quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Heinkel Kabine

Auto - Scooter Heinkel - Cabine. Folheto publicitário, anos 50 (arquivo "comjeitoearte"). 


 

O Heinkel Kabine foi projectado por Heinkel Flugzeugwerke. O pequeníssimo carro foi construído por a empresa Heinkel entre 1956 e 1958. Após esta data a produção foi transferida sob licença para a Dundalk Engineering Companyna Irlanda. 









Heinkel Kabine no Technik Museum Speyer - Wikimedia Commons



Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Heinkel_Kabine
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Heinkel_Kabine_vl_red.jpg

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Heinkel Tourist

Heinkel Tourist, scooter. Folheto publicitário dos anos 50. Arquivo "comjeitoearte"

A Heinkel Tourist foi construída pela HeinKel Flugzeugwerke, entre 1953 e 1065. As scooters Tourist foram fabricadas em cinco séries. Mais de 100 000  foram produzidas e vendidas. 

Em Inglaterra foi considerada como "The Rolls-Royce of Scooters".



Heinkel Tourist com sidecar













sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Guache | Amadeo de Souza-Cardoso

Canção d'Açude - Poema em cor. "Os moleiros /deste açude /adoram a / virgem / toda de branco / Os moleiros / deste açude adoram /a farinha." Guache sobre papel. Data: 1913. Dimensões: 23,8 cm x 33,1 cm. Autor: Amadeo de Souza-Cardoso. - Museu Calouste Gulbenkian



O "comjeitoearte" comemora hoje nove anos de publicações!


Aos amigos, visitantes e leitores deste blogue, agradeço a vossa atenção, o vosso tempo e a vossa companhia. 
  
Com a ajuda de todos, o blogue já  ultrapassou um pouco as 698 000 visitas. Actualmente as minhas publicações têm sido menos frequentes, por escassez de tempo, mas o blogue continua a ser visitado diariamente. 

O vosso interesse é também um incentivo. Obrigada a todos!

sábado, 25 de julho de 2020

Azulejos em Lisboa | Avenida Almirante Reis, 25

-avenida Almirante Reis, n. 25.
Azulejos de fachada (foto "comjeitoearte")


O imóvel situado na Avenida Almirante Reis, nº 25,  freguesia de Arroios, tem a fachada revestida por azulejos com padrão de repetição simples e cercadura de fita em tons de verde.

A documentação existente no Arquivo Municipal de Lisboa, integra um processo no âmbito de "Obra de construção", na localidade da Avenida Almirante Reis, 25, situada na freguesia de Arroios, com data de 28 de Janeiro de 1904.



Fonte:
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

sábado, 13 de junho de 2020

Santos Populares em Lisboa


Programa das Festas de Lisboa, 1934. Autor: Almada Negreiros - Almada Negreiros - (França, José Augusto (1974), Almada o Português sem Mestre. Lisboa: Estúdios Cor).  

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Em Lisboa, as festas que no mês de Junho se dedicam a Santo António, São João e São Pedro, são de especial regozijo da população, em especial as dedicadas a Santo António. A devoção dos lisboetas por Santo António, nascido em Lisboa, é secular. Este Santo, muito humanizado por tradição, é invocado  pelos marinheiros em momentos de aflição, chamado para proteger as raparigas,  convocado nos objectos perdidos... 




Santo António de Lisboa. Estampa religiosa.  Litografia colorida. (entre 1840 e 1936?). Biblioteca Nacional de Portugal - BNP. 

Foi nos anos 30 do século XX, que Leitão de Barros, organizou as Marchas Populares, e fomentou concursos de tronos e de janelas enfeitadas. Os tronos, executados por crianças dos bairros antigos de Lisboa, exibiam a imagem de Santo António colocada no topo. A quem passava, as crianças pediam "um tostãozinho para o Santo António". Vem o costume, segundo se diz, do peditório que em toda a cidade se fez, por altura do terramoto de 1755, para ajudar na reconstrução da sua igreja. 

A tradição dos tronos continua a merecer a atenção popular.  Este ano (2020), a sexta edição é digital.



Festas de Santo António
. Crianças preparam o trono e o peditório. Data: Junho de 1909. Fotógrafo: Joshua Benoliel (1873-1932). Negativo de gelatina e prata em vidro. - Arquivo Municipal de Lisboa.


