sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Biografia do artista plástico Alberto Giacometti

Alberto Giacometti, 1965. Foto de Yousuf Karsh (1908-2002) - Museu de Belas Artes de Boston

 Dia 11 de Janeiro (aqui)


Alberto Giacometti (Borgonovo, Suiça, 10 de Outubro de 1901 - Chur, Suiça, 11 de Janeiro de 1966) foi um escultor, pintor, desenhador e gravador suiço. Filho do pintor impressionista Giovanni Giacometti (1868-1933) e da sua esposa Annetta Stampa (1871-1964), Alberto Giacometti era o mais velho de quatro irmãos (Diego, Bruno e Otília) e desde cedo revelou interesse pela arte. 
Estudou pintura na Escola de Belas Artes e escultura e desenho na Escola de Artes e Ofícios em Genebra, entre 1919 e 1920. Nesse ano viajou para Itália com o seu pai, onde ficou impressionado com as obras de Alexander Archipenko e de Paul Cézanne, expostas na Bienal de Veneza. Foi também profundamente influenciado pela arte africana e egípcia, pelas obras-primas de Giotto e Tintoretto.

Auto-retrato, óleo sobre cartão, c. 1917 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Diego em pé na sala de estar, Stampa, óleo sobre tela, 11 de Novembro de 1922 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Otília (1904-1937), óleo sobre cartão, c. 1920 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Bruno (1907-?), óleo sobre cartão, c. 1916 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Em 1922, Giacometti fixou-se em Paris, onde frequentou a classe de escultura de Antoine Bourdelle, durante os cinco anos seguintes. Embora a maior parte da sua obra fosse realizada em Paris, Giacometti regressava regularmente à Suíça, onde trabalhava nos ateliers do seu pai, em Stampa e Maloja. No ano de 1927, mostrou pela primeira vez no Salon des Tuileries em Paris, a escultura Spoon Woman. Com a chegada do seu irmão e companheiro Diego (1902-1985) a Paris em 1930, iniciou uma nova fase, partilhando com ele a sua vida e obra. No início da década de 30, aderiu ao movimento surrealista e produziu algumas obras essenciais para a caracterização da escultura surrealista.
A primeira exposição individual de Giacometti teve lugar na Galeria Pierre Colle, Paris, em 1932. Por essa altura retomou o trabalho com esculturas figurativas. Criou representações de cabeças dos seus familiares e figuras com apenas alguns centímetros de altura. 

Spoon woman, bronze, 1926-1927 - MOMA
Cabeça cubista, gravura, 1933 - MOMA
Cabeça, gesso, 1933-1934 - MOMA
Composição surrealista, caneta e tinta sobre papel, c. 1933 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Aplique modelo "Máscara com serpentes", gesso, 1934. Colecção Particular - Fundação Alberto e Annette Giacometti
O pai do artista morreu em 26 de Junho de 1934, e Giacometti passou vários meses na Suiça. Nesse ano, realizou a primeira exposição individual em Nova Iorque, na Galeria Julien Levy. Durante o período entre 1935 e 1940, apresentou as suas peças surrealistas em exposições por todo o mundo. Em 14 de Fevereiro de 1935 foi expulso do grupo de surrealistas. O ano de 1937 ficou marcado pelo falecimento da sua irmã Otília, por ocasião do nascimento do seu único sobrinho Sílvio, que seria seu modelo durante a guerra.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Giacometti voltou a Genebra, onde se associou com a editora Albert Skira, e aí encontrou a que seria sua esposa e modelo favorita, Annette Arm.
 

