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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Cozinhas e utensílios

 

1. Preparativos para o Natal (depenando perus). Pintura: óleo sobre tela. Data: 1851. Dimensões: 58,4 x 83,8 cm. Autor: Francis William Edmonds.  - MET- The Metropolitan Museum of Art

No Natal, a cozinha é por excelência o centro da lida da casa, e é aí que se fazem os preparativos para a refeição mais importante do ano. As receitas de família, vão compondo as travessas de peru, bacalhau, polvo, sonhos, rabanadas, filhós e aletria, entre outras iguarias próprias da época natalícia, confeccionadas de acordo com as  tradições de cada região.


2. Coleção de Fotografia, Biblioteca Pública de Nova York. (1860 - 1920). Coronel Wm. Residência de R. Lee, Marblehead, Massachusetts, detalhe da lareira da cozinha, por volta de 1750 (no lado esquerdo da foto, atrás da cadeira, vemos um fole). - Biblioteca Pública da Nova Iorque,  NYPL


3. Interior de uma casa de campo, North Wales. Aguarela. Data: 1838. Autor : Redgrave, Richard CB, RA, ARA - Victoria and Albert Museum


As cozinhas nem sempre foram equipadas com fogão. Para a preparação dos alimentos o fogo era essencial. 
Os cozinheiros sabiam como preparar os alimentos directamente sobre o fogo ou utilizando simples panelas e outros utensílios que colocavam sobre a lenha.

As lareiras eram comuns nas habitações das classes menos abastadas e nas casas senhoriais. Destinavam-se à confecção dos alimentos e ao aquecimento da divisão principal.

Nas classes menos abastadas a lenha provinha da região florestal circundante, enquanto que as grandes casas tinham que providenciar uma enorme quantidade de lenha para as refeições de dezenas de pessoas.

 
4. Lareira, escrivaninha e cadeira de assento de junco (estudo para pintura). Aguarela. Autor: Joseph Clark. Lugar de origem: Grã-Bretanha. Data: final do século XIX, primeiro quartel do século XX. Dimensões: 17,9x26 cm. Pendurado na chaminé, do lado esquerdo vemos um fole. - Victoria and Albert Museum



5. Fole. Materiais e técnicas: Marchetaria de palha sobre pinho com ferragens em latão fundido. Decoração: Cenas Chinoiserie. Medidas: 51 x 16 x 9 cm. Data: c.1770. Local de origem : França. - Victoria and Albert Museum

O calor fornecido por lareiras ou braseiros era o único meio de aquecimento dos cómodos de uma casa. Manter o fogo activo durante o dia todo, era uma tarefa árdua que requeria conhecimento e habilidade, facilitada por ferramentas especializadas. Os foles quando manuseados adicionavam oxigénio ao fogo e ajudavam-no a queimar com mais intensidade.  


6. Interior de uma cozinha (ilustração para "The tale of Pigling Bland). Aguarela sobre lápis. Data: 1910. Autor : Beatrix Potter - Victoria and Albert Museum

7. Panela de aquecimento. Material: Latão (perfurado e gravado), ferro. Dimensões: Altura: 123cm. Diâmetro: 36 cm. Local de fabrico: Inglaterra.  - Victoria and Albert Museum


Na imagem 6 podemos ver uma panela de aquecimento pendurada na parede do fundo.
Como já referi, as casas eram aquecidas de forma inadequada. Os lençóis húmidos e as camas frias constituíam uma situação muito desagradável. A panela de aquecimento destinava-se a superar esse incómodo. A panela cheia com brasas, era movimentada sobre a cama antes das pessoas se deitarem.
 
Os servos tinham um cuidado extremo para não queimarem os lençóis de linho.
Quando não era utilizada, a panela de aquecimento permanecia pendurada num gancho na parede. 
As panelas de aquecimento apareceram no século XIV em França e faziam parte dos objectos domésticos comuns no século XVII.


