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sábado, 4 de junho de 2022

A coroação de Isabel II do Reino Unido | 1953

Rainha Elizabeth II, no Dia da Coroação. Fotógrafo: Cecil Beaton (1904-1980). Fotografia colorida, suporte de papel. Dimensões: 41x51cm.  Palácio de Buckingham. Data 2 de Junho de 1953. - Victoria and Albert Museum. Londres

A fotografia representa a rainha Elizabeth II, no dia da sua coroação, 2 de Junho de 1953. Ela veste um vestido bordado com fios de ouro e um longo manto de veludo escuro, enfeitado com pele branca. Sentada no trono dourado, a rainha segura o Ceptro com a Cruz na mão direita, enquanto o Orbe repousa na mão esquerda. Sobre a cabeça, a Coroa Imperial do Estado. Na mão direita usa o Anel de Coroação. Nos pulsos brilham os braceletes dourados que significam sinceridade e sabedoria. Na fotografia podemos observar uma cortina de tecido pesado, presa de um dos lados para revelar um cenário pintado sugerindo as naves da Abadia de Westminster (local onde decorreu a cerimónia).

Desenho para o vestido usado por Sua Magestade a Rainha Elizabeth II na sua Coroação, por Norman Hartnell, em 1953. Inglaterra. Victoria and Albert Museum. Londres


Sir Norman Hartnell  foi a estrela da alta costura de Londres durante os anos entre guerras, ganhando fama internacional como costureiro da família real britânica. Na sua autobiografia descreva a encomenda mais importante da sua carreira: o vestido da coroação de Elizabeth II.


Rainha Elizabeth II e o principe Philip, duque de Edimburgo, no Dia da Coroação, 2 de Junho de 1953. Fotógrafo: Cecil Beaton (1904-1980). Fotografia colorida, suporte de papel. Dimensões: 41x51cm.  Palácio de Buckingham. Data 2 de Junho de 1953. - Victoria and Albert Museum. Londres


A Rainha coroada está sentada no trono dourado, estofado em tecido brocado vermelho.  Pousa as mãos sobre o colo e olha para a câmara com uma expressão calma e esperançosa. O  Príncipe Philip veste um uniforme militar de cor escura (Almirante de Frota), decorado com botões de latão, bordados a ouro, medalhas e insígnias. A cena é emoldurada por reposteiros e carpetes de veludo vermelho. Uma cortina revela um pano de fundo pintado atrás dela, representando uma vista de Westminster do rio Tâmisa, com base em uma gravura de Edward Goodall após David Roberts. 


Rainha Elizabeth II, com seis damas de honor no Dia da Coroação. Fotógrafo: Cecil Beaton (1904-1980). Processo de gelatina prata em suporte de papel. Dimensões: 20x24,9 cm.  Palácio de Buckingham. Data 2 de Junho de 1953. - Victoria and Albert Museum. Londres


Coroação da Rainha Elizabeth II. Data: 1953. Fotografia; Album Ilford. - Victoria and Albert Museum. Londres.

A coroação da rainha foi o grande acontecimento da Inglaterra. No ambiente soleníssimo da Abadia de Westminster, Isabel II de Inglaterra acaba de ser coroada, depois de prestar juramento sobre a grande Bíblia no altar das relíquias. Ilustração Portuguesa. Ano 47. Nº 1006, 9 de Setembro de 1953 (pág 4). Hemeroteca Municipal de Lisboa (imagem modificada digitalmente).

Ilustração Portuguesa. Ano 47. Nº 1006, 9 de Setembro de 1953 (págs 4 e 5). Hemeroteca Municipal de Lisboa 

Coroação de Elizabeth II. Bolo de três camadas para festejar coroação. Fotógrafo: Nigel Henderson (1917-1985). Negativo de vidro a preto e branco. Dimensão: 55x55 cm. Data: 1953. - TATE

Coroação de Elizabeth II. Rua não identificada enfeitada com bandeiras e coroa para festejar coroação. Fotógrafo: Nigel Henderson (1917-1985). Negativo de vidro a preto e branco. Dimensão: 55x55 cm. Data: 1953. - TATE

Coroação de Elizabeth II. Edifício não identificado, decorado para festejar coroação. Fotógrafo: Nigel Henderson (1917-1985). Negativo de vidro a preto e branco. Dimensão: 55x55 cm. Data: 1953. - TATE