Trono de Santo António.
Largo de São Miguel. Foto "comjeitoearte" (2019).

Alfama é o lugar de excelência nas festividades e na alegria dos arraiais. O cheiro a manjerico – com cravo de papel e quadra – e a sardinha assada, percorre os becos, vielas e escadinhas dos bairros de Lisboa durante os festejos.

Nos anos 50 do século XX, os mais célebres Arraiais de Santo António, foram organizados na Praça da Figueira. 


Santos Populares
, arraial. Data: Entre 1950 e 1970. Ferrari, Amadeu (1909-1984), fotógrafo. Negativo cromogéneo em acetato de celulose. Arquivo Municipal de Lisboa

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Arraial, decoração . Rua de São Miguel. Foto "comjeitoearte" (2019).



As primeiras marchas populares oficiais, organizadas de acordo com um plano artístico de conjunto, foram as apresentadas nas Festas da Cidade, em 1934. O programa das festas, teve ilustrações de Almada Negreiros. 


Programa das 
Festas de Lisboa, 1934. Autor: Almada Negreiros


Festas da Cidade ,1934. Vários aspectos das marchas populares nocturnas, e do fogo de artifício queimado no Tejo. Ao alto da página vemos uma fotografia do Terreiro do Paço, onde se efectuou o Arraial e a Feira, vendo-se a estátua de D. José e o Arco da Rua Augusta profusamente iluminado. - Ilustração nº 204, de 16 de Junho de 1934, pág. 19. - Hemeroteca Municipal de Lisboa



No ano de 1950, foram organizadas onze marchas populares. O desfile realizou-se no dia 12 de Junho, à noite, entre a Praça do Comércio e a Avenida Fontes Pereira de Melo. Nos dias 23 e 28 de Junho, à noite, as marchas apresentaram-se a concurso no Pavilhão dos Desportos.



A marcha da Madragoa.
1º prémio de classificação geral e de pitoresco. 
Data: 1950. Fotógrafo: Joshua Benoliel (1873-1932). Negativo de gelatina e prata em nitrato de celulose. Madragoa participou em 1932, com excepção de 1981, e colaborou todos os anos nos Festejos dos Santos Populares. A sua primeira organização foi da responsabilidade de um Comissário Local, assim como, em 1934 e 35. O seu figurino feminino são as Varinas. - Arquivo Municipal de Lisboa..




A marcha de Alfama
. 1º prémio de tradição e 3º prémio de classificação geral. 
Data: 19. Fotógrafo: Joshua Benoliel (1873-1932). Negativo de gelatina e prata em nitrato de celulose. - Arquivo Municipal de Lisboa.


As marchas populares que sempre constituíram um espectáculo colorido e cheio de vida, são muito aplaudidas e acarinhadas pela população. 


Mouraria, marchas e arraiais dos Santos Populares. Local: Chão da Feira. Data: 12 -06-2019. Fotógrafo: Luís Pavão.1954-.Suporte Digital TIFF. - Arquivo Municipal de Lisboa.


Fontes:


https://egeac.pt/concurso-tronos-de-santo-antonio20/

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

http://www.bnportugal.gov.pt/

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/RevMunicipal/N45/N45_item1/P4.htm

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Responsório de Santo António

Santo António. Escultura em madeira, estofada, dourada e policromada. Séc. XVIII. Autor desconhecido. A peça foi mostrada em 3 exposições (1992;1993;1994). - Museu Nacional de Arte Antiga. MatrizNet

Quem milagres quer achar / Contra males e o demónio, / Busque logo a Santo António, / Que aí os há-de encontrar. 
Aplaca a fúria do mar, / Tira os presos da prisão, / Ao doente torna são, / E o perdido faz achar.  

Responsório de Santo António. Texto de Julieta Ferrão. Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho de 1945, pág. 2.

