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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Carmen Dolores, uma interprete admirável

 

CARMEN DOLORES. Suplemento nº 1754 "Modas e Bordados - Vida Feminina", 19 de Setembro de 1945.

 

"Carmen Dolores, a graciosa ingénua do cinema português, é também e, principalmente, uma interprete admirável de teatro radiofónico, onde a sua voz, de timbre agradabilíssimo, serve um temperamento artístico equilibrado e raro.

19 de Setembro de 1945.

Suplemento nº 1754, "Modas e Bordados - Vida Feminina", 


Carmen Dolores. Séc. XX. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Carmen Dolores (1924 - 2021), inicia-se no teatro radiofónico na Rádio Clube Português, aos 12 anos de idade. No ano de 1943, aparece no cinema, como protagonista de Amor de Perdição, uma adaptação do romance de Camilo Castelo Branco. Dois anos depois, em 1945, integra a Companhia Os Comediantes de Lisboa, com sede no Teatro da Trindade. 


Carmen Dolores em "Balanceada", em "Três Actos de Beckett"/Companhia Teatral do Chiado/Teatro Estúdio Mário Viegas. Data: 1991. Foto: Pedro Soares -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Carmen Dolores em "Virgínia" de Edna O'Brien, uma co-produção do Teatro Nacional D. Maria II e do Teatro Experimental de Cascais (TEC). Encenação de Carlos Avilez. Data: 1985 - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Cenário da peça Sonho de uma Noite de Verão - Palácio de Teseu em Atenas. Desenho e pintura a guache. Autor: Lucien Donnat. Data: 1952. Peça apresentada pela Companhia Rey Colaço Robles Monteiro, no Teatro Nacional D. Maria II, em 1952. Carmen Dolores (Helena, namorada de Demétrio) -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 



No Teatro Nacional D. Maria II, sob a direcção de Amélia Rey Colaço, inicia uma nova fase da sua carreira, com o sucesso de Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett. 
Fundou, com outros actores, o Teatro Moderno de Lisboa, com a intenção de levar à cena peças de autores consagrados como William Shakespeare, August Strindberg, Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski, ou  José Cardoso Pires.



Carmen Dolores. Programa da peça "As Espingardas da Mãe Carrar", exibida na Casa da Comédia, em 1975. Peça em um acto, original de Berlot Brecht. Música de José Manuel Osório. Encenação de João Lourenço. Cenários e figurinos de António Casimiro. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet.



Carmen Dolores em "Alice nos Jardins do Luxemburgo" exibida na Casa da Comédia. Peça original de Roman Weingarten. Música de José Gil. Cenografia de António Alfredo. Encenação de Jorge Listopad. Data: 1972. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet



Carmen Dolores em "O Mentiroso", apresentada pela Empresa Laura Alves, no Teatro Avenida. Original de Carlo Goldoni. Direcção de cena de Henrique Santos. Data: 1958. Foto: Furtado D'Antas. Museu Nacional do Teatro, MatrizNet


Figurinos para D. Maria Teles (Carmen Dolores) na peça Leonor Teles. Desenho e pintura a guache. Autor: Abílio de Mattos e Silva. Data: 1960. Peça apresentada pelo Teatro Nacional Popular, no Teatro da Trindade na temporada de 1959-1960. -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 


Ao longo dos anos foi somando sucessos como actriz de teatro, cinema e televisão. A sua carreira no teatro incluiu cerca de três dezenas de peças, que interpretou entre 1952 e 2005, ano em que abandonou os palcos. No cinema, participou em cerca de duas dezenas de filmes, entre 1943 e 1988.

Carmen Dolores, "estrela" do cinema português que recebeu, recentemente o prémio de, cinema do Secretariado Nacional de Informação e Cultura Popular pela sua brilhante interpretação no filme " Um Homem às direitas".

4 de Abril de 1945

Suplemento nº 1730, "Modas e Bordados - Vida Feminina". 


Carmen Dolores em "O Vestido de Noiva" de João Gaspar Simões, no Teatro Nacional D. Maria II. Encenação de Robles Monteiro. Cenários de Lucien Donnat. Data: 1952. - Museu Nacional do Teatro, MatrizNet



Carmen Dolores (1ª à esquerda). Fotografia do grupo dos artistas da rádio. Casa do Alentejo em Lisboa. Autor: Foto Aviz. Data: Maio de 1946. - Fundação Portuguesa das Comunicações.


