Comemora-se hoje o 51º aniversário da Revolução de Abril. Relembro algumas comidas que faziam parte das ementas dos anos 70. Partilho convosco as receitas, no caso de as quererem confeccionar.
sexta-feira, 25 de abril de 2025
Comidas dos anos 70
sábado, 29 de março de 2025
Rua Nova da Trindade | Azulejos em Lisboa
| Rua Nova da Trindade, nº 20. Freguesia de Santa Maria Maior. Foto: Arquivo "comjeitoearte". |
O edifício situado sobre um antigo convento trinitário, está organizado em três registos. O primeiro revestido a cantaria de calcário, o segundo e o terceiro a azulejo de padrão e figurativo em cobalto e branco. No segundo piso, a varanda de ferro forjado com perfil abaulado ao centro, é ornamentada com dois leões segurando uma estrela com a inscrição 1838, data do início da construção do edifício.
| Azulejos no primeiro piso. Foto: Arquivo "comjeitoearte" |
| Azulejos de padrão reaproveitados do antigo convento da Trindade. |
2025
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| Rua Nova da Trindade, nº 20. Google, 2025. |
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1968
Fontes:
http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=19784
https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/X-arqWeb/Search.aspxquarta-feira, 5 de março de 2025
Arco de Jesus, em Lisboa | "Cerca Moura"
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| A CERCA MOURA DE LISBOA. FRAGMENTO DA PLANTA DE LISBOA CONTENDO OS ÚLTIMOS MELHORAMENTOS EFECTUADOS. Escala 1:2500. Data: ca. 1900. Autor: Augusto Vieira da Silva (1869-1951). Dimensões: 370,00mm x 224,00mm. Materiais: Papel; tinta. As designações a tinta preta são as denominações actuais das vias públicas. Convenções sobre o traçado da Cerca: Traço cheio a preto, representa as partes que ainda se conservam e se podem examinar. A linha tracejada o traçado aproximado obtido por meio de documentos e de alguns vestígios conservados. A linha pontuada o traçado puramente arbitrário. Na parte superior da planta vemos a traço cheio a preto a fortaleza do Castelejo. O Arco de Jesus está situado dentro da circunferência a branco (feita digitalmente por mim). - Museu de Lisboa |
Cerca Moura ou «Velha» - Século XII
"A Cerca Moura correspondia, segundo se presume, em seus limites contornantes, à Lisboa sarracena que D. Afonso Henriques conquistou em 1147. Embora esta forte linha de muralhas satisfizesse «a todas as condições preconizadas pelos construtores e arquitectos militares visigodos» parece mais verosímil a hipótese de que foram os povos muçulmanos os seus construtores. Reconstruções ou reparos ordenados pelos reis da primeira dinastia são francamente de admitir.A área da cidade contida dentro da cerca que o primeiro Afonso conquistou, não tinha mais que 15,60 hectares, incluindo a Alcaçova ou Cidadela e nela o reduto ou fortaleza a que se dá o nome genérico de Castelo sob o ponto de vista militar, ou de «Castelejo» (...)."
Araújo, Norberto. Inventário de Lisboa (Fascículo II), pág. 11 - Lisboa: CML, 1945. - Hemeroteca Digital da CMLisboa
Arco de Jesus, em Lisboa (perpendicular à Rua de S. João da Praça, à qual conduz por escadaria). Pertence à freguesia de Santa Maria Maior. Arquivo "comjeitoearte",2018.
Antigas Portas (Arcos)
"Das oito portas primitivas da Cerca Moura, algumas das quais foram mais tarde chamadas Arcos pela configuração e ausência de portões, apenas existem hoje, em representação, as três do lanço marginal, desfiguradas. São o Arco Escuro e Arco das Portas do Mar, na Rua dos Bacalhoeiros, e Arco de Jesus, entre o Campo das Cebolas e a Rua do Cais de Santarém (...)".
Araújo, Norberto. Inventário de Lisboa (Fascículo II), pág. 18 -Lisboa: CML, 1945. - Hemeroteca Digital da CMLisboa
Arco de Jesus
Representa este Arco uma Porta importante da Cerca. Na grossura do arco da abóboda nota-se uma zona reintrante, que será o último vestígio da abertura pela qual se fazia subir e descer a «porta de correr». No século XVI já se lhe chamava «Arco de Jesus» ou do «Menino Jesus», porque na sua abóboda existiu uma imagem de Deus Menino. Aparece citado no meiado do século XVIII como «Porta do Mar a S. João». Mede 9 metros de comprimento por 3,30m de largura. No recanto que a abertura do arco forma com o prédio do lado direito vê-se o envasamento de guarita, que parece não ter elação alguma com a muralha ou defesa antiga. Situa-se o Arco de Jesus entre o Campo das Cebolas e a Rua do Cais de Santarém, e conduz, parte em rampa e parte em escadas, à Rua de S. João da Praça.
