domingo, 22 de janeiro de 2017

Rua da Judiaria I Alfama, Lisboa

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3.º - A Judiaria de Alfama, ou a Judiaria Pequena da Torre de S. Pedro. Nesse bairro, que, como se sabe, não foi atingido pelo terramoto, ainda existe a respectiva Rua da Judiaria. Sabe-se também que essa Judiaria possuía uma sinagoga, que fora construída em 1373/74, como consta de uma sentença de D. Fernando que diz: « no anno da era myl quatrocentos onze a doze annos (=1373 a 1374) os judeus da dita cidade (Lisboa) fizeram sinagoga nova sem nosso mandado na Alfama...», pelo que foram condenados a pagarem a multa de 50 libras de ouro, «... e a livra ha de ser lxxij dinheiros douro», muita de que, aliás, o rei os absolveu, sob certas condições (4).
A Judiaria da Alfama, ou pelo menos a sua esnoga, foi fundada após a trágica investida das Judiarias pelas hostes de D. Henrique II de Castela, no seu ataque a Lisboa em 1371, o que explica a urgência que teve a comunidade judaica em fundar uma nova Judiaria e uma nova sinagoga, sem esperar a obtenção da prévia licença régia. Foi essa, provávelmente, a razão pela qual a comunidade israelita ficou absolvida do pagamento da multa de 50 libras em ouro que lhe foi imposta por ter construído nova sinagoga sem licença régia, sob a condição, porém, de que não «uzassem dela para sinagoga nem fazerem nella oras...», para não estorvarem «as oras da igreja de sam pedro», que se encontrava na proximidade da sinagoga.
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Leia mais aqui, na Revista Municipal N.º 56; págs. 64 a 70. Câmara Municipal de Lisboa, 1953.

Revista Municipal Nº 56 - Hemeroteca digital



Pátio da Rua da Judiaria / Arco do Rosário - Fonte dos Poetas. Na foto, ao lado direito, vê-se um painel de azulejos (foto "comjeitoearte", 2016)




 Fonte dos Poetas, peixes-dragões (foto "comjeitoearte", 2016).

 Fonte dos Poetas "Esta fonte foi restaurada e é de todos. Por favor estime-a e não a danifique", (foto "comjeitoearte", 2016).


Painel de azulejos, na Rua da Judiaria / Arco do Rosário (foto "comjeitoearte", 2016).

Arco do Rosário / Terreiro do Trigo, 1968. Foto de Armando Maia Serôdio. Arquivo Municipal de Lisboa

Alfama depois da remodelação em 1960; negativo de gelatina e prata em acetato de celulose Foto de Armando Maia Serôdio. Arquivo Municipal de Lisboa

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Das judiarias de Lisboa temos conhecimento de quatro:
 1.ª A judiaria do Campo da Pedreira da qual D. Diniz desapossou os moradores em 1317-19, a fim de fazer doação do logar ao seu almirante Micer Manuel Peçanha.
 2.ª A judiaria nova, ou pequena, para onde se foram installar os judeus desalojados da judiaria do Campo da Pedreira por D. Diniz, e que durou até á expulsão dos judeus de Portugal em 1496-98. Consistia apenas n’uma rua, que na Lisboa actual seguia approximadamente o eixo da Egreja de S Julião, desde a porta principal até á fachada do Banco de Portugal, sobre a Rua Áurea (Rua do Ouro).Depois de extincta a judiaria, ao seu local passou a chamar se Villa nova d'apar da moeda, ou judiaria nova que foi .
3. ª judiaria velha, ou grande, ficava situada no valle da Baixa de Lisboa, entre a Rua da Magdalena e a Rua dos Correeiros, na actual cidade, e a Rua da Victoria e a Rua Nova de El Rei ou dos Capellistas, actualmente Rua do Comercio. A sua linha periférica está hoje perfeitamente definida, e acha-se traçada n’um mappa elaborado pelo auctor, e que faz parte da obra "As muralhas da Ribeira de Lisboa".
 Esta judiaria foi ,como as outras, extincta em 1496, e ao bairro passaram a chamar Villa Nova ou Villa Nova que foi judiaria grande.
 4.ª A judiaria d' Alfama, em Alfama, da qual resta, como único vestígio, o nome da rua onde estava situada,  Rua da Judiaria, que vae do Arco do Rosário, no Terreiro do Trigo, até ao Largo de S Rafael.
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Arqueologia e Historia, Volumes 7-8; pág. 61. Associação dos Arqueólogos Portugueses. Publicação  1829. Original de  Universidade da Califórnia