Coroação de Elizabeth II. Crianças e adultos num evento de rua para festejar coroação. Fotógrafo: Nigel Henderson (1917-1985). Negativo de vidro a preto e branco. Dimensão: 55x55 cm. Data: 1953. - TATE


Coroação de Elizabeth II. Crianças em idade escolar celebrando o evento da coroação. Fotógrafo: Nigel Henderson (1917-1985). Negativo de vidro preto e branco. Dimensão: 11,5x13 cm. Data: 1953. - TATE


Fontes:

Victoria and Albert Museum   -  https://www.vam.ac.uk/

TATE  

https://www.tate.org.uk/search?q=nigel%20henderson%20coronation&type=all

Hemeroteca Digital   -   http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm


Visita oficial da Rainha Isabel II a Portugal |1957

CAPA - Diário da Manhã: Número Especial Comemorativa da Visita de S. M. a Rainha Isabel II de Inglaterra; 23 de Fevereiro de 1957 - Hemeroteca Municipal de Lisboa
 

A visita oficial da Rainha Isabel II de Inglaterra e do Príncipe Filipe, a Portugal, em 1957, decorreu entre os dias 18 e 27 de Fevereiro. 

A monarca teve oportunidade de visitar Lisboa, Caldas da Rainha, Nazaré, Alcobaça, Batalha, Vila Franca de Xira e Porto. As cerimónias incluíram visita ao Palácio de Queluz, ao Mosteiro de Alcobaça e ao Mosteiro da Batalha, banquete oficial no Palácio Nacional da Ajuda, recital de gala no Teatro Nacional de São Carlos, desfile em coche real e fogo de artifício. Na cidade Porto a Rainha visitou o Palácio da Bolsa e a Feitoria Inglesa.


Diário da Manhã (pág. 40): Número Especial Comemorativa da Visita de S. M. a Rainha Isabel II de Inglaterra; 23 de Fevereiro de 1957 - Hemeroteca Municipal de Lisboa

(...)

A Amizade entre Portugal e a Grã-Bretanha tem o peso da sua própria resistência, traz o selo dos séculos, aguentou as vicissitudes dos tempos vários, manteve em magoados momentos, a consistência necessária para ser e permanecer para além do efémero e do transitório (...).

(...)

É pesada a Coroa dos Reis de Inglaterra e pesados vão os tempos de hoje para os homens, para os povos, para os governantes da velha Europa e do mundo do Ocidente.

(...)

José Manuel da Costa - Amizade; Director do Diário da Manhã (pág. 1).

 

Um aspecto do Salão Nobre dos Paços do Concelho com a mesa do almoço em honra de sua Majestade a Rainha Isabel II de Inglaterra. - Revista Municipal; Ano XVIII, nº 72, 1º trimestre de 1957 (pág. 20)Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Não tardou, que principiasse o almoço no salão nobre. (...)

As cinco mesas, onde deviam sentar-se, com a rainha, cinquenta e tantos convivas, recobriam-se das mais ricas, mais extraordinárias e primorosas toalhas bordadas da Madeira, que Lisboa, com certeza, jamais teve o ensejo de examinar ou, até de imaginar. Sobre elas, cedidas para essa cativante cerimónia pela sr.ª D. Mary Espírito Santo, figuravam as peças, compradas em Paris, por seu marido o saudoso dr. Ricardo Espírito Santo, da famosa baixela doirada da imperatriz da Rússia, Maria Teodorovna, cinzeladas por célebres ourives franceses. (...)

(...) O almoço que, a seguir, foi servido por criados de libré, teve como ementa:ovos de geleia, robalo de Sesimbra, peitos de perdiz, doce de Santa Clara e frutas, acompanhados de vinhos de escolha e de marca - Madeira branco e tinto e do Porto - e de aguardente velha e café de Timor, em final. 

 (...)

O Almoço no Salão Nobre. Revista Municipal; Ano XVIII, nº 72, 1º trimestre de 1957 (pág. 24).

