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sábado, 1 de março de 2025

Rua das Flores | Azulejos em Lisboa


Prédio na Rua das Flores, n´70, Lisboa (foto"comjeitoearte").

O edifício da Rua das Flores nº70, pertence à freguesia da Misericórdia. 

A fachada está revestida por padrão estampilhado em azul e branco. O desenho faz lembrar ponta de diamante, com flor no centro. A cercadura apresenta fita com motivo vegetalista. O imóvel será possivelmente do século XIX.












Edifício nº 70, à esquerda. Google

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Ferro forjado artístico - Varandas

 

Revista Panorama nº 10, Agosto de 1942. Pintura de Francis Smith. - Hemeroteca Digital de Lisboa


Após o terramoto de 1755, a reconstrução da cidade de Lisboa foi realizada de acordo com uma planta geral e diversos planos. Marquês de Pombal tomou a seu cargo a orientação de todo o processo. Abriu concurso para a construção de grades de sacada e guardas em ferro. Os edifícios possuíam estrutura antissísmica e saneamento próprio. As ruas foram desenhadas com a largura de 20 metros, uma dimensão nunca vista. 

 

Rua do Almada nº 1. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


Rua do Ataíde nº 11 e 17. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


O ferro é desde tempos remotos um elemento de segurança, beleza e valorização nas construções. As grades e portões em ferro forjado, substituíram com criatividade as sacadas de cimento armado e as portas de madeira degradadas. A arte de trabalhar o ferro contribuiu para a ornamentação e embelezamento dos edifícios no conjunto urbano.

Rua do Alecrim, nº 105. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


Rua dos Bacalhoeiros nº 22. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


Rua da Barroca. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


Rua da Bica de Duarte Belo nº2. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa


No  século XX, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) encomendou uma série de desenhos a José Jorge Afonso Nogueira (1867- 1948) e Bernardino Coelho. Cada traçado corresponde a um tipo de gradeamento e tem a indicação do edifício a que se destina. Podemos observar motivos florais, representação figurativa, registos heráldicos, composições geométricas, assimétricas, simétricas, simples e entrelaçados.  


Calçada de Sant'Ana nº 198. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa

Campo dos Mártires da Pátria, nº 130. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa

Largo do Caldas, nº 5. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa

Rua dos Douradores nº 113. Desenho para gradeamento. Tinta-da-china sobre papel. Autores: José Jorge Afonso Nogueira e Bernardino Coelho. Data: 1945. - Museu de Lisboa

Nas imagens acima podemos observar desenhos de gradeamentos para edifícios na cidade de Lisboa: Rua do Almada, nº 1; Rua do Ataíde, nº 11 e 17; Rua do Alecrim, nº 105; Rua dos Bacalhoeiros, nº 22; Rua da Barroca; Rua da Bica de Duarte Belo, nº2; Calçada de Sant'Ana, nº 198; Campo dos Mártires da Pátria, nº 130; Largo do Caldas, nº 5; Rua dos Douradores, nº 113.   



Rua do Almada, nº 1. Google

Rua do Almada, nº 1. Google



Rua do Ataíde nº 11. Google



Rua da Bica de Duarte Belo, nº 2. Google



Campo Mártires da Pátria, 130  - Google


(Continua)


Fontes:

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Panorama/N10/N10_item1/P44.html

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Panorama/N35/N35_item1/P77.html

http://acervo.museudelisboa.pt/ficha.aspx?id=2749&ns=216000&Lang=po&museu=2&c=explorar&IPR=8092

http://acervo.museudelisboa.pt/ficha.aspx?id=2745&ns=216000&Lang=po&museu=2&c=explorar&IPR=8092

http://acervo.museudelisboa.pt/ficha.aspx?id=11622&ns=216000&Lang=PO&museu=2&c=explorar&IPR=8092

http://acervo.museudelisboa.pt/ficha.aspx?id=2762&ns=216000&Lang=PO&museu=2&c=explorar&IPR=8092

http://acervo.museudelisboa.pt/resultado.aspx?ns=216000&refazPesquisa=sim&museu=2&c=explorar&idFiltro=1&Lang=po&id=2731&idT=2160002731&IPR=8092&order=2501&by=asc&pageIndex=1#div_objecto_selecionado


domingo, 15 de setembro de 2019

O Passeio Público em Lisboa

Passeio Público, em Lisboa. Litografia de Anunciação. - Revista Panorama,  nº 13, Fevereiro de 1943. Arquivo do ''comjeitoearte".


Após o Terramoto de 1755, Marquês de Pombal, ao lançar as bases para uma Lisboa moderna, ponderou que a cidade precisava de um jardim, onde os elegantes do séc. XVIII pudessem dar um agradável passeio, rodeados por alamedas de buxo, estátuas, arvoredo e o perfume agradável das flores.