Fontes:
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
https://books.google.pt/books?id=xVANAQAAIAAJ



sábado, 14 de janeiro de 2017

O leque em Portugal



Leque em marfim relevado, com medalhão pintado, e recortada no  marfim a legenda " Viva o Príncipe Regente de Portugal". Data: 1799. Materiais: marfim; seda; metal e madrepérola. 
Transferência do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda. (MatrizNet)



Leque comemorativo. Trabalho chinês, "brisé", em marfim arrendado, com aplicação de fita de seda branca. No centro, pintado, medalhão com o retrato de D. João VI e recortada no  marfim a legenda " Viva o Príncipe Regente de Portugal". Altura: 20cm. 
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social. 


Leque é um objecto constituído por um conjunto de varetas, sobre as quais é aplicada uma folha pregueada, na parte superior. O "colo", em geral ornamentado, é formado pela parte inferior das varetas, reunidas por um eixo, que possibilita a mobilidade. 


O leque quando fechado é protegido pelas duas varetas das extremidades laterais, frequentemente ornamentadas, designadas por "guardas".



Leque com folha dupla em pergaminho pintado em tons policromos, dourado e prateado. Representação de uma cena galante, inserida numa reserva ladeada por motivos decorativos. Colo e varetas de marfim e madrepérola, com decoração vazada e gravada. Século XVIII. Largura: 27,8 cm. - Palácio Nacional da Ajuda (MatrzNet).




Colo e varetas de marfim e madrepérola, com decoração vazada e gravada

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Leque. Abano. Está agora averiguado que a etimologia do vocábulo é o nome geográfico – Lieu Khieu em chinês, Léquios ou Ilhas Léquias dos nossos cronistas – de um arquipélago situado ao sul do Japão. Dizia-se a princípio «abano léquio», mas depois ficou substantivado o adjectivo, como tantos outros análogos.(...)1551. - "Por retorno do presente lhe mandou (o Rei de Bungo) armas ricas, e dous treçados douro, e cem abanos Lequios". – Fernão Pinto, Peregrinação, cap. 225. 
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Glossário luso-asiático, Parte 1 (pág. 522).
Sebastião Rodolfo Dalgado Buske Verlag, 1982 
Helmut Buske Verlag Hamburg



Leque "squelette" de folha dupla de seda pintada e com aplicações policromadas de lantejoulas e vidrilhos. Varetas de marfim recortado, gravado e pintado. Representa uma cena galante de exterior dentro de cartela ondulada com motivos geométricos. As varetas são ornamentadas com motivos geométricos e flores. Comp. 27 cm. Século XVIII.  
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.



Leque de folha dupla em papel pintado. Varetas de madeira recortada com pintura dourada e policromia. A folha apresenta motivos historiados em vários medalhões e ornatos figurados. As varetas são ornamentadas por motivos fotomórficos. Comp. 27,4 cm. Século XVIII.
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social. 



Leque constituído por duas folhas estreitas de papel pintado em ambas as faces, com colo largo e varetas de madrepérola, arrendadas, pintadas a ouro e policromadas. As folhas são decoradas por cenas campestres e galantes, onde se notam senhoras vestidas "à la polonaise", e aves empoleiradas em ramos. O colo é ornamentado por aves e ramos de flores inscritos em cartelas com motivos vegetais. Comp. 29 cm. Século XVIII.
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.

