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domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Carnaval pelo mundo - máscaras

Máscara de Careto, latão, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence

Traje e máscara de Careto, algodão, sarja, lã e madeira, Salsas, Portugal - Museu Abade de Baçal

O Carnaval em Portugal é celebrado por todo o país, os festejos de Podence e Lazarim, incorporam tradições pagãs.
O Carnaval para os Caretos de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, em Trás-os-Montes, é um ritual entre o pagão e o religioso. Os homens, envergam trajes coloridos e escondem a cabeça numa máscara de lata, prendem na cintura uma enfiada de chocalhos, de campainhas, e festejam o Carnaval até cansar, para acalmar até à Pascoa. Os Caretos, invadem a praça e as ruas da aldeia no domingo e na terça-feira de Entrudo. Fazem corridas desenfreadas, atrás das raparigas solteiras, seguidos pelas crianças do sexo masculino. A eles tudo se permite, a imunidade conferida pela máscara, dá-lhes poder, por dois dias quem mais brinca mais poder tem. 

Grupo de Caretos, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence
Máscaras, Carnaval de Podence,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje


Na vila de Lazarim, concelho de Lamego, o Entrudo ou Carnaval é festejado entre comadres e compadres. As máscaras são de produção artesanal, feitas em madeira de amieiro e diferentes de ano para ano. Cabe ao seu portador imaginar o fato que a acompanha (Caretos). O Entrudo é precedido pela Semana das Comadres e dos Compadres, destinada a preparar as quadras destrutivas do testamento, que será lido na Terça-feira Gorda. Neste dia, as ruas de Lazarim enchem-se de gente para assistir ao desfile dos Caretos e à leitura dos testamentos. Tradicionalmente realiza-se um concurso de máscaras, e são premiados os artesãos mais talentosos.


Máscaras, Carnaval de Lazarim,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Máscaras, Carnaval de Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim
Mascarado, Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim


O Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. É também considerado dos mais famosos do mundo. No início do século XX, surgiu a primeira escola de samba no Rio de Janeiro. Outras foram aparecendo e iniciaram os campeonatos para a melhor escola do ano. Neste Estado, os cariocas começam os preparativos em Setembro. Na data oficial, os desfiles das escolas de samba são apresentados no Sambódromo. Na Bahia, os festejos de Carnaval são dos mais calorosos do Brasil. Na cidade de Salvador, passam mais de 150 blocos organizados. Em São Paulo, os festejos são idênticos aos do Carnaval carioca. As datas oficiais divergem para não haver concorrência. O Carnaval de Pernambuco é festejado com inúmeros bonecos gigantes, sendo o mais conhecido o Homem da Meia-Noite, que está nas ruas desde 1932. A maior atracção é o bloco "O Galo da Madrugada".

Máscara, pintura facial, Carnaval do Brasil, 2011 - CARAS
Escola de samba, Académicos do Grande Rio, Rio de Janeiro, Brasil - Foto de Mark Scott Johnson
Máscara de diabo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Santa Cruz - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche

Máscara de cervo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Niterói - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Máscara de arara, papel machê, Brasil 
Máscara, pintura facial, Bloco de capoeira, Salvador da Bahia, Brasil - Foto Fábio Rodrigues

 Mascarados, pintura facial, Bloco de rua, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto, António Cruz
Homem da Meia-Noite, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto de António Cruz


O Carnaval de Veneza pode ser considerado o mais importante e famoso de toda a Europa. A sua origem remonta segundo se pensa, ao ano de 1162, quando a então designada Repubblica Della Serenissima, obteve uma importante vitória na guerra contra Ulrico. O Carnaval de Veneza nasceu das comemorações desta vitória. Esta festa continuou e foi enriquecida com música, cultura, vestuário rico e exótico. As belíssimas máscaras tornaram-se famosas e fizeram parte da "Commedia dell'Arte", que imortalizou personagens como o Arlequim, a Columbina, o Doutor ou o Pantalone. A "Bauta", de cor branca, é considerada a máscara tradicional de Veneza, a qual permite ao seu utente comer e beber sem a retirar. Em Veneza existem cerca de dois mil fabricantes de máscaras, verdadeiras obras de arte, feitas de couro, papel machê, alumínio ou seda. Nas ruas os trajes e as máscaras permanecem exuberantes e magníficos, o auge da festa é atingido no fogo de artifício de terça-feira à noite.

