quinta-feira, 25 de julho de 2013

Louça de Caldas da Rainha - Rafael Bordalo Pinheiro e Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro


Jarra com tampa, moldada e modelada em barro vermelho, 1888. Esta peça foi executada por Rafael Bordalo Pinheiro (sentado numa asa a autocaricatura do artista), para oferecer ao Dr. Feijão, que o tratou de um antraz em 1888. Fabrica de Faianças das Caldas da Rainha- Museu da Cerâmica

As numerosas fábricas de faianças, transformaram a vila de Caldas da Rainha, num dos principais centros de produção cerâmica de Portugal. Em meados do século XIX, a notável produção de cerâmica artística, era inspirada na obra de Bernard Palissy (1510-1589) e Renascença. Entre os seguidores, destaca-se o exímio ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra (1829-1905), considerado o "Palissy das Caldas", aqui.

  
Bule de tipo caricatural, peça moldada e modelada, 1897-1906. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


FFCR - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Iniciais entrelaçadas por uma serpente; 11 - número referente ao operário da fábrica responsável pela produção da peça. Gravações na base da peça.


O mais notável criador da história da cerâmica caldense, Rafael Augusto Bordalo Pinheiro (1846-1905), nasceu em Lisboa, numa família de artistas ilustres. Com cerca de onze anos de idade, Rafael recebeu as primeiras aulas de modelagem na oficina de seu pai. Em 1860, inscreveu-se no Conservatório e posteriormente matriculou-se na Academia de Belas Artes. Aos vinte anos (1866), casou com Elvira Ferreira de Almeida, e no ano seguinte nasceu o seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920). 
A popular figura de Zé Povinho, criada por Rafael Bordalo Pinheiro - personagem satírica de crítica social, adoptada como personificação nacional portuguesa - , surgiu pela primeira vez no periódico A Lanterna Mágica, a 12 de Junho de 1875. Nesse mesmo ano, Rafael partiu para o Brasil, colaborando em jornais brasileiros e portugueses.


Bule com caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro e Elvira Bordalo Pinheiro, faiança, 1882 - Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa

Prato com lagosta e folha de couve num cesto, faiança, 1894.Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa
Floreira, peça rodada e modelada em barro vermelho, 1898. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
Em 1879, regressou a Lisboa e lançou O António Maria (1879-1899), dando continuidade à sátira política. A sua última revista, Paródia, foi estreada em 1900. Ao longo da sua vida, publicou jornais, revistas, folhetos e livros que continham sátira política e caricaturas.  Rafael Bordalo Pinheiro iniciou-se na produção cerâmica, depois de uma vasta experiência gráfica. Na Fábrica de Sacavém e na oficina de Francisco Gomes Avelar (act. 1875-1897), Rafael principia experiências com argilas e esmaltes. Entretanto, o seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro (1847-1905), convence-o a criarem uma fábrica de cerâmica.

 







Perfumador árabe, faiança, 1896. Esta peça foi dedicada ao conselheiro Vilhena, administrador do Banco de Portugal, como prova de agradecimento, por ter adiado a cobrança coersiva das dívidas da fábrica de faianças. Rafael Bordalo Pinheiro. - Museu Bordalo Pinheiro


 
Bilha, faiança modelada e moldada, 1896. Decoração representando uma serenata de um cavalheiro a uma dama, e um aldeão espiando. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

 
 Jarra, rodada e modelada em barro vermelho, 1893. Peça de inspiração Arte Nova. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

No ano de 1884, Feliciano e Rafael, criam a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, da qual Bordalo Pinheiro foi director técnico e artístico durante cerca de 20 anos. A fábrica dispunha-se a manufacturar materiais de construção (tijolos, telhas e azulejos), louça artística e louça comum, organizando-se de acordo com os três sectores de produção. 
No decorrer de 1884, os dois irmãos realizam viagens de estudo e trabalho a industrias de cerâmica em Inglaterra, França e Bélgica.
Em Junho de 1885, a segunda fase da fábrica foi concluída, permitindo a produção de uma linha completa de louça decorativa.

Garrafa, archeiro da Casa-Real, peça modelada e moldada em barro vermelho, 1896. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


FFCR - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Iniciais entrelaçadas por uma serpente; 1896 - ano de produção da peça; 21 - número referente ao operário da fábrica responsável pela produção da peça. Gravações na base da peça.


Estatueta, figura de movimento, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1903. Representa um padre segurando um lenço vermelho e rapé. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
 Caixa "Toma", faiança 1904. Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.