Cenário da peça Dente por Dente. Desenho, lápis de cera e colagem. Autor: António Pedro. Data: 1964. Peça apresentada pelo Teatro Moderno de Lisboa, no Cinema Império, em 1964. Carmen Dolores fez parte do elenco desta peça. -  Museu Nacional do Teatro, MatrizNet 


Recebeu diversos prémios e distinções de que se destaca: Medalha de Mérito Cultural (1991); Globo de Ouro (2004); Medalha Ouro de Mérito da Câmara Municipal de Lisboa (2014); Prémio António Quadros (2016); Prémio Sophia de Carreira (2016). Foi condecorada com a Ordem Militar de Sant'lago de Espada, Dama (1959); Ordem do Infante D. Henrique, Grande Oficial (2005); Ordem de Mérito, Grande Oficial (2018). 

A sala principal do Teatro de São Luís tem o nome da actriz.

Faleceu no dia 16 de Fevereiro de 2021, aos 96 anos de idade, em Lisboa.


CARMEN DOLORES. Suplemento nº 1730 "Modas e Bordados - Vida Feminina", 4 de Abril de 1945.

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

As chapas de "colódio húmido" - Jean Laurent



Almanaque Português de Fotografia , 1955/1956. Edição da Casa Portuguesa (pág. 94).

 

J. LAURENT (?) em carro de cesto do monte com os carreiros, Funchal. CPF Centro Português de Fotografia



Jean Laurent ou Juan Laurent Minier (Garchizy, Nevers (França), 23 de Julho de 1816 – Madrid, 24 de Novembro de 1886) foi um dos mais importantes fotógrafos que trabalhou em Espanha no século XIX. 


O seu interesse pela fotografia começou em 1855. Laurent destacou-se dos seus pares, por se manter actualizado nos avanços que surgiam na fotografia do século XIX. Em conjunto com o fotógrafo espanhol José Martínez Sánchez, inventou e introduziu várias técnicas como o papel leptográfico

Usava a rede ferroviária para as suas viagens pela Península Ibérica, e utilizava uma pequena carruagem ou "carro-laboratório" de campanha, onde preparava e revelava as suas placas de vidro com colódio. 

Em 1869, Laurent viajou para Portugal, realizando registos fotográficos de cidades e monumentos. Durante a sua estadia neste país, Laurent também privou com a família real, tendo fotografado o Rei e os dois príncipes D. Carlos e D. AfonsoCom estas fotografias fez depois varias exposições no estrangeiro, contribuindo para a divulgação do nosso país. 


D. Fernando II (pai de D. Luis), fotografado por Jean Laurent, em 1869. Palácio Nacional de Pena. MatrizNet



Rei D. Luis I de Bragança, fotografado por Jean Laurent, entre 1869/1870. Palácio Nacional da Ajuda (foto mostrada na Exposição "J. Laurent e Portugal fotografias do século XIX", no ano da 2009). MatrizNet


Príncipe Real D. Carlos, fotografado por Jean Laurent. Palácio Nacional da Ajuda. MatrizPix.

Principe Real D. Carlos, fotografado por Jean Laurent, entre 1869 e 1869. Palácio Nacional da Ajuda (foto mostrada na Exposição "J. Laurent e Portugal fotografias do século XIX", no ano da 2009). MatrixNet


Principe Real D. Carlos e o Infante D. Afonso, fotografados por Jean Laurent, entre 1867 e 1869. Palácio Nacional da Ajuda. MatrizPix.


A lista de fotografias de Portugal, para venda, foi publicado pela primeira vez na edição de 1872 do catálogo de Laurent. Entre os locais fotografados estão Lisboa, Sintra, Monserrate, Alcobaça, Batalha, Tomar, Coimbra, Porto, Braga, Guimarães, Évora e o Palácio da Pena.


