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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Casa-Museu Teixeira Lopes I Aprender e passear

Casa-Museu Teixeira Lopes

A casa-museu do escultor António Teixeira Lopes foi a primeira em Portugal de âmbito público (em 1933). Projetada pelo seu irmão, o arquiteto José Teixeira Lopes, a casa construída de 1890 a 1907 acolhe as coleções do autor, as suas obras e o núcleo Diogo Macedo, historiador de arte e amigo de Teixeira Lopes. Deste núcleo fazem parte obras de Almada ou Amadeo e uma coleção de «arte negra». A casa, que foi ponto de encontro de artistas, funcionou como uma importante «sala de visitas» de Gaia.  Fotografia de Pedro Granadeiro/GI). 


PORTO: 8 museus para as crianças aprenderem enquanto passeiam - EVASÕES 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Maquineta "Adoração dos Magos"

Maquineta "Adoração dos Magos"; presépio atribuído a Machado de Castro - Museu Nacional de Arqueologia

Janela 24


Saiba mais sobre o presépio na colecção do Museu Nacional de Arqueologia, aqui.




Desejo Festas Felizes e Bom Ano Novo a todos os amigos, visitantes e leitores do "comjeitoearte".



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Castanhas no São Martinho

Prato de forma circular, côncavo sem aba. A decoração apresenta um ramo de castanheiro e ouriços entreabertos com castanhas, (c. 1900). Autor, Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Manda a tradição, que o dia de São Martinho se festeje com castanhas, água-pé ou jeropiga e bom convívio. 
Em Setembro e Outubro, depois das vindimas, o vinho está pronto. Nesta altura do ano, os ouriços dos castanheiros já deixaram cair os seus frutos, pelo que nos magustos se assam as castanhas e se prova o vinho novo.

Artistas e artesãos portugueses, dedicaram algumas das suas obras ao saboroso fruto do castanheiro e ao método popular da sua confecção.

Mulher assando castanhas. Barro e tintas multicolores. Autora, Ana das Peles, séc. XX. Évora, Estremoz - Museu Nacional de Etnologia
Figura Feminina. Barro e pigmentos, séc. XX. Alentejo - Museu de Arte Popular

Mulher vendendo castanhas. Barro tinta multicolor, séc. XX. Évora, Estremoz - Museu Nacional de Etnologia

Cena quotidiana. Barro policromo, séc. XX - Museu dos Biscainhos
A Assadeira de Castanhas, aguarela sobre papel, 1935. Autor, Roque Gameiro, Lisboa - Palácio Nacional da Pena





















































































quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O escultor João Cutileiro, recebe doutoramneto Honoris Causa

Escultor João Cutileiro

João Cutileiro é distinguido pela Universidade de Évora com o título de doutor Honoris Causa, a 3 de Outubro, pelas 15 horas, na Sala dos Actos da Universidade de Évora (Colégio do Espírito Santo). A obra do escultor diplomado pela Slade School of Art de Londres, é reconhecida em Portugal e além- fronteiras (aqui, ueline).


D. Sebastião, mármore, 1973. Praça Gil Eanes,Lagos, Algarve

João Cutileiro nasceu a 26 de Junho de 1937, em Lisboa. Frequentou os estúdios de António Pedro, Jorge Barradas e António Duarte, entre 1946 e 1951. Aos catorze anos, apresentou a sua primeira exposição em Reguengos de Monsaraz. Fez o liceu no Colégio Valsassina, em Lisboa, onde influenciado por amigos, aderiu ao MUD JUVENIL. Inscreveu-se em escultura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde foi aluno de Leopoldo de Almeida. Após dois anos na ESBAL (1953-1954), dirigiu-se a Londres, onde frequentou a Slade School of Art, tendo como mestre Reg Butler. No final do curso (1955-1959), recebeu três prémios: composição, figura e cabeça. Em Londres, na fase posterior ao curso, inicia o seu próprio caminho, resultando daí as primeiras figuras articuladas (1964-1965). Por volta de 1966, ao utilizar meios mecânicos no corte da pedra, dedica-se ao mármore e surgem os torsos, as paisagens, as árvores, as flores... Regressa a Portugal, em 1970, fixou-se em Lagos e permaneceu aqui cerca de quinze anos. Nesta cidade, foi edificada a sua obra D. Sebastião, em 1973. Em 1983, a estátua Camões é inaugurada em Cascais, e dois anos depois, muda-se para Évora. Apresentou uma exposição retrospectiva da sua arte em Lisboa, em 1990, na Fundação Calouste Gulbenkian. As suas esculturas e mosaicos, foram expostas na Alemanha, Madrid, Londres, S. Paulo, Nova Iorque, Genebra, S. Francisco, Bruxelas, Macau, Paris, e em Galerias e Museus nacionais. Foi distinguido com uma menção honrosa no Prémio Soquil, em 1971.

