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Auto-retrato (Albrecht Dürer com 29 anos), óleo sobre painel, 1500 - Antiga Pinacoteca, Munique |
Albrecht Dürer (Nuremberga, 21 de Maio de 1471 — Nuremberga, 6 de Abril de 1528) foi um pintor e gravador, geralmente considerado como o maior artista do Renascimento alemão. A sua vasta obra inclui retábulos e obras religiosas, numerosos retratos, auto-retratos e gravuras em cobre. As suas xilogravuras, tais como a série Apocalipse (1498), conservam um espírito mais gótico do que o resto de sua obra.
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Auto-retrato (Albrecht Dürer com 13 anos), ponta de prata sobre papel - Galeria Albertina, Viena, Áustria |
Dürer era o segundo filho do ourives Albrecht Dürer, o Velho, que deixou a Hungria para se estabelecer em Nuremberga (1455) e de Barbara Holper. Dürer começou a sua formação como desenhista na oficina de ourives do seu pai. A sua habilidade precoce é evidenciada por um notável auto-retrato feito em 1484, quando tinha apenas 13 anos.
Em 1486, com a idade de quinze anos foi admitido na oficina do pintor e gravador Michael Wolgemut, cujo retrato Dürer iria pintar em 1516. Depois de três anos na oficina Wolgemut, partiu para um período de viagem. Em 1490 Dürer completou a sua primeira pintura conhecida, um retrato do seu pai, onde é visível o estilo característico de mestre convicto.
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Auto-retrato ((Albrecht Dürer com 22 anos), óleo sobre linho, transferido de pergaminho, 1493 - Museu do Louvre, Paris |
Viajou durante quatro anos tendo conhecido a Holanda, a Alsácia, e Basileia, na Suíça, onde perfez a sua primeira xilogravura, São Jerónimo a Curar um Leão. Uma obra-prima no início deste período é um auto-retrato pintado em pergaminho em 1493, com a idade de vinte e dois anos. Em 1494 Dürer fez a sua primeira viagem a Itália, passando o inverno em Veneza. A viagem a Itália teve um forte efeito sobre Dürer, repercussões directas e indirectas da arte italiana são aparentes na maioria de seus desenhos e pinturas da década seguinte. Em Veneza, Dürer contemplou gravuras de mestres da Itália central, sendo influenciado pelo florentino Antonio Pollaiuolo, com os seus estudos do corpo humano em movimento, e pelo veneziano Andrea Mantegna, um artista preocupado com temas clássicos e com a articulação linear da figura humana. Uma série de ousadas aguarelas de paisagens, foram feitas nesta jornada e estão entre as mais belas criações de Dürer.
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Vista do Arco, aguarela e guache sobre papel, 1495 - Museu do Louvre, Paris |
Durante esta primeira viagem a Itália, o artista iniciou as xilogravuras
da série Apocalipse de São João, editadas em Nuremberga em 1498. Estas xilogravuras exibem composições ricas, muitas vezes sobrecarregadas.
A pintura que ilustra o crescimento mais marcante de Dürer em direcção ao espírito renascentista é um auto-retrato, pintado em 1498. Dürer procurou transmitir, na representação de sua própria pessoa, o ideal aristocrático do Renascimento. Através da janela vê-se uma paisagem minúscula de montanhas com um mar distante, que é claramente uma reminiscência da pintura contemporânea veneziana e florentina.
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Auto-retrato (Albrecht Dürer com 26 anos), óleo sobre painel, 1498 - Museu do Prado, Madrid |
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Lebre Jovem, aguarela e guache sobre papel, 1502 - Galeria Albertina, Viena |
O estilo da pintura de Dürer vacilou entre o Renascimento gótico e italiano, até cerca de 1500, quando finalmente, definiu uma direcção. É notória essa definição nos retratos de Oswolt Krel, nos retratos de três membros da aristocrática família Tucher de Nuremberga, todos datados de 1499. Em 1500, Dürer pintou um outro auto-retrato, que é um, lisonjeiro retrato de Cristo.