Igreja de Nossa Senhora da Oliveira , em Guimarães (segundo uma fotografia de Laurent).O Ocidente : revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, nº 469 (1 de Janeiro de 1892). Hemeroteca Nacional de Portugal


A produção da Casa Laurent foi imensa. Cópias suas podem encontrar-se em Espanha, Lituânia e Lisboa. Outra especialidade de Laurent foi a aplicação de fotografias nos leques, a partir de 1864, obtendo um Real Privilégio de Invenção na Espanha, e uma patente na França.


Réplica do laboratório fotográfico de J. Laurent, tal como seria no ano de  1872, Espanha.


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A gravura representa uma câmara escura móvel, de 1860, quando ainda havia necessidade de utilizar as chapas de colódio logo a seguir à sua preparação, (colódio húmido). Almanaque Português de Fotografia, 1961/1962. Livraria Bertrand SARL  (pág122).

Altar de Nossa Senhora das Dores. Chapa de vidro com preparação de colódio (arquivo "comjeitoearte"). 



Fontes:
https://digitarq.cpf.arquivos.pt/details?id=87040

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=1107658&EntSep=2#gotoPosition

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=991250&EntSep=4#gotoPosition

http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=1&REGPAG=50&CRITERIO=Jean+Laurent+&IDFOTO=11209

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=986414&EntSep=4#gotoPosition

http://www.matrizpix.dgpc.pt/MatrizPix/Fotografias/FotografiasConsultar.aspx?TIPOPESQ=2&NUMPAG=2&REGPAG=50&CRITERIO=Jean+Laurent+&IDFOTO=82330

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/Ocidente/1892/N469/N469_item1/index.html

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fiel_r%C3%A9plica_del_carruaje_laboratorio_fotogr%C3%A1fico_de_J._Laurent;_tal_como_ser%C3%ADa_en_el_a%C3%B1o_1872,_Espa%C3%B1a,_Spain.jpg?uselang=pt


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Responsório de Santo António

Santo António. Escultura em madeira, estofada, dourada e policromada. Séc. XVIII. Autor desconhecido. A peça foi mostrada em 3 exposições (1992;1993;1994). - Museu Nacional de Arte Antiga. MatrizNet

Quem milagres quer achar / Contra males e o demónio, / Busque logo a Santo António, / Que aí os há-de encontrar. 
Aplaca a fúria do mar, / Tira os presos da prisão, / Ao doente torna são, / E o perdido faz achar.  

Responsório de Santo António. Texto de Julieta Ferrão. Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho de 1945, pág. 2.

E sem respeitar os anos, / Socorre a qualquer idade; / Abonem esta verdade / Os cidadãos paduanos.
Glória eterna dada seja / À Santíssima Trindade, / Por toda a eternidade; / Minha alma assim o deseja. 
- Orai por nós, bem aventurado António.
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

O perdido faz achar?... Vamos, leitora amiga, não sente necessidade de repetir o Responso a Santo António, tanto mais que estamos no mês em que a súplica deve ser mais eficaz? Vamos pedir, pedir muito para que, no meio desta barafunda, possamos encontrar o perdido: o bom senso... o sentido das proporções... o equilíbrio... a equidade... o tempo perdido, de forma a alcançarmos disciplina nos espíritos, nas almas, nas coisas e até no espaço?
Nunca a confusão foi tão confusa! Já reparou no ar apressado, inquietante, agitado do nosso semelhante? Devemos confessar que não é só o semelhante, somos nós próprios, que andamos a correr, a atropelar numa carreira vertiginosa, para chegarmos depressa. Aonde? Não sei. Só verifico que nos esfalfamos, e, ao terminar o dia, quando pretendemos dar balanço ao aproveitamento da energia despendida, chegamos à conclusão de que nada fizemos e de que não nos chegou o tempo para coisa alguma! E, contudo, não parámos!
Desconfio de que o dia já não tem as 24 horas, a hora os sessenta minutos e o minuto os sessenta segundos que, ao iniciar os estudos, me afirmaram ter. Terá o tempo sido vítima de racionamento?
(...)
Mas... já acabou o dia? a semana? o mês? o ano? Mas... ontem não foi dia 1? O quê hoje já são 30? Mas, Santo António, em que foi que perdi o tempo?
Eu sei já não nos ser possível organizar programas pelo menos com intenção de os cumprir integralmente. A vida, hoje, é cheia de surpresas, de imprevistos, e estes é que contam. Mas, para os receber com espontaneidade tem que haver tempo. Tempo? Não, decididamente, o tempo foi alterado. Houve racionamento e não demos por ele. Só lhe damos pela falta...
Santo António valei-nos! (...)
Maio, 1945
Julieta Ferrão 


No mês de Santo António, transcrevo parte do texto da autoria de Julieta Ferrão, publicado em 1945 (Modas e Bordados nº 1741, de 20 de Junho, 1945 - pág. 2). 
Decorridos 75 anos  sobre a publicação deste texto, o seu conteúdo mantém-se actual.