8. A Copeira (cena de interior com lavagem de pratos). Óleo sobre tela. Autor: Giuseppe Maria Crespi. Data: 1725. Dimensões: 52 x 43 cm. Galeria Uffizi, Florença - Web Gallery of Art 


9. La Récureuse (A esfregadora - cena de interior com jovem criada polindo as pratas.). Óleo sobre tela. Autor: André Bouys. Data: 1737. - Museu de Artes Decorativas de Paris - Web Gallery of Art.


As habitações mais simples são organizadas numa única divisão, ou podem ter dois pisos: um rés-do-chão, onde se desenvolvem todas as actividades quotidianas como, cozinhar, trabalhar, receber, e um piso superior utilizado como quarto de dormir.

10. Mulher fazendo Panquecas. Pintura a óleo. Autor: Willem Van Mieris. Data: 1710-1719. Dmensões:49,8 x 40,3 cm. - Victoria and Albert Museum

11. A Fonte de Cobre. Óleo sobre madeira. Autor: Jean Baptiste Siméon Chardin. Data: 1733-1734. Dimensão: 28,5 cm x 23 cm. - Museu do Louvre


A residência das classes abastadas é organizada em edifícios com vários andares: no rés-do-chão, situam-se as zonas de serviço; no primeiro andar, habita o proprietário e a família; o último andar destina-se ao alojamento do pessoal e depósito de objectos.
Com a evolução da organização do interior das habitações, a cozinha começa a ficar separada dos cómodos principais.


12. A cozinha em Elmswell Hall, York. Aguarela. Autora: Mary Ellen Best. Data: 1834. Dimensões: 45 x 55 cm. - Victoria and Albert Museum


13. Cozinha Antiga - Castelo de Windsor. Estampa. Autor: William Henry. Data: 1819.A Divisão de Arte, Impressões e Fotografias de Miriam e Ira D. Wallach: Coleção de Arte e Arquitetura, Biblioteca Pública de Nova York. (1819). Cozinha Antiga - Castelo de Windsor. Obtido em https://digitalcollections.nypl.org/items/510d47de-1bbf-a3d9-e040-e00a18064a99. - Biblioteca Pública da Nova Iorque,  NYPL



14.Almofariz e Pilão. Liga de cobre fundida. Século XVI. Durante o século 16, almofarizes e pilões eram usados ​​diariamente no preparo de alimentos. Ervas e especiarias, pães de açúcar, grãos e outros ingredientes eram praticamente todos fornecidos inteiros (até ao séc. XVIII) e moídos em casa. Estes utensílios eram comuns nas casas abastadas. - Victoria and Albert Museum


Com os importantes avanços tecnológicos, a partir do século XIX as cozinhas sofreram uma grande transformação. A energia a vapor e hidráulica,  os recursos naturais como o carvão e o uso de ferro fundido, entre outros, permitiram a criação de utensílios e ferramentas que facilitaram as tarefas diárias das cozinheiras. O gás e a água encanados contribuiu para a higiene e o impulsionamento dos ambientes residenciais. 


14. Moinho de café. Técnica: madeira torneada e esculpida. Data: 1770-1800. Materiais: jacarandá e ferro. Origem: Inglaterra - Victoria and Albert Museum



15. Desenho de um fogão de cozinha com manto e guarda-lamas. Aguarela e caneta. Autor: Ernest Griset. Data: Final do século XIX. - Victoria and Albert Museum.


16. Cozinha. Ilustração. Data: 1913. Local: Nova York. Editora: A Companhia. Divisão de Pesquisa Geral, Biblioteca Pública de Nova York. (1913). Prato W - Cozinha Obtido em https://digitalcollections.nypl.org/items/510d47db-bccd-a3d9-e040-e00a18064a99 - Biblioteca Pública da Nova Iorque,  NYPL


17. Chaleira com queimador. Técnica: madeira ebanizada  e galvanoplastia. Data: 1880-1890. Materiais: prata e madeira. Origem: Inglaterra . Autor: Christopher Dresser - Victoria and Albert Museum



18. Cozinha Frankfurt. Data: 1926-1927. A cozinha é composta por 89 partes. Faz parte de uma cozinha produzida em massa para um complexo habitacional em Frankfurt. Autora: Margarete (Grete) Schütte-Lihotzky. Material: madeira, vidro, metal, tinta e esmalte. Victoria and Albert Museum.



