladar e forneçam a quantidade de calorias que o organismo requere, em conformidade com o seu dispêndio de energias, com a época do ano em que se está e o estado físico que varia muito entre os indivíduos, mesmo quando se igualam por a idade ou condição de vida". (...)

No que respeita à parte culinária - manipulação e apresentação agradável dos alimentos reunidos num prato - é a vós que compete empregar o melhor do vosso esforço para que esse sistema de alimentação seja levado com prazer por quantos a ele se sujeitem". (...)  

Economia doméstica : cadernos do povo / Secretariado Nacional da Informação. - Lisboa : S.N.I., 1946 (Manuel Maria Calvet de Magalhães).

 

Chávena de chá. Datação: 1945. Fabrica: CANDAL, Vila Nova de Gaia, Portugal. (foto: "comjeitoearte").


Após a recessão de 1939-1945, na sequência da II Guerra Mundial, Portugal recuperou a nível económico e assistiu-se ao crescimento da produção nacional. 
Ainda assim, o nível de vida entre a população citadina e campestre contrastava fortemente. Com o alargamento do poder de compra, a população da cidade teve acesso a produtos alimentares mais nutritivos, enquanto nos meios rurais, o consumo alimentar limitava-se à produção agrícola.

Nos livros de receitas, as ementas sugeridas para consumo familiar, apresentavam um prato de peixe e outro de carne, para uma refeição. A estimativa do valor calórico diário por pessoa, incluía o contexto das ementas.  
 
Dupré, Francine. Receitas apetitosas. 3ª Edição. Porto: Litografia Nacional, 1956 (arquivo "comjeitoearte").


Ementas calculadas para fornecer 2500 calorias diárias por pessoa

Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966  (arquivo "comjeitoearte")

Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966  (arquivo "comjeitoearte")

Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966  (arquivo "comjeitoearte")

Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966  (arquivo "comjeitoearte")



Taça. Forma curvilínea. Decoração com folhas brancas com contorno em dourado e folhas pretas. Rebordo em dourado. Pegas em forma de três argolas em dourado. Datação: Século XX. Categoria: Cerâmica. Técnica: Moldagem/Faiança/Aerografia. Fabricado por Raúl da Bernarda e filhos Lda. Alcobaça, Portugal. - Museu Nacional do Azulejo - RAIZ, Museus e Monumentos Online.

O Mestre Cozinheiro. Lisboa: Editorial Anagrana, Lda. 1990 (arquivo "comjeitoearte").


Rações alimentares equilibradas nas diferentes idades


Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966  (arquivo "comjeitoearte")


Taça. Forma de calote esférica assente em pé alto, cônico e com alargamento na base. Decoração com formas e linhas a negro sobre fundo branco. Datação: 1954-1955. Categoria: Cerâmica. Técnica: Moldada. Autor: Maria Antónia Parâmos. Fabricado em Caldas da Rainha, Portugal. - Museu da Cerâmica - RAIZ, Museus e Monumentos Online.
 

Ementas de Eventos: 1950; 1960; 1970; 1980; 1990.


Lisboa, 11/12/1954 (arquivo "comjeitoearte").


Lisboa, 21/11/1953 (arquivo "comjeitoearte").


Lisboa, 18/08/1962 (arquivo "comjeitoearte").



Jarra. Recipiente de bojo esférico. No bojo está representado um polvo castanho, beje e branco, com contorno a preto sobre fundo beje. Datação: Século XX. Categoria: Cerâmica. Técnica: Faiança. Centro de fabrico: Aveiro, Portugal. - Museu Nacional do Azulejo - RAIZ, Museus e Monumentos Online.

Lisboa, 19/12/1971 (arquivo "comjeitoearte").


Lisboa, 06/03/1982 (arquivo "comjeitoearte").


Base de Quentes. Século XX. Fabrica: Vista Alegre. Ílhavo, Portugal (foto: "comjeitoearte").


S. Pedro de Sintra, 12/06/1982 (arquivo "comjeitoearte").


Colares, 21/08/1999 (arquivo "comjeitoearte").


Paliteiro. Datação: 1947/1968. Fabrica: Vista Alegre. Ílhavo, Portugal (foto: "comjeitoearte").



Fontes:

https://purl.pt/40421

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=1027173&tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=242645&tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra/Index/214989?tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra/Index/1124012?tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=1079447&tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra/Index/212414?tipo=OBJ

http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=1037768&tipo=OBJ

Dupré, Francine. Receitas apetitosas. 3ª Edição. Porto: Litografia Nacional, 1956

Moreira, Irene Branco Marado. Economia Doméstica. Braga: Editora Pax, 1966.

O Mestre Cozinheiro. Lisboa: Editorial Anagrana, Lda. 1990

https://impactum-journals.uc.pt/rhsc/article/view/1645-2259_18_12/5305