 

Visita da Rainha Isabel II de Inglaterra, desfile pelas ruas de Lisboa. Fotógrafo: Ferrari Amadeu (1909-1984). Suporte:Diapositivo cromogéneo em acetato de celulose. Data: 18 de Fevereiro de 1957. Dimensões: 9 x 12 cm.- Arquivo Municipal de Lisboa

 

Carruagem da Coroa /Carruagem de Gala. Data: 1824. Autores: ? / Januário Correia. Material: madeira (carvalho e azinho); vidro; prata; couro: tafetá de seda; veludo de seda. Técnica: madeira entalhada, policromada e dourada, repuxada, recortada e cinzelada, tafetá de seda lavrado. Dimensões: altura 2,70 m; largura: 1,98 m; comprimento 4,56 m; rodas dianteiras, diâmetro: 95 cm; rodas traseiras, diâmetro: 1,445 m. Museu Nacional dos Coches -MatrizNet

As portinholas e os apainelados laterais são decorados com atributos militares, as armas reais portuguesas e o monograma coroado de D. Carlos I. No tecto, um bordado a fio de ouro laminado desenha o monograma de D. Carlos I. Local de execução: Londres. Esta viatura foi encomendada por D. João VI a Londres, em 1824, tendo chegado a Lisboa no ano seguinte. Incorporação: Afectação permanente - Casa Real Portuguesa, Transferência das Reais Cavalariças das Necessidades. - 

No reinado de D. Luís I a carruagem foi restaurada. Serviu nas seguintes cerimónias: baptismo do Príncipe D. Carlos, 19 de Outubro de 1863; visita oficial de Afonso XIII de Espanha a Portugal, 12 de Dezembro de 1903; visita oficial do Imperador Guilherme II da Alemanha, 27 de Março de 1905; visita oficial da Rainha Alexandra de Inglaterra, 22 de Março de 1905; condução dos membros da Família Real à Sé de Lisboa, por ocasião da Procissão do "Corpus Christi", 14 de Junho de 1906; cortejo por ocasião da sessão solene das Cortes Gerais para juramento de S.A.R. o Príncipe D. Afonso, 18 de Março de 1910; visita oficial da Rainha Isabel II de Inglaterra, Fevereiro de 1957. 

A melhor recordação da visita oficial da Rainha Isabel II de Inglaterra, ao nosso país - recordações envolvendo sugestões de pompa, de brilho de simpatia e de entusiasmo - há-de ficar para sempre com a gente de Lisboa. (...)

Lisboa e a sua população formaram o cenário e a plateia do espectáculo sumptuoso decorrente em três dias inolvidáveis. (...)

Visita da Rainha de Inglaterra a Portugal . Revista Municipal; Ano XVIII, nº 72, 1º trimestre de 1957,(pág. 5).


Visita da Rainha Isabel II, gala em São Carlos. Fotógrafo: Ferrari Amadeu (1909-1984). Suporte: Diapositivo cromogéneo em acetato de celulose. Data: 19 de Fevereiro de 1957. Dimensões: 6x6 cm.- Arquivo Municipal de Lisboa

Depois de Bourbons, Habsburgos, Sabóias, Hohenzollerns, Hannovers terem visitado São Carlos, a 19 de fevereiro de 1957 chega Isabel II de Inglaterra, uma Windsor. A jovem monarca assistiu nessa noite a um espectáculo cuja primeira parte foi preenchida com produção nacional, tendo sido apresentada a nossa grande história de amor no bailado Pedro e Inês, com música de Ruy Coelho e coreografia de Francis Graça. O maestro Frederico de Freitas dirigia a orquestra. Na segunda parte, surpreendentemente, foi cantada uma menos conhecida obra de Joseph Haydn: Der Apotheker. (...).

 

A real visita de 1957 . Teatro Nacional de São Carlos.

 

Visita da Rainha Isabel II de Inglaterra à cidade do Porto: subindo a escadaria do Palácio da Bolsa. Fotografia: Foto Comercial Teófilo Rego. Dimensões: 18x24 cm. - Arquivo Municipal do Porto.
A Rainha acompanhada pelo Duque de Edimburgo, seu marido, e por várias individualidades, entre as quais, o Presidente da Associação Comercial do Porto, o Presidente da Câmara Municipal do Porto e o Bispo do Porto.

Visita da Rainha Isabel II de Inglaterra à cidade do Porto: A Rainha e o Príncipe dentro do automóvel à saída da Feitoria Inglesa. Fotografia: Foto Comercial Teófilo Rego. Dimensões: 18x24 cm. - Arquivo Municipal do Porto.
A Rainha e o Duque de Edimburgo dentro do automóvel que os transportava, à saída da Feitoria Inglesa, sendo aclamados pela população.