O leque pregueado ou de varetas, é utilizado na Europa a partir do século XVI, tendo sido o seu uso introduzido pelos portugueses, devido ao seu contacto com a China e Japão, durante a época dos Descobrimentos.

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Do Japão vieram-nos no século XVI o leque, chamado origináriamente abano-léque (léquio). Lequio é adjectivo topográfico, relativo às Ilhas Líuquias, ao sul do Japão, berço dêsse produto industrial. Assim o registou Fernão Mendes Pinto, o das Peregrinações, injustamente difamado pela fórmula humorística Fernão Mentes? Minto! mas hoje plenamente reabilitado pelas indagações de viajantes modernos. Vid. Gonçalves Viana, Apostilas s. o leque
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Lições de filologia portuguesa, Volume 1 (pág. 317) 
Carolina Michaëlis de Vasconcellos (1851-1925) 
Edição da Revista de Portugal, 1911 – Lisboa 

A França toma a dianteira, na moda do leque na Europa Ocidental durante o século XVIII. Obra de arte de extremo requinte, o leque é acompanhado de materiais preciosos (marfim, sândalo, madrepérola, tartaruga, prata...), empregados nas varetas, e de materiais requintados (seda, cetim, plumas, penas...) aplicados na sua folha.



Leque fabricado na China (1850-1860). Varetas, colo e guardas em madeira lacada e pintada de dourado. Folha em papel pintado com representação de chineses com trajes de seda. Caixa de madeira pintada e lacada. Altura 28 cm; largura: 52 cm. - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)



Leque chinês. Folha dupla de papel pintado em ambas as faces, com aplicações de marfim e tecido, e varetas de charão. Representação de cenas da corte e drama de teatro. Comp. 29,2 cm. Século XIX; Macau. Oferecido ao Museu por Beatriz Cinatti Batalha Reis.
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.




Leque chinês de folha dobrável "Zhe shan", da tipologia Mandarim ou Mil Faces, em Portugal conhecido como "Leque de Cabecinhas". Ângulo de abertura de cerca de 240º. Folha dupla em papel de arroz pintado a guache, bordejada na parte superior por filete de papel dourado. Duas guardas e catorze varetas em madeira lacada a negro com pintura em dourado. Representação de cenas da vida social, com quarenta figuras masculinas e femininas, organizadas em grupos, sentadas ou de pé, em ambiente de ar livre. Algumas figuras seguram leques e ventarolas. Fabricado na China/Cantão. Data: 1821-1850. Dinastia Qing. Reinado Daoguang. Doação de Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet)


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       19 de Novembro (segunda feira). 
Modas francezas. -  Refere Mylord Bolingbroke que no tempo do famoso Colbert custavão á Inglaterra as maravalhas do luxo francez 5OO a 600,000 libras esterlinas por anno (o que anda por 2700 contos de réis), e o mesmo proporcionalmente ás outras nações. De então para cá tem consideravelmente augmentado a exportação de todos os objectos de luxo das fabricas francezas. Só Paris exporta por anno 75,000 colletes de barbas, que rendem um milhão de francos, toucas e chapéus de senhora por mais de 5 milhões, flores artificiaes por uns dous milhões, e leques por um milhão.
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           Almanach de lembranc̜as Luso-Brazileiro para o anno            de 1855 (pág. 372).
         Imprensa de Lucas Evangelista, Lisboa, 1854.
       
Leque, Rainha D. Amélia. Guardas, varetas e colo de tartaruga. Folha de tecido pintado à mão, com reservas em cartelas pintadas em tons policromos sobre fundo branco, representando cenas campestres. Altura: 29 cm; largura: 55 cm. Século XIX. Assinado: Lluvelleux. - Transferência do Museu Nacional dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda. (MatrizNet).



No reverso do leque, sobre fundo branco, monograma pintado a azul encimado por coroa real pintada a dourado.