Candeeiro com duas figuras, bronze, 1949-1950 - SFMOMA
Três homens a andar II, bronze, 1948-1949 - Instituto de Arte de Chicago
O Nariz, bronze ferro e fio, 1947 - HIRSHHOR
O Chariot, bronze pintado, madeira, 1950 - MOMA
A Floresta (Composição com 7 figuras e cabeça), bronze pintado, 1950 - Museu Metropolitano de Arte
Giacometti reencontrou Simone de Beauvoir, Pablo Picasso e Jean-Paul Sartre de quem se tornou amigo, no início de 1940. Algumas das obras dessa década, são ainda ecos de surrealismo, como a escultura O Nariz (1947-1949). Durante esta época, realizou uma série de retratos de personalidades das artes e das letras como, Marie-Laure de Noailles, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre.
A exposição individual - com o prefácio do catálogo escrito por Sartre - em 1948, na Galeria de Pierre Matisse, Nova Iorque, ajudou Alberto Giacometti não só artisticamente, mas também na venda das suas obras, o que confirmou a sua projecção internacional.  Para a exposição, que abriu em Dezembro de 1950, na mesma galeria, Giacometti produziu algumas das suas esculturas mais famosas, com edição em bronze, incluindo: Quatro figuras num pedestal, A Floresta, O homem que anda, entre outras. 
Alberto Giacometti no seu estúdio - Fundação Beyeler
Mulher a andar, bronze, 1932-1936 - TATE
Diego sentado no estúdio, óleo sobre tela, 1950 - Instituto de Arte de Chicago
Jean-Paul Sartre de perfil, lápis sobre papel, c.1949 - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Esculturas no estúdio, litografia e offset, 1951 - Instituto de Arte de Chicago
O ano de 1949 ficou marcado pelo casamento do artista com Annette Arm, no dia 19 de Julho. Foi somente em Junho de 1951 que realizou uma exposição pós-guerra em Paris, na Galeria Maeght, onde o seu amigo Louis Clayeux o convenceu a entrar. No decorrer da década de 50, o artista produziu várias novas obras, todas em gesso, incluindo O Gato e O Cão. Em 1955, foi homenageado com retrospectivas no Arts Gallery, de Londres e no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova Iorque.  Recebeu o Prémio Internacional Carnegie de Escultura em 1961, o Grande Prémio de Escultura na Bienal de Veneza de 1962, o Prémio Guggenheim em 1964 e o Grand Prix Internacional des Arts concedido por França em 1965. 

O Gato, bronze, 1954 - Museu Metropolitano de Arte
O Cão, bronze, 1951 - MOMA
Homemque anda, lápis e caneta sobre papel, 1950-1951. Colecção particular - Fundação Alberto e Annette Giacometti
Homem que anda II, bronze, 1960 - Galeria Nacional de Arte
Annette VI, bronze, 1962 - Museu Metropolitano de Arte
Em 1965, as exposições retrospectivas de Giacometti foram organizados pela Tate Gallery, de Londres, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Museu Louisiana, Humlebaek, Dinamarca e Stedelijk Museum, em Amsterdão. 
Giacometti morreu no dia 11 de Janeiro de 1966, em Chur. A Fundação Alberto e Annette Giacometti - criada em 2003 - recebeu um legado da viúva Annette Alberto Giacometti, possuindo uma colecção de cerca de 5.000 obras, exibidas frequentemente em todo o mundo através de exposições e empréstimos de longo prazo. Annette Giacometti faleceu em 19 de Setembro de 1993.
Busto de Diego, bronze, 1954 - Centro de Arte Walker
Busto de Diego, bronze, 1955 - MUMOK
Alberto Giacometti no seu estúdio - Fundação Beyeler

fontes:
- http://en.wikipedia.org/wiki/Alberto_Giacometti
- http://fr.wikipedia.org/wiki/Alberto_Giacometti
- http://www.fondation-giacometti.fr/fr/art/16/decouvrir-l-œuvre/97/alberto-giacometti/98/reperes-biographiques/
- http://www.guggenheim.org/new-york/collections/collection-online/show-full/bio/?artist_name=Alberto%20Giacometti&page=1&f=Name&cr=1
- http://www.kunstmuseumluzern.ch/en/collection.html






terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Escultor Étienne Maurice Falconet - 222 anos do seu falecimento