Menina do Colar, bronze, 1965 - CAM, Fundação Calouste Gulbenkian

Jarra de Flores, mármore, 1976 - Museu de Évora
Torso Grande Sentado, mármore rosa, 1977 - CAM Fundação Calouste Gulbenkian
Menina Deitada na Água, mármore, 1986 - CAM Fundação Calouste Gulbenkian
Marquês de Pombal, mármore, 1995. Estação Marquês de Pombal - Metropolitano de Lisboa
D. Afonso Henriques. Largo de João Franco. Guimarães
A Janela de Soror Mariana, ferro e mármore, 2002 - Museu Nacional do Traje e da Moda



Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Cutileiro
João Cutileiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-10-03]. http://www.infopedia.pt/$joao-cutileiro>
http://pesquisa.sapo.pt/
http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/escultura/cutileiro/biogr.html


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Louça de Caldas da Rainha - Rafael Bordalo Pinheiro e Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro


Jarra com tampa, moldada e modelada em barro vermelho, 1888. Esta peça foi executada por Rafael Bordalo Pinheiro (sentado numa asa a autocaricatura do artista), para oferecer ao Dr. Feijão, que o tratou de um antraz em 1888. Fabrica de Faianças das Caldas da Rainha- Museu da Cerâmica

As numerosas fábricas de faianças, transformaram a vila de Caldas da Rainha, num dos principais centros de produção cerâmica de Portugal. Em meados do século XIX, a notável produção de cerâmica artística, era inspirada na obra de Bernard Palissy (1510-1589) e Renascença. Entre os seguidores, destaca-se o exímio ceramista Manuel Cipriano Gomes Mafra (1829-1905), considerado o "Palissy das Caldas", aqui.

  
Bule de tipo caricatural, peça moldada e modelada, 1897-1906. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


FFCR - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Iniciais entrelaçadas por uma serpente; 11 - número referente ao operário da fábrica responsável pela produção da peça. Gravações na base da peça.


O mais notável criador da história da cerâmica caldense, Rafael Augusto Bordalo Pinheiro (1846-1905), nasceu em Lisboa, numa família de artistas ilustres. Com cerca de onze anos de idade, Rafael recebeu as primeiras aulas de modelagem na oficina de seu pai. Em 1860, inscreveu-se no Conservatório e posteriormente matriculou-se na Academia de Belas Artes. Aos vinte anos (1866), casou com Elvira Ferreira de Almeida, e no ano seguinte nasceu o seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920). 
A popular figura de Zé Povinho, criada por Rafael Bordalo Pinheiro - personagem satírica de crítica social, adoptada como personificação nacional portuguesa - , surgiu pela primeira vez no periódico A Lanterna Mágica, a 12 de Junho de 1875. Nesse mesmo ano, Rafael partiu para o Brasil, colaborando em jornais brasileiros e portugueses.


Bule com caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro e Elvira Bordalo Pinheiro, faiança, 1882 - Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa

Prato com lagosta e folha de couve num cesto, faiança, 1894.Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa
Floreira, peça rodada e modelada em barro vermelho, 1898. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
Em 1879, regressou a Lisboa e lançou O António Maria (1879-1899), dando continuidade à sátira política. A sua última revista, Paródia, foi estreada em 1900. Ao longo da sua vida, publicou jornais, revistas, folhetos e livros que continham sátira política e caricaturas.  Rafael Bordalo Pinheiro iniciou-se na produção cerâmica, depois de uma vasta experiência gráfica. Na Fábrica de Sacavém e na oficina de Francisco Gomes Avelar (act. 1875-1897), Rafael principia experiências com argilas e esmaltes. Entretanto, o seu irmão Feliciano Bordalo Pinheiro (1847-1905), convence-o a criarem uma fábrica de cerâmica.

