O Real Paço de Nossa Senhora da Ajuda foi mandado erguer por D. José I (1714-1777) no alto da colina da Ajuda. Este edifício, construído em madeira para melhor resistir a abalos sísmicos, ficou conhecido por Paço de Madeira ou "Real Barraca". Substituía o faustoso Paço da Ribeira que fora destruído no Terramoto que arrasou Lisboa em Novembro de 1755.
O novo Paço, habitável
desde 1761, veio a ser a residência da Corte durante cerca de três
décadas. Em 1794, no reinado de D. Maria I (1734-1816), um incêndio
destruiu por completo esta habitação real e grande parte do seu valioso
recheio. Era necessário construir um palácio digno de acolher a Família
Real.
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Planta da "Real Barraca" (pavimento térreo) construída em madeira, no sítio da Ajuda, logo a seguir ao Terramoto de 1755 para alojar a Família Real. Desenho a tinta da China com aguada. Finais do Séc XVIII. Biblioteca Nacional da Ajuda - s. a. (1982) Lisboa e o Marquês de Pombal, Museu da Cidade. Lisboa: CML. |
O principe regente D. João (1767-1826), aprova a construção de raiz de um novo palácio. O arquitecto Manuel Caetano de Sousa (1742-1802) apresenta um projecto Barroco, sendo
o lançamento da primeira pedra celebrado a 9 de Novembro de 1795. Com a
chegada de dois arquitectos da escola de Bolonha, seguidores da
corrente de inspiração neoclássica, D. João abandona o projecto
anterior. Os arquitectos são, Francisco Xavier Fabri (1761-1817) e José
da Costa e Silva (1747- 1819) que são encarregues em 1802, de modificar o
anterior projecto.
Ao
longo da primeira metade do século XIX, por factores políticos e
económicos – invasões francesas e consequente partida da corte para o
Brasil em 1807 - as obras são interrompidas inúmeras vezes. Estes
factores entravavam o desenvolvimento da obra. Nela trabalhavam os
melhores artistas do reino: Domingos Sequeira, Arcângelo Foschini,
Cirilo Wolkmar Machado, Joaquim Machado de Castro e João José de Aguiar,
dedicados particularmente às decorações pictóricas e escultóricas.
Quando em 1821, D. João VI regressa do Brasil, o palácio não está
terminado. Em 1826, após a morte de D. João VI, as alas
nascente e sul do Paço da Ajuda eram já habitáveis, e a decoração dos
seus interiores foi orientada pela Marquesa de Alorna convidada para
esse efeito.
Em
1828, D.Miguel I é aclamado Rei pelos Três Estados reunidos na sala das
Cortes, hoje Sala da Ceia, do Paço da Ajuda. Os confrontos entre
liberais e absolutistas mergulharam o país numa frágil estabilidade e,
em 1833, a construção paralisou por completo.
Durante o reinado de D. Maria II (1819-1853) e do curto reinado de D. Pedro V (1837-1861) seu filho, que assentaram residência no recém-adaptado Palácio das Necessidades, o Paço da Ajuda foi relegado para segundo plano.
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Palácio Nacional da Ajuda, fachada (194?). Negativo
de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotografia de Horácio
Novais. Edificado para substituir a "Real Barraca", o seu projecto
inicial deve-se a M. Caetano de Sousa. Iniciou-se em 1795. Seguem-se-lhe
os arquitectos F. Fabri e J. da Costa e Silva. AML |
O Palácio da Ajuda, ganha dimensão de Paço Real a partir de 1862, ano do casamento de D. Luis I (1838-1889) com a princesa de Sabóia, D. Maria Pia (1847-1911). Para acolher a Família Real, foram realizadas as obras indispensáveis na estrutura do edifício, reformulação de paredes e tectos, revestimentos de soalhos. O recheio - mobiliário, têxteis e objectos decorativos em geral - tinha várias origens. Parte encomendado a casas especializadas, portuguesas ou estrangeiras, fornecedoras da Casa Real. Outra parte proveniente das reservas dos Paços Reais e do Tesouro. Os presentes de casamento e bens trazidos de Itália pela rainha ajudaram à decoração dos apartamentos remodelados.
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Ratificação do Casamento do Rei D. Luis e D. Maria Pia, óleo sobre tela, António Manuel da Fonseca (na nave central da igreja, assiste-se à saída do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Bento Rodrigues. No plano seguinte estão representados, ao centro, o Rei D. Luís, fardado de gala, e D. Maria Pia, com um vestido de noiva branco). |
O Palácio foi residência oficial da família real portuguesa, desde o reinado de D. Luís I (1861-1889) até 1910, ano em que foi encerrado após a proclamação da República e consequente exílio da Família Real. O Palácio Nacional da Ajuda foi declarado Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de Junho de 1910. Aberto ao público como museu em 1968, é especialmente expressivo como residência real da época, revelando ambientes oitocentistas e importantes colecções de artes decorativas dos séculos XVIII e XIX: dos têxteis ao mobiliário passando pela ourivesaria, e cerâmica, bem como de pintura, escultura e fotografia. A Presidência da República realiza aqui algumas das mais importantes cerimónias de Estado.
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Programa de Música, 1903 (programa de música tocada durante a ceia oferecida a Eduardo XVII de Inglaterra, no Palácio da Ajuda, quando da sua visita a Portugal em 6 de Abril de 1903). |
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Candeeiro Arte Nova, bronze (adquirido pela rainha Maria Pia, em 1900, em França), autor Larche, François-Raoul, fabricante Siot-Decauville, França
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Principe D. Carlos, escultura, mármore, 1865. Encomenda do rei D. Luis, ao escultor Sighinolfi, Cesar |
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Prato de sobremesa «Pie Grièche», porcelana policromada, vidrado, douragem; 1824-1840 (serviço de sobremesa, que pertenceu a D. Maria II e foi usado no banquete de casamento do seu filho D. Luis com D. Maria Pia de Sabóia) manufactura de Edouard Honoré em Champroux en Allier, França. |
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Estojo de pintura de D. Luis I, madeira, couro, metal dourado, vidro, porcelana, pigmentos, carvão. «G. Rowney & Co» Londres, Grã – Bretanha, séc. XIX (2ª metade)
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Cómoda, madeiras de casquinha, vinhático, pau-santo, plátano, madeiras tingidas, latão, mármore, metal, 1775-1800 - D. Maria I. Executada em Portugal |
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