Rolls-Royce Phantom III - Ano: 1937. País: Inglaterra. Potência: 160 cv. Cilindros: 12. Cilindrada: 7340. Velocidades: 4. Peso: 2660 Kg. Velocidade máxima: 147 Km /h. Nº de Chassis: 3CP116. Nº do motor: C68A. - Museu do Caramulo

Criado pelos engenheiros da Rolls-Royce, o modelo Phantom III, equipado com um sofisticado motor V12, garantia um elevado nível de conforto aos clientes mais exigentes.
Com o início da Segunda Guerra Mundial a produção do modelo terminou. Entre 1936 e 1939 foram construídas 710 unidades.

Este automóvel foi comprado pelo Príncipe de Berar, filho de Nizam de Hyderabad, em 1937. A pedido, foi adaptado com uma carroçaria especial, tipo Cabriolet, apetrechada com inúmeros acessórios. 

A esperada visita da Rainha Isabel II, de Inglaterra, a Portugal em Fevereiro de 1957, leva o Presidente da República, Marechal Craveiro Lopes, a adquirir um Rolls-Royce descapotável. Em Londres, a aquisição recai sobre o automóvel comprado pelo Principe de Berar.

O carro com a matrícula DD-30-92, fica ao serviço da Presidência da República. Serviu nas seguintes ocasiões: visita do presidente Eisenhower; visitas dos Papas Paulo VI e João Paulo II.

O carro foi doado ao Museu do Caramulo pela Presidência da República Portuguesa.


Crónica Masculina. Nº 11 - 16 de Fevereiro de 1957 - Hemeroteca Municipal de Lisboa

Nota: No dia 6 de Junho de 2022, acrescentei a este post duas imagens da Rainha Isabel Ii, na sua visita à cidade do Porto. Arquivo Municipal do Porto.


Fontes

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm

https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/X-arqWeb/Search.aspx

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/visita-de-sua-majestade-a-rainha-isabel-ii-ii-parte/

https://tnsc.pt/

https://gisaweb.cm-porto.pt/

sexta-feira, 3 de junho de 2022

O casamento de uma princesa | Isabel II (Reino Unido)

Casamento Princesa Elisabeth. Fotógrafo: Anefo (Acervo de fotos).Material: Negativo de vidro. Data: 21 de Novembro de 1947. - Nacionaal Archief, Den Haag.

Na semana em que os britânicos festejam o Jubileu de Platina de Isabel II, do Reino Unido, partilho convosco excertos de um texto numa revista portuguesa, de 1947, sobre o casamento de Isabel II. 

O artigo intitula-se "Casou uma princesa". A autora, Alice Ogando (1900-1981), destacou-se como escritora, tradutora, actriz e encenadora de teatro radiofónico.


A princesa Isabel, com o uniforme do tempo de guerra. - " Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").

Casou há dias aquela que será um dia, para a História, Isabel de Inglaterra. O Império Britânico veste galas para festejar a sua princesa; sobre ela choveram todas as rosas dos mais fantásticos jardins. Isabel casou e casou por amor. Parabéns menina princesa.
(...)
Ao herdeiro ou herdeira de um trono são impostos uma esposa ou um consorte de sangue puro, perfeitamente dignos de se tornarem companheiros do seu altíssimo destino e poderem assegurar a descendência. Assim, as tristes majestades lá vão, um pálido sorriso nos lábios, pronunciar o "sim" sacramental com a alma erma de sonho, eternamente príncipes e não apenas noivos. 

Filipe de Mountbatten . - " Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").

Felizmente (...), a princesa Isabel casou por amor. Não a liga ao futuro marido uma razão de estado  (quase sempre lamentável razão humana), mas sim a lei imperiosa e linda do coração. Esta princesa, esta rainha de amanhã, ajoelhou ante o altar com o coração alvoroçado de esperanças como qualquer rapariguinha contente, cumprindo um destino que considera admirável porque um grande afecto recíproco lhe empresta grandeza.(...).


"Alguns dos modelos executados por um grande costureiro  de Londres para o enxoval da princesa: O vestido de noiva, em que trabalharam duzentas costureiras. Na mesma gravura vê-se o vestido com que a princesa Margarida apareceu na cerimónia do casamento da irmã." - " Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").


Com razão deve considerar-se venturosa esta princesa, gentil heroína de um conto fabuloso e admirável. Cumpriu o seu dever de futura rainha para com o seu povo e consigo própria: amou-o, sofreu com ele, viveu para ele. Pronto, a que será rainha de Inglaterra pagou o seu tributo. (...) Quem fala ainda em guerra, em desgraça, em luta, aos seus ouvidos juvenis? Uma rainha deve ser forte? Convenho, mas, por um instante só, esqueçam que será rainha esta menina Isabel, que ama e sonha ainda. (...) .