Retrato de Étienne Maurice Falconet (1741) por Jean-Baptiste Lemoyne, o Jovem (1704 - 1778). Desenho a giz - Museu Metropolitano de Arte
Étienne Maurice Falconet (nasceu em Paris no dia 1 de Dezembro de 1716 e faleceu na mesma cidade no dia 4 (24?) de Janeiro de 1791) foi um talentoso escultor do rococó em França, no reinado de Luis XV. Adaptou o estilo clássico do barroco a um intimo e decorativo rococó francês. 
Falconet iniciou desde cedo a realização de figuras em barro. O seu trabalho chamou a atenção do escultor Jean-Baptiste Lemoyne que fez dele seu aprendiz. Uma das suas primeiras esculturas, Milo de Crotone, proporcionou-lhe o ingresso na Academia de Belas Artes de Paris em 1754. Nos Salões de 1755 e 1757, chamou a atenção do público com os seus mármores L'Amour e Nymphe au bain (também chamado de "A Banhista"), actualmente no Louvre. Apadrinhado por Madame de Pompadour, foi nomeado director dos estúdios da fábrica de porcelana de Sèvres, em 1757. Enquanto director, executou desenhos de modelos para a fábrica, produziu pequenas esculturas de nus femininos e figuras mitológicas, como Vénus e Cupido. Criou um conjunto de figuras feitas em biscuit branco (Crianças de Falconet), ilustrando as Artes, que pretendiam complementar os serviços de mesa de grande gala. Os estilos destas esculturas ornamentais para a mesa de jantar, espalharam-se pela maioria das manufacturas de porcelana da Europa. Após a Revolução Francesa de 1789, a porcelana biscuit continuou a ser produzida nos anos 1800 e posteriores.

Milo de Crotone, mármore (recepção na Academia em 1754) - Museu do Louvre
L'Amour menaçant, mármore (exibida no Salão em 1757) - Museu do Louvre
Nymphe au bain, mármore (exibida no Salão em 1757) - Museu do Louvre
 
Pygmalion et Galatée, mármore (exibida no Salão em 1763) - Museu do Louvre
Falconet permaneceu como director da fábrica de Sévres até 1766, quando recebeu o convite de Catherine II da Rússia, por sugestão de seu amigo Denis Diderot, para realizar uma estátua equestre de Pedro, o Grande. A estátua conhecida por "Cavaleiro de Bronze", tornou-se num símbolo da cidade de São Petersburgo. 
Falconet deixou a Rússia depois de 12 anos de trabalho e voltou a Paris. As suas mãos transformavam com igual sucesso, pequenas figuras de ninfas ou crianças e majestosos monumentos. Realizou numerosas obras: Moisés e David para a igreja de São Roque em Paris, Pigmalião, O Inverno, entre outras. Muitas das suas obras religiosas foram destruídas por ocasião da Revolução Francesa. Falconet produziu o capítulo "Reflexões sobre a escultura", a pedido de Diderot para a Enciclopédia. Publicou "Observações sobre a estátua de Marco Aurélio", que foi interpretado como as descrições para a execução da escultura de Pedro, o Grande. Os textos de Falconet sobre arte foram reunidos em Obras literárias (seis volumes), publicadas pela primeira vez em Lausanne, em 1781-1782.
Em 1783, um acidente vascular cerebral pôs termo à sua carreira como escultor. 
L’Amitié tendant son cœur à deux mains, porcelana biscuit, 1765. (Falconet retoma o tema da amizade como uma homenagem póstuma a Madame de Pompadour em 1764. Esta alegoria foi um grande sucesso.) - Fábrica de Porcelana de Sèvres
Rapaz com uma foice, gravura, 1757 ( a partir do Primeiro Livro de Figuras da Fábrica de Porcelanas de França) - Museu Metropolitano de Arte
Menina com embarcação, gravura, 1757 ( a partir do Primeiro Livro de Figuras da Fábrica de Porcelanas de França) - Museu Metropolitano de Arte
Cupido, porcelana biscuit, 1761. Manufactura de Sèvres - Museu Metropolitano de Arte
La Bergère des Alpes, porcelana biscuit, 1766-73. Manufactura de Sèvres - Museu Metropolitano de Arte
Cupido e Psique, porcelana biscuit, esmalte, 1765. Manufactura de Sèvres - Museu Victoria e Alberto
Vaso com tampa, porcelana pintada e dourada, 1769. Possivelmente o segundo tamanho do vaso "ferré". Manufactura de Sèvres. (Provavelmente desenhado por Étienne Maurice Falconet e pintado por Jean-Louis Morin) - Colecção Wallace
Relógio de cornija de lareira, bronze, latão, esmalte e aço, c. 1775. (Atribuído a Étienne Maurice Falconet) - Colecção Wallace
Figuras de Grupo, porcelana pintada com esmaltes, 1830-1835. Figuras de porcelana usadas como enfeites de mesa em jantares de gala. Fabrica Derby. (Cópia de figuras modeladas em Sèvres (1756), por Falconet) - Museu Victoria e Alberto
Cavaleiro de Bronze, monumento a Pedro, o Grande. Bronze e granito, 1782. São Petersburgo, Russia - Instituto de Arte Courtauld

fontes:
http://www.britannica.com/EBchecked/topic/200696/Etienne-Maurice-Falconet
http://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_Maurice_Falconet
http://fr.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_Maurice_Falconet