Igreja de Santo António. Inauguração do Museu Antoniano, em !3/06/1962. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose, formato 9x12. Na foto, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (António Vitorino França Borges) e Julieta Ferrão. Fotógrafo, Armando Maia Serôdio (1907-1978). - Arquivo Municipal de Lisboa


Julieta Bárbara Ferrão, nasceu em Lisboa (1899 - 1974 ). Foi historiadora e critica de arte. Estudou na Escola de Belas Artes, em Lisboa. No ano de 1927, assumiu o cargo de directora-conservadora do Museu Rafael Bordalo Pinheiro. A sensibilidade e a dedicação de Julieta Ferrão, foram importantes na divulgação e desenvolvimento do Museu e obra de Bordalo Pinheiro. Durante a primeira metade do século XX, foi Conservadora-Chefe dos Museus Municipais de Lisboa.
Santo António, Cónego Regrante de Santo Agostinho Escultura em madeira policromada. Séc. XIX. Autor desconhecido. A peça de Santo António Cónego Regrante de Santo Agostinho foi mostrada em 2 exposições (1995;2014). Museu de Aveiro. MatrizNet
.

Dinamizou a organização de várias exposições sobre Lisboa, entre elas “Santo António de Lisboa”, em 1935,  “Aqueduto das Águas Livres”, em 1940, e “Lisboa Joanina”, em 1950. Colaborou com os jornais Diário de Notícias, O Século, Modas e Bordados, entre outros. Escreveu diversas obras sobre a vida e obra de Rafael Bordalo Pinheiro
Julieta Ferrão recebeu a medalha de prata, em 1954. Dez anos depois, no dia 24 de Outubro de 1964, recebeu a medalha de ouro por assiduidade e bons serviços prestados durante quarenta anos à Câmara Municipal de Lisboa. 
Quatro anos após a sua morte, em 1978, o seu nome ficou perpetuado numa rua, em Lisboa.

Fontes:
https://maislisboa.fcsh.unl.pt/julieta-barbara-ferrao-uma-marca-dos-museus-de-lisboa/
https://de.wikipedia.org/wiki/Julieta_Ferr%C3%A3o
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/

domingo, 3 de maio de 2020

Mobiliário Art Noveau | Louis Majorelle e Gustav Siegel

Conjunto Art Noveau, composto por escrivaninha, cadeira e biombo, do designer Louis Majorelle. É evidente a elegância das proporções, a leveza das linhas e o bom gosto dos seus bronzes. O grande Livro da Decoração. Ed. Selecções do Reader's Digest, 1974.

Louis Majorelle (Toul, 1859 – 1926, Nancy), estudou pintura em Nancy e posteriormente na Escola de Belas Artes de Paris, entre 1877 e 1879. Após a morte de seu pai Auguste Majorelle, em 1879, Louis assumiu o negócio de mobiliário e cerâmica da sua família, em Nancy. 


Puxador Majorelle. Guia de História do Mobiliário. Ed. Presença

Influenciado pela obra de Emíle Gallé, iniciou a produção de design Art Noveau. A sala que exibiu na Exposition Universelle et Internacionale de Paris 1900, tinha como tema um lírio de água (nenúfar). O sucesso alcançado na Exposição fez o negócio prosperar, e este facto levou à abertura de várias lojas em toda a França.

Conjunto de mobiliário realizado em mogno com aplicações de bronze dourado sobre o tema nenúfares. Esta criação é um exemplo do desenvolvimento e do sucesso da produção de mobiliário de Louis Majorelle em 1900. - Musée de L'École de Nancy.