No ano seguinte (1886), a rainha D. Maria Pia (1847-1911) e o ministro Emídio Navarro (1844-1905), visitam a fábrica das Caldas da Rainha. O funcionamento simultâneo como fábrica-escola, foi reconhecido pelo Governo a partir de 1887. Bordalo criou todas as condições para que os operários pudessem reproduzir na totalidade as várias peças. Nesse ano, iniciou-se a produção de louça decorativa de inspiração naturalista. Em 1888, Rafael instalou-se com a sua família nas Caldas da Rainha.

O sucesso da exposição no Atneu Comercial do Porto, em 1889, não valeu para salvar a fábrica das dificuldades económicas em que se encontrava. A concessão de um empréstimo pelo Governo Português, evitou a falência e permitiu apresentar diversas peças na Exposição Universal de Paris (1889). O sucesso foi enorme: a Fábrica de Faianças recebeu a medalha de ouro e a medalha de prata na Exposição de Faianças, Rafael Bordalo Pinheiro, recebeu o Grau de Cavaleiro da Legião de Honra do governo francês.

 

Painel de azulejos com borboletas e espiga de trigo, barro vermelho moldado, 1905. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. Inspiração na produção hispano mourisca do século XVI. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica





Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. Gafanhotos sobre espigas de trigo. Cercadura com óvulos de inspiração renascentista. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Rafael produziu um número surpreendente de obras cuja diversidade de esmaltes coloridos, modelagem invulgar, profundidade de cor e esboço primoroso lhe trouxeram notoriedade. As suas peças tiveram influência nos estilos rocaille ou renascença, estilo Palissy - sapos, cobras, répteis, folhagens, fauna e flora locais - estilo Manuelino, iniciado durante o reinado de D. Manuel I (1495-1521) - conchas, peixes, corais, âncoras, cordas, redes e instrumentos de navegação. A cerâmica de Bordalo foi também estimulada pela onda francesa Art Nouveau, pelo orientalismo e pelo exótico. Projectou e executou magníficos modelos de azulejos, considerados dos melhores em Portugal. No período entre 1889-1905, Rafael B. Pinheiro criou muitas das suas melhores obras, como a Talha Manuelina, adquirida pelo rei D. Carlos (1863-1908) em 1893. A figura tridimensional do Zé Povinho, fazendo o manguito, popularizou-se com a cerâmica da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, a partir do final do século XIX.



Talha Manuelina, faiança, 1892/3. Peça marcada pelo revivalismo do estilo Manuelino - Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.
 

Jarra Adriano Coelho, faiança, s.d. Peça com influência de estilo Rocaille. Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.



Candeeiro Justino Guedes, faiança, 1898. Peça com influência de estilo Renascença e azulejos mudéjares. Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.

Entre 1888 e 1904, a fábrica recebeu medalhas de ouro em exposições no Porto (1888), Paris (1889), Madrid (1892), Antuérpia (1894), Porto (1895) e Exposição Universal de St. Louis, EUA (1904). 
Rafael Bordalo Pinheiro visita a Exposição Universal de Paris, com o filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, em 1900. Nesse mesmo ano, transferiu a direcção total da fábrica para o seu filho.  Em 1908, depois da morte do pai, Manuel Gustavo fundou uma fábrica em outro local, denominada inicialmente São Rafael, e mais tarde, Fábrica Bordalo Pinheiro, Lda. As peças produzidas, caracterizaram-se pela aliança entre os modelos tradicionais e as formas modernas da corrente Arte Nova. Às suas peças associa-se a riqueza artística e cultural, que irá resultar na geometrização das formas.
 

Jarra decorada com folhas de plátano, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1901 (altura: 1250cm; largura: 74cm; comprimento: 75cm). Esta peça está inserida na fase bordalina de onde saiu a Talha Manuelina. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Prato, peça rodada, modelada e moldada em barro vermelho, 1905. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Jarra, peça modelada e moldada em barro branco, 1900. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Em 1922, a casa de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro foi adquirida, junto com os moldes originais de fábrica. Os novos empresários ergueram uma outra fábrica, chamada de Faianças Bordalo Pinheiro. Na antiga casa de Manuel Gustavo foi criada a  Casa Museu de S. Rafael Bordalo. O acervo da Casa Museu é constituído sobretudo por cerâmica produzida ao longo dos anos na Fábrica Bordalo Pinheiro, contendo originais e cópias de peças desenhadas e executadas pelo artista Rafael Bordalo Pinheiro. O Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa, foi dedicado à memória deste grande ceramista. Abriu ao público em 1916.


Jarra, peça moldada e modelada em barro vermelho vidrado, 1908. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica

BORDALLO PINHEIRO PORTUGAL - inserido num circulo com uma rã ao centro. 1901 / 21. Marca gravada na pasta no reverso da base.