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Imagens de alguns acontecimentos de 2012

Uma criança numa rua da cidade de Iakutsk, na Sibéria, em Fevereiro. Estavam cerca de 35 graus negativos - Viktor Everstov/Reuters
Uma funcionária da câmara de Belfast posa com o vestido usado pela actriz Kate Winslet no filme Titanic, durante uma exposição de artefactos do navio - Cathal McNaughton/Reuters
Um homem caminha na neve, perto de um carro coberto de neve e gelo, perto de Genebra, Suíça - Fabrice Coffrini/AFP
Um leopardo adulto sobe para uma rede depois de ter caído num reservatório de água em Haskhowa, na Índia - Diptendu Dutta/AFP

 A carcaça do mamute bebé mais bem preservado no mundo, chamado Lyuba e com 42 mil anos, é exposto em Hong Kong  - Aaron Tam/AFP

Uma turista senta-se perto de um tubarão gigante exposto perto de um centro comercial em Banguecoque, na Tailândia - Pornchai Kitiiwongsakul/AFP
Passageiros à espera para embarcar no ferry, com Manhattan como fundo - Brendan Smialowski/AFP

Bombeiros tentam apagar um fogo perto de Alicante, em Espanha - Pedro Armestre/AFP
Abdul Samad, 13 anos, carrega parte de um motor numa oficina em Bombaim, Índia - Danish Siddiqui/Reuters
Vista de Manhattan, Nova Iorque, na véspera da passagem do furacão Sandy - Eduardo Munoz/Reuters
Visitantes observam os enormes jorros de água libertados da barragem de Xiaolangdi para limpar os sedimentos do Rio Amarelo e para prevenir inundações em Jiyuan, na província chinesa de Henan - AFP
Dançarina da escola de samba Rosas de Ouro, antes do início da noite de abertura dos desfiles no Sambódromo, no Carnaval de São Paulo – Yasuyoshi Chiba/AFP
Christophe Simon/AFP
Fim de dia com vista para o navio de cruzeiros Costa Concordia, em frente ao porto de Isola del Giglio, naufragado depois de uma colisão contra as rochas - Filippo Monteforte/AFP

Veja a fotogaleria completa das imagens mais espectaculares e mais marcantes de alguns dos acontecimentos do mundo aqui - Público (31/12/2012)



fonte: http://www.publico.pt/multimedia/fotogaleria/o-mundo-em-accao-em-2012-314729#/0

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Biografia do ceramista francês Théodore Deck

Théodore Deck, 1823-1891 - Museu Théodore Deck

Joseph-Théodore Deck, foi um dos melhores ceramistas do século XIX. Nasceu em Guebwiller, no dia 2 de Janeiro de 1823 e faleceu em Paris, no dia 15 de Maio de 1891. Conhecido por ter revolucionado a arte da cerâmica no século XIX, foi também director da Manufatura Nacional de Sèvres. 
Filho de Richard Deck, tintureiro, Théodore Deck evidenciou desde cedo, preferência pela química e ciências físicas. Ao deixar a escola primária, frequentou durante três anos a faculdade de La Chapelle-sous-Rougemont, perto de Belfort.  Com a morte do seu pai, em 1840, foi obrigado a voltar para a sua cidade natal e para os negócios da família, ajudado pelo seu irmão mais velho. Depois de um estágio com Hügelin em Estrasburgo, iniciou uma viagem (1844-1847) através do Império Austro-Húngaro e Alemanha. 