Em 1901, Louis foi nomeado vice-presidente da École de Nancy, e em 1903, expõe o seu mobiliário e iluminação de bronze dourado em Paris, por ocasião da exposição da escola.

A produção da fábrica é interrompida depois de um incêndio em 1916, e retomada após a I Guerra Mundial.

Por volta dos anos 20, o trabalho de Majorelle já reflecte influência do novo estilo Art Deco.





Armário de Apoio com cortina de ripas deslizantes, embutidos de 'penas de pavão', mogno e courbaril com aplicações em bronze dourado, ca. 1901, sobre o tema lírio de água. Designer Louis Majorelle. - Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique.


Louis Majorelle construiu uma casa de família em Nancy, a Villa Majorelle, por vezes apelidada de Villa Jika em homenagem à sua mulher Jane Kretz.

Após a morte de Louis Majorelle, em 1926, a produção de design sofisticado e caro manteve-se sem deixar de produzir peças mais sóbrias e acessíveis.




Vitrine em mogno com painéis folheados a courbaril e aplicações em bronze dourado, 1902, sobre o tema lírio de água. Designer Louis Majorelle. - Musées Royaux des Beaux-Arts de Belgique.


Gustav Siegel (Viena, 1889 – Viena, 1970), estudou na Kunstgewerbeschule (Escola de Artes) em Viena entre 1897 e 1901. Nesta cidade, foi admitido nas aulas de arquitectura de Josef Hoffmann, e em 1899, foi chefe do departamento de design da Jacob & Josef Kohn (empresa de móveis ao estilo vienense). 


Modelo 415/2. Madeira dobrada, tecido, metal, 1907. Designer Gustav Siegel. - Phillips


Desenhou um conjunto de móveis, para a companhia, que foram apresentados na Exposition Universelle et Internacionale de Paris 1900. O quarto exibido por Siegel, apresentava móveis de madeira curvada com secções quadradas, algo inovador para a época e, por isso, reproduzido por muitos designers.


Quarto desenhado por Siegel para o stand da Jacob & Josef Kohn, na Exposition Universelle et Internacionale de Paris,1900.- Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen

Entre os designs mais conhecidos da companhia está a mobília No 728 (1905-1906). O conjunto de mobília No 415, executada por Siegel, foi apresentada na The Studio em 1908.
Siegel foi responsável por vários posters e publicidade da companhia  Jacob & Josef Kohn.


Modelo 728, cadeira "Fledermaus" para J & J Kohn, Josef Hoffman e Gustav Siegel. - 1plus1gallery

Poltrona. Madeira de faia com estofamento de couro, 1900 -1916 Designer Gustav Siegel. Fabricada por Jacob & Josef Kohn - The Art Institute of Chicago


Fontes:

https://musee-ecole-de-nancy.nancy.fr/accueil-2676.html

https://www.fine-arts-museum.be/fr/la-collection/louis-majorelle-grand-meuble-dappui-nenuphar?artist=majorelle-louis

https://www.fine-arts-museum.be/fr/la-collection/louis-majorelle-vitrine-nenuphar-4?artist=majorelle-louis

www.phillips.com

www.1plus1.gallery


https://www.artic.edu/artworks/154052/armchair

O grande Livro da Decoração. Ed. Selecções do Reader's Digest, 1974.

Guia de História do Mobiliário. Ed. Presença

Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen

sábado, 2 de maio de 2020

Mobiliário Art Noveau | Eugène Gaillard e Georges de Feure


Canapé (1900). Designer Georges de Feure. (Sala de Estar para senhoras apresentada no Pavilhão de l'Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900). Guia de História do Mobiliário. Ed. Presença


Samuel Siegfried Bing (Hamburgo, 1838 –Vaucresson, 1905) iniciou a sua vida na empresa de cerâmica da família Bing, em França. A sua função foi interrompida durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

A partir da década de setenta, iniciou a actividade de importação e venda de artigos orientais, especialmente arte japonesa, em  Paris.  Em 1895, abriu a famosa galeria Maison d’Art Noveau, situada na Rue Provence, 22.  Bing comercializava obras artísticas de René Lalique, de William Morris, de Louis Tiffany, móveis em estilo Art Noveau de Émile Gallé, entre outros. 