19. Chaleira eléctrica. Eletrodoméstico. Data: 1908-1980. Materiais: latão, níquel, ferro e vime. Objecto baseado num projecto de Peter Behrens para a AEG, Alemanha. Origem: Europa Ocidental. - Victoria and Albert Museum



20. Cozinha. Publicidade ano de 1942. Revista Panorama nº 10, Agosto de 1942. - Hemeroteca Digital. CML

Fontes:

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/20888?ft=warming&offset=80&rpp=40&pos=82

https://collections.vam.ac.uk/item/O1178808/interior-of-a-cottage-north-watercolour-redgrave-richard-cb/

https://digitalcollections.nypl.org/items/510d47d9-b530-a3d9-e040-e00a18064a99

https://collections.vam.ac.uk/item/O101017/study-of-a-fireplace-a-watercolour-clark-joseph/

https://collections.vam.ac.uk/item/O130673/bellows-unknown/

https://collections.vam.ac.uk/item/O1271115/drawing-beatrix-potter/

https://collections.vam.ac.uk/item/O77414/warming-pan-unknown/

https://www.wga.hu/html/c/crespi/giuseppe/scullery.html

https://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bouys/scrubbin.html

https://collections.vam.ac.uk/item/O131979/the-pancake-woman-oil-painting-mieris-willem-van/

https://collections.louvre.fr/en/ark:/53355/cl010059553

https://collections.vam.ac.uk/item/O17343/the-kitchen-at-elmswell-hall-watercolour-best-mary-ellen/

https://digitalcollections.nypl.org/items/510d47de-1bbf-a3d9-e040-e00a18064a99

https://collections.vam.ac.uk/item/O607913/drawing-ernest-griset/

https://digitalcollections.nypl.org/items/510d47db-bccd-a3d9-e040-e00a18064a99

https://collections.vam.ac.uk/item/O301715/coffee-mill-unknown/

https://collections.vam.ac.uk/item/O127126/mortar-and-pestle/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Industrial

https://collections.vam.ac.uk/item/O67455/tea-kettle-dresser-christopher/

https://blogdaarquitetura.com/como-eram-as-cozinhas-no-passado/

https://collections.vam.ac.uk/item/O324928/electric-kettle-electric-kettle-unknown/

https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/index.htm

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Interiores do século XVII na pintura


Os Cinco Sentidos. Gosto. Óleo sobre tela. Dimensões: 104 X 137cm. Data: Século XVII. Autor: Bosse, Abraham (depois). - Musée des Beaux Arts Tours. Interior elegante com cortinado e cadeiras típicas do século XVII. 


No século XVII, as habitações tornam-se mais confortáveis e acolhedoras, com destaque para as casas da burguesia. A decoração de interiores desempenha um papel importante, inaugurando a época do luxo e da opulência. Os tectos e os lambrins aparecem pintados. A produção de têxteis desenvolve-se. Assiste-se ao crescimento da ourivesaria com grande número de modelos.

Poltrona. Início do século XVII. Material: Madeira de carvalho; tapeçaria (trabalho turco). Lugar de origem: Inglaterra. - Victoria and Albert Museum. Cadeiras deste tipo eram feitas em grande número no século XVII. 