Leque oferecido à Rainha D. Amélia (comemorativo da presença dos monarcas numa tourada real em Madrid, 16 de Novembro de 1892). Leque em marfim, papel pintado a tempera, metal branco e pedras preciosas. No anverso, tem pintados os retratos dos toureiros espanhóis Lagartijo, Mazzantini e Guerrita, em molduras circulares, entre atributos tauromáquicos. A primeira guarda, em marfim, tem encastradas pedras preciosas, representando a coroa real. Altura:36 cm; largura: 67 cm. Autor: Bach M. - Museu Nacional dos Coches (MatrizNet).

XVIII       Dezembro    1847.
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   9 - Portaria declarando os direitos que devem pagar os leques importados das nossas Colonias .........................Pag. 518

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  Tendo sido presente a Sua Magestade a Rainha, a Consulta a que procedeu a Commissão permanente das Pautas, em 15 de Setembro proximo preterito, sobre o Requerimento de Jeronymo Elias dos Santos, que pede lhe seja admittida a despacho na Alfandega Grande de Lisboa, uma partida de leques que mandou vir de Macáu, pagando sómente o direito de cinco mil réis por arroba, que a Pauta Geral estabelece para os leques com varetas de páo, e não o de novecentos réis em arratel, que lhe exigem, e é o direito marcado para os que vem de Paiz estrangeiro; e Conformando-Se a Mesma Augusta Senhora com o parecer emittido na dita Consulta, c com a resposta do Conselheiro Procurador Geral da Fazenda, que foi ouvido sobre a materia; Houve por bem declarar, em virtude da authorização concedida ao Governo pelo artigo 22º dos preliminares da Pauta, que assim como os leques com varetas de páo eram omissos na dita Pauta, antes da Portaria de 7 de Julho de 1843, publicada no Diario do Governo Nº 162 de 13 do referido mez, pela qual ficaram obrigados ao direito geral de novecentos réis em arratel, tambem é omissa a necessaria declaração relativamente aos mesmos leques das nossas Possessões, os quaes deverão por tanto pagar por entrada o direito de trezentos réis em cada um arratel; sendo esta declaração opportuna e convenientemente inserta na Pauta. O que, pela Secretaria d Estado dos Negocios da Fazenda, se communica ao Director da Alfandega de Lisboa para sua intelligencia, e effeitos necessarios.
   
Paço das Necessidades, em 9 de Dezembro de 1847. - Marino Miguel Franzini. - Para o Director da Alfandega Grande de Lisboa. ( 1) No Diario do Governo de 18 de Dezembro Nº 299.
________________________________ 

(1) Identicas se expediram na mesma data a todos os Chefes das Alfandegas marítimas do Continente do Reino e Ilhas Adjacentes; dando -se conhecimento desta resolução ao Tribunal do Thesouro Publico, e á Commissão permanente das Pautas.
  
 Colecção oficial de legislação portuguesa 
Imprensa nacional, 1846
N. B. O texto acima é da época do reinado de D. Maria II de Portugal (1819-1853), que reinou por dois períodos diferentes, primeiro entre 1826 e 1828, e depois de 1834 até à sua morte.  



Leque, Rainha D. Maria Pia. Leque com folha formada por 18 penas de avestruz. Colo estreito com varetas e guardas de tartaruga loira. Na parte superior da guarda da frente o monograma coroado "M P" (Maria Pia), em ouro cravejado de brilhantes e rubis. Eixo com argola de ouro cravejada de diamantes. Comp. 45 cm. Data: 1862-1910. Caixa com marca do fornecedor: Joillerie, Marroquinerie BOUDET; França. Paris, 43 Boulevard des Capucines - Palácio Nacional da Ajuda (MatrizNet)


Monograma coroado "M P", em ouro cravejado de brilhantes e rubis. 

Caixa com marca do fornecedor


(30 de Setembro) 1851.        Pag. 361
   Direcção Geral das Alfandegas e Contribuições indirectas.

