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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
domingo, 11 de outubro de 2015
Chafariz do Intendente / Chafariz do Desterro - século 19
As obras de construção do
chafariz no Largo do Intendente junto à Fábrica de Azulejos Viúva Lamego (fundada em 1849) iniciaram-se
no dia 1 de Março de 1823. Esta localização manteve-se até 1917, ano em foi
transferido para a esquina da Rua do Desterro com frente para a Rua da Palma, a
fim de facilitar o tráfego automóvel, em particular a passagem de eléctricos.
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| Chafariz do Largo do Intendente; gravura - ARQML |
Os primeiros esforços para a edificação do chafariz partiram do Intendente Geral da Polícia, Diogo Inácio de Pina Manique, ao dirigir uma carta ao Mordomo-mor da Corte e Reino, solicitando a construção de um chafariz para abastecimento de água aos moradores da freguesia dos Anjos, em 1799. Após a apresentação de diversas plantas e alçados referentes à construção, foi aprovado o projecto conjunto dos arquitectos Henrique Guilherme de Oliveira e Honorato José Correia de Macedo e Sá, realizado em 1819. As obras depois de concluídas orçaram em 8 862$668 réis.
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| Chafariz do Intendente; na foto ao lado direito, a Fábrica de Azulejos Viúva Lamego; data: 1915; negativo de gelatina e prata em vidro; dimensão: 9x12 cm; autor: José Artur Leitão Bácia - ARQML |
Edifício da Fábrica de Azulejos Viúva Lamego; Largo do Intendente. Foto "comjeitoearte", 2015.
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Também conhecido como Chafariz do
Desterro, foi classificado como Imóvel de Interesse Público - Decreto n.º 8/83,
DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983. Construído em calcário branco de lioz,
apresenta um volume paralelepipédico, servido por duas bicas que vertem água
para 2 tanques semicirculares, que ladeiam um tanque central rectangular. A almofada central superior apresenta a inscrição: AGOAS LIVRES/ANNO DE/1824. Com influências neoclássicas é rematado por pináculos pirâmidais e encimado por um frontão curvo, apoiando esfera armilar com brasão nacional e coroa encimada por cruz.
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| Chafariz do Intendente; Rua da Palma; data: 1950; autor: Eduardo Portugal (nesta data, a esfera armilar não está encimada por coroa) - ARQML |
A Coroa, foi retirada após a implantação da República em 1910. Só nos anos 90 é que volta ao seu lugar, reposta pela Câmara Municipal de Lisboa.
Este chafariz tinha duas Companhias de Aguadeiros, dois capatazes e sessenta e seis aguadeiros. A água era-lhe fornecida pelo
Aqueduto das Águas Livres através da Galeria do Campo de Santana. ![]() |
| Chafariz do Intendente; original de bilhete postal ilustrado; desenho à pena (tinta da china) sobre papel, (32 x 23cm); autor: Américo Taborda. Património Museológico das Comunicações (MatrizWeb) |
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| O Aguadeiro; figura de aguadeiro com chapéu e barril ao ombro; bilhete postal ilustrado (14 x 9cm); autor: F. A. Martins (1900) - BNP, Biblioteca Nacional de Portugal |
Fontes:
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/?id=1357
http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/chafariz-do-intendente-ou-do-desterro
http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71829/
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4055
domingo, 27 de julho de 2014
A Calçada Portuguesa é um dos simbolos da cidade de Lisboa
No mês de Fevereiro de 2014, a Assembleia Municipal de Lisboa, aprovou o Plano de Acessibilidade Pedonal, com o objectivo de facilitar a mobilidade dos peões na cidade. As 100 medidas que integram o plano serão implementadas até 2017.
Um dos pontos que tem gerado mais controvérsia, é a substituição da calçada portuguesa em algumas zonas da cidade de Lisboa.
Com a finalidade de preservar o pavimento, o blogue Cidadania LX, publicou uma petição “Pela Manutenção da Calçada Portuguesa na Cidade de Lisboa!”.
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Calçada portuguesa na Rua Barata Salgueiro. Negativo de gelatina e prata e nitrato e celulose.Fotógrafo: António Passaporte (1901-1983) - AML
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A calçada portuguesa é conhecida como um dos símbolos da cidade de Lisboa. Tal como o nome indica, é originária de Portugal.
O início do calcetamento das ruas de Lisboa, mais precisamente a Rua Nova dos
Mercadores, ficou marcado pela cartas régias assinadas pelo rei D.
Manuel I, em 20 de Agosto de 1498 e em 8 de Maio de 1500.
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| Calçada portuguesa em ziguezague. Castelo de São Jorge, (tropa em formatura) século XX. Negativo de gelatina e prata sobre vidro. Fotógrafo: Paulo Guedes (1886-1947) - AML |
A calçada como hoje a conhecemos, com troços de pedra calcária traçando desenhos, nasceu em Lisboa, no ano de 1842. O trabalho foi executado por reclusos, sob a orientação do Governador Militar do Castelo de São Jorge, o tenente-general Eusébio Pinheiro Furtado.
O pavimento então realizado, com desenhos em forma de ziguezague, era bastante original para a época. O sucesso deste facto, levou a que o militar fosse encarregado de pavimentar outras áreas da Baixa Pombalina.
