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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Museu do Brinquedo, em Sintra, fecha definitivamente em Agosto

Casa de bonecas "Vivenda Odete", brinquedo português, 1940

O Museu do Brinquedo situado em Sintra, no distrito de Lisboa, tem uma colecção com mais de 60.000 exemplares de diferentes brinquedos, compreendidos entre o século XVII e os nossos dias. 

A antiga casa da Vereação de Sintra, construída no século XVIII e considerada monumento de interesse público, alberga desde 1997, todo o espólio do Museu. A Fundação Arbués Moreira, que tem como vice-presidente João Arbués Moreira, foi criada em 1987, com a incumbência de gerir todo o legado.


Fogão em ferro, de fabrico português, c.1890.
 

Sala de bonecas, de fabrico alemão, Século XVII
Comboio em madeira, de fabrico português, 1950
Cavalo em pasta de papel e carroça em madeira, de fabrico português, c.1920
Jogo Cidades, Vilas e Aldeias, fabrico português «MAJORA»

O Museu do Brinquedo tem como missão a "divulgação da História do Homem através da preservação, conservação e mostra do Brinquedo enquanto património mundial que contempla múltiplos paradigmas temporais e geográficos permitindo a compreensão e a análise crítica do mundo, dos seus habitantes e das suas mudanças, dos seus sonhos e desejos". 

Na sequência da nova Lei das Fundações, o Município de Sintra deixou de atribuir os cerca de 5 mil euros mensais ao Museu, pondo em risco a colecção, e todo o trabalho desenvolvido ao longo de vinte anos.

Os responsáveis pelo Museu têm feito diligências junto da Cãmara Municipal de Lisboa e outras autarquias, no intuito de encontrar uma "casa", que albergue esta admirável colecção.
 

Carrossel, em folha, de fabrico francês, c.1890.
Carro de policia de Nova Iorque. Veiculo americano do tempo da lei da seca
Máquina a vapor, de fabrico alemão BING, c. 1910
Barco, em folha, de fabrico alemão, c.1930
Soldado português com pombo correio, de fabrico alemão «LINEOL», c.1935



Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_do_Brinquedo
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=157901
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=4066570

domingo, 20 de maio de 2012

Construção de fantoche de luva

O espectáculo de  “Punch e Judy”, surgiu primeiro na antiga Roma, onde lhe chamavam Phersu. As cenas representadas por Punch, Judy e companhia, remontam possivelmente ao repertório da Comédia dell’Arte.
O termo “fantoche”, generalizou-se em Portugal  no seio da grande família das marionetas. O boneco é normalmente manipulado por uma pessoa,  que cria a ligação entre as personagens e o público através de movimentos especiais e usando um tom de voz aflautado.  No fantoche de luva, o corpo é a mão do manipulador que se introduz na luva; a cabeça e os braços são os dedos do manipulador. Os dedos usados para manipular o fantoche são o indicador (cabeça),  o médio e o polegar (braços).


Construção do fantoche Punch

Para a construção da cabeça, os materiais utilizados são o barro e papier-mâché  (camadas de papel); a luva e as mãos são confeccionadas com tecidos ou feltro.

Material:

Papel de jornal
Papel de seda
Cartolinas coloridas (cabelo, chapéu, colarinho)
Cola branca líquida, para papel
Tesoura
X-acto 
Lápis
Plasticina ou barro
Folha de cartão, A4
Um prato e duas tigelas
Feltro ou retalhos de tecidos
Cola celulósica
Tinta e verniz
Pincéis
1 - Cabeça modelada em plasticina ou barro
Passo a passo:

1 – Forme um rolo em cartão 75 mm de comprimento e um diâmetro suficiente para introduzir o dedo indicador.
2 – Amacie a plasticina ou o barro e modele a cabeça em volta do rolo (pescoço do fantoche). Faça os contornos exagerados (1).
3 – Corte os papéis (jornal e seda) em pequenos quadrados ou triângulos. 