Jarra, peça moldada em barro vermelho, 1908. Manuel Gustavo Bordalo pinheiro Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica

Bordalo Pinheiro Portugal, marca gravada na pasta

Grupo escultórico "Milagre da Bilha", peça moldada e modelada em barro branco e vermelho, 1912. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica


Fontes:

http://www.bordallopinheiro.pt 
http://www.cm-caldas-rainha.pt/portal/page/portal/PORTAL_MCR/VISITANTE
http://www.museubordalopinheiro.pt/0201.htm
http://www.palissy.com/NEWhistory.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Bordalo_Pinheiro
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Entidades/EntidadesConsultar.aspx?IdReg=40510


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Louça de Caldas da Rainha, século XIX

Garrafa, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1820-1853. Ceramista Maria dos Cacos. Atr. Oficina Maria dos Cacos - Museu da Cerâmica
Caldas da Rainha, centro cerâmico nos últimos 150 anos, tem tradição de actividade barrista, com possível origem na Idade Média. 
A vila originariamente chamada de Caldas de Óbidos, desenvolveu-se em torno do hospital termal - mandado construir por D. Leonor, esposa do rei D. João II (1481-1495).
Os mestres e fabricantes das Caldas da Rainha, do século XIX, alguns deles representados actualmente em museus, dirigiam pequenas indústrias de produção cerâmica, dispondo em feiras e mercados de todo o país, as suas peças de barro. 
A louça das Caldas, um género de faiança essencialmente decorativa, evoluiu ao longo dos tempos, caracterizando-se sobretudo pelos motivos naturalistas.

Travessa, peça  moldada e modelada em barro branco, 1860. Ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra. Fábrica Manuel Cipriano Gomes "Mafra" - Museu da Cerâmica
Marca gravada na pasta na base da peça, M. MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (âncora)
   
Maria dos Cacos, barrista e feirante caldense, abriu uma oficina que laborou por cerca de 30 anos (1820-1853). As louças e peças decorativas que produzia, gozavam de grande popularidade nas feiras de todo país. A oficina dos Cacos seria a "impulsionadora" do centro de cerâmica das Caldas. Em 1950, Manuel Cipriano Gomes (1829-1905), natural de Mafra, inicia o ofício de ceramista na oficina de Maria dos Cacos. Ainda na fábrica da oleira, em 1852, contacta com D. Fernando II, quando este visita as olarias das Caldas da Rainha. Assume a fábrica de Maria dos Cacos, em 1853, adopta o sobrenome "Mafra", e enceta o seu percurso como ceramista, com o apoio da sua família. 
No ano de 1860, Manuel Mafra fundou uma fábrica com o seu nome, assinando as peças com as iniciais MCM. Posteriormente, viria a utilizar as marcas M.C.G., MCGM e M. MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (âncora). Estavam lançadas as bases para a indústria cerâmica local. 
Ao longo de toda a sua carreira, Manuel Mafra adoptou o estilo do ceramista francês da Renascença, Bernardo Palissy (1510-1589). O sucesso foi grande, o estilo popularizou-se e foi copiado por muitos dos ceramistas caldenses do século XIX. Além dos elementos característicos deste estilo, cobras e lagartos, Manuel Mafra adicionou outros elementos tradicionais de Palissy, como conchas, peixes, lagostas, sapos, fauna e flora locais. Incorporou um novo elemento ao design tradicional, o musgo ou musgado, recorrendo a uma tecnica egípcia com mais de 2000 mil anos. Os seus esmaltes foram também muito apreciados pela qualidade técnica, comparada aos melhores artesãos de todo o mundo.
Depois de 1870, D. Fernando II dá à fábrica o titulo de Real Fornecedor do Rei, e concede autorização para o uso da coroa real na marca, dando origem a M. MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (coroa). Manuel Mafra participou em diversas exposições e foi premiado em 1878, 1873 e 1879. Em 1881, foi considerado o “Palissy das Caldas”, pelo Inquérito Industrial. Em 1890 o recheio da fábrica foi leiloado e adquirido por Herculano Elias.
 