Araújo, Norberto. Inventário de Lisboa (Fascículo II), pág. 18 -Lisboa: CML, 1945. - Hemeroteca Digital da CMLisboa
| Arquivo "comjeitoearte" |
| Imóvel do Arco de Jesus, Lisboa. Pertence à freguesia de Santa Maria Maior. Arquivo "comjeitoearte", 2018. |
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| Google: Captura de imagem em Julho de 2024. |
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| Interior do Arco de Jesus. Google: Captura de imagem em Julho de 2024. |
Na foto, a esquina do edifício à direita, ostenta o Brasão de Armas dos Mascarenhas. O Palácio dos Condes de Coculim (título dado aos Mascarenhas), situado na Rua Cais de Santarém, nº 38-66, Arco de Jesus, nº 2-10, Beco do Armazém do Linho e Travessa de S. João da Praça, passou de geração em geração. O Palácio era propriedade do 1º Conde de Coculim, D. Francisco de Mascarenhas (1662-1685), no 3º quartel do século XVII. Uma parte do edifício foi destruído após o Terramoto de 1755. Actualmente, e após obras de reabilitação, está instalado no Palácio o Hotel Eurostars Museum. No interior do hotel-museu, está exposto o espólio arqueológico encontrado no local durante as obras de construção. |
"No recanto que a abertura do arco forma com o prédio do lado direito vê-se o envasamento de guarita, que não parece não ter relação alguma com a muralha ou defesa antiga".
sábado, 1 de março de 2025
Rua das Flores | Azulejos em Lisboa
| Prédio na Rua das Flores, n´70, Lisboa (foto"comjeitoearte"). |
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| Edifício nº 70, à esquerda. Google |
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Cigarreiras | século XX
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| "Cigarros Motor". Cartaz. Data 1910. The American Tobacco Co. Lake Vänem Museum - Europeana |
A cigarreira (aqui no blogue), tornou-se muito popular no século XIX e início do século XX. Fumar era uma actividade socialmente aceite entre pessoas da alta sociedade. Considerado acessório elegante muito apreciado por cavalheiros, e damas que gostavam de fumar com estilo, estava muitas vezes associado ao status de quem os utilizava "a caixa da vaidade". Planeadas para serem transportadas no bolso de um casaco, calças, ou carteira de senhora, eram frequentemente feitas de materiais nobres como ouro, prata ou marfim, e adornadas, por vezes, com pedras preciosas.
Cigarreira em ouro, oferecida ao Capitão Tamlyn por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Esta peça e uma fosforeira, ambas em ouro, têm um mapa do Atlântico e têm representada a rota seguida pelos aviadores, com a particularidade de um pequeno diamante assinalar o local do resgate efectuado pelo Paris City.
Em carta assinada pelos dois, ainda durante o ano de 1922, ofereciam o valioso conjunto afirmando que “não iriam esquecer a ajuda que lhes tinha prestado na noite de 11 de Maio de 1922”, e pediam-lhe que aceitasse a “pequena prenda” que lhe enviavam juntamente com a carta. Uma pequena prenda em ouro, com um mapa do Atlântico e das suas margens W e E gravadas, com um diamante incrustrado no local do salvamento. Uma obra realizada pelos antigos joalheiros da Coroa Leitão & Irmão. - Museu do Ar
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| Cigarreira com relógio. Materiais: prata dourada, prata, esmalte e vidro. Local de produção: Suíça . - Palácio Nacional da Ajuda. MatrizPix . |
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| Cigarreira. Materiais: esmalte sobre cobre. Decoração: motivos egípcios e padrões geométricos. Local de produção: Japão. Data: 1900-1910. - Victória and Albert Museum. |
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| Cigarreira. Materiais: esmalte sobre cobre. Decoração: motivos egípcios e padrões geométricos. Local de produção: Japão. Data: 1900-1910. - Victória and Albert Museum. |
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| Cigarreira. Materiais: prata. Local de produção: China. Data: 1910. - Victória and Albert Museum. |
(...)
Mas onde eu queria chegar era à história da cigarreira de prata que descobri num baú do celeiro, toda triques, de certeza caríssima, com uma dedicatória para o meu tio Joaquim
(o tal médico dos navios)
num alemão ardente. Como eu andava mal de dinheiro para pastilhas de mentol peguei na cigarreira e fui à loja de penhores com ela, devia ter uns doze ou treze anos. Expliquei ao empregado
(claro que eu usava calções na altura)
que um dos meus vários negócios correra mal e necessitava de empenhar aquilo para satisfazer dívidas alimentares urgentes da minha família. O empregado ouviu-me com a maior seriedade
- Claro que sim, claro que sim
entregou-me umas moedas pela cigarreira, despediu-se
- Boa tarde, cavalheiro
respeitoso, compreensivo, amigo. Comprei uma barrigada de rebuçados no Paraíso e, de fome consolada, fui para casa dos meus avós onde estava de férias. Encontrei a minha avó a bordar na salinha dela, que me beijou sem levantar os olhos para mim. Só passados minutos dei pela cigarreira do tio Joaquim na mesinha ao lado da cadeira dela, que o empregado dos penhores lhe levou nessa mesma tarde
- O seu neto apareceu com isto lá no estabelecimento, senhora dona Eva
e a minha avó, depois de lhe agradecer, de certeza que lhe entregou a meia dúzia de moedas das pastilhas. A minha avó não me disse uma palavra
(deixou que a cigarreira se exprimisse por ela)
eu não disse nada
(deixei que a cigarreira se exprimisse por mim)
e nunca nenhum de nós falou neste assunto. Lembro-me de nesse dia o meu avô me perguntar, já durante a fruta
- Os negócios estão a correr-te melhor, filho?
e desde então, coberto de vergonha, não tornei a entrar numa loja de penhores. Tenho ideia de que uma ocasião, ao passar pela porta, o empregado me piscar o olho a chamar-me
- Maroteco
palavra sempre difícil de aceitar para um ricaço como eu.