Em França, o estilo Luís XIII impõe-se. O mobiliário desta época apresenta uma enorme diversidade ornamental naturalista como: folhas de acanto, flores, maçãs... São comuns os elementos geométricos, as carrancas, as cabeças de leões... A madeira de carvalho é substituída por madeiras como: nogueira ou ébano. Com o surgimento da marcenaria, aparecem técnicas como a marchetaria e a aplicação de bronze no mobiliário. A técnica de trabalho de torno é utilizada para dar forma a elementos como pernas e travessas, nas cadeiras e mesas.
 

Senhora a arranjar o cabelo. Óleo sobre tela. Pintor holandês desconhecido. Século XVII (1650-1670).- The Minneapolis Institute of Art.
Quarto de dormir com cama resguardada por pesados cortinados. 


Os móveis estofados são característicos neste período. Os assentos e espaldares surgem com revestimentos ricos: tapeçarias, damascos, veludos, frequentemente bordados com motivos florais coloridos. Outros móveis de assento de dimensões mais reduzidas são os bancos, com travessa em H ligando as pernas, ricamente trabalhadas. 



Visita a um Recém-Nascido.  Óleo sobre tela. Data: 1661. Dimensões:77,5 x 81,3 cm. Autor: Gabriël Metsu (pintor holandês).The Metropolitan Museum of Art.
Quarto sumptuosamente decorado, onde os pais de um bebé recebem visitas.
 - 


Quarto da Rainha Ana de Áustria (1601 - 1666), esposa do Rei Luís XIII (1601 - 1643), no Castelo de Fontainebleau, em França. Meados do século XVII. - Wikipédia


As camas senhoriais apresentam uma armação de madeira, que termina num enorme baldaquino com colunas esculpidas, cujos cantos são decorados com maçanetas. Cortinas e rodapés, preenchem os espaços entre as colunas das camas, transformando-as num conjunto majestoso, devido à quantidade e beleza dos tecidos e tapeçarias bordadas, que as cobrem. 
O estilo Luís XIII, corresponde ao período de transição entre o Renascimento e o Barroco. 



Visita. Óleo sobre madeira de carvalho. Data: 1630-1635. Dimensões: 85,7 X 117,6 cm. Autor: atribuído a Gonzales Coques - Museu de Arte e História de Genebra.
Quarto de dormir (cama à esquerda, na imagem) que é também sala de dia, com uma mesa colocada junto da janela. Ao fundo uma cadeira típica do século XVII.


Um dos móveis mais representativos do século XVII, apesar do aspecto ser o mais pesado no seu estilo, é o contador. Apresenta incrustações de marchetaria, trabalho de tornearia e entalhamento. Esta peça ricamente trabalhada, é formada por um armário superior organizado com inúmeras compartimentos ou gavetas de diferentes tamanhos. O armário assenta sobre uma mesa, com várias pernas, ricamente trabalhadas e unidas por travessas.


Gabinete (originalmente exibido numa mesa), com suporte (posterior ao fabrico). Apresenta cenas pintadas ilustrando a história do Filho Pródigo. Materiais: Carvalho, ébano; marfim; tartaruga; pintura. Data: 1640-1660. Local de origem: Antuérpia.  - Victoria and Albert Museum.




Contador indo-português (Goa?). Material: madeira de teca, ébano, sissó e outras madeiras; marfim; liga metálica. Data: século XVII. Dimensões: 145 x 98 x 54,5 cm. - museu Nacional de Arte Antiga. MatrizNet
Contador formado por dois corpos: uma caixa com doze gavetas (na realidade são dez), assenta numa base com duas gavetas e dois gavetões, sustentada por pernas maciças com forma de "nagini".



A Era dos Descobrimentos decorre entre o século XV e o início do século XVII. Os portugueses comerciaram em África, Canárias, Guiné, Japão, Timor... Depois de consolidada a rota comercial entre Lisboa e a Índia, entrou com as caravelas de torna-viagem, um grande número de objectos e mobiliário provenientes de Goa. Do estreito contacto com a Índia, nasceu o estilo indo-português, resultante da confluência do estilo da época, com o gosto indiano. A arte e o mobiliário indiano, entre eles contadores, foram exportados de Portugal para as praças europeias.