       Tendo sido presente a Sua Magestade a RAINHA o processo que teve logar ácêrca do despacho proposto na Alfandega Grande de Lisboa por Dubena, de uma caixa com a marca BD n.º 1, contendo setenta e nove leques, que os respectivos Verificadores classificaram como omissos na Pauta; e Conformando-Se a Mesma Augusta Senhora com o parecer do Director Geral das Alfandegas e Contribuições indirectas, emittido de accôrdo com o da Commissão permanente das Pautas, dado em Consulta de 14 de Maio ultimo: Ha por bem Ordenar, usando da authorisação que foi conferida ao Governo pelo artigo 22.º dos preliminares a Pauta Geral das Alfandegas, que os leques de que se trata, paguem os direitos, por entrada, na razão de novecentos réis em arratel, e por sahida, cinco réis, que foram estabelecidos pela Portaria de 7 de Julho de 1843 para os leques com varetas de páo, e pannos de papel pintado de todas as qualidades, com os quaes têem maior analogia, sendo aquelles opportunamente insertos na classe 25.º da Pauta, similhantemente ao que para estes fôra determinado pela citada Portaria de 7 de Julho. O que se participa ao Conselheiro Director da referida Alfandega para sua intelligencia e devida execução. 
    Paço, em 30 de Setembro de 1851. - Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello. - Para o Conselheiro Director da Alfandega Grande de Lisboa. (1) No Diario do Governo de 3 de Outubro, N.º No 233.(...)
         ______________________________________________________________
  (1)  Na mesma data se fez a conveniente participação á Commissão permanente das Pautas
Colecção oficial de legislação portuguesa 
Imprensa nacional, 1852
N. B. O texto acima é da época do reinado de D. Maria II de Portugal (1819-1853), que reinou por dois períodos diferentes, primeiro entre 1826 e 1828, e depois de 1834 até à sua morte.  



Leque D. Maria Pia e D. Carlos de Bragança. Folha dupla de seda pintada e armação em marfim, formada por colo e 14 varetas. O colo tem gravadas ao centro as armas da aliança Portugal e  Sabóia. Um dos lados da folha tem uma pintura com representação de aves, a assinatura da Rainha D. Maria Pia, encimada por coroa real. Do outro lado, uma pintura com navio e a assinatura "Carlos 1881".Eixo com argola de ouro e diamantes. Altura:27,5 cm; largura: 50 cm.  - Palácio Nacional da Ajuda (MatrizNet).


O colo tem gravadas ao centro as armas da aliança Portugal e  Sabóia. 



Leque comemorativo (1886). Guarda, colo e varetas de osso. Folha com cetim de seda creme estampado, representando o Principe D. Carlos e a Princesa Amélia e respectivas armas reais. Inscrição: Festa da Industria Portuguesa por ocasião do do Feliz Consórcio de Suas Altezas Reais. Altura:27 cm; largura:52,2 cm. - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)


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       MARÇO - 23

Leques. -  Segundo se crê foi sob o céu poético da Grécia que o leque teve a sua origem, e os ramos de myrtho e de acassia, e as folhas elegantemente recortadas do platano oriental forão os leques primitivos. Com os pavões, que começaram a ser conhecidos na Grécia no quinto século antes de Jesu Christo, vierão os leques pennas de pavão, e esta moda foi anciosamente buscada damas gregas   Mais tarde ainda as pennas do pavão forão as preferidas para esta especie de adorno, porque nas collecções de vestidos modas dos differentes povos do mundo durante a idade média, vêem se os leques de pennas de pavão usados pelos lombardos.  Á rainha Izabel, de Inglaterra, offereceram pelo Anno Bom um leque guarnecido de diamantes. Balzac, diz que no seu tempo (1650) havia leques na Italia que cançavão os braços quatro escudeiros. ( A. 54, p. 288)(...) 