ANTUNES, António Lobo - As Outras Crónicas - A Loja de Penhores. - Alfragide: D. Quixote, 2023. ISBN 9789722079204
Google books
| Cigarreira. Materiais: madeira. Decoração: figura feminina sobre fundo escuro. Data: 1920. - Stadtmuseum Einbeck. |
Cigarreira. Materiais: alumínio. Decoração: Retrato do Príncipe Henrique (Príncipe Henrique, os cigarros feitos com o melhor tabaco turco). Local de produção: Saxónia. Data: 1900-1930. - Stadtmuseum Einbeck.
| Cigarreira. Materiais: prata esmaltada e laca. Decoração: padrão geométrico em verde, preto e branco. Local de produção: Paris. Criador: Gérard Sandoz. Estilo: Art Déco. Data: 1929. - Victória and Albert Museum. |
Cigarreira. Materiais: platina, ouro e diamante. Decoração: linhas paralelas gravadas e diamantes engastados em platina. Local de produção: Londres. Criador: Cartier. Data: 1934-1935. - Victória and Albert Museum.
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| Cigarreira. Materiais: prata. Decoração: monograma em relevo "CEG" - Erik Gustaf Cavallin. Local de produção: Suécia. Criador: Nilsson Wiwen. Data: 1953. - Carlotta Kulturen |
Cigarreira. Materiais: ouro. Decoração: entrelaçado em forma de cestaria. Local de produção: Paris. Criador: Boucheron. Data: ca. 1963. - Victória and Albert Museum
Um verso de Pessoa
Ás vezes ainda sinto os helicópteros a girar dentro de mim. Vinham do Norte. Pela cor da bandeira, sabia-se se transportavam mortos ou feridos. Durante breve passagem por Luanda, eu olhava os helicópteros que se dirigiam para o Hospital. Às vezes ocorria-me obsessivamente um verso de "O Menino de sua Mãe", mas não era o "jaz morto e arrefece". Era, quando acendia um cigarro, o "caiu-lhe da algibeira / a cigarreira breve". Pensava no último cigarro fumado com Manuel Ortigão. Caminhando pelas ruas de Luanda, ou rolando nas picadas, de quando em quando lá vinha a "cigarreira breve". Talvez seja supersticioso ou dê demasiada importância aos sinais. Pelo sim pelo não deixei de usar cigarreira. Mas nem assim. Sempre que puxava de um cigarro, lá vinha Pessoa com a sua cigarreira breve a cair da algibeira do menino de sua mãe.
ALEGRE, Manuel - Memórias Minhas - Alfragide: D. Quixote, 2024. ISBN 9789722081634
Google books
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| Cigarreira. Materiais: pele. Decoração: bordado "petit point" com flores e barra em dourado. Local de produção: Suécia. Data: 1962. - Carlotta Kulturen - Europeana |
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| Caixa de cigarros. Material: metal. Marca: Wings - 10 Original Cigarillos Nº 75. Data: anos 1990. Arquivo "comjeitoearte". |
Fontes:
https://www.europeana.eu/pt/item/91682/vm_objekt_124452
https://museudoar.pt/conteudos/galeria/pioneiros/pdf/35a40-dois-valentes-parte-i-e-ii-dr_2387.pdf
http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=0®PAG=50&CRITERIO=cigarreira&IDFOTO=8537
https://collections.vam.ac.uk/item/O1377623/cigarette-case/
https://collections.vam.ac.uk/item/O1377628/cigarette-case/
https://collections.vam.ac.uk/item/O152721/cigarette-case-and-august-hollming/
https://collections.vam.ac.uk/item/O1160457/cigarette-case/
https://www.google.pt/books/edition/As_Outras_Cr%C3%B3nicas/LgPfEAAAQBAJ?hl=pt-PT&gbpv=0
https://kulturerbe.niedersachsen.de/objekt/record_kuniweb_1402621/
https://kulturerbe.niedersachsen.de/objekt/record_kuniweb_1206824/
https://collections.vam.ac.uk/item/O97262/cigarette-case-g%C3%A9rard-sandoz/
https://collections.vam.ac.uk/item/O153756/cigarette-case-cartier/
https://carl.kulturen.com/web/object/1767700
https://collections.vam.ac.uk/item/O153826/cigarette-case-boucheron/
https://www.google.pt/books/edition/Mem%C3%B3rias_Minhas/q3L9EAAAQBAJ?hl=pt-PT&gbpv=0
https://www.europeana.eu/pt/item/77/Kulturen_objekt_61189













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