E sem respeitar os anos, / Socorre a qualquer idade; / Abonem esta verdade / Os cidadãos paduanos.
Glória eterna dada seja / À Santíssima Trindade, / Por toda a eternidade; / Minha alma assim o deseja. 
- Orai por nós, bem aventurado António.
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

O perdido faz achar?... Vamos, leitora amiga, não sente necessidade de repetir o Responso a Santo António, tanto mais que estamos no mês em que a súplica deve ser mais eficaz? Vamos pedir, pedir muito para que, no meio desta barafunda, possamos encontrar o perdido: o bom senso... o sentido das proporções... o equilíbrio... a equidade... o tempo perdido, de forma a alcançarmos disciplina nos espíritos, nas almas, nas coisas e até no espaço?
Nunca a confusão foi tão confusa! Já reparou no ar apressado, inquietante, agitado do nosso semelhante? Devemos confessar que não é só o semelhante, somos nós próprios, que andamos a correr, a atropelar numa carreira vertiginosa, para chegarmos depressa. Aonde? Não sei. Só verifico que nos esfalfamos, e, ao terminar o dia, quando pretendemos dar balanço ao aproveitamento da energia despendida, chegamos à conclusão de que nada fizemos e de que não nos chegou o tempo para coisa alguma! E, contudo, não parámos!
Desconfio de que o dia já não tem as 24 horas, a hora os sessenta minutos e o minuto os sessenta segundos que, ao iniciar os estudos, me afirmaram ter. Terá o tempo sido vítima de racionamento?
(...)
Mas... já acabou o dia? a semana? o mês? o ano? Mas... ontem não foi dia 1? O quê hoje já são 30? Mas, Santo António, em que foi que perdi o tempo?
Eu sei já não nos ser possível organizar programas pelo menos com intenção de os cumprir integralmente. A vida, hoje, é cheia de surpresas, de imprevistos, e estes é que contam. Mas, para os receber com espontaneidade tem que haver tempo. Tempo? Não, decididamente, o tempo foi alterado. Houve racionamento e não demos por ele. Só lhe damos pela falta...
Santo António valei-nos! (...)
Maio, 1945
Julieta Ferrão 


No mês de Santo António, transcrevo parte do texto da autoria de Julieta Ferrão, publicado em 1945 (Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho, 1945 - pág. 2). 
Decorridos 75 anos  sobre a publicação deste texto, o seu conteúdo mantém-se actual.


Igreja de Santo António. Inauguração do Museu Antoniano, em !3/06/1962. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose, formato 9x12. Na foto, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (António Vitorino França Borges) e Julieta Ferrão. Fotógrafo, Armando Maia Serôdio (1907-1978). - Arquivo Municipal de Lisboa


Julieta Bárbara Ferrão, nasceu em Lisboa (1899 - 1974 ). Foi historiadora e critica de arte. Estudou na Escola de Belas Artes, em Lisboa. No ano de 1927, assumiu o cargo de directora-conservadora do Museu Rafael Bordalo Pinheiro. A sensibilidade e a dedicação de Julieta Ferrão, foram importantes na divulgação e desenvolvimento do Museu e obra de Bordalo Pinheiro. Durante a primeira metade do século XX, foi Conservadora-Chefe dos Museus Municipais de Lisboa.
Santo António, Cónego Regrante de Santo Agostinho Escultura em madeira policromada. Séc. XIX. Autor desconhecido. A peça de Santo António Cónego Regrante de Santo Agostinho foi mostrada em 2 exposições (1995;2014). Museu de Aveiro. MatrizNet
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Dinamizou a organização de várias exposições sobre Lisboa, entre elas “Santo António de Lisboa”, em 1935,  “Aqueduto das Águas Livres”, em 1940, e “Lisboa Joanina”, em 1950. Colaborou com os jornais Diário de Notícias, O Século, Modas e Bordados, entre outros. Escreveu diversas obras sobre a vida e obra de Rafael Bordalo Pinheiro
Julieta Ferrão recebeu a medalha de prata, em 1954. Dez anos depois, no dia 24 de Outubro de 1964, recebeu a medalha de ouro por assiduidade e bons serviços prestados durante quarenta anos à Câmara Municipal de Lisboa. 
Quatro anos após a sua morte, em 1978, o seu nome ficou perpetuado numa rua, em Lisboa.

Fontes:
https://maislisboa.fcsh.unl.pt/julieta-barbara-ferrao-uma-marca-dos-museus-de-lisboa/
https://de.wikipedia.org/wiki/Julieta_Ferr%C3%A3o
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/