O local escolhido por Pombal foi o sítio das Hortas de Cêra, situado um pouco adiante do Rossio. Em  1764, o ministro encarregou o arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos de projectar um jardim.

Planta parcial da cidade de Lisboa em que se vê o sítio do Passeio Público (na imagem, à direita), assinada por Marquês de Pombal, 1774. Arquivo Municipal de Câmara de Lisboa, AML

Lisboa passou assim, a ter um Passeio Público. Cercado por muros altos, com cancela verde, árvores alinhadas, com freixos transplantados das propriedades Ratton, na Barroca de Alva, assemelhava-se a uma quinta nobre.

As elegantes do tempo da rainha D. Maria I, passeavam por este jardim, símbolo da civilização burguesa de oitocentos. Mas, não seria este o Passeio Público definitivo.

A partir de 1836, o Passeio de Lisboa foi remodelado. O novo projecto ficou a cargo do arquitecto Malaquias Ferreira Leal. Os muros deram lugar a um gradeamento de ferro. A cancela, foi substituída por duas portas de ferro. À entrada do Passeio foi construído um lago e uma cascata, com estátuas.

Novo projecto para a frente principal do acrescentamento do Passeio Público. Leal, Malaquias Ferreira, arquitecto. Data: c. 1800 - AML
Passeio Público, maquete da autoria de Reis de Sousa. Foto: Estúdio Mário Novais. Data:1943. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. - AML
Passeio Público, cascata. Planta e alçado. Foto: Estúdio Mário Novais. Data:1943. Negativo de gelatina e prata em acetato de celulose. - AML
Passeio Público do Rossio: pavilhão, lago e terraço da entrada norte. Foto: Bárcia, José Artur Leitão. Data: 1900-1945.



O Passeio organizado de forma a suprimir árvores e a incluir mais estátuas e jogos de água, tornou-se mais extenso e menos conventual. 

Em 1847, o jardim foi modificado, de acordo com o gosto da época: o lago com o repuxo e as estátuas foi retirado. As árvores e os buxos desenvolveram-se. No Passeio começaram a dar-se grandes  festas, que ficaram célebres.

Desenho com que se deverão fazer as portas e canapés de ferro que devem guarnecer a facia curva de cada uma das quadraturas do Passeio Público de Lisboa. Leal, Malaquias Ferreira, arquitecto. Data: 1845 - AML
Desenho de Bonnard para um novo projecto do Passeio Público. Bonnard, Jean. 18--?-, jardineiro. Data:1848. - AML

Atlas da carta topográfica de Lisboa: n.º 35 ( vê-se o Passeio Público à direita, na imagem)Folque, Filipe. 1800-1874, engenheiro. Data: Novembro de 1857. -. AML

D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, tornou o Passeio Público num espaço mundano. 

As grandes festas tiveram lugar no decorrer da década de 50, até meados de 70. As iluminações a gás (depois de 1751), os fogos de artifício deslumbrantes, as bandas de música, os concertos e as festas infantis, entusiasmavam a população.

D. Fernando II, no Passeio Público. Óleo sobre tela. Autor: Leonel Marques Pereira. Data: 1856. Palácio Nacional da Pena - MatrizNet
Iluminação do Passeio Público, em 1851. Litografia A. S. Castro. - BNP

Passeio Publico. Cartaz: monsieur Bargossi chamado o homem locomotiva.... Impresso em 1882. Lisboa, Lallemant Frères Typ. Dimensões: 59x21 cm. - BNP

Aberto quase exclusivamente à aristocracia e alta burguesia, até meados dos anos 50, passou por uma relativa democratização. O tipo de divertimentos colocados à disposição dos frequentadores, tornaram-no num espaço de lazer e de convívio. A descida dos preços também foi significativa: a entrada, que era de 240 réis, na década de 50, passou a custar 100 réis, na década de 70. 

Projecto da cascata que existia no extremo norte do Passeio Público do Rossio. Contém programa das condições para a venda da cascata do antigo Passeio Público do Rossio.Assinado por  Frederico Ressano Garcia, engenheiro. Data:1884-04-30 - 1884-05-26. - AML

 

Passeio Publico do Rocio. Lisboa, entre 1850 e 1869? SERRANO, F. A. Litografia da Rua Nova dos Mártires. - BNP 

Rua do Príncipe, actual rua 1º de Dezembro. Vê-se um dos portões do Passeio Público. Data: 1882.- AML



O Passeio Público, porém, tinha os dias contados. O sonho de uma grande Avenida que atravessa-se a cidade foi ganhando forma, e, em 1879, foi dada ordem de demolição. O Passeio Público, deu lugar à sua sucessora, a Avenida da Liberdade. 