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| Calceteiros britando a pedra na Avenida da Liberdade (1907). Negativo de gelatina e prata em vidro. Fotógrafo: Joshua Benoliel (1873-1932) Ilustração Portuguesa, 22 de Abril de 1907, pág. 501- AML |
No início do século XX, o magazine semanal "Ilustração Portuguesa" (22 de Abril de 1907, pág. 500), elogiava o trabalho dos calceteiros, desta forma:
(…)Elle representa para nós mais que a obra material de um artífice vulgar, - a arte de dispor as ruas e os passeios da cidade de modo a não prejudicar os pequeninos pés das lisboetas que os pisam.
Dize-me por onde andas dir-te-hei os pés que tens. Há pezinhos minúsculos que parece terem sido feitos para só poisarem em flôres. Não o disse João de Deus?
Ah! não ser eu o mármore que pisas…Calçava-te de beijos!
(…) Os nossos pés estão assim á mercê de suas excellencias; e parece que suas excellencias têm tão extremo cuidado no seu trabalho que de longes terras os veem procurar a Lisboa, como ainda não há muito aconteceu com o empreiteiro geral das novas avenidas do Rio de Janeiro, que levou d'aqui um bando dos mais afamados calceteiros. A mulher de Lisboa calça, de ordinário, muito bem; e não há em todo o paiz, terra que fabrique melhor calçado feminino.(…) Como seriam curiosas, para o estudo do pé alfacinha, as memórias de um calceteiro amável! (...)
Ilustração Portuguesa (1907:500)
Os calceteiros aprendem as técnicas de partir a pedra e calcetar. Com o auxílio do martelo, fazem pequenos acertos na forma da pedra, e, com o ajuda de moldes em madeira, preenchem os espaços com as pedras de diferentes cores, formando os motivos no pavimento.
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| Moldes auxiliares na demarcação de desenhos e letras - Associação de Exploradores de Calçada à Portuguesa, AECP |
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| Molde em madeira, caravela (1980) - Arquivo do ComJeitoeArte |
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| Calçada portuguesa, a caravela. Armas da cidade de Lisboa. Praça Marquês de Pombal. Negativo de gelatina e prata e nitrato e celulose. Fotógrafo: António Passaporte (1901-1983) - AML |
| Pedra calcária, partida em forma de hexágono, usada na calçada sextavada (1980) - Arquivo do ComJeitoeArte |
Pedra calcária usada na calçada sextavada (1980) - Arquivo do ComJeitoeArte
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Molde em madeira (1980) - Arquivo do ComJeitoeArte
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| Pavimentação de um passeio na Avenida da Liberdade (1959). Calçada portuguesa. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotógrafo: Benoliel, Judah (1890-1968) - AML |
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| Desenho do empedrado da Praça Marquês e Pombal (1960). Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotógrafo: Armando Serôdio (1907-1978) - AML |
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| Desenho do empedrado da Praça Marquês e Pombal (1960). Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotógrafo: Armando Serôdio (1907-1978) - AML |
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| Desenho do empedrado da Praça Marquês e Pombal (1960). Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotógrafo: Armando Serôdio (1907-1978) - AML |
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| Desenho do empedrado da Praça Marquês e Pombal (1960). Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. Fotógrafo: Armando Serôdio (1907-1978) - AML |
Em Cristalizações, poema de José Joaquim Cesário Verde (1855-1886), o trabalho dos calceteiros também é referido:
Cristalizações
Faz Frio. Mas, depois de uns dias de aguaceiros,
Vibra uma imensa claridade crua.
De cócoras, em linha os calceteiros,
Com lentidão, terrosos e grosseiros,
Calçam de lado a lado a longa rua
(…)
Bom tempo. E os rapagões, morosos, duros, baços,
Cuja coluna nunca se endireita,
Partem penedos; cruzam-se estilhaços,
Pesam enormemente os grossos maços,
Com que outros batem a calçada feita.
(…) Verde (1968: 84-88)
Verde,José Joaquim Cesário Verde, 1968. Obra Completa, 4ª edição. Universidade de Brasília.
Dominio publico.
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| Grupo de calceteiros na Praça Dom João da Câmara (1907). Negativo de gelatina e prata em vidro. Fotógrafo: Joshua Benoliel (1873-1932) Ilustração Portuguesa, 22 de Abril de 1907, pág. 501- AML |
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| Praça dos Restauradores (2005). Autor: Tiseb (Calçada portuguesa com desenho de padrão da autoria de João Abel Manta). Wikimedia Commons |
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| Calçada à portuguesa, com desenho de padrão da autoria do pintor João Abel Manta, na Praça dos Restauradores. (2009) Foto: Gabriele Luvara - Wikimedia Commons |
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cal%C3%A7ada_portuguesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cal%C3%A7ada_portuguesa
http://www.aecp.org.pt/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Azinhal_Abelho
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3694236
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jardim_Pra%C3%A7a_do_Imp%C3%A9rio_012_(7258597808).jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Azinhal_Abelho
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=3694236
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Jardim_Pra%C3%A7a_do_Imp%C3%A9rio_012_(7258597808).jpg
http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3AViews_From_The_Sea_Discoveries_Monument_-_Wind_Rose_World_Map_(7537904330).jpg
http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ARestauradores-CCBYSA.jpg
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Passeio_da_Pra%C3%A7a_dos_Restauradores.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Ribeiro_Chiado
http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ARestauradores-CCBYSA.jpg
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Passeio_da_Pra%C3%A7a_dos_Restauradores.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Ribeiro_Chiado
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