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Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Nacional do Teatro (MatrizNet) |
Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) considerado o maior artista plástico do século XIX, destacou-se como ceramista, caricaturista, autor de banda desenhada, editor, decorador e figurinista. Proveniente de uma família de artistas, desde cedo revelou o gosto pelas artes. Experimentou representação no Teatro Garrett, inscreveu-se no Conservatório, matriculou-se em Desenho de Arquitectura Civil na Academia de Belas Artes, onde também se inscreveu em Desenho Histórico.
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Calendário Portuguez, por Bordalo Pinheiro - Santo António de Lisboa - P'rá cêra do Sant'Antó... O Primeiro Zé Povinho, "A Lanterna Mágica", nº 5, Junho de 1875 |
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Novidades da semana - Papagaio real para Portugal. Quem passa? É o rei que vai para a caça! "António Maria", 18 de Dezembro de 1879 - Hemeroteca Municipal de Lisboa |
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Apesar de ter desenvolvido o gosto pela arte, em 1863 foi trabalhar como escriturário na Câmara dos Pares. Em paralelo, expôs regularmente no Salão da Sociedade Promotora de Belas Artes, a partir de 1868. Dois anos depois, em 1871, mostrou os seus trabalhos na Exposição Internacional de Madrid e participou no "Almanaque das Gargalhadas". Em 1872, é editado o álbum "Apontamentos de Rafael Bordalo Pinheiro", que relata em 16 episódios, a viagem do Imperador D. Pedro II à Europa. Estava criada a primeira banda desenhada portuguesa. O êxito foi grande, deste modo, Rafael foi um dos pioneiros da BD a nível mundial.
Eleições. Zé Povinho hesita entre as esperanças republicanas, de Magalhães Lima - O Século, as promessas "regeneradoras" do Serpa e as realidades "progressistas do Mariano - cujo cheiro é conhecido e bom... "Pontos nos ii", 10 de Março de 1887 - Imagem: Hemeroteca Digital . Texto:França, José (1975), Zé Povinho 1875. Lisboa: Bertrand
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Caricatura de Henry Burnay, Album das Glórias - compra, vende, troca, empresta, põe, dispõe, impõe, repõe, fia, fura e faz, litografia sobre papel, 1882 - Museu José Malhoa |
Um dos títulos mais representativos em que cooperou, o célebre “O António Maria” – do qual foi fundador - , foi publicado entre 1879 e 1885. Em seguida criou o "Pontos nos II", que foi publicado entre 1885 e 1891. “A Paródia” - último jornal que dinamizou - foi publicado entre 1900 e 1906.
Nas representações de Bordalo, as figuras da classe política do país (aqui), como Hintze Ribeiro, José Luciano de Castro, Mouzinho de Albuquerque, o duque d'Ávila, o conde de Burnay, ou em particular, António Maria Fontes Pereira de Melo, eram o alvo constante do seu sarcasmo.
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A Árvore da Liberdade - "António Maria", 3 de Janeiro de 1884 - Hemeroteca Digital |
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A Rethórica Parlamentar: o grande Papagaio - "A Paródia", nº 18, 16 de Maio de 1900 - Hemeroteca Digital (As alegorias com animais eram comuns, na obra gráfica da Bordalo. |
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A indiferença mascara a miséria - "A Paródia", nº 76, 26 de Junho de 1901 - Hemeroteca Digital (Esta é uma das bonitas pinturas de Bordalo Pinheiro) |
No Brasil em 1875, realiza caricaturas para o jornal “O Mosquito”. Retoma este hábito em Lisboa e faz caricaturas a partir de quadros célebres, como “Zé Povinho na (Última) Ceia” ou “Zé Povinho – Marquês de Pombal”, realizados em 1882. A criação da figura do Zé Povinho, deve-se a Bordalo, que a viu publicada nas páginas de “A Lanterna Mágica”, em 1875. O "Zé Povinho" equivale à imagem alegórica do povo, que surge nas mais diversas situações do quotidiano. É representado com o cabelo despenteado, chapéu braguês, sorriso afectuoso, o Zé de origem rural que mostra umas vezes o seu espanto outras vezes a sua manha.
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Zé Povinho; estatueta; cerâmica; 1895. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica |
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Zé Povinho, tinteiro (o chapéu forma a tampa do tinteiro); cerâmica; 1905. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica |
A cerâmica foi outra das actividades de Bordalo. A partir de 1884, na fábrica de Cerâmica das Caldas da Rainha, cria inúmeras peças, das quais se evidenciam figuras caricaturais e populares, como o "Zé Povinho", a " Maria da Paciência" o "Arola" ou "John Bull", ou as peças como a "Jarra Beethoven". Foi agraciado com a ordem de cavaleiro da Legião de Honra da República Francesa, em Paris - 1889 - onde as suas cerâmicas foram acolhidas com sucesso.
Na cidade de Lisboa, o Museu Rafael Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, possui um legado significativo da sua obra. Nas Caldas da Rainha, a Casa Museu Rafael Bordalo Pinheiro, retém admiráveis peças do artista, aqui.
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Arola, garrafa; cerâmica; 1896. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
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Jarra Plátanos, cerâmica, 1901. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
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Bilha (serenata); cerâmica; 1896. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica |
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Vinte anos depois - "A Paródia", Nº 22, 11 de Junho de 1903 - Hemeroteca Digital (Este é o duplo auto-retrato de Bordalo, na juventude e na velhice) |
Fontes:
http://museubordalopinheiro.cm-lisboa.pt/index.html
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Home.aspx
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Bordalo_Pinheiro
fantástico
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