Dürer começou por volta de 1500, a aprofundar o estudo das proporções do corpo humano, o resultado é claro na gravura de Adão e Eva (1504) onde ele demonstrou o seu ideal de beleza.
Em Adoração dos Reis Magos (1504), demonstra a mestria que entretanto adquiriu da perspectiva e do estudo das proporções do corpo humano.
No Outono de 1505, Dürer fez uma segunda viagem a Itália, onde permaneceu até o Inverno de 1507. Mais uma vez passou grande parte do seu tempo em Veneza. Na
maioria das adaptações livres de Dürer é notória a influência do pintor
Giovanni Bellini, de quem Dürer se tornou amigo. Os trabalhos mais impressionantes de Dürer deste período são o retábulo Festa das grinaldas de Rosas e Jesus entre os Doutores (1506). No primeiro - para a Igreja de São Bartolomeu - destacasse a maravilhosa manipulação das cores, no segundo, a execução virtuosa demonstra domínio e muita atenção aos detalhes. Nesta pintura uma inscrição num pedaço de papel no livro em primeiro plano, pode ler-se, "Opus quinque dierum" ("o trabalho de cinco dias"). Dürer, pode ter realizado esta obra de arte meticulosa, em não mais de cinco dias.
Em Fevereiro de 1507, Dürer voltou a Nuremberga, onde dois anos mais tarde, adquiriu uma casa (que ainda permanece e é preservada como um museu). Entre as pinturas que pertencem ao período após o seu segundo retorno da Itália destacam-se o Martírio dos Dez Mil (1508), encomendada por Frederico, o Sábio, e Adoração da Santíssima Trindade (1511), ambas cenas de multidões. Entre 1507 e 1513 Dürer completou uma série de gravuras em cobre, a Paixão, entre 1509 e 1511 produziu a Pequena Paixão em xilogravuras. Ambas as obras são caracterizadas pela serenidade. Entre 1513 e 1514, Dürer criou as melhores gravuras em cobre, O Cavaleiro a Morte e o Diabo, São Jerónimo na sua Cela, e Melencolia I.
Em 1512, Maximiliano I nomeia Dürer como pintor da corte, o pintor trabalha para o imperador até 1519. Durante esse tempo tentou adaptar a sua imaginação criativa à mentalidade de Maximiliano, o que era estranho para ele. Em 1520 depois da morte do imperador, parte para os Países Baixos, onde é recebido por Carlos V, com grandes honras. Percorreu a Zelândia, Bruges, Gante, onde viu as obras dos mestres do século XV. Entre as obras criadas nesta fase, destaca-se Sant'Ana com a Virgem e o Menino, São Jerónimo (1521) e o pequeno retrato de Bernhard von Resten.
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São Jerónimo, óleo sobre painel, 1521 - Museu de Arte Antiga, Lisboa (a figura do santo é baseada num desenho de um homem com 93 anos, de Antuérpia) |
A saúde de Dürer começou a declinar. Dedicou os seus últimos anos aos escritos teóricos e científicos e ilustrações. Uma das maiores pinturas de Dürer, os chamados Quatro Homens Santos (São João, São Pedro, São Paulo, e São Marcos), foi feita em 1526. Este trabalho marca a sua realização final ao mais alto nível como pintor.
Dürer morreu em 1528 com 56 anos e foi sepultado no cemitério da igreja em Nuremberga. Foi um dos artistas mais influentes de seu país e criador das gravuras de cobre mais bonitas.
Dois dos seus livros foram publicados em vida, Instrução para medições à régua e ao compasso, de 1525, e o Tratado sobre fortificações, de 1527. O livro sobre Proporção do corpo humano (Quatro livros sobre as proporções humanas) foi publicado logo após a sua morte, em 1528.
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Cegonha, desenho a pena sobre papel, 1515 - Museu d'Ixelles, Bruxelas |
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