Pavilhão de l'Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. Entrada principal (pintura de G. de Feure) - Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen

O Pavillon de l’Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris (15 de Abril de 1900 a 12 de Novembro de 1900), teve um enorme sucesso. Neste espaço, composto por seis divisões, designers como Eugéne Gaillard, Edward Colonna e Georges de Feure, apresentaram móveis modernos, texteis e objectos de arte.

Em 1904, Bing passou o negócio para o seu filho Marcel, que em conjunto com Louis Majorelle, criou uma nova sala de exposições.

A empresa de S. Bing foi determinante no desenvolvimento do estilo artístico Art Noveau.


Pavilhão de l'Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. A decoração da fachada foi realizada por Georges de Feure - Worldfairs.info

Georges de Feure (nome real Georges Joseph van Sluijters, Paris, 1868 – Paris, 1943), filho de um arquitecto holandês, iniciou a sua vida numa oficina de encadernação em Haia. Em 1891, mudou o seu nome para Van Feure e mais tarde para Feure. Tornou-se ilustrador para os jornais Le Courrier Français e Le Figaro Illustré, criou cartazes, desenhou mobiliário no estilo Art Noveau e aviões franceses.


Sala de Estar para senhoras. Designer Georges de Feure. Apresentada no Pavilhão de l'Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen



Puxadores e outros acessórios para móveis, ca. 1900. Prata galvanizada em cobre fundido. Designer Georges de Feure. Victoria and Albert Museum - V&A

A partir de 1900 chefiou o departamento de design da Maison d’Art Noveau. O seu reconhecimento como artista de cartazes, levou Siegfried Bing a confiar-lhe a realização da fachada do Pavilhão de Bing (1900). Foi responsável pelo design de duas salas no Pavilhão de Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris (1900). As suas criações foram muito elogiadas pelos críticos.


Design para um corredor com detalhes de ferro forjado, ca. 1925.  Grafite, tinta, aguarela e tinta metálica. Designer Georges de Feure - The Metropolitan Museum of Art - MET


Na década de vinte, Feure assume o cargo de director da empresa Schwartz-Haumont, fabricante de objectos em ferro forjado. Nesta etapa da sua vida realiza o design de um corredor, com uma estante de ferro forjado, mesa e suporte de guarda-chuva.



Cadeira, ca. 1905. Designer  Eugène Gaillard. Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen


Eugène Gaillard (Paris, 1862 – Paris, 1933), abandonou a sua carreira jurídica para dedicar-se à escultura durante 10 anos. Após este período, tornou-se designer de interiores, têxteis e mobiliário Art Noveau.


Pedestal para J. P. Christophe, ca. 1901 - 1902.   Designer  Eugène Gaillard. Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen


Expôs no Pavilhão de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris (1900), ao lado de outros designers conceituados. 


Sala de Jantar. Móveis do designer Eugène Gaillard. Apresentada na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. - Victoria and Albert Museum - V&A


A decoração das suas peças de mobiliário realizadas entre 1900 e 1914, foi inspirada em formas naturais sem imitar ou copiar a natureza. O mobiliário elegante para além de um grande sentido plástico, possui estruturas refinadas.


Móvel de Sala de Jantar ( mogno, vidro e bronze) Designer Eugène Gaillard. Apresentado na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. - NationalMuseum
Puxador Gaillard.   Guia de História do Mobiliário. Ed. Presença


Gaillard foi membro fundador da Société des Artistes Décorateurs e expôs as suas criações no salão de exposições da organização.


Quarto. Designer Eugène Gaillard. Apresentado no Pavilhão de l'Art Noveau de Siegfried Bing na Exposition Universelle et Internacionale de Paris de 1900. Fiell, Peter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen



Fontes:

https://www.worldfairs.info/expopavillondetails.php?expo_id=8&pavillon_id=2477

https://www.metmuseum.org/

https://www.vandaimages.com/index.asp

http://collections.vam.ac.uk/item/O124431/furniture-mount-feure-georges-de/

http://emp-web-22.zetcom.ch/eMuseumPlus?service=ExternalInterface&module=collection&objectId=11339&viewType=detailView

Guia de História do Mobiliário. Ed. Presença

FiellPeter & Charlotte. Design do século XX. Ed. Taschen