 Máscara Bauta, couro, Itália - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Mascarados, Veneza, Itália 
Máscara de pássaro, papel machê, artista Barbare, Veneza, Itália
Máscara, Pádua, Itália - Foto Rinina 25


O Carnaval de Basel, é o maior na Suiça e acontece entre Fevereiro e Março, em Basileia. Esta festa começa na segunda -feira depois das Cinzas e termina na quinta-feira, por isso é chamado "Carnaval protestante do mundo". Faz parte da lista das 50 festividades da Europa. Neste Carnaval existe uma divisão entre os participantes e os espectadores. Os participantes cobrem-se totalmente com traje e máscara, segundo um tema específico, de forma a permanecerem incógnitos. Os cortejos são acompanhados por a Gugge, banda de música. Durante o cortejo, existem tractores ou caminhões com reboques decorados. Os ocupantes, geralmente Waggis, distribuem flores, doces e outras delícias pela multidão.

Waggis, fantasia de carnaval, Basel, Suiça - Foto Flups
Gugge, banda de música, Carnaval de Basel, Suiça - Foto Flups
"Dummpeter", máscara tradicional, papel machê e plástico, atelier Charivari, Carnaval de Basel, Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, máscara tradicional com origens italianas, tela e cera, Carnaval da Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, personagem tradicional no Carnaval da Suiça, tem origens italianas


Um dos festivais mais famosos nas Filipinas é o Festival MassKara em Bacolod City. Ele levantou-se da escuridão que envolveu a cidade em 1980, um periodo de tragédia e de deslocalização económica. Os artistas da cidade, o governo local e grupos cívicos, decidiram criar um festival de sorrisos, pois a cidade era conhecida por a "Cidade dos Sorrisos". Durante a semana do festival, a cidade enche-se de dançarinos mascarados, que dançam pelas ruas durante a competição streetdancing, de três dias, até à praça Bacolod.

Dança de Rua, máscara, Festival MassKara, Bacolod City, Filipinas
Máscara com chapéu, gesso, lantejoulas, pérolas e plumas, Festival MassKara em Bacolod City, Filipinas - Museu Internacional do Carnaval e da Máscara de Binche


O Carnaval de Oruro na Bolívia, é uma celebração com mais de 2000 anos. Através da conservação das tradições, dos cerimoniais, da criatividade, este ritual veio a construir um modelo reconhecido em "Obras-Primas do Património Oral e Património Imaterial da Humanidade (UNESCO), em 2001. A Diablada é a dança primitiva tradicional e principal dos festejos de Carnaval. Os 48 grupos que participam nos festejos, durante três dias e três noites, representam diferentes formas de dança indígena. O Carnaval de Oruro inicia-se em Novembro, com os rituais de adoração relacionados com os mortos "Todos-os-Santos", por um período que se estende até Fevereiro, com a peregrinação à Virgem.

O Diabo, máscara primitiva tradicional dos festejos de Oruro, Bolívia
Diabo, máscara, tecido, gesso e cola, Carnaval de Oruro, Bolívia


Na República Dominicana, os tradicionais festejos de Carnaval remontam a 1800, quando a ilha começou a assumir a sua própria identidade como nação. É uma das tradições mais coloridas e a  celebração mais alegre da República Dominicana. Envolve todas as pessoas que invadem as ruas para desfrutar, compartilhar e comemorar com alegria. Em Santiago dos Cavaleiros existem dois tipos básicos de máscara de diabo, Os Lechones, com origem em dois bairros diferentes, La Joya e Los Pepines.

Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti
Lechone, máscara, papel machê, Santiago, República Dominicana
Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti


O Carnaval de Binche é um evento popular, social e humano invulgar. As suas origens vão para além do século XIV. Este evento folclórico, depois de uma longa tradição oral, é um ritual que dá aos participantes a sensação de ser único. É sem dúvida o momento mais importante na vida da cidade de Binche. Cerca de 1000 Gilles, camponeses, Arlequim e Pierrot, proporcionam entretenimento durante o Carnaval. Foi reconhecido Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2003.