2 - Papel de jornal dentro de água
4 – Coloque água numa das tigelas e ensope o papel de jornal. (2).
5 – Coloque a cola na outra tigela.
6 – Espete um lápis num pedaço de plasticina e introduza-o na cabeça já modelada. Desta forma não precisa de segurar na cabeça.

3 - Cabeça envolvida com pedaços de papel de jornal, embebido em água.
7 – Revista a cabeça e o pescoço com os pedaços de papel de jornal embebidos em água (3).

4 - Papel de seda molhado em cola.
8 – Coloque os pedaços de papel de seda no prato e a cola na tigela (4).
9 – Molhe o papel de seda na cola e aplique a segunda camada. Continue a aplicação de camadas alternadas de papel de jornal e papel de seda até ter 6 camadas (4).
10 – Deixe secar entre dois a quatro  dias.

5 - Peças cortadas com a plasticina á vista.
11 – Desenhe uma linha guia ao redor da cabeça e corte ao meio com um x-acto (5).
12 – Remova a plasticina ou barro.
13 – Volte a unir as duas partes, cubra a junta com papel embebido em cola. Deixe secar.
6 - Pintura da face com cores fortes
14 – Pinte com tinta cor de pele. Depois da tinta seca, pinte com cores fortes os olhos a boca e os outros elementos de caracterização. Envernize(6).
7 - Caracóis colados, virados para a frente
15 – Para a execução do cabelo, corte tiras de papel, encaracole e cole com os caracóis para a frente (7).

8 - Molde e chapéu
16 – Faça o chapéu conforme o molde (cone planificado num quadrado de papel), (8). Cole-o na cabeça.
17 - Reforce o pescoço: cole no interior um tubo de papel com 100 mm de comprimento.
9 - Moldes, luva e mãos
18 – No feltro ou tecido escolhido, trace a luva e as mãos segundo o molde da imagem 9 (A a B 230mm, C a D 200 mm). Coloque as mãos como em 9, coza em volta, deixe abertos a base e o pescoço.
19 – Na abertura do pescoço introduza a cabeça virada para baixo. Prenda a cabeça do fantoche à luva, com cola forte. Vire a luva.
10 - Colarinho realizado com uma tira de papel pregueado.
20 – Execute o colarinho com uma tira de papel pregueada, cole na luva junto ao pescoço.

O fantoche está pronto! Poderá construir outros fantoches, com algumas modificações e um pouco de imaginação.
Para a construção do  palco e cenário, pode reutilizar caixas de cartão.  Cubra a fachada  com papéis brilhantes e coloridos, ou pinte com algumas figuras básicas.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Carnaval pelo mundo - máscaras

Máscara de Careto, latão, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence

Traje e máscara de Careto, algodão, sarja, lã e madeira, Salsas, Portugal - Museu Abade de Baçal

O Carnaval em Portugal é celebrado por todo o país, os festejos de Podence e Lazarim, incorporam tradições pagãs.
O Carnaval para os Caretos de Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, em Trás-os-Montes, é um ritual entre o pagão e o religioso. Os homens, envergam trajes coloridos e escondem a cabeça numa máscara de lata, prendem na cintura uma enfiada de chocalhos, de campainhas, e festejam o Carnaval até cansar, para acalmar até à Pascoa. Os Caretos, invadem a praça e as ruas da aldeia no domingo e na terça-feira de Entrudo. Fazem corridas desenfreadas, atrás das raparigas solteiras, seguidos pelas crianças do sexo masculino. A eles tudo se permite, a imunidade conferida pela máscara, dá-lhes poder, por dois dias quem mais brinca mais poder tem. 

Grupo de Caretos, Podence, Portugal - Grupo de Caretos de Podence
Máscaras, Carnaval de Podence,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje


Na vila de Lazarim, concelho de Lamego, o Entrudo ou Carnaval é festejado entre comadres e compadres. As máscaras são de produção artesanal, feitas em madeira de amieiro e diferentes de ano para ano. Cabe ao seu portador imaginar o fato que a acompanha (Caretos). O Entrudo é precedido pela Semana das Comadres e dos Compadres, destinada a preparar as quadras destrutivas do testamento, que será lido na Terça-feira Gorda. Neste dia, as ruas de Lazarim enchem-se de gente para assistir ao desfile dos Caretos e à leitura dos testamentos. Tradicionalmente realiza-se um concurso de máscaras, e são premiados os artesãos mais talentosos.


