domingo, 15 de setembro de 2019

O Passeio Público em Lisboa

O Passeio Público. Aguarela de George Vivian (1798-1873). Scenery of Portugal & Spain. Litografias aguareladas de  G.Vivian. Publicado em 1839, London ; 14, Pall Mall, East : P. and D. Colnaghi and Co. - Biblioteca Nacional de Portugal, BNP

Após o Terramoto de 1755, Marquês de Pombal, ao lançar as bases para uma Lisboa moderna, ponderou que a cidade precisava de um jardim, onde os elegantes do séc. XVIII pudessem dar um agradável passeio, rodeados por alamedas de buxo, estátuas, arvoredo e o perfume agradável das flores.

O local escolhido por Pombal foi o sítio das Hortas de Cêra, situado um pouco adiante do Rossio. Em  1764, o ministro encarregou o arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos de projectar um jardim.

Planta parcial da cidade de Lisboa em que se vê o sítio do Passeio Público (na imagem, à direita), assinada por Marquês de Pombal, 1774. Arquivo Municipal de Câmara de Lisboa, AML

Lisboa passou assim, a ter um Passeio Público. Cercado por muros altos, com cancela verde, árvores alinhadas, com freixos transplantados das propriedades Ratton, na Barroca de Alva, assemelhava-se a uma quinta nobre.

As elegantes do tempo da rainha D. Maria I, passeavam por este jardim, símbolo da civilização burguesa de oitocentos. Mas, não seria este o Passeio Público definitivo.

A partir de 1836, o Passeio de Lisboa foi remodelado. O novo projecto ficou a cargo do arquitecto Malaquias Ferreira Leal. Os muros deram lugar a um gradeamento de ferro. A cancela, foi substituída por duas portas de ferro. À entrada do Passeio foi construído um lago e uma cascata, com estátuas.

Novo projecto para a frente principal do acrescentamento do Passeio Público. Leal, Malaquias Ferreira, arquitecto. Data: c. 1800 - AML
Passeio Público, maquete da autoria de Reis de Sousa. Foto: Estúdio Mário Novais. Data:1943. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. - AML
Passeio Público, cascata. Planta e alçado. Foto: Estúdio Mário Novais. Data:1943. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. - AML
Passeio Público do Rossio: pavilhão, lago e terraço da entrada norte. Foto: Bárcia, José Artur Leitão. Data: 1900-1945.



O Passeio organizado de forma a suprimir árvores e a incluir mais estátuas e jogos de água, tornou-se mais extenso e menos conventual. 

Em 1847, o jardim foi modificado, de acordo com o gosto da época: o lago com o repuxo e as estátuas foi retirado. As árvores e os buxos desenvolveram-se. No Passeio começaram a dar-se grandes  festas, que ficaram célebres.

Desenho com que se deverão fazer as portas e canapés de ferro que devem guarnecer a facia curva de cada uma das quadraturas do Passeio Público de Lisboa. Leal, Malaquias Ferreira, arquitecto. Data: 1845 - AML
Desenho de Bonnard para um novo projecto do Passeio Público. Bonnard, Jean. 18--?-, jardineiro. Data:1848. - AML

Atlas da carta topográfica de Lisboa: n.º 35 ( vê-se o Passeio Público à direita, na imagem)Folque, Filipe. 1800-1874, engenheiro. Data: Novembro de 1857. -. AML

D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, tornou o Passeio Público num espaço mundano. 

As grandes festas tiveram lugar no decorrer da década de 50, até meados de 70. As iluminações a gás (depois de 1751), os fogos de artifício deslumbrantes, as bandas de música, os concertos e as festas infantis, entusiasmavam a população.

D. Fernando II, no Passeio Público. Óleo sobre tela. Autor: Leonel Marques Pereira. Data: 1856. Palácio Nacional da Pena - MatrizNet
Iluminação do Passeio Público, em 1851. Litografia A. S. Castro. - BNP

Passeio Publico. Cartaz: monsieur Bargossi chamado o homem locomotiva.... Impresso em 1882. Lisboa, Lallemant Frères Typ. Dimensões: 59x21 cm. - BNP

Aberto quase exclusivamente à aristocracia e alta burguesia, até meados dos anos 50, passou por uma relativa democratização. O tipo de divertimentos colocados à disposição dos frequentadores, tornaram-no num espaço de lazer e de convívio. A descida dos preços também foi significativa: a entrada, que era de 240 réis, na década de 50, passou a custar 100 réis, na década de 70. 

Projecto da cascata que existia no extremo norte do Passeio Público do Rossio. Contém programa das condições para a venda da cascata do antigo Passeio Público do Rossio.Assinado por  Frederico Ressano Garcia, engenheiro. Data:1884-04-30 - 1884-05-26. - AML

 

Passeio Publico do Rocio. Lisboa, entre 1850 e 1869? SERRANO, F. A. Litografia da Rua Nova dos Mártires. - BNP 

Rua do Príncipe, actual rua 1º de Dezembro. Vê-se um dos portões do Passeio Público. Data: 1882.- AML



O Passeio Público, porém, tinha os dias contados. O sonho de uma grande Avenida que atravessa-se a cidade foi ganhando forma, e, em 1879, foi dada ordem de demolição. O Passeio Público, deu lugar à sua sucessora, a Avenida da Liberdade. 