 







Perfumador árabe, faiança, 1896. Esta peça foi dedicada ao conselheiro Vilhena, administrador do Banco de Portugal, como prova de agradecimento, por ter adiado a cobrança coersiva das dívidas da fábrica de faianças. Rafael Bordalo Pinheiro. - Museu Bordalo Pinheiro


 
Bilha, faiança modelada e moldada, 1896. Decoração representando uma serenata de um cavalheiro a uma dama, e um aldeão espiando. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

 
 Jarra, rodada e modelada em barro vermelho, 1893. Peça de inspiração Arte Nova. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

No ano de 1884, Feliciano e Rafael, criam a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, da qual Bordalo Pinheiro foi director técnico e artístico durante cerca de 20 anos. A fábrica dispunha-se a manufacturar materiais de construção (tijolos, telhas e azulejos), louça artística e louça comum, organizando-se de acordo com os três sectores de produção. 
No decorrer de 1884, os dois irmãos realizam viagens de estudo e trabalho a industrias de cerâmica em Inglaterra, França e Bélgica.
Em Junho de 1885, a segunda fase da fábrica foi concluída, permitindo a produção de uma linha completa de louça decorativa.

Garrafa, archeiro da Casa-Real, peça modelada e moldada em barro vermelho, 1896. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica


FFCR - Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha. Iniciais entrelaçadas por uma serpente; 1896 - ano de produção da peça; 21 - número referente ao operário da fábrica responsável pela produção da peça. Gravações na base da peça.


Estatueta, figura de movimento, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1903. Representa um padre segurando um lenço vermelho e rapé. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica
 Caixa "Toma", faiança 1904. Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.

No ano seguinte (1886), a rainha D. Maria Pia (1847-1911) e o ministro Emídio Navarro (1844-1905), visitam a fábrica das Caldas da Rainha. O funcionamento simultâneo como fábrica-escola, foi reconhecido pelo Governo a partir de 1887. Bordalo criou todas as condições para que os operários pudessem reproduzir na totalidade as várias peças. Nesse ano, iniciou-se a produção de louça decorativa de inspiração naturalista. Em 1888, Rafael instalou-se com a sua família nas Caldas da Rainha.

O sucesso da exposição no Atneu Comercial do Porto, em 1889, não valeu para salvar a fábrica das dificuldades económicas em que se encontrava. A concessão de um empréstimo pelo Governo Português, evitou a falência e permitiu apresentar diversas peças na Exposição Universal de Paris (1889). O sucesso foi enorme: a Fábrica de Faianças recebeu a medalha de ouro e a medalha de prata na Exposição de Faianças, Rafael Bordalo Pinheiro, recebeu o Grau de Cavaleiro da Legião de Honra do governo francês.

 

Painel de azulejos com borboletas e espiga de trigo, barro vermelho moldado, 1905. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. Inspiração na produção hispano mourisca do século XVI. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica





Painel de azulejos, barro vermelho moldado, 1893-1905. Gafanhotos sobre espigas de trigo. Cercadura com óvulos de inspiração renascentista. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Rafael produziu um número surpreendente de obras cuja diversidade de esmaltes coloridos, modelagem invulgar, profundidade de cor e esboço primoroso lhe trouxeram notoriedade. As suas peças tiveram influência nos estilos rocaille ou renascença, estilo Palissy - sapos, cobras, répteis, folhagens, fauna e flora locais - estilo Manuelino, iniciado durante o reinado de D. Manuel I (1495-1521) - conchas, peixes, corais, âncoras, cordas, redes e instrumentos de navegação. A cerâmica de Bordalo foi também estimulada pela onda francesa Art Nouveau, pelo orientalismo e pelo exótico. Projectou e executou magníficos modelos de azulejos, considerados dos melhores em Portugal. No período entre 1889-1905, Rafael B. Pinheiro criou muitas das suas melhores obras, como a Talha Manuelina, adquirida pelo rei D. Carlos (1863-1908) em 1893. A figura tridimensional do Zé Povinho, fazendo o manguito, popularizou-se com a cerâmica da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, a partir do final do século XIX.



Talha Manuelina, faiança, 1892/3. Peça marcada pelo revivalismo do estilo Manuelino - Rafael Bordalo Pinheiro. Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.
 

Jarra Adriano Coelho, faiança, s.d. Peça com influência de estilo Rocaille. Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.



