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Mulheres empregadas numa fábrica de munições, na Alemanha, durante a Primeira Guerra Mundial - Foto, colecção Robert Hunt/ Mary Evans Picture Library |
No centenário do inicio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), evoco a importância da actuação das mulheres antes e durante a guerra, visando mudanças sociais significativas.
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Capa "The Illustrated"- "Notícias de Guerra". Uma jardineira, durante a guerra, montada numa motocicleta com sidecar, o qual transporta ferramentas de jardinagem - Mary Evans Picture Library |
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The House That Man Built. Cartaz, c. 1908. Na ilustração, sufragistas distribuem folhetos para a igualdade no direito ao voto - The March of the Women Collection /Mary Evans Picture Library |
A luta pelo direito à participação na vida política e ao voto feminino (iniciado em 1897 no Reino Unido), no período imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial, atingiu um ponto culminante, quando a militante do movimento pelo voto feminino, Emily Davison (1872-1913), se atirou, durante a corrida Derby d’Epsom 1913, para a frente do cavalo do rei Jorge V, tornando-se a primeira mártir do movimento.
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Uma mulher motorista de tractor, em Kent, durante a Primeira Grande Guerra. Uma das inúmeras funções tradicionalmente masculinas, assumidas por mulheres - Foto, Mary Evans Picture Library
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Maquinista feminina na Escócia, durante a Primeira Guerra Mundial - Foto, colecção Robert Hunt/ Mary Evans Picture Library/ Imperial War Museum |
Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), as sufragistas deixaram as ruas e assumiram importante papel nos esforços de guerra. Emmeline Pankhurst (1858-1928), fundadora da União Social e Política das Mulheres, WSPU (1903) - pela defesa dos seus direitos em Inglaterra - colocou as suas brigadas femininas bem organizadas, à disposição dos esforços de guerra.
A guerra contribuiu de forma considerável para a mudança do papel das mulheres, ao exigir a sua participação em diversos sectores de actividade económica, onde se integravam os trabalhos mais pesados.
Elas começaram a evidenciar-se nas fábricas e a exercer inúmeros cargos tradicionalmente masculinos.
As mulheres desempenharam outras funções como condução de autocarro,
eléctrico e táxis, distribuição de correio, limpa-vidros, jardinagem...
Como enfermeiras, estiveram presentes no campo de batalha e hospitais de
campo socorrendo os feridos, em acções de prevenção sanitária, na
preparação de próteses e material para curativos. Nas áreas da indústria
e engenharia, também houve um aumento significativo do número de
mulheres.
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Women's Land Army - Cartaz de propaganda britânica da Primeira Guerra Mundial, encorajando as mulheres a juntar-se ao exército das mulheres da terra, para ajudar a alimentar o país - Corbis |
Em Portugal, as enfermeiras da Cruzada das Mulheres Portuguesas (CMP), cuidavam dos feridos de guerra no Hospital Militar da Estrela e no Hospital Militar de Belém. A CMP foi um movimento de beneficência feminino presidido por Elzira Dantas Machado (1865- 1942), esposa do Presidente da Republica Portuguesa, à época, Bernardino Machado. A partir de Março de 1916, ano em que o movimento foi criado, prestou assistência moral e física aos soldados portugueses mobilizados por motivo da Primeira Guerra Mundial. A extinção da CMP ocorreu em 1938, tendo o seu património sido transferido para a Liga dos Combatentes da Grande Guerra.
A CML foi condecorada com a Grã-Cruz da Torre Espada, galardoando os seus altos e humanitários serviços durante a Guerra, no dia 12 de Junho de 1919.