Almanach de lembranc̜as Luso-Brazileiro para o anno de 1863 (pág. 138)Sociedade Typographica Franco-Portugueza, Lisboa, 1862. 

Leque "brisé", constituído por onze varetas e duas guardas em madeira. As varetas são em madeira escurecida, gravada e dourada, com decoração de motivos florais, vegetalistas e geométricos. O conjunto é reunido na parte superior por fitilho de seda. Pelas dimensões reduzidas e a decoração deste leque, pode integrar-se no estilo Império. Em Portugal estes diminutos leques designavam-se de "Marotinhos". Altura:17,7cm; largura:25 cm. Data: 1804-1815. Executado na Europa. Doado ao museu por Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet



Leque de luto, com folha de seda preta transparenta, decorada com lantejoulas. Varetas e guardas em madeira com decoração floral gravada. Largura: 24 cm. Século XIX - XX. Este leque estava no quarto de dormir da rainha D. Maria Pia, de acordo com o Arrolamento do Paço da Ajuda, em 1911. - Palácio da Ajuda (MatrizNet).



Leque de folha dobrável em formato "grand-vol", constituído por armação com quinze varetas e duas guardas lisas, em madeira preta. A folha é confeccionada em tecido estampado em policromia, sobre fundo negro, com temática floral. O colo é realizado em madeira negra, com decoração em pintura dourada. Este exemplar "grand-vol", pode ser  integrado no movimento temático da Belle Époque, pelos elementos naturalistas com predominância floral. Altura:36,8 cm; comprimento 66,5 cm. Data: 1890-1910. Executado na Europa. Doado por Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet)


A época e a moda, definem as dimensões dos leques e as proporções existentes entre o colo e a folha do mesmo leque. Os leques europeus usados entre os séculos XVI e XX, destinam-se normalmente às pessoas de classes elevadas, principalmente da nobreza. 

O uso e manejo do leque, integrava os livros de boas maneiras. Destinado a refrescar, ele também servia uma linguagem simbólica, que incluía a dos namorados; ocultava o estado de espírito da sua possuidora; ele ajudava-a a manter a serenidade que lhe era exigida.



Leque com guardas e dezassete varetas, em marfim. Guardas com decoração vazada e relevada formando motivos florais e geométricos. As varetas recortadas, são unidas por fita de seda. Altura: 23,5 cm. Data: 1870-1880. Doado pela Condessa de Farrobo - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)



Leque "brisé", constituído por uma armação de dezassete varetas e duas guardas, em marfim vazado, gravado, recortado e perfurado, reunidas na parte superior por fitilho em seda. Medalhões perfurados com decoração vegetalista, debruada a "piqué" prateado (técnica de inserção de materiais nobres a quente).  Altura: 21 cm; largura: 38 cm. Data: 1825-1835. Doado por Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet)



Leque com folha em renda de bilros, formando motivos florais. Guardas e colo em marfim inciso e vazado, pintado. Varetas em marfim. Altura 22 cm; larguta 41 cm. Data: 1890-1900. Doado por Maria da Conceição Ramalho Ornelas. - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)


Durante o século XVIII, os temas mais comuns na decoração dos leques, são as cenas de salão, as pastorais e as cenas campestres, aparecendo algumas vezes as cenas mitológicas. As figuras chinesas são introduzidas na ornamentação do leque, em especial no colo. Prevalecem as composições históricas de temas vários na folha do leque de ambos os lados, em cartelas ou medalhões circulares, ovóides ou rectangulares.
As varetas aparecem ricamente lavradas, e por vezes pintadas. A prata, o marfim, a madrepérola e outros materiais nobres são abundantemente utilizados.


Leque com folha de seda branca partida, formada por palmetas lobuladas, pintadas com motivos fitomórficos e aplicação de lantejoulas. Colo formado por varetas de marfim, arrendado e aplicações de espelhos. A caixa, em papelão, tem forma de palmatória, forrada de papel com motivos dourados e um medalhão oval pintado com motivos florais. Comprimento: 27 cm. Século XIX.
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.