Candeeiro Justino Guedes, faiança, 1898. Peça com influência de estilo Renascença e azulejos mudéjares. Rafael Bordalo Pinheiro - Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa.

Entre 1888 e 1904, a fábrica recebeu medalhas de ouro em exposições no Porto (1888), Paris (1889), Madrid (1892), Antuérpia (1894), Porto (1895) e Exposição Universal de St. Louis, EUA (1904). 
Rafael Bordalo Pinheiro visita a Exposição Universal de Paris, com o filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, em 1900. Nesse mesmo ano, transferiu a direcção total da fábrica para o seu filho.  Em 1908, depois da morte do pai, Manuel Gustavo fundou uma fábrica em outro local, denominada inicialmente São Rafael, e mais tarde, Fábrica Bordalo Pinheiro, Lda. As peças produzidas, caracterizaram-se pela aliança entre os modelos tradicionais e as formas modernas da corrente Arte Nova. Às suas peças associa-se a riqueza artística e cultural, que irá resultar na geometrização das formas.
 

Jarra decorada com folhas de plátano, peça moldada e modelada em barro vermelho, 1901 (altura: 1250cm; largura: 74cm; comprimento: 75cm). Esta peça está inserida na fase bordalina de onde saiu a Talha Manuelina. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Prato, peça rodada, modelada e moldada em barro vermelho, 1905. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Jarra, peça modelada e moldada em barro branco, 1900. Rafael Bordalo Pinheiro. Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha - Museu da Cerâmica

Em 1922, a casa de Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro foi adquirida, junto com os moldes originais de fábrica. Os novos empresários ergueram uma outra fábrica, chamada de Faianças Bordalo Pinheiro. Na antiga casa de Manuel Gustavo foi criada a  Casa Museu de S. Rafael Bordalo. O acervo da Casa Museu é constituído sobretudo por cerâmica produzida ao longo dos anos na Fábrica Bordalo Pinheiro, contendo originais e cópias de peças desenhadas e executadas pelo artista Rafael Bordalo Pinheiro. O Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa, foi dedicado à memória deste grande ceramista. Abriu ao público em 1916.


Jarra, peça moldada e modelada em barro vermelho vidrado, 1908. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica

BORDALLO PINHEIRO PORTUGAL - inserido num circulo com uma rã ao centro. 1901 / 21. Marca gravada na pasta no reverso da base.

Jarra, peça moldada em barro vermelho, 1908. Manuel Gustavo Bordalo pinheiro Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica

Bordalo Pinheiro Portugal, marca gravada na pasta

Grupo escultórico "Milagre da Bilha", peça moldada e modelada em barro branco e vermelho, 1912. Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro. Fábrica Bordalo Pinheiro - Museu da Cerâmica


Fontes:

http://www.bordallopinheiro.pt 
http://www.cm-caldas-rainha.pt/portal/page/portal/PORTAL_MCR/VISITANTE
http://www.museubordalopinheiro.pt/0201.htm
http://www.palissy.com/NEWhistory.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Bordalo_Pinheiro
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Entidades/EntidadesConsultar.aspx?IdReg=40510


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Meses / estações do ano - cerâmica de Luca della Robbia

Mês de Janeiro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Os medalhões em cerâmica vidrada, da autoria do escultor e ceramista florentino Luca della Robbia, constituem uma série de doze, sobre os "Trabalhos dos Meses do Ano".

Os medalhões faziam parte da decoração da abóbada de um pequeno estúdio, do banqueiro florentino Piero de'Medici, no Palácio Medici em Via Larga, Florença. Originalmente os medalhões encontravam-se organizados em três fileiras de quatro. O projecto foi baseado em práticas agrícolas contemporâneas, e em descrições de textos clássicos sobre agricultura.

Em cada medalhão, uma figura masculina realiza uma actividade apropriada a cada mês. Cada cena é organizada dentro de um espaço circular, com duas tonalidades de azul: claro e escuro. Com relevância para cada mês, ao período de luz corresponde o azul claro, e ao período de escuridão corresponde o azul escuro. Na extremidade direita, estão os números de horas de luz do dia. No topo de cada medalhão, à esquerda, o sol na casa adequada do zodíaco. Em frente, a lua nas diversas fases.  

Estas obras únicas fazem parte de uma técnica extraordinária no uso de pigmentos e esmaltes, aperfeiçoada por Lucca.