Máscaras, Carnaval de Lazarim,  Portugal - Museu Ibérico da Máscara e do Traje

Máscaras, Carnaval de Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim
Mascarado, Lazarim, Portugal - Casa do povo de Lazarim


O Carnaval do Brasil é a maior festa popular do país. É também considerado dos mais famosos do mundo. No início do século XX, surgiu a primeira escola de samba no Rio de Janeiro. Outras foram aparecendo e iniciaram os campeonatos para a melhor escola do ano. Neste Estado, os cariocas começam os preparativos em Setembro. Na data oficial, os desfiles das escolas de samba são apresentados no Sambódromo. Na Bahia, os festejos de Carnaval são dos mais calorosos do Brasil. Na cidade de Salvador, passam mais de 150 blocos organizados. Em São Paulo, os festejos são idênticos aos do Carnaval carioca. As datas oficiais divergem para não haver concorrência. O Carnaval de Pernambuco é festejado com inúmeros bonecos gigantes, sendo o mais conhecido o Homem da Meia-Noite, que está nas ruas desde 1932. A maior atracção é o bloco "O Galo da Madrugada".

Máscara, pintura facial, Carnaval do Brasil, 2011 - CARAS
Escola de samba, Académicos do Grande Rio, Rio de Janeiro, Brasil - Foto de Mark Scott Johnson
Máscara de diabo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Santa Cruz - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche

Máscara de cervo, papel machê, Estado do Rio de Janeiro, Niterói - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Máscara de arara, papel machê, Brasil 
Máscara, pintura facial, Bloco de capoeira, Salvador da Bahia, Brasil - Foto Fábio Rodrigues

 Mascarados, pintura facial, Bloco de rua, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto, António Cruz
Homem da Meia-Noite, Carnaval de Olinda, Pernambuco, Brasil - Foto de António Cruz


O Carnaval de Veneza pode ser considerado o mais importante e famoso de toda a Europa. A sua origem remonta segundo se pensa, ao ano de 1162, quando a então designada Repubblica Della Serenissima, obteve uma importante vitória na guerra contra Ulrico. O Carnaval de Veneza nasceu das comemorações desta vitória. Esta festa continuou e foi enriquecida com música, cultura, vestuário rico e exótico. As belíssimas máscaras tornaram-se famosas e fizeram parte da "Commedia dell'Arte", que imortalizou personagens como o Arlequim, a Columbina, o Doutor ou o Pantalone. A "Bauta", de cor branca, é considerada a máscara tradicional de Veneza, a qual permite ao seu utente comer e beber sem a retirar. Em Veneza existem cerca de dois mil fabricantes de máscaras, verdadeiras obras de arte, feitas de couro, papel machê, alumínio ou seda. Nas ruas os trajes e as máscaras permanecem exuberantes e magníficos, o auge da festa é atingido no fogo de artifício de terça-feira à noite.

 Máscara Bauta, couro, Itália - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Mascarados, Veneza, Itália 
Máscara de pássaro, papel machê, artista Barbare, Veneza, Itália
Máscara, Pádua, Itália - Foto Rinina 25


O Carnaval de Basel, é o maior na Suiça e acontece entre Fevereiro e Março, em Basileia. Esta festa começa na segunda -feira depois das Cinzas e termina na quinta-feira, por isso é chamado "Carnaval protestante do mundo". Faz parte da lista das 50 festividades da Europa. Neste Carnaval existe uma divisão entre os participantes e os espectadores. Os participantes cobrem-se totalmente com traje e máscara, segundo um tema específico, de forma a permanecerem incógnitos. Os cortejos são acompanhados por a Gugge, banda de música. Durante o cortejo, existem tractores ou caminhões com reboques decorados. Os ocupantes, geralmente Waggis, distribuem flores, doces e outras delícias pela multidão.