Prato, cerâmica, 1862 - Museu Victoria e Alberto
Jarro Alhambra, barro com incrustação de argila colorida, 1862 (Cópia realizada por Deck, de um vaso do Palácio Alhambra, Fortaleza dos Reis mouros em Granada, Espanha. Consta que foi apresentado na Exposição Internacional de Londres, em 1862) - Museu Victoria e Alberto
Prato, cerâmica, 1866 - Museu Metropolitano de Arte
Prato, cerâmica (assinatura),1866 - Museu Metropolitano de Arte
Vaso, barro colorido e vidrado, 1860-1870 - Museu Victoria e Alberto

Théodore Deck iniciou a sua carreira em Viena, em fábricas de cerâmica, onde produziu peças para o Palácio de Schönbrunn, e depois de 1847, em Paris, sem no entanto perder o contacto com a comunidade artística. 
Na Exposição Universal de Paris em 1955, Deck ficou impressionado com o colorido das peças expostas e decidiu fundar com o seu irmão Xavier a sua própria oficina de "faiança artística", em 1858, a qual prosperou rápidamente. Expôs no Salon des Arts, em Paris (1861), e o seu trabalho foi imediatamente reconhecido, sendo considerado como um mestre. Na Exposição Internacional de Londres, surpreendeu todos ao apresentar o vaso "Alhambra", feito a partir de uma imagem. Na Exposição de Artes Industriais em 1864, experimentou mostrar peças cobertas com esmaltes transparentes. Posteriormente, realiza inúmeras exposições internacionais, acumulando diversos prémios de excelência, como as medalhas na Exposição Universal de Paris, na Exposição Universal de 1867 e a nomeação como cavaleiro e oficial da Legião de Honra.

Vaso, cerâmica, pigmento vermelho-alaranjado sobre esmalte claro, 1867. (Versão cerâmica de um objecto de vidro, inspirada numa lâmpada de mesquita do Médio Oriente. A peça foi exibido na Exposição de Paris de 1867) -  Museu Victoria e Alberto
Prato, faiança, c. 1875. (Plantas com colorido brilhante sobrepostas sobre um chão amarelo com padrões em espiral, inspirado no estilo japonês do século XVII) - Museu de Arte Walters
Prato, cerâmica pintada e vidrada, 1878 - Museu Victoria e Alberto
Jardim Suspenso, faiança policromada, 1878 - Museu d'Orsay

A segunda metade do século XIX foi de grande ecletismo estilístico no Ocidente. Os artistas desta época, encontraram inspiração em muitas fontes históricas e culturais diferentes, incluindo a arte decorativa islâmica, japonesa e chinesa.  
Ao longo de sua carreira, Deck produziu trabalhos que exprimiram os estilos da Renascença italiana e turca de Iznik, assim como chinesa.  Experimentou novas técnicas para melhorar a sua produção, e desenvolveu a sua própria gama de cores, incluindo um turquesa distinto, conhecido como "Azul Deck". Interessou-se por política e, em 1870, quando teve de optar entre ser francês ou alemão, escolheu a primeira solução. Apoiante do Partido Radical, foi vice-prefeito no distrito XV. 
Théodore Deck desenvolveu a sua formação como químico e escultor. Realizou diversos estudos sobre a fabricação e qualidade dos esmaltes transparentes, que culminaram na publicação do seu tratado sobre "La faïence" (Paris, Maison Quantin) em 1887. Nunca mais abandonou esta técnica, também utilizada por muitas das grandes fábricas, que lhe permitiu representar pessoas, pássaros, flores, enfeites de todos os tipos em esmaltes turquesa, verde, amarelo ou manganês. Foi nomeado director da Fabrica National de Sèvres no ano de 1887, onde permaneceu até à sua morte (1891).

Vaso em forma de lâmpada de mesquita, barro esmaltado, 1870 ( A forma deste vaso foi inspirada nas lâmpadas de mesquita islâmica feitas na Síria e no Egipto, durante o século XIV. Está decorada com letras árabes e cor turquesa viva) - Instituto de Artes de Minneapolis
Prato, barro policromado vidrado com esmaltes, século XIX (Faiança persa) - Museu Metropolitano de Arte