Leque "imperceptivel". Folha em seda, pintada e ornamentada com lantejoulas. Representação de uma senhora vestida à época, com uma sombrinha. Varetas de marfim com dourados e decoração vazada. Colo muito pequeno. Comprimento 20 cm. Século XIX. Doação de Matilde Bensaúde. - Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.



Leque Império. Folha em seda branca e roxa e tula bordado, com aplicaçãode palmetas, contas e lantejoulas douradas. Varetas, gurdas e colo de tartaruga loira. Altura: 19 cm. Data: 1804-1815. Pertenceu à pianista Eleanor Amsel. Doado por Adelaide Sá Marques - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)


O aspecto geral do leque vai evolucionar, as varetas aparecem muito separadas, constituindo o leque "squelette", os materiais empregados na folha são mais ricos, optando-se pela seda e o cetim, entre outros. 

No Directório, aparece a moda dos leques pequenos, chamados pelos franceses de "imperceptíveis".

Os leques de estilo Império caracterizam-se pela folha de tule ou seda, ornamentada com lantejoulas e fio ou galão dourado.



Leque de renda de Chantilly preta, sobre folha de organdi branco e varetas de tartatuga. Comprimento: 24,6 cm. Data: 1860 (Século XIX). Leque usado por Celeste Cinatti Batalha Reis em S. Petersburgo (Rússia) entre 1914 e 1917. Doação de Beatriz Cinatti Batalha Reis. 
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.


Leque de penas e tartaruga. Folha de penas roxas, pretas e verdes, com pintas e riscas acastanhadas. Varetas de tartaruga e guardas com fecho de encaixar. Caixa de madeira com tampa de correr ornamentada com pintura policromada. Comp. 13,8 cm. Século XIX. Pertenceu a Maria Helena Croft de Moura.
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.



Leque com folha em penas de ganso selvagem pintadas, com representação de dois pavões e flores. Varetas, colo  e guardas em marfim gravado e dourado com decoração floral. Altura: 20,5 cm; comprimento: 34,5 cm. Data: cerca de 1820.Estojo em cartão, com o exterior forrado em tecido, e interior em papel vermelho. Etiqueta "Luenchun Mother Opearl Ivory and Tortoiseshell Carver N.º 6 New China street.". Cantão, produção industrial para exportação. - Palácio Nacional da Ajuda (MatrizNet)


A arte do leque sempre inovadora, cria o leque "brisé". Este é constituído por varetas ligadas entre si na parte superior por uma fita. Este tipo de leque aparece a par dos leques de folha, em criações chinesas muito ricas, em marfim recortado.

No século XIX, assiste-se a uma mudança nos temas de ornamentação dos leques. Os temas históricos são substituídos por motivos florais e geométricos, além de aves. Em Inglaterra no período victoriano, os modelos dificilmente se distinguem dos exemplares do século anterior. 





Leque chinês, com folha de papel pintado, representando cenas de rua e de interior, e figuras chinesas, com rosto de marfim e indumentária de seda. Guardas e colo de sândalo com decoração vazada e relevada, com motivos vegetalistas e figurativos. Altura: 33 cm. Data: 1870-1880. Doado por Luisa Barroso Crespo - Museu Nacionaldo Traje e da Moda (MatrizNet).


Leque "brisé", com folhas duplas em tecido de seda, pintadas a guache, representando de flores. Dezasseis varetas de madeira lisa, pintadas a tinta de água. Altura: 20 cm; comprimento (guarda): 19,2 cm. Data: 1895-1925. A temática floral da folha é típica do período Arte Nova /Arte Deco. Doado por Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet)



Leque de folha dobrável, em tecido de cetim de seda e seda natural, de cor violeta, com aplicação "decoupé" em papel recortado e pintura em guache. Catorze varetas e duas guardas, confeccionadas em madrepérola. Colo em madrepérola baixo relevada, com representação de cartela com dois meninos abraçados (Cúpidos). Altura: 45 cm; comprimento (guarda): 21,7 cm. Data: 1890-1914. A temática floral da folha é típica do período conhecido como  Belle Époque. Doado por Maria Delfina Gomes S. M. de Sousa Cardoso - Museu dos Biscainhos (MatrizNet)


Com a entrada no século XX, as composições integram todos os géneros de temas, embora tenham desaparecido os temas históricos, muito usados nos séculos XVII e XVIII, a "Arte Nova" introduz um leque de bordos mais suaves e ondulantes.