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No Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas (1918-1919), capítulo "Opinião da Imprensa", página 184, pode ler-se no texto publicado por "A Pátria", em 16 de Janeiro de 1919: " Recebemos o último relatório, inteligentemente organizado, da benemérita "Cruzada das Mulheres Portuguesas". Consoladora foi essa para nós, que acreditamos no valor da nossa raça, na abnegação e altruísmo da mais santa das mulheres - a mulher portuguesa - carinhosa, amante da sua Pátria, sempre pronta a sacrificar-se pelas nobres e justas causas. Consta do relatório toda a larga e benemérita acção desse nobre punhado de mulheres que à Pátria se dedicaram, velando pelo soldado português, assistindo aos feridos e aos repatriados. Bonita obra, por tantos abocanhada. Transcrevemos na nossa 4ª página uma pequena parte do interessantíssimo relatório felicitando vehementemente a ilustre presidente as diversas Comissões que dirigem a obra da "Cruzada". (Imagem modificada digitalmente) - Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas. Lisboa: CMP, 1918-1933. Biblioteca Nacional de Portugal
No Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas (1917-1918), capítulo "Comissão Executiva da Enfermagem de Guerra, página 15, pode ler-se em "Garantia das Enfermeiras de Guerra": "Pelo decreto a publicar as senhoras enfermeiras serão remuneradas de fora que bem lhes compense materialmente o seu trabalho. Num país como o nosso em que não há profissões remuneradas para senhoras, um largo e bom caminho se abre a todas aquelas que se compenetrarem bem, não só do dever cívico que lhes pede trabalho e sacrifício, como do alto dever moral de cada um procurar tornar-se independente pelo próprio esforço honesto e útil. As sub-comissões da "Cruzadas das Mulheres Portuguesas", de acordo com os senhores médicos, organizando cursos de enfermagem em todo o país pelo programa que a "Comissão Executiva" não tem dúvida de fornecer; facilitarão o trabalho urgente de organização dum Corpo de Saúde de Guerra, porque muitas senhoras não podem deslocar-se gratuitamente, para fazerem os cursos em Lisboa, vindo depois de diplomadas, se forem aceites as suas garantias morais e aprovadas pela Junta Médica, fazer o estágio já remuneradas. Toda a urgência é pouca num trabalho de tanta necessidade, esperando-se do patriotismo das Mulheres Portuguesas a larga incrição que se faz mister". Lisboa, 15 de Agosto de 1917.(Imagem modificada digitalmente) - Relatório Geral / Cruzada das Mulheres Portuguesas. Lisboa: CMP, 1918-1933. Biblioteca Nacional de Portugal
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A verdadeira emancipação das mulheres, não seria conseguida apenas com uma actividade profissional dependente, paga a um preço inferior ao pago aos homens, agravada por condições de trabalho deploráveis. Muitas mulheres insatisfeitas com a situação, começaram a organizar-se em sindicatos, exigindo através de diversas formas de luta, como a greve, condições de trabalho melhores.
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Primeira Guerra Mundial. Enfermeiras num hospital de campo em França, socorrem soldados feridos, em Outubro de 1916. Aguarela de FOUQUERAY, Charles - Mary Evans Picture Library |
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Achetez le Timbre Antituberculeux, Paris, 1917. Cartaz: litografia. Autora: Vilá. No cartaz, uma enfermeira olha para crianças que brincam ao ar livre - USA, Library of Congress |
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You can help, Cruz Vermelha Americana, 1918. Cartaz: litografia. Autora: Benda, Wladyslaw T. O cartaz mostra uma mulher jovem fazendo tricô - USA, Library of Congress |
Fontes:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N530/N530_item1/P14.html
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N530/N530_item1/P14.html
http://www.maryevans.com/home_2008.php?usr=notlogged&job=3191369&prv=menu
http://www.corbisimages.com/
http://www.loc.gov/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufragismo
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N529/N529_item1/P7.html
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1918/N631/N631_item1/P11.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cruzada_das_Mulheres_Portuguesashttp://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1916/N529/N529_item1/P7.html
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/1918/N631/N631_item1/P11.html
http://www.momentosdehistoria.com/MH_04_04_Coragem.htm
http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/btv1b53078894p/f1.planchecontact.r=f%20fabiano.langPT
https://fr.wikipedia.org/wiki/La_Ba%C3%AFonnette
https://fr.wikipedia.org/wiki/Edith_Cavell
Nesta mensagem adicionei textos e imagens sobre "Cruzada das Mulheres Portuguesas", no dia 27 de Julho de 2014.
Muito bom o conteúdo. Me ajudou bastante no meu trabalho de Enfermagem.
ResponderEliminarFico feliz por saber que ajudei. Obrigada.
EliminarUm abraço!
Gostei muito de ler o post, parabéns.......bela investigação. Beijo !
ResponderEliminarCom este post descobri situações que desconhecia! Obrigada pelo incentivo. Beijo!
EliminarQue maravilha! Gostei muito.
ResponderEliminarParabéns!
Um abraço
Esqueci-me de lhe dizer que já sigo o seu blogue há uns tempos!
ResponderEliminarFiquei muito sensibilizada com as bonitas palavras de apreço e incentivo. Agradeço do fundo o coração. Um abraço,
EliminarMuito obrigada pelo post. A informação deu-me uma grande ajuda para o meu trabalho de pensamento contemporâneo
ResponderEliminarFico feliz por saber que "ajudei". Agradeço o seu simpático comentário. Felicidades e um abraço!
EliminarSensacional, me ajudou muito na aula, obrigada
ResponderEliminarEu é que agradeço o seu apreço.
ResponderEliminarFelicidades