Mês de Fevereiro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto

Luca della Robbia, (nasceu cerca de 1399/1400, em Florença , Itália — morreu em 20 de Fevereiro de 1481, Florença), foi um escultor e ceramista da Renascença italiana.  

Os Della Robbia eram uma família italiana de escultores e ceramistas. Estiveram activos em Florença no início do século XV, e por toda a Itália e França no século XVI. 

No seu tempo, Luca tinha reputação de ser um dos líderes do estilo moderno (ou seja, renascimento), comparável a Donatello e Masaccio. Hoje, é mais conhecido por ter aperfeiçoado a técnica de faiança esmaltada e vitrificada, marcando o início de uma produção que foi um grande sucesso, devido à durabilidade extraordinária face ao tempo e à união da pintura com a escultura.

Mês de Março, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Abril, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Maio, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Luca realizou as suas obras quase exclusivamente  em mármore. Em 1431, começou o que é provavelmente a sua obra mais importante, a Galeria dos Cantores (1431-38), para a Catedral de Florença, agora no Museu da Catedral. Consiste em dez relevos figurativos: dois grupos de meninos cantando; trompetistas; dançarinos; e crianças que tocam vários instrumentos musicais. Os painéis devem a sua grande popularidade à inocência e ao naturalismo com que as crianças são retratadas. Estes relevos de mármore, reflectem antigos padrões, com influência na escultura de Donatello, mas concebidos num espírito mais alegre

Os relevos com as figuras clássicas dos Apóstolos (c. 1444), na Capela de Pazzi, em Santa Cruz, estão entre as obras importantes, realizadas pelo escultor.

Mês de Junho, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Julho, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Agosto, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Luca foi o fundador de uma oficina familiar em Florença, para produção de obras em terracota esmaltada e vidrada. A família parece ter mantido a fórmula técnica em segredo, tornando-se a base de um negócio próspero.  De acordo com um contemporâneo de Luca, o esmalte com que o artista  cobria as suas esculturas de terracota, consistia numa  mistura de estanho, litargírio e outros minerais. 
O negócio de Luca foi seguido pelo seu sobrinho Andrea, e mais tarde pelos cinco filhos de Andrea, dos quais Giovanni foi o mais importante.
Há também muitos trabalhos notáveis de Luca della Robia fora de Itália.

Mês de Setembro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Outubro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Novembro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
Mês de Dezembro, terracota vidrada, 1450-56 - Museu Victoria e Alberto
A Capela Pazzi foi encomendada por Andrea de' Pazzi, membro de uma das famílias mais ilustres de Florença, em 1429. 
A decoração da capela marcou uma fase importante na carreira de Luca della Robbia. Os doze medalhões representando as figuras clássicas dos Apóstolos, em branco sobre fundo azul, integram-se nas linhas sóbrias da arquitectura e na decoração geral da capela, em cores de cinza e branco. A decoração da capela foi completada com rosetas, dispostas simetricamente em circunferências concêntricas, em torno do brasão de armas Pazzi, na pequena cúpula do pórtico.
 
Os Apóstolos, terracota vidrada, 1440. Capela Pazzi, em Santa Cruz, Florença


Cúpula do pórtico, terracota vidrada, 1440. Capela Pazzi, em Santa Cruz, Florença

A Capela do Cardeal de Portugal, foi edificada por desejo do príncipe Jaime de Portugal. Foi feito cardeal com vinte e dois anos, e morreu em Florença, quando tinha apenas vinte e cinco. A capela, que abriga o túmulo do Cardeal, foi projectada por Antonio Manetti e finalizada por Giovanni Rossellino. A decoração é de Alesso Baldovinetti, Antonio del Pollaiuolo, Piero del Pollaiuolo e Luca della Robbia
A composição de terracota esmaltada da cúpula, de Luca della Robbia, tem cinco medalhões: o símbolo do Espírito Santo no centro e as Quatro Virtudes (fortaleza, temperança, prudência e justiça).

As Quatro Virtudes, terracota vidrada, 1461-62. Capela funerária do Cardeal de Portugal, em San Miniato al Monte, Florença. 


Fontes:

http://www.britannica.com/EBchecked/topic/156670/Luca-della-Robbia
http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/r/robbia/luca/index.html
http://collections.vam.ac.uk/search/?slug=della-robbia-luca&name=4299&offset=15