"Alguns dos modelos executados por um grande costureiro  de Londres para o enxoval da princesa: Um casaco e um vestido simples, para passeio". - " Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").

Assim, quando um dia, a coroa e os seus espinhos lhe fizerem doer, ela ainda saberá sorrir, porque, à mulher feliz, a difícil missão de reinar deve tornar-se deve tornar-se mais suportável.
No dia do seu casamento,o Mundo saudou a princesa Isabel, herdeira da coroa de Inglaterra, e, nesse dia, eu saudei sómente a menina Isabel - essa que, sendo rainha, pôde casar por amor.

Alice Ogando. Casou uma princesa"Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869, 3 de Dezembro de 1947 


"Na sua visita à África do Sul, a princesa assistiu , descalça, a uma cerimónia. Partira-se o salto de um  sapato à rainha. Isabel cedeu à mãe os seus."- Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").




Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").



Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").



Presente de casamento




"Trabalho de renda de bilros executado por D. Alda Lopes de Mendonça, sobre desenhos de seus irmãos, Virgínia Lopes de Mendonça e Vasco Lopes de Mendonça, encomendado especialmente pela Queen Elisabeth School e que foi enviado, como presente de noivado, à princesa Elisabeth." 
Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 (Arquivo "comjeitoearte").



Trabalhos em renda de bilros da autoria de Alda Bordalo Pinheiro de Lopes Mendonça.  - Eva - Jornal da Mulher e do LarEspecial Natal 1932 (pag 45). - Hemeroteca Municipal de Lisboa



Alda Lopes de Mendonça, rendeira (1885-1962), Virgínia Lopes de Mendonça, escritora e aguarelista (1881-1969), Vasco Lopes de Mendonça, engenheiro e artista plástico  (1883-1963), filhos de Henrique Lopes de Mendonça e de Maria Amélia Bordalo Pinheiro, eram sobrinhos de Rafael Bordalo Pinheiro e Columbano Bordalo Pinheiro.




Fontes:


https://www.nationaalarchief.nl/onderzoeken/fotocollectie/a8aff004-d0b4-102d-bcf8-003048976d84


https://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_Ogando

Hemeroteca Digital Municipal de Lisboa
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Eva/Eva_Natal1932.htm

Museu  Bordalo Pinheiro
http://colecao.museubordalopinheiro.pt/ficha.aspx?id=52851&ns=216000&origem=0890501661552511771682150320240040830640701820301541261431680

Biblioteca Nacional de Portugal
https://purl.pt/14324/5/P120.html

"Modas e Bordados - Vida Feminina", nº 1869 de 3 de Dezembro de 1947 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Carmen Dolores, uma interprete admirável

 

CARMEN DOLORES. Suplemento nº 1754 "Modas e Bordados - Vida Feminina", 19 de Setembro de 1945.

 

"Carmen Dolores, a graciosa ingénua do cinema português, é também e, principalmente, uma interprete admirável de teatro radiofónico, onde a sua voz, de timbre agradabilíssimo, serve um temperamento artístico equilibrado e raro.

19 de Setembro de 1945.

Suplemento nº 1754, "Modas e Bordados - Vida Feminina", 


Carmen Dolores. Séc. XX. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Carmen Dolores (1924 - 2021), inicia-se no teatro radiofónico na Rádio Clube Português, aos 12 anos de idade. No ano de 1943, aparece no cinema, como protagonista de Amor de Perdição, uma adaptação do romance de Camilo Castelo Branco. Dois anos depois, em 1945, integra a Companhia Os Comediantes de Lisboa, com sede no Teatro da Trindade. 


Carmen Dolores em "Balanceada", em "Três Actos de Beckett"/Companhia Teatral do Chiado/Teatro Estúdio Mário Viegas. Data: 1991. Foto: Pedro Soares -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Carmen Dolores em "Virgínia" de Edna O'Brien, uma co-produção do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro Experimental de Cascais (TEC). Encenação de Carlos Avilez. Data: 1985 - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Cenário da peça Sonho de uma Noite de Verão - Palácio de Teseu em Atenas. Desenho e pintura a guache. Autor: Lucien Donnat. Data: 1952. Peça apresentada pela Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II, em 1952. Carmen Dolores (Helena, namorada de Demétrio) -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 



No Teatro Nacional D. Maria II, sob a direcção de Amélia Rey Colaço, inicia uma nova fase da sua carreira, com o sucesso de Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett. 
Fundou, com outros actores, o Teatro Moderno de Lisboa, com a intenção de levar à cena peças de autores consagrados como William Shakespeare, August Strindberg, Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, ou  José Cardoso Pires.