Waggis, fantasia de carnaval, Basel, Suiça - Foto Flups
Gugge, banda de música, Carnaval de Basel, Suiça - Foto Flups
"Dummpeter", máscara tradicional, papel machê e plástico, atelier Charivari, Carnaval de Basel, Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, máscara tradicional com origens italianas, tela e cera, Carnaval da Suiça - Museu Internacional do Carnaval e Máscara de Binche
Bajazzomäitli, personagem tradicional no Carnaval da Suiça, tem origens italianas


Um dos festivais mais famosos nas Filipinas é o Festival MassKara em Bacolod City. Ele levantou-se da escuridão que envolveu a cidade em 1980, um periodo de tragédia e de deslocalização económica. Os artistas da cidade, o governo local e grupos cívicos, decidiram criar um festival de sorrisos, pois a cidade era conhecida por a "Cidade dos Sorrisos". Durante a semana do festival, a cidade enche-se de dançarinos mascarados, que dançam pelas ruas durante a competição streetdancing, de três dias, até à praça Bacolod.

Dança de Rua, máscara, Festival MassKara, Bacolod City, Filipinas
Máscara com chapéu, gesso, lantejoulas, pérolas e plumas, Festival MassKara em Bacolod City, Filipinas - Museu Internacional do Carnaval e da Máscara de Binche


O Carnaval de Oruro na Bolívia, é uma celebração com mais de 2000 anos. Através da conservação das tradições, dos cerimoniais, da criatividade, este ritual veio a construir um modelo reconhecido em "Obras-Primas do Património Oral e Património Imaterial da Humanidade (UNESCO), em 2001. A Diablada é a dança primitiva tradicional e principal dos festejos de Carnaval. Os 48 grupos que participam nos festejos, durante três dias e três noites, representam diferentes formas de dança indígena. O Carnaval de Oruro inicia-se em Novembro, com os rituais de adoração relacionados com os mortos "Todos-os-Santos", por um período que se estende até Fevereiro, com a peregrinação à Virgem.

O Diabo, máscara primitiva tradicional dos festejos de Oruro, Bolívia
Diabo, máscara, tecido, gesso e cola, Carnaval de Oruro, Bolívia


Na República Dominicana, os tradicionais festejos de Carnaval remontam a 1800, quando a ilha começou a assumir a sua própria identidade como nação. É uma das tradições mais coloridas e a  celebração mais alegre da República Dominicana. Envolve todas as pessoas que invadem as ruas para desfrutar, compartilhar e comemorar com alegria. Em Santiago dos Cavaleiros existem dois tipos básicos de máscara de diabo, Os Lechones, com origem em dois bairros diferentes, La Joya e Los Pepines.

Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti
Lechone, máscara, papel machê, Santiago, República Dominicana
Diabo, máscara, Santiago dos Cavaleiros, Républica Dominicana - Foto Gianfranco Lanzetti


O Carnaval de Binche é um evento popular, social e humano invulgar. As suas origens vão para além do século XIV. Este evento folclórico, depois de uma longa tradição oral, é um ritual que dá aos participantes a sensação de ser único. É sem dúvida o momento mais importante na vida da cidade de Binche. Cerca de 1000 Gilles, camponeses, Arlequim e Pierrot, proporcionam entretenimento durante o Carnaval. Foi reconhecido Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2003.

Máscara, Carnaval de Binche
Máscara de Gille, tela coberta de cera, Carnaval de Binche
Mascarados Gilles, Carnaval de Binche


Fontes:
http://caretosdepodence.no.sapo.pt/entrudo.html ; http://casadopovodelazarim.webnode.com.pt/
http://museudamascara.cm-braganca.pt/pages/1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carnaval_do_Brasil ;  http://www.museedumasque.be/
http://www.masksoftheworld.com/ ; http://www.infopedia.pt/$carnaval-de-veneza
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnival_of_Basel ; http://www.themasskarafestival.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Carnaval_de_Oruro ; http://fis.ucalgary.ca/AVal/321/Caribe.html
http://www.binche.be/detentes-loisirs/carnaval-binche