A Rendilheira. Óleo sobre tela. Data:1656. Dimensões: 45,1 X 52,7. Autor: Nicolaes Maes. - The Metropolitan Museum of Art.
Interior doméstico, com jovem mãe interessada na confecção de uma renda, enquanto o seu filho descansa numa cadeira de bebé.

Armário. Material: madeira de carvalho e ébano. Data: 1620-1650. Dimensões: 187,5 x 126 x 56 cm. Local de origem: Holanda. Armário de dois andares, com painéis esculpidos e ornamentos incrustados de ébano. - Victoria and Albert Museum.
Esta peça de mobiliário, de forma tipicamente holandesa, era destinada a guardar as roupas. Móveis como este, muito comuns no século XVII, também serviam para impressionar os visitantes,



Artistas e artesãos italianos foram chamados por Carlos VIII e Francisco I, para a construção do castelo de Fontainbleau (1540 - 1550), e levaram para França o espírito do Renascimento italiano. Com o início do século XVII, a influência da Renascença italiana tende a  desaparecer, no entanto, permanecem algumas peças de mobiliário já existentes como o cassone.


Interior de Cozinha. Óleo sobre Tela. Data: 1664. Dimensões: 72 x 97. Autor: Cornelis Bisschop.  Colecção Privada. - Web Gallery
Interior da cozinha com uma mulher cozinhando e um menino soprando as chamas. O espaço por trás das figuras principais recua num interior de plano alto e aberto. 


A partir da primeira metade do século XVII, surge um novo estilo, com expressão máxima na cidade de Roma, divulgado em Nápoles, Turim e Veneza, que  se estende depois à Europa e ao Novo Mundo. O estilo Barroco vai permanecer até aos primeiros anos do século XVIII.


A Cozinheira. Óleo sobre Tela. Data: 1625. Dimensões: 7176 x 185. Autor: Bernardo  Strozzi.  Galeria do Palácio Rossi. - Web Gallery
A pintura pode ser considerada uma obra-prima do de gênero italiano. Destaca-se a figura animada da cozinheira, o lume acesso e alimentos prestes a cozinhar..



Cassone. Cómoda em madeira de cipreste, decorada na frente nas laterais e no interior. Renascença italiano. Local de origem: Itália. Data: 1550 - 1600. Dimensões: 45,5 x 104,5 x 58,5 cm. - Victoria and Albert Museum.


Fontes:

http://www.mba.tours.fr/TPL_CODE/TPL_COLLECTIONPIECE/97-17e.htm?PIECENUM=1218

http://collections.vam.ac.uk/item/O60676/armchair-u://collections.artsmia.org/art/1838/lady-at-her-toilet-unknown-dutch-17th-century

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/437071?searchField=All&sortBy=Relevance&ft=Gabri%c3%abl+Metsu&offset=0&rpp=20&pos=3

https://en.wikipedia.org/wiki/Palace_of_Fontainebleau#Apartment_of_the_Pope_and_of_the_Queen-Mothers

https://collections.geneve.ch/mah/oeuvre/la-visite/basz-0005

https://collections.vam.ac.uk/item/O59041/cabinet-unknown/

http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=260639&EntSep=4#gotoPosition

https://www.metmuseum.org/art/collection/search/436932?searchField=All&sortBy=Relevance&ft=Pieter+de+Hooch&offset=480&rpp=80&pos=540

https://collections.vam.ac.uk/item/O299361/cupboard-unknown/

https://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bisschop/cornelis/kitchen.html

https://www.wga.hu/frames-e.html?/html/s/strozzi/1/the_cook.html

https://collections.vam.ac.uk/item/O123710/cassone-unknown/

https://www.infopedia.pt/$produtos-e-riquezas-dos-descobrimentos

Montenegro, Ricardo. Guia da História do Mobiliário. 1995. Presença, Editorial. Lisboa.