Carmen Dolores. Programa da peça "As Espingardas da Mãe Carrar", exibida na Casa da Comédia, em 1975. Peça em um acto, original de Berlot Brecht. Música de José Manuel Osório. Encenação de João Lourenço. Cenários e figurinos de António Casimiro. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet.



Carmen Dolores em "Alice nos Jardins do Luxemburgo" exibida na Casa da Comédia. Peça original de Roman Weingarten. Música de José Gil. Cenografia de António Alfredo. Encenação de Jorge Listopad. Data: 1972. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet



Carmen Dolores em "O Mentiroso", apresentada pela Empresa Laura Alves, no Teatro Avenida. Original de Carlo Goldoni. Direcção de cena de Henrique Santos. Data: 1958. Foto: Furtado D'Antas. Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Figurinos para D. Maria Teles (Carmen Dolores) na peça Leonor Teles. Desenho e pintura a guache. Autor: Abílio de Mattos e Silva. Data: 1960. Peça apresentada pelo Teatro Nacional Popular, no Teatro da Trindade na temporada de 1959-1960. -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 


Ao longo dos anos foi somando sucessos como actriz de teatro, cinema e televisão. A sua carreira no teatro incluiu cerca de três dezenas de peças, que interpretou entre 1952 e 2005, ano em que abandonou os palcos. No cinema, participou em cerca de duas dezenas de filmes, entre 1943 e 1988.

Carmen Dolores, "estrela" do cinema português que recebeu, recentemente o prémio de, cinema do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular pela sua brilhante interpretação no filme " Um Homem às direitas".

4 de Abril de 1945

Suplemento nº 1730, "Modas e Bordados - Vida Feminina". 


Carmen Dolores em "O Vestido de Noiva" de João Gaspar Simões, no Teatro Nacional D. Maria II. Encenação de Robles Monteiro. Cenários de Lucien Donnat. Data: 1952. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet



Carmen Dolores (1ª à esquerda). Fotografia do grupo dos artistas da rádio. Casa do Alentejo em Lisboa. Autor: Foto Aviz. Data: Maio de 1946. - Fundação Portuguesa das Comunicações.


Cenário da peça Dente por Dente. Desenho, lápis de cera e colagem. Autor: António Pedro. Data: 1964. Peça apresentada pelo Teatro Moderno de Lisboa, no Cinema Império, em 1964. Carmen Dolores fez parte do elenco desta peça. -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 


Recebeu diversos prémios e distinções de que se destaca: Medalha de Mérito Cultural (1991); Globo de Ouro (2004); Medalha Ouro de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa (2014); Prémio António Quadros (2016); Prémio Sophia de Carreira (2016). Foi condecorada com a Ordem Militar de Sant'lago de Espada, Dama (1959); Ordem do Infante D. Henrique, Grande Oficial (2005); Ordem de Mérito, Grande Oficial (2018). 

A sala principal do Teatro de São Luís tem o nome da actriz.

Faleceu no dia 16 de Fevereiro de 2021, aos 96 anos de idade, em Lisboa.


CARMEN DOLORES. Suplemento nº 1730 "Modas e Bordados - Vida Feminina", 4 de Abril de 1945.

 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Responsório de Santo António

Santo António. Escultura em madeira, estofada, dourada e policromada. Séc. XVIII. Autor desconhecido. A peça foi mostrada em 3 exposições (1992;1993;1994). - Museu Nacional de Arte Antiga. MatrizNet

Quem milagres quer achar / Contra males e o demónio, / Busque logo a Santo António, / Que aí os há-de encontrar. 
Aplaca a fúria do mar, / Tira os presos da prisão, / Ao doente torna são, / E o perdido faz achar.  

Responsório de Santo António. Texto de Julieta Ferrão. Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho de 1945, pág. 2.