Máscara, Carnaval de Binche
Máscara de Gille, tela coberta de cera, Carnaval de Binche
Mascarados Gilles, Carnaval de Binche


Fontes:
http://caretosdepodence.no.sapo.pt/entrudo.html ; http://casadopovodelazarim.webnode.com.pt/
http://museudamascara.cm-braganca.pt/pages/1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval_do_Brasil ;  http://www.museedumasque.be/
http://www.masksoftheworld.com/ ; http://www.infopedia.pt/$carnaval-de-veneza
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnival_of_Basel ; http://www.themasskarafestival.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnaval_de_Oruro ; http://fis.ucalgary.ca/AVal/321/Caribe.html
http://www.binche.be/detentes-loisirs/carnaval-binche

terça-feira, 4 de março de 2014

Brincadeiras do Carnaval de Lisboa

Capa da Ilustração nº 76, de 16 de Fevereiro de 1929. Ilustração do pintor José de Almada Negreiros (1893-1970). (A revista contém textos sobre o Carnaval). -  Hemeroteca Digital

A quadra do Entrudo em Lisboa, era uma época de folias e loucura, expressa através de bailes, desfiles, jogos e cegadas. Ao longo do século XIX, o Carnaval conheceu uma evolução significativa, perdendo muito da sua agressividade. No entanto, muitas brincadeiras grosseiras e até perigosas, mantiveram-se firmes durante a segunda metade do século XIX e inicio do século XX, como molhar com água (misturadas com “cheiros” ou outros líquidos menos agradáveis) os transeuntes, atirar farinha e pó de talco ao cabelo e à roupa, arremessar projécteis, desde ovos, tremoços, talos de couve, molhos de cebolas, alhos e laranjas. Quem andasse desprevenido pelas ruas da cidade, arriscava-se a levar banho de agulheta ou ser enfarruscado dos pés à cabeça. 

Capa da Ilustração nº 316, de 16 de Fevereiro de 1939. Ilustração do pintor José de Almada Negreiros (Espanhola). (A revista contém texto sobre o Carnaval). -  Hemeroteca Digital
 Capa da Ilustração nº 4, de 16 de Fevereiro de 1926. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais (1887-1961) - Hemeroteca Digital.

Panelas velhas, objectos de cozinha e todo o ferro-velho que, durante o ano inteiro, se guardava em casa, eram atirados para cima de quem passava nas ruas ou pelas portas das casas de habitação (caqueiradas).
A partir do meio do século XIX, vulgarizaram-se os produtos “fingidos” (pudins, frango assado, ovos fritos, arroz-doce) fabricados em diversos materiais, as caixas francesas com "surpresas" (de onde saltavam ratos, rãs...), bem como as serpentinas e os papelinhos, cortados ou picados. Ao mesmo tempo, avultavam os explosivos, como a “massa de estalos” e as bombas à base de fulminato de prata, apesar de sucessivamente proibidas pelas autoridades (a partir de 1845).

Capa da Ilustração Portuguesa nº 524, de 6 de Março de 1916. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais. (A revista contém "crónica" de Júlio Dantas sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Capa da Ilustração Portuguesa nº 418, de 23 de Fevereiro de 1914. Ilustração do pintor Stuart Carvalhais, "Jogando o Carnaval". (A revista contém um desenho de Rafael Bordalo, texto e fotos sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Para brincar no Carnaval, os foliões trabalhavam seriamente durante um mês: realizavam disfarces, recortavam tiras de jornais velhos (rabo-levas) para pendurarem nas costas dos mais desprevenidos, preparavam as cegadas que percorriam as ruas da capital com o XéXé a abrir o caminho. Os mascarados usavam disfarces tradicionais como a criada e o polícia de cassetete em punho, o galego, os pierrots, as pierrettes e as pastorinhas. 


Capa da Ilustração Portuguesa nº 836, de 25 de Fevereiro de 1922. Ilustração do pintor Jorge Barradas (1894 - 1971).(A revista contém textos sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.



Capa da Ilustração Portuguesa nº 781, de 5 de Fevereiro de 1921. Ilustração do pintor Tomás Leal da Câmara (1876-1948). (A revista contém textos e imagens sobre o Carnaval) - Hemeroteca Digital.