1974. O Grande Livro da Deciração Selecções do Reader´s Digest. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Interiores do século XVI na pintura

"Nascimento da Virgem". Tempera sobre tela (126 X 128 cm). Data: 1504-08. Autor: Vittore Carpaccio. Academia Carrara, Bergamo. - Web Gallery of Art.
No quarto de dormir representado na imagem, a cama encontra-se resguardada, numa alcova protegida por cortinados pesados. Ao fundo, o acesso a outras divisões da casa.

O móvel renascentista, teve a sua origem em Itália. Caracteriza-se pela dependência da arquitectura e pela inspiração na arte clássica. No século XVI, o mobiliário do Renascimento  personaliza-se. 
O conceito da habitação como "residência", faz com que os móveis sejam elementos fundamentais na organização da casa senhorial.


"O Sonho de Santa Úrsula". Tempera sobre tela (274 X 267 cm). Final do século XV (1495). Autor: Vittore Carpaccio. Galeria da Academia, Veneza. - Web Gallery of Art
Quarto de dormir, com uma cama de dossel, sustentado por hastes finas e torneadas, uma mesa e uma cadeira, entre outros objectos.


As linhas e os planos horizontais predominam, emprestando aos móveis renascentistas um aspecto majestoso. Os tipos de móveis mais tradicionais , como camas, arcas e armários, são enriquecidos com entalhados geométricos, espelhos embutidos, colunas, pedestais, molduras...



Cama toscana com cassoni. Esta cama de finais do século XV, caracteriza-se por uma estrutura de inspiração arquitectónica, cujas superfícies apresentam rectângulos dispostos lado a lado, simples e ritmados. Montenegro, Ricardo. Guia da História do Mobiliário.Presença. Editora.

 
Na Europa as tendências artísticas dominantes, no final do período do século XVI, variam conforme os países.
Em França existem numerosos artesãos e artistas flamengos e holandeses. Os móveis mostram predominância de elementos decorativos, tais  como cariátides, grinaldas, florões, festões, volutas...
A Inglaterra mantém isento das influências estrangeiras estilos como o Tudor e o Isabelino, até meados do século XVI. 


Poltrona articulada (tipo Dantesca). Madeira de nogueira com entalhes, veludo de seda bordado, franja e metal. Século XVI Origem: Itália. - The Metropolitan Museum of Art. 
Durante a Renascença italiana, tem grande popularidade a cadeira savonarola, uma cadeira dobrável (movimento de tesoura) realizada em madeira. A cadeira tipo dantesca é apenas feita com quatro elementos, unidos por uma trave. Os apoios de braços têm a forma de S, e os trilhos na base terminam em pés com forma de garra. Os estofados são de veludo de seda azul bordado, com franjas verdes.



"Nascimento de São João Baptista". Afresco, largura 450 cm. Capela Tornabuoni, Santa Maria Novella, Florença. Final do século XV (1486-90). Autor: Ghirland Domenico. - Web Gallery of Art.
Interior de um quarto de dormir com cama renascentista, de final do séc. XV.


Em Portugal prepondera o domínio das artes decorativas e mobiliário, não só sob o ponto de vista técnico mas também na criação de novas formas. No século XVI, Lisboa tem  66 pintores e douradores, e 47 debuxadores - ofícios ligados à fabricação de mobiliário. O móvel tem uma procura significativa como peça de arte. 


"Nascimento de Maria". Afresco, largura 450 cm. Capela Tornabuoni, Santa Maria Novella, Florença. Final do século XV (1486-90). Autor: Ghirland Domenico. - Web Gallery of Art.
Interior ricamente decorado, com um friso em relevo, cama renascentista e colunas.


A residência das classes abastadas do Renascimento, é organizada em edifícios com vários andares: no rés-do-chão, situam-se as zonas de serviço; no primeiro andar, habita o proprietário e a família; o último andar destina-se ao alojamento do pessoal e depósito de objectos.