E sem respeitar os anos, / Socorre a qualquer idade; / Abonem esta verdade / Os cidadãos paduanos.
Glória eterna dada seja / À Santíssima Trindade, / Por toda a eternidade; / Minha alma assim o deseja. 
- Orai por nós, bem aventurado António.
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

O perdido faz achar?... Vamos, leitora amiga, não sente necessidade de repetir o Responso a Santo António, tanto mais que estamos no mês em que a súplica deve ser mais eficaz? Vamos pedir, pedir muito para que, no meio desta barafunda, possamos encontrar o perdido: o bom senso... o sentido das proporções... o equilíbrio... a equidade... o tempo perdido, de forma a alcançarmos disciplina nos espíritos, nas almas, nas coisas e até no espaço?
Nunca a confusão foi tão confusa! Já reparou no ar apressado, inquietante, agitado do nosso semelhante? Devemos confessar que não é só o semelhante, somos nós próprios, que andamos a correr, a atropelar numa carreira vertiginosa, para chegarmos depressa. Aonde? Não sei. Só verifico que nos esfalfamos, e, ao terminar o dia, quando pretendemos dar balanço ao aproveitamento da energia despendida, chegamos à conclusão de que nada fizemos e de que não nos chegou o tempo para coisa alguma! E, contudo, não parámos!
Desconfio de que o dia já não tem as 24 horas, a hora os sessenta minutos e o minuto os sessenta segundos que, ao iniciar os estudos, me afirmaram ter. Terá o tempo sido vítima de racionamento?
(...)
Mas... já acabou o dia? a semana? o mês? o ano? Mas... ontem não foi dia 1? O quê hoje já são 30? Mas, Santo António, em que foi que perdi o tempo?
Eu sei já não nos ser possível organizar programas pelo menos com intenção de os cumprir integralmente. A vida, hoje, é cheia de surpresas, de imprevistos, e estes é que contam. Mas, para os receber com espontaneidade tem que haver tempo. Tempo? Não, decididamente, o tempo foi alterado. Houve racionamento e não demos por ele. Só lhe damos pela falta...
Santo António valei-nos! (...)
Maio, 1945
Julieta Ferrão 


No mês de Santo António, transcrevo parte do texto da autoria de Julieta Ferrão, publicado em 1945 (Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho, 1945 - pág. 2). 
Decorridos 75 anos  sobre a publicação deste texto, o seu conteúdo mantém-se actual.


Igreja de Santo António. Inauguração do Museu Antoniano, em !3/06/1962. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose, formato 9x12. Na foto, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (António Vitorino França Borges) e Julieta Ferrão. Fotógrafo, Armando Maia Serôdio (1907-1978). - Arquivo Municipal de Lisboa


Julieta Bárbara Ferrão, nasceu em Lisboa (1899 - 1974 ). Foi historiadora e critica de arte. Estudou na Escola de Belas Artes, em Lisboa. No ano de 1927, assumiu o cargo de directora-conservadora do Museu Rafael Bordalo Pinheiro. A sensibilidade e a dedicação de Julieta Ferrão, foram importantes na divulgação e desenvolvimento do Museu e obra de Bordalo Pinheiro. Durante a primeira metade do século XX, foi Conservadora-Chefe dos Museus Municipais de Lisboa.
Santo António, Cónego Regrante de Santo Agostinho Escultura em madeira policromada. Séc. XIX. Autor desconhecido. A peça de Santo António Cónego Regrante de Santo Agostinho foi mostrada em 2 exposições (1995;2014). Museu de Aveiro. MatrizNet
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Dinamizou a organização de várias exposições sobre Lisboa, entre elas “Santo António de Lisboa”, em 1935,  “Aqueduto das Águas Livres”, em 1940, e “Lisboa Joanina”, em 1950. Colaborou com os jornais Diário de Notícias, O Século, Modas e Bordados, entre outros. Escreveu diversas obras sobre a vida e obra de Rafael Bordalo Pinheiro
Julieta Ferrão recebeu a medalha de prata, em 1954. Dez anos depois, no dia 24 de Outubro de 1964, recebeu a medalha de ouro por assiduidade e bons serviços prestados durante quarenta anos à Câmara Municipal de Lisboa. 
Quatro anos após a sua morte, em 1978, o seu nome ficou perpetuado numa rua, em Lisboa.

Fontes:
https://maislisboa.fcsh.unl.pt/julieta-barbara-ferrao-uma-marca-dos-museus-de-lisboa/
https://de.wikipedia.org/wiki/Julieta_Ferr%C3%A3o
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/