Vaso, barro branco, tons de azul e ouro, 1884 (Estilo oriental persa, com três alças, cópia de uma lâmpada de Mesquita) - Museu d'Orsay
Prato com retrato de senhora francesa da Renascença. Grés com esmaltes policromados e folha de ouro, c. 1880 - Museu de Arte de Indianapolis
Deck recebeu na sua oficina os artistas da época e colocou à sua disposição uma grande variedade de técnicas novas, como o esmalte sobre folha de ouro ou uma aplicação de esmaltes inédita, cuja inspiração ele encontrou nas produções turcas e persas. O mais famoso dos artistas foi Edmond Lachenal, que continuou o trabalho do grande ceramista durante o período da Arte Nova, onde o  desenvolvimento da cerâmica com esmaltes cristalizados e mate de alta temperatura marcaram tipicamente esta época.
Sala de banho "Les Tilleuls", 1876 ( Painéis de azulejos provenientes da vila de "Les Tilleuls" do  industrial Schlumberger ) - Museu Théodore Deck
Painel de azulejos, 1890 (Provenientes da varanda da casa do industrial De Bary) - Museu Théodore Deck


Fontes:
http://www.ville-guebwiller.fr/musee-deck/ceramique.html
http://fr.wikipedia.org/wiki/Th%C3%A9odore_Deck

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Tradições de Ano Novo

New Year Greeting, desing gráfico, 2013. Mustafa Saifee - Behance

 Tradições de Ano Novo

Em Portugal, é tradição fazer barulho na noite de passagem de ano, batendo com as tampas das panelas. É costume comer doze passas de uva, acompanhando as 12 badaladas. A utilização de roupa interior azul promete sorte para o ano seguinte.

Em Espanha, a passagem de ano é conhecida como "Nochevieja", ou seja, "noite velha", é tradição comer doze uvas ao acompanhar das doze badaladas.  Segundo os historiadores, já no século XIX se encontram registos desta tradição na burguesia espanhola da época.
 
Nos Estados Unidos da América, a tradição de fim de ano é o conhecido "beijo da meia-noite". De acordo com registos históricos, nos ritos romanos do festival de "Saturnalia",  dedicado à divindade de Saturno, todos se beijavam na boca como forma de celebração.

Happy New Year, design gráfico, 2011. Sabeena Karnik - Behance
Em Itália, não pode faltar na mesa de cada italiano as lentilhas. Na antiga Roma, associava-se o prato de lentilhas a um prato de moedas de ouro.
 
Na Dinamarca, a tradição é partir alguns pratos de loiça na entrada do novo ano para atrair a boa sorte. Existem também outras tradições, como saltar de cima de uma cadeira ao passar da meia-noite.

Nas Filipinas, a tradição de final de ano passa por usar uma peça de roupa às bolinhas, por a forma circular das bolinhas se assemelhar à forma das moedas. A peça de roupa deve ter um bolso onde se guardam algumas moedas, de forma a atrair outras durante todo o ano.
 
Na Escócia, a cidade de Edimburgo tem uma tradição conhecida pelo nome de "Hogmanay". É um festival de rua animado por danças populares, música tradicional, fogos de artifício e teatro, que decorre na conhecida rua Royal Mile, e que integra um cortejo, conhecido também como "Torchlight Procession".
   
Brindando com champanhe (colecção cumprimentos de Ano Novo), litografia, 1910. Mela Koehler - Museu de Belas Artes de Boston

Em Inglaterra, a tradição britânica festeja o  ano novo com a chamada "First Footing", que consta em ser o primeiro a visitar a casa dos familiares depois das doze badaladas, fazendo-se acompanhar de um presente, quer seja ele dinheiro, pão ou carvão, como forma de garantir à sua família que nenhum deles falte durante o ano que se inicia.
 
Na África do Sul, a tradição é muito idêntica ao Carnaval brasileiro. Chama-se "Tweede Nuwe-Jaar", que significa "segundo ano novo". Os foliões organizam-se como os participantes dos carnavais brasileiros. Nesta festa bem animada abunda a música, os disfarces e a dança.
 
No Japão, a passagem de ano coincide com uma tradição budista conhecida por "Joya No Kane", na qual soam 108 badaladas de um qualquer templo budista do país. Os habitantes desejam o melhor para si e os seus familiares, tentando desta maneira  afugentar todos os 108 pecados da alma humana para o ano inteiro.
The New Year's Wish, colagem e pintura sobre papel, c. 1840. John Windsor - Instituto de Arte de Chicago
Fonte:http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=2970854