Bilha de Segredo, peça rodada e moldada em barro branco, 1870-1887. Ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra. Fábrica Manuel Cipriano Gomes Mafra - Museu da Cerâmica
Marca gravada na pasta, M.MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (coroa), no reverso da base

Canjirão, faiança vidrada, 1870-1887. Ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra. Toda a superfície da peça é decorada com musgados  - Museu da Cerâmica
Marca gravada na pasta, M.MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (coroa)
Jarrão, peça moldada e modelada em barro branco, 1870-1887. Ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra. Fábrica Manuel Cipriano Gomes Mafra. Esta peça executada por Manuel Cipriano Gomes Mafra, traduz o estilo de Bernard Palissy, ceramista francês da Renascença - Museu da Cerâmica
Prato, peça rodada e moldada em barro vermelho, 1888. Ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra, Caldas da Rainha. Esta peça executada por Manuel Cipriano Gomes Mafra, denota a influência de Bernard Palissy, ceramista francês da Renascença - Museu da Cerâmica
Marca gravada na pasta, M.MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (coroa), no reverso da base
Assinatura, peças de Manuel Cipriano Gomes Mafra (fase inicial de fabrico)
 



Marca, MCGM (âncora), peças de Manuel Cipriano Gomes Mafra


Marca, M. MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (âncora), peças de Manuel Cipriano Gomes Mafra 
Marca, M.MAFRA/CALDAS/PORTUGAL (coroa), peças posteriores a 1870, de Manuel Cipriano Gomes Mafra

José Francisco de Sousa (1835-1907), outro ceramista ilustre, foi mais um seguidor da tradição de Palissy. Iniciou a sua actividade em 1860, numa oficina adquirida ao ceramista António de Sousa Liso. A notável produção de faiança artística da oficina de José Sousa, é reconhecida pela paleta de cores diversificada e qualidade artística, colocando-o entre os melhores ceramistas das Caldas. 
O ceramista Francisco Gomes de Avelar (1850-1918), conceituado artífice, fundou a sua fábrica em 1875, rodeando-se dos melhores operários da época. Destacou-se de entre os seus pares, recriando o famoso azul de Sévres através do uso de óxido de cobalto. A sua fábrica que laborou durante 22 anos, foi premiada em diversas exposições. Uma das personalidades mais marcantes desta época, o ceramista Rafael Bordalo Pinheiro, principia experiências com argilas e esmaltes, na fábrica de Francisco Gomes Avelar. 

Jarra, peça moldada e modelada em barro branco, 1863-1890. Ceramista José Francisco de Sousa. Fábrica de José Francisco de Sousa - Museu da Cerâmica

Canjirão, peça moldada e modelada em barro vidrado, 1860-1907. Ceramista José Francisco de Sousa. Fábrica de José Francisco de Sousa - Museu da Cerâmica

Marca gravada na pasta, JFS, José Francisco de Sousa
Serviço de chá, peças moldadas em barro vidrado, 1875-1897. Ceramista Francisco Gomes Avelar. Fábrica de Francisco Gomes Avelar - Museu da Cerâmica
Prato D. Maria Pia, faiança moldada, séc. XIX. Ceramista Francisco Gomes Avelar. Fábrica de Francisco Gomes Avelar - Museu da Cerâmica
Marca inserida numa elipse, F. Gomes Avelar/Caldas da Rainha, gravada na pasta no reverso da peça
Como seguidores do ceramista Manuel Mafra, destacam-se António Alves da Cunha (1856-1941) e José Alves da Cunha (1849-1901). O primeiro, com elevada qualidade de produção. Era especialista na execução de flores realizadas manualmente em barro. O segundo, representado em diversas exposições internacionais, viu o seu trabalho distinguido com diversas medalhas e menções honrosas. Foi também um notável seguidor de Bernardo Palissy.


Jarro, peça moldada e modelada em barro branco, 1902-1925. Ceramista António Alves da Cunha. Fábrica de António Alves da Cunha - Museu da Cerâmica
Galo, floreira, peça moldada e modelada em barro branco, 1902-1925. Ceramista António Alves da Cunha. Fábrica de António Alves da Cunha - Museu da Cerâmica
Jarro, peça moldada e modelada em barro vermelho,  1902-1925. Ceramista António Alves da Cunha. Fábrica de António Alves da Cunha - Museu da Cerâmica

 
Jarrão, peça moldada e modelada em barro vidrado, 1862-1901(influência de Manuel Mafra e Bernardo Palissy). Ceramista José Alves Cunha. Fábrica de José Alves da Cunha - Museu da Cerâmica

Prato, peça moldada e modelada em barro branco, 1913. Ceramista José Alves Cunha. Fábrica de José Alves da Cunha - Museu da Cerâmica
Marca inserida numa elipse, José A. Cunha/Caldas da Rainha/ Portugal, gravada na pasta no reverso da base
O Vira, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1913. Ceramista José Alves Cunha. Fábrica de José Alves da Cunha - Museu da Cerâmica
Inscrição em relevo na base da peça