O Passeio PúblicoAguarela de George Vivian (1798-1873). Scenery of Portugal & Spain. Litografias aguareladas de  G.Vivian. Publicado em 1839, London ; 14, Pall Mall, East : P. and D. Colnaghi and Co. - Biblioteca Nacional de Portugal, BNP



PANORAMA TIRADO DE VALE DE PEREIRO PARA A AVENIDA DA LIBERDADE. Autor: Rocchini, Francisco, 1822-1895. Fotografia datada de 1881.- BNP





Fontes:

http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
http://www.bnportugal.gov.pt/
Revista Panorama,  nº 13, Fevereiro de 1943. 
Dantas, Júlio. Lisboa dos nossos avós. 1931. Publicações Culturais da Câmara Municipal de Lisboa.
Matoso, José. História de Portugal. volume 5. Editorial Estampa.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Largo do Correio Mor - Chafariz I Palácio I Arte Urbana

Chafariz das Mouras no Largo do Correio-Mor. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

No Largo do Correio Mor, actualmente Rua de São Mamede, encontramos obras dos séculos XVIII, XIX e XXI, nomeadamente, palácio senhorial, chafariz e arte urbana. 


Chafariz

O Chafariz das Mouras, no Lumiar, foi alimentado por uma nascente situada na zona do Vale das Mouras. A obra, com projecto da autoria do arquitecto José Therésio Michelotti, foi iniciada em 1813 e concluída em 1816, ano em que a água começou a correr nas suas bicas. 
Em meados século XX, a escassez do caudal levou à interrupção do abastecimento de água e à desactivação do chafariz. Após a demolição foi reaproveitado o seu pano de fachada e tanque contracurvado, para o Largo do Correio Mor, actual Rua de São Mamede, onde ainda se encontra. 


Chafariz das Mouras no Largo do Correio Mor. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

Chafariz das Mouras no Largo do Correio Mor. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

Este chafariz composto por espaldar simples rectilíneo, com duas pilastras rematadas em friso e cornija, possui um elemento almofadado, em cantaria, onde sobressai o escudo real e um painel com uma inscrição onde se lê " UTILIDADE DO PÚBLICO/ANNO DE 1815". Na base, três bicas circulares, com torneiras, que vertem para um tanque de planta contracurvada, com bordo boleado.

Chafariz das Mouras, no Lumiar. (1939); fotografia, 10 x 15 cm. Fotógrafo: Eduardo Portugal (1900-1958) - AML

Arte Urbana

O mural na Travessa da Mata (rua perpendicular ao Largo do Correio Mor), foi criado por Nuno Saraiva. A sequência é inspirada nos cavalos animados do fotógrafo Etienne-Jules Marey (1830-1904). Uma recriação do reboliço que se vivia nos meados do século XIX, quando os cavaleiros da Mala-Posta Real partiam do Palácio do Correio Velho. 

Mural na Travessa da Mata. Foto "comjeitoearte" (mês de Março de 2016).

 Detalhe do Mural na Travessa da Mata. Foto "comjeitoearte" (mês de Março de 2016).

Arquitectura Pombalina


Palácio dos Condes de Penafiel / Palácio do Correio Mor, na Rua de São Mamede. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).
Palácio Conde de Penafiel / Palácio do Correio-Mor. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

Construído sobre o edifício do Correio-Mor, o Palácio Conde de Penafiel, situado na Rua de São Mamede, em frente ao Largo do Correio Mor, foi concluído em 1776, após a remodelação pombalina. 

Em 1859, falece no palácio o 8º e último Correio Mor do Reino, Manuel José da Maternidade da Mata de Sousa Coutinho, 1º conde de Penafiel. O palácio passa para a posse da sua única filha. É adquirido pelo Estado, em 1919, após sucessivos arrendamentos.

No exterior do palácio existe um pequeno jardim e um pátio, onde é visível o conjunto de painéis de azulejos monocromáticos historiados.
Entre os portões, sobre o muro gradeado, dois anjos apoiados nos pilares, sustentam a pedra de armas dos condes de Penafiel, encimada por coroa.

No acesso ao palácio pela Calçada do Correio Velho, o edifício integra uma porta encimada por a inscrição "CORREYO GERAL DO REINO MDCCLXXVI" (1776).



Porta do Correio Geral do Reino, no Palácio Conde de Penafiel / Palácio do Correio-Mor; acesso pela Calçada do Correio Velho. Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

Detalhe da porta do Correio Geral do Reino, no Palácio Conde de Penafiel / Palácio do Correio-Mor; acesso pela Calçada do Correio Velho. " CORREYO GERAL DO REINO MDCCLXXVI" (1776). Foto "comjeitoearte" (mês de Agosto de 2015).

Planta nº 43; levantamento topográfico de Francisco e César Gullard (1879-01); suporte em papel, 970 x 670cm (assinalei digitalmente no mapa com a cor verde, o Largo do Correio Mor, a Travessa da Mata, a Calçada do Correio Velho e o Palácio) - AML


Fontes:
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=25673
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne-Jules_Marey
http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/chafariz-do-caldasantigo-chafariz-das-mouras-ao-lumiar

http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4003