Passeio Público, em Lisboa. Litografia de Anunciação. - Revista Panorama,  nº 13, Fevereiro de 1943. Arquivo do ''comjeitoearte".




PANORAMA TIRADO DE VALE DE PEREIRO PARA A AVENIDA DA LIBERDADE. Autor: Rocchini, Francisco, 1822-1895. Fotografia datada de 1881.- BNP





Fontes:

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
http://www.bnportugal.gov.pt/
Revista Panorama,  nº 13, Fevereiro de 1943. 
Dantas, Júlio. Lisboa dos nossos avós. 1931. Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.
Matoso, José. História de Portugal. volume 5. Editorial Estampa.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

José de Almada Negreiros - desenhos 1924


Desenho em Diário de Lisboa de 24 de Outubro de 1924 (Título do artigo: A «gymcana» de automóveis na Parada de Cascais, vista por José d' Almada Negreiros, pág. 3)


O "comjeitoearte" comemora hoje oito anos de publicações!


Aos amigos, visitantes e leitores deste blogue, agradeço a vossa atenção, o vosso tempo e a vossa companhia. 
  
Com a ajuda de todos, o blogue já  ultrapassou um pouco as 655 000 visitas. Actualmente as minhas publicações têm sido menos frequentes, por escassez de tempo, mas o blogue continua a ser visitado diariamente. 

O vosso interesse é também um incentivo. Obrigada a todos!


Comemoro o aniversário do blogue com dois desenhos e uma ilustração  do pintor José de Almada Negreiros , publicados em 1924. 

O desenho de 24 de Outubro de 1924, representa um ambiente festivo e, por isso, considerei-o muito apropriado para o dia de hoje.


Ilustração em «Pierrot e Arlequim», 1924

Desenho em Diário de Lisboa de 9 de Outubro de 1924 (Título do desenho: O incêndio oficial do 5 de Outubro. Legenda do desenho: Como José de Almada Negreiros viu os exercícios dos bombeiros que tão grande sucesso produziram no público. pág. 2). 

Fonte:
França, José-Augusto (1974), Almada Negreiros o Português sem Mestre, Lisboa: Estúdios Cor  
http://www.fmsoares.pt/



domingo, 4 de agosto de 2019

Azulejos de Lisboa | Rua dos Bacalhoeiros

Fachada do imóvel situado na Rua dos Bacalhoeiros, 131 a 143 (fotos «comjeitoearte», 2019)


A construção desta imóvel pode remontar ao final do século XIX. A documentação existente no Arquivo Municipal de Lisboa, integra um processo intitulado " Obra de alteração'', com data de  07 de Novembro de 1905. 

Este edifício situado na freguesia de Santa Maria Maior, foi considerado IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO (D-L nº 95/78 de 12/09).

Os azulejos que cobrem a parte inferior da fachada, formam um padrão de 2 x 2, com cercadura. O estado de conservação dos azulejos é bom.








quarta-feira, 3 de julho de 2019

Azulejos de Lisboa | Rua das Cruzes da Sé

Rua das Cruzes da Sé nº 13 / 15 (foto "comjeitoearte'').





Azulejos de fachada com painéis figurativos. Desenhos de trabalhadores,  balanças e leões, nas cores azul, branco e amarelo. Assinado do autor: "P.tor Reis ".

Os painéis figurativos estão encimados pela inscrição " Romão & Companhia. '' (por cima do número 13). A fábrica aqui instalada produzia balanças da mesma marca. As figuras representadas são alusivas ao ofício.







Na parte superior do painel vê-se uma balança de suspensão


A construção desta imóvel pode remontar ao início do século XX. A documentação existente no Arquivo Municipal de Lisboa, integra um processo intitulado " Obra de reparação'', requerido por  Romão e Companhia, com morada em Cruzes da Sé, 13 e 15, situada na freguesia de Santa Maria Maior, com data de 20/03/1918 - 17/05/1918. Os painéis podem ter sido realizados por volta de 1918. 


domingo, 2 de junho de 2019

Azulejos de Lisboa | Rua do Jardim à Estrela

Azulejos com representação de cabeça de homem. Rua do Jardim à Estrela, nº 25 (foto ''comjeitoearte")

A fachada está revestida por azulejos que criam um padrão único extremamente raro. Neste caso, os azulejos são de dois tipos diferentes, mas têm em comum a cabeça de homem com feições orientais. A ligação entre os azulejos é feita através de troncos de hera dispostos na vertical. No limite de cada padrão destacam-se placas rectangulares em cor azul.

Os azulejos realizados por encomenda, foram desenhados em 1881 ( séc. XIX) pelo proprietário do imóvel.






Fonte:
Lisboa, Revista Municipal, nº 8,9,e,10. 1984

sábado, 4 de maio de 2019

Caixa coração com flores

Caixa decorada com flores


Uma caixa com forma de coração e decorada com flores, é a minha proposta para presente no Dia da Mãe. 

Material:

- Caixa de cartão;
- EVA;
- Fita de seda;
- Tecido com padrão floral;
- Flores (acrílico, seda, tecido);
- Bijutaria e contas em madeira ou acrílico;
- Cola.



Passo a passo:

1 - Recorte um motivo floral em tecido. Cole sobre a tampa da caixa. 



2 - Coloque os diferentes elementos decorativos a título de experiência. Organize o espaço.


3 - Cole todos os elementos decorativos. Corte uma fita em EVA, recorte corações vazados e cole em volta da caixa.