Prato, peça rodada e moldada em barro vermelho, 1884-1939. Ceramista Herculano Elias. Oficina de Herculano Elias - Museu da Cerâmica
Marca, H. Elias/Caldas da Rainha, carimbada na pasta no reverso da peça



Fontes:
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Apresentacao.aspx
http://www.cm-caldas-rainha.pt/portal/page/portal/PORTAL_MCR/VISITANTE/TRADICAO/LOUCA_CALDAS
http://lazer.publico.pt/passeiosepercursos/76199_caldas-da-rainha-a-cidade-da-louca
http://www.palissy.com

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O património da cidade de Coimbra no olhar dos artistas

Igreja de Santa Cruz, Coimbra, aguarela sobre papel, séc. XX. Autor: António Vitorino (1891-1972) - Museu José Malhoa
O bem "Universidade Coimbra, Alta e Sofia", proposto por Portugal, foi classificado no dia 22 de Junho de 2013, Património Mundial de Humanidade. A classificação foi atribuída pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

A área classificada situa-se no centro histórico da cidade de Coimbra, e abrange duas zonas, uma na encosta da cidade, a Alta, e a outra na Baixa da cidade, a Sofia. Para além da Universidade de Coimbra, existem dois monumentos nacionais incluídos, o Mosteiro de Santa Cruz e a Sé Velha ou Catedral, por estarem dentro da área classificada.

A romântica cidade de Coimbra, situada às margens do rio Mondego, também conhecido pelo "rio dos poetas", foi fonte de inspiração para músicos, escritores, poetas e artistas. Os amores trágicos de D. Pedro e Inês de Castro, passados nas paisagens verdejantes de Santa Clara, ficarão para sempre ligados à Quinta das Lágrimas.

Vista da Alta de Coimbra através das árvores, óleo sobre madeira, 1953. Autor: Pinho Diniz (1921-2007) - Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea
Antigo Convento de Santa Clara, Coimbra, aguarela sobre papel, colado em cartão, 1939.  Autor: António Vitorino (1891-1972) - Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea
Claustro da Sé-Velha, Coimbra, óleo sobre madeira, 1926. Autor: António Teixeira Carneiro Júnior (1872-1930) - Museu Grão Vasco
Sé-Velha, Coimbra, aguarela sobre papel, 1927. Autor: Alberto de Souza (1880-1961) - Museu José Malhoa
Claustro do Mosteiro de Celas, óleo sobre tela, 1875-1898. Pintor João Rodrigues Vieira (1856-1898) - Museu Nacional Machado de Castro
Trecho do Jardim de Santa Cruz, Coimbra, óleo sobre tela, 1884. Autor: João Rodrigues Vieira (1856-1898) - Museu do Chiado / Museu Nacional de Arte Contemporânea
Fonte dos Amores, Quinta das Lágrimas, óleo sobre tela, 1871. Autor: João Cristino da Silva (1829-1877) - Museu do Chiado /Museu Nacional de Arte Contemporânea
Campos do Mondego, óleo sobre platex, séc. XX. Autor: Hebil (1913-1998) - Museu Francisco Tavares Proença Júnior

"As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores"

Luís de Camões
Estrofe 135 do canto III de Os Lusíadas (encontra-se gravada numa lápide colocada junto da Fonte das Lágrimas, Quinta das Lágrimas)

Vista parcial da cidade de Coimbra, com a Sé-Velha em 1º plano, cartaz de publicidade, ca. 1935 (Empresa Bolhão). Design, António Vitorino (1891-1972)- BNP
Capiteis das naves da Sé Velha de Coimbra, lápis e giz branco sobre papel, séc. XIX-XX. Autoria: António Augusto Gonçalves (1848-1932) - Museu Nacional Machado de Castro

Adeus Sé Velha (com vídeo)

Adeus Sé Velha saudosa
Com guitarras a rezar

Minh'alma parte chorosa
No dia em que te deixar

O adeus da despedida
Não dura mais que um minuto

Mas fica na minha vida
Como cem anos de luto

Letra: Carlos Figueiredo
Música: Fernando Quintela



Saudades de Coimbra ou Do Choupal até à Lapa (com vídeo)

Do Choupal até à Lapa
Foi Coimbra, os meus amores
A sombra da minha capa
Deu no chão, abriu em flores 

Ó Coimbra do Mondego
E dos amores que eu lá tive
Quem te não viu, anda cego
Quem te não ama, não vive

Letra: António de Sousa
Música: Mário Faria da Fonseca
Repertório: Edmundo Bettencourt
Interpretação: Zeca Afonso


http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_das_L%C3%A1grimas
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=3284913
http://www.cm-coimbra.pt/

Reformulado no dia 18 de Dezembro de 2013