As senhoras usavam frequentemente os leques suspensos da cintura por uma corrente de ouro ou outro material nobre. Mais tarde, a argola foi utilizada para segurar cordão e borla.



Leque, Maria Keil. Folha formada por penas vermelhas e pretas irisadas, sobrepostas. Guardas e varetas de madeira lacada a preto, com decoração de motivos geométricos e vegetalistas incisos e pintados a dourado. Cordão e borla de fio de seda preto. Altura: 36 cm; largura: 58 cm. Data: 1910. Doado por Maria Keil. - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)


Leque com folha em tafetá de seda (organdi), com decoração floral e vegetalista, com aplicação de missangas e lantejoulas. Guardas, varetas e colo em madeira pintada de branco. Altura: 34,5 cm; largura: 65 cm. Data: 1900-1910. Comprado pelo Museu Nacional dos Coches a Maria Fernanda Pinto Basto Stilwell. Transferido do museu dos Coches para o Museu Nacional do Traje e da Moda ( MatrizNet)
























Leque com folha de tecido verde, pintada, representando motivos florais e geométricos. Varetas e guardas em madeira natural. Altura: 25,5 cm; largura: 30 cm. Data: 1920-1930. Doado por Isolda Lino e Maria Cristina Lino. - Museu Nacional do Traje e da Moda (MatrizNet)

Dos artistas célebres desta modalidade destaca-se "Alexandre - 14 Boulevard Montmartre - Paris, "Faucon - Paris", "Duvelleroy - Parss. des Panoramas" ou "Mon. Brasseur - 34, Rue des Petites Écuries - Paris. Gavarin e Lluvelleux assinaram leques da Rainha D. Amélia.

Em Lisboa, destaca-se a casa portuguesa "A. Enrique - 101, Rua Áurea", especializada em conserto  de leques e limpeza de luvas. 



Folha de leque pintada a aguarela. Século XIX. Projecto de leque atribuído à rainha D. Maria Pia. - Palácio Nacional da Ajuda (MatrizNet)



Leque com decoração de flores (renda de bilros, - estilo moderno). Autora: Maria Augusta de Prostes Bordalo Pinheiro. Museu do Chiado - Museu Nacional de Arte Contemporânea (MatrizNet).



Estudo para leque. Lisboa: Ponte dos Vapores... Litografia aguarelada, ca de 1850. Litografia da Rua Nova dos Mártires. Biblioteca Nacional de Portugal





Cartaz. Fábrica Âncora: licores e cognacs portuguezes, ca. de 1910. Jovem figura feminina, em meio corpo, com leque a fazer de chapéu, onde se escrve parte do anunciado. Biblioteca Nacional de Portugal


Fontes:
Museu Nacional dos Coches. Leques (1976). Lisboa: Ministério da Comunicação Social.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_II_de_Portugal

https://books.google.pt/books?id=eKZHAQAAMAAJ

https://books.google.pt/books?isbn=3871184799


https://books.google.pt/books?id=kKwDAAAAYAAJ


https://books.google.pt/books?id=RJ8DAAAAYAAJ&hl=pt-PT&source=gbs_navlinks_s

https://books.google.pt/books?id=AaUvAQAAMAAJ&hl=pt-PT&source=gbs_navlinks_s

https://books.google.pt/books?id=NZUvAQAAMAAJ&hl=pt-PT&source=gbs_book_other_versions