Os bailes de máscaras públicos ou privados, tornaram-se uma das principais manifestações festivas carnavalescas. Realizados em casas particulares, associações recreativas, clubes e outros espaços públicos (Coliseu dos Recreios, Casino Lisbonense, Circo Price…), para além dos teatros D. Carlos e D. Maria II (onde se reunia a melhor sociedade), do Trindade (no Carnaval de 1867 abriu ao público o Salão do Trindade, e iniciou a moda dos bailes de máscaras infantis nos anos 1870) e do Monumental (com matinées e soirées de Carnaval nos anos 1950), propiciavam a exibição de disfarces com alguma originalidade, riqueza e motivos exóticos.
 
Capa da Ilustração Portuguesa nº 51, de 11 de Fevereiro de 1907. (A revista é dedicada ao Carnaval) - Hemeroteca Digital.
Os cortejos carnavalescos constituídos por carros alegóricos, desciam a Avenida da Liberdade, onde a população se aglomerava ao longo da  rua, para assistir à passagem das máscaras, que seguiam a pé, a cavalo ou de carruagem. 

Ilustração Portuguesa nº 51, de 11 de Fevereiro de 1907. "Aspecto do carnaval de 1903. Primeiro cortejo do rei Carnaval" - Hemeroteca Digital
Ilustração nº 76, de 16 de Fevereiro de 1929. "O Entrudo do 1929. Vários aspectos do Corso da Avenida da Liberdade e dos pequeninos mascarados, as duas notas curiosas dos festejos carnavalescos deste ano" - Hemeroteca Digital
O Occidente: Revista ilustrada de Portugal e do Estrangeiro nº 5 , de 1 de Março de 1878. "Cenas do Carnaval de Lisboa", por Manuel de Macedo. Pode ver-se algumas das brincadeiras de Carnaval e as travessuras a que eram sujeitos os cães (ao lado inferior direito).


 Fontes:




http://www.inatel.pt/trindadehome.aspx?menuid=113
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Leal_da_C%C3%A2mara
http://pt.wikipedia.org/wiki/Stuart_Carvalhais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Almada_Negreiros

Mattoso,José, História de Portugal. O Liberalismo (1807-1890). Estampa 



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Fantasias de Carnaval - Desfiles

2018

 Portugal


Entrudo Chocalheiro, Podence (Macedo de Cavaleiros, no Distrito de Bragança). Foto: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens (DN).

O entrudo chocalheiro afirma-se «o Carnaval mais genuíno de Portugal», apesar de a tradição, com origens celtas, só ter renascido nos últimos anos, graças à criação da Casa do Careto. Veja reportagem fotográfica de Rui Manuel Ferreira. Foto: Rui Manuel Ferreira /Global Imagens (DN).

Entrudo Chocalheiro, Podence (Macedo de Cavaleiros, no Distrito de Bragança). Foto: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens (DN).

Entrudo de Lazarim, freguesia de Lamego (Distrito de Viseu). Foto: Eduardo Pinto /JN 


Entrudo de Lazarim, freguesia de Lamego (Distrito de Viseu). Foto: Eduardo Pinto /JN 


Saiba mais sobre o entrudo de Podence e Lazarim, aqui no «comjeitoearte»


Carnaval em Estarreja (Distrito de Aveiro). Foto: Maria João Gala / Global Imagens (DN). 

Carnaval em Estarreja. Foto: Maria João Gala / Global Imagens (JN). 

Carnaval em Estarreja. Foto: Maria João Gala / Global Imagens (JN). 

Carnaval em Estarreja. Foto: Maria João Gala / Global Imagens (DN).

Carnaval em Ovar (Distrito de Aveiro). Foto: André Gouveia / Global Imagens (JN)

Carnaval em Ovar. Foto: Paulo Novais / Lusa (DN)

Carnaval em Ovar. Foto: André Gouveia / Global Imagens (JN)

Carnaval em Ovar. Foto: André Gouveia / Global Imagens (JN)

Carnaval em Ovar. Foto: Paulo Novais / Lusa (DN)

Carnaval em Torres Vedras (Distrito de Lisboa). Foto: Orlando Almeida / Global Imagens (JN)

Carnaval em Torres Vedras. Foto: Orlando Almeida / Global Imagens (JN).


Fontes:
https://www.dn.pt/galerias/fotos/portugal/interior/entrudo-chocalheiro-9112628.html
https://www.jn.pt/local/galerias/interior/a-festa-do-carnaval-em-portugal-9112475.html