"A Partida dos Embaixadores".  Óleo sobre tela (280 X 253cm). Data: 1495-1500. Autor: Vittore Carpaccio.  Galeria da Academia, Veneza. - Web Gallery of Art.
O salão, grandioso e ricamente decorado, reflecte o prestígio do seu proprietário. Ao fundo, a passagem para outras divisões da casa, faz-se por um enorme corredor com uma escada. 

O salão é a divisão mais representativa, ricamente decorada com frescos, tapeçarias e mobilado com as peças mais significativas e ricas. Este aposento é sempre dominado por uma grande chaminé.
O quarto de dormir, ganha maior privacidade e define-se como local separado do resto da casa. É comum existir uma sala destinada à leitura, à escrita e onde se trata de negócios.


"A Anunciação". Óleo sobre madeira (86,4 x 80 cm). Data: ca. 1525. Autor: Joos van Cleve. - The Metropolitan Museum of Art.
Interior cuidadosamente mobilado, com cama de dossel, cadeira e armário tipicamente renascentista.



Armário. Madeira de nogueira, entalhe dourado. Data: 1580-1600. Renascença francês. - Victoria and Albert Museum 


As habitações das classes menos abastadas podem ser organizadas numa única divisão, ou podem ter dois pisos: um rés-do-chão, onde se desenvolvem todas as actividades quotidianas como, cozinhar, trabalhar, receber, e um piso superior utilizado como quarto de dormir.



Interior de cozinha
. Óleo sobre tela (116 x 80,5 cm). Data: 1565. Autor : Marten van Cleve. - Castelo Skokloster - Skoklosters slott
Interior de uma cozinha, com pessoas ocupadas em diversas tarefas. Uma mulher mexe uma panela. Dois homens conversam, enquanto um agarra num coelho, o outro segura num prato. Uma mulher, cuida de uma criança. Um grupo de pessoas dedica-se à lavagem da loiça. Ao fundo, um armário e uma grande chaminé. 


Cama.  Estilo típico das camas de madeira da década de 1590. Material: Madeira de carvalho entalhado. As figuras humanas esculpidas na cabeceira da cama, eram originalidade pintadas com cores vivas. Painéis de marchetaria. Dimensões: 326 cm de largura. Designer: Vredeman de Vries, Hans. - Victoria and Albert Museum 


Nascimento de São João Baptista. Pintura a óleo sobre madeira. Data: Último quartel do século XVI. Dimensões: 103 x 86 cm. Autor: Oficina portuguesa círculo de Simões Rodrigues. - Museu de Arte Sacra do Funchal.
Interior de um quarto. Em primeiro plano, a Virgem com São João Baptista, no colo, e num segundo plano, repousa, no seu leito de dossel, Santa Isabel.




Fontes:

https://www.wga.hu/html/c/carpacci/2/05birth.html
https://www.wga.hu/html/c/carpacci/1ursula/2/50dream.html
https://www.wga.hu/html/g/ghirland/domenico/6tornab/62tornab/3birth.html
https://www.metmuseum.org/art/collection/search/461135?searchField=All&sortBy=Relevance&what=Seating+furniture&ft=*&offset=320&rpp=80&pos=346
https://www.wga.hu/html/g/ghirland/domenico/6tornab/61tornab/2birth.html
https://www.wga.hu/html/c/carpacci/1ursula/1/20depart.html
https://www.metmuseum.org/art/collection/search/436791
http://collections.vam.ac.uk/item/O58198/cabinet-unknown/
http://emuseumplus.lsh.se/eMuseumPlus?service=ExternalInterface&module=collection&objectId=24929&viewType=detailView
http://collections.vam.ac.uk/item/O9138/great-bed-of-ware-bed-vredeman-de-vries/
http://www.masf.pt/homepage.html
Montenegro, Ricardo. Guia da